Por que eu não consigo aceitar que tenho lúpus eritematoso sistêmico (LES), mesmo depois de tantos e
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Por que eu não consigo aceitar que tenho lúpus eritematoso sistêmico (LES), mesmo depois de tantos exames e diagnósticos?
Olá, gostaria de te parabenizar pela iniciativa de buscar ajuda profissional. Já é um grande passo.
Desse modo, vou tentar responder sua pergunta do melhor modo.
Muitas vezes imaginamos a aceitação como um momento de virada: “recebi o diagnóstico, agora preciso aceitar e seguir em frente”. Mas na experiência real com doenças crônicas, a aceitação é mais como um movimento "em onda", um fluxo contínuo de vai e vem. Você pode sentir que já aceitou, e num dia qualquer — ao olhar no espelho, ao ter uma crise inesperada, ao ouvir um comentário — tudo desaba de novo. Isso não significa que você não está se esforçando; significa que aceitar uma condição que muda a relação com o corpo e com o futuro é um trabalho que se renova.
Na esquizoanálise, entendemos que não somos “sujeitos” fixos que simplesmente adicionam uma informação. Somos feitos de fluxos, territórios existenciais, memórias, afetos. O diagnóstico de lúpus não é apenas um dado médico; ele desorganiza a imagem que você tinha de si. Pode haver com isso:
- Uma discrepância entre “quem eu achava que era” e “quem essa doença diz que eu sou”.
- Medo de que essa nova identidade (a “pessoa com lúpus”) apague outras partes suas que são importantes.
- Se na sua história você já foi desacreditada em suas dores (por questões de gênero, raça, classe), o diagnóstico pode reativar essa desconfiança: “será que é isso mesmo? Será que vão usar isso contra mim?”
- Não aceitar pode ser uma forma de proteger uma imagem de si que está ameaçada.
E todos esses questionamentos são legítimos e reais.
E talvez, essa mudança, em termos de aceitação, possa iniciar ao entendermos que esse movimento de "desorganização" e "reorganização" é um elemento essencial para o fluxo da vida, principalmente ao nos depararmos com situações que modificam a nossa relação com nosso próprio corpo e com o mundo.
Não existe um tempo específico para tal, mas a psicoterapia pode ser essencial para te ajudar nesse processo, uma vez que atua enquanto um espaço seguro e acolhedor para você nomear as emoções, medos, angústias e construir novos fluxos de possibilidade. O fato das coisas não serem mais como "eram" não significa que devam ser necessariamente piores, o movimento de reorganização pode ser algo potente e grandioso também.
Espero te ajudado com a sua pergunta, e me coloco à disposição para ajudar no que for possível!
Desse modo, vou tentar responder sua pergunta do melhor modo.
Muitas vezes imaginamos a aceitação como um momento de virada: “recebi o diagnóstico, agora preciso aceitar e seguir em frente”. Mas na experiência real com doenças crônicas, a aceitação é mais como um movimento "em onda", um fluxo contínuo de vai e vem. Você pode sentir que já aceitou, e num dia qualquer — ao olhar no espelho, ao ter uma crise inesperada, ao ouvir um comentário — tudo desaba de novo. Isso não significa que você não está se esforçando; significa que aceitar uma condição que muda a relação com o corpo e com o futuro é um trabalho que se renova.
Na esquizoanálise, entendemos que não somos “sujeitos” fixos que simplesmente adicionam uma informação. Somos feitos de fluxos, territórios existenciais, memórias, afetos. O diagnóstico de lúpus não é apenas um dado médico; ele desorganiza a imagem que você tinha de si. Pode haver com isso:
- Uma discrepância entre “quem eu achava que era” e “quem essa doença diz que eu sou”.
- Medo de que essa nova identidade (a “pessoa com lúpus”) apague outras partes suas que são importantes.
- Se na sua história você já foi desacreditada em suas dores (por questões de gênero, raça, classe), o diagnóstico pode reativar essa desconfiança: “será que é isso mesmo? Será que vão usar isso contra mim?”
- Não aceitar pode ser uma forma de proteger uma imagem de si que está ameaçada.
E todos esses questionamentos são legítimos e reais.
E talvez, essa mudança, em termos de aceitação, possa iniciar ao entendermos que esse movimento de "desorganização" e "reorganização" é um elemento essencial para o fluxo da vida, principalmente ao nos depararmos com situações que modificam a nossa relação com nosso próprio corpo e com o mundo.
Não existe um tempo específico para tal, mas a psicoterapia pode ser essencial para te ajudar nesse processo, uma vez que atua enquanto um espaço seguro e acolhedor para você nomear as emoções, medos, angústias e construir novos fluxos de possibilidade. O fato das coisas não serem mais como "eram" não significa que devam ser necessariamente piores, o movimento de reorganização pode ser algo potente e grandioso também.
Espero te ajudado com a sua pergunta, e me coloco à disposição para ajudar no que for possível!
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