Por que o hiperfoco é frequentemente associado ao Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade

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Por que o hiperfoco é frequentemente associado ao Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e Transtorno do espectro autista (TEA) e não ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
Ótima pergunta! O termo hiperfoco costuma ser usado para descrever uma alteração na função cognitiva da atenção. A atenção saudável envolve não só a capacidade de manter o foco, mas também de alterná-lo conforme a situação exige. Quando essa alternância está desregulada, a pessoa pode acabar ficando “presa” em um foco específico, o que traz prejuízos para a adaptação social e o funcionamento cotidiano.

Como essas alterações nas funções cognitivas geralmente têm origem precoce, ou seja, são características do neurodesenvolvimento, o hiperfoco acaba sendo mais frequentemente associado a transtornos como o TDAH e o TEA, que são do neurodesenvolvimento.

No entanto, é importante lembrar que no TOC também podem ocorrer dificuldades parecidas. Pensamentos intrusivos e obsessões podem gerar um tipo de concentração intensa e repetitiva, que se assemelha ao hiperfoco. A diferença principal é que, no TOC, o que está mais comprometido é o processo do pensamento em si, e a atenção é afetada de forma secundária.

Por isso, o diagnóstico diferencial pode ser desafiador, e precisa ser feito a partir de uma boa anamnese e da compreensão cuidadosa do funcionamento do indivíduo.

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O hiperfoco é mais associado ao TDAH e ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) porque, nesses casos, ele está ligado a interesse, curiosidade e prazer na atividade. Já no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), o foco intenso é motivado pela ansiedade e pela necessidade de aliviar pensamentos obsessivos, o que o torna menos espontâneo e mais desgastante.
O hiperfoco é frequentemente associado ao TDAH e ao TEA porque nesses transtornos ele surge como uma característica de atenção intensa voltada a interesses ou atividades específicas, com função adaptativa ou prazerosa. No TDAH, o foco intenso ocorre em tarefas estimulantes e pode ser produtivo, apesar da dificuldade de alternar a atenção. No TEA, o hiperfoco está ligado a interesses restritos e repetitivos, permitindo aprofundamento e aquisição de habilidades, sem gerar sofrimento direto. No Transtorno Obsessivo-Compulsivo, a atenção intensa normalmente não é adaptativa nem prazerosa: ela está vinculada a obsessões e compulsões, é involuntária e gera ansiedade ou desconforto. Por isso, apesar de haver concentração intensa em pensamentos ou rituais, o TOC não é classificado como transtorno de hiperfoco, já que o foco rígido serve para reduzir tensão emocional e não para absorção funcional ou interesse pessoal.
O hiperfoco é frequentemente associado ao Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)e ao Transtorno do espectro autista (TEA) porque, nesses quadros, ele costuma surgir como uma atenção intensa e prolongada em algo que desperta muito interesse, prazer ou sensação de recompensa. A pessoa pode ficar tão envolvida naquela atividade que perde a noção do tempo e tem dificuldade de mudar o foco.

Já no Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), o funcionamento costuma ser diferente. Embora exista uma grande dificuldade de “desligar” de certos pensamentos ou comportamentos, isso geralmente acontece por ansiedade, medo ou necessidade de aliviar um desconforto interno . E não necessariamente por interesse ou prazer. Por isso, no TOC falamos mais em obsessões e compulsões do que em hiperfoco propriamente dito.

De forma simplificada:
- No TDAH: o cérebro pode “grudar” no que é altamente estimulante.
- No TEA: é comum haver interesses específicos muito intensos.
- No TOC: a repetição tende a estar ligada à ansiedade e à tentativa de obter alívio.

Na prática clínica, esses quadros podem até apresentar algumas semelhanças e sobreposições, mas entender a função emocional e psicológica daquele comportamento é o que ajuda a diferenciar cada caso

Se você percebe dificuldades relacionadas à atenção, pensamentos repetitivos, ansiedade ou hiperfoco, a psicoterapia pode ajudar muito no autoconhecimento e na construção de estratégias mais saudáveis. Estou à disposição para te acompanhar nesse processo

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