Por que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) lutam tanto com a instabilidade emo

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Por que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) lutam tanto com a instabilidade emocional?
Uma das características do TPB é que ele apresenta uma maior fragilidade neurobiológica, levando a uma reação emocional mais intensa e muitas vezes desproporcional à situação. Estudos indicam que há uma hiperatividade da amigdala, um campo cerebral bem desenvolvido até mesmo em animais primitivos como os répteis, responsável pela ativação do estado de alerta e das reações necessárias para a sobrevivência, que no caso do ser humano, inclui a necessidade de pertencimento social (não sobreviveríamos sozinhos na natureza). Por isso, diante de situações sociais neutras ou ambíguas, a pessoa pode acabar interpretando como um sinal negativo, uma ameaça de exclusão ou rejeição. Ao mesmo tempo que essa "interpretação exagerada" de uma ameaça e uma reação desproporcional acontecem, um outro campo cerebral, responsável pela previsão das consequências e pelo raciocínio deixa de ser acessado, e por isso fica tão difícil "voltar" ao estado de tranquilidade e pensar com clareza, levando à impulsividade. Fatores hereditários podem contribuir para uma tendência a este perfil, assim como as experiências de vida, principalmente se ela de fato vivenciou traumas como abandono, abuso físico, emocional, sexual ou negligência, por exemplo. Eu o convido a ler um livro muito bom que trata sobre o assunto: Mentes que amam demais: O jeito borderline de ser, da Dra Ana Beatriz Barbosa Silva, acredito que vai trazer muito conhecimento a respeito das questões que atravessam a pessoa que vivencia esse transtorno, assim como pode ajudar quem convive com a pessoa a compreender o porquê destes desajustes.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? A sua pergunta toca no coração do que realmente acontece no TPB, porque essa sensação de instabilidade emocional não nasce de fraqueza ou de “exagero”, mas de um funcionamento interno muito sensível, moldado por experiências afetivas, pela forma como o cérebro aprendeu a reagir e pelos padrões que se repetem nos vínculos ao longo da vida.

Pessoas com TPB sentem mais rápido, mais fundo e por mais tempo. É como se o sistema emocional viesse sem filtro, captando nuances que outras pessoas talvez nem percebam. Um pequeno sinal de afastamento, uma mudança de tom ou um silêncio inesperado pode acionar uma sensação intensa de ameaça. O cérebro interpreta isso como risco de perda, rejeição ou abandono e ativa estados emocionais muito fortes. Quando essa reação vem, ela toma o corpo inteiro antes mesmo de a pessoa conseguir pensar. Não é falta de controle — é o corpo reagindo com urgência.

Talvez seja importante observar como isso aparece na sua própria experiência. Em que momentos você percebe que suas emoções mudam de forma brusca, quase sem aviso? O que acontece dentro de você quando alguém importante parece distante, mesmo que sutilmente? E como você interpreta essas situações: como perigo, como rejeição, como algo definitivo? Essas pistas ajudam a entender onde a instabilidade emocional ganha força.

Se fizer sentido para você explorar esse funcionamento com mais calma e entender por que essas emoções chegam tão intensas — e como construir uma experiência interna mais estável e segura — posso te acompanhar nesse processo com cuidado. Caso precise, estou à disposição.

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