Por um bom tempo da minha vida fui um compulsivo sexual talvez porque sempre me sentia não atraente

3 respostas
Por um bom tempo da minha vida fui um compulsivo sexual talvez porque sempre me sentia não atraente e com muita fobia social tinha as vezes a mania de olhar a virilha de algumas pessoas que pra mim eram atraentes porém há pouco tempo me converti ao cristianismo e parei dessas práticas homo afetivas porém um dia tive uma discussão com uma pessoa e daquele dia se que consigo ter contato visual com alguém principalmente com homens mas independente se tenho atração ou não isso é muito forte e é como se as pessoas percebessem gerando um clima de nervosismo muito forte tanto pra mim e pra a pessoa com quem estou falando e tem sido uma tortura isso pra mim.
Há solução pra isso?
O que você descreve parece envolver uma combinação de ansiedade social intensa, hipervigilância do contato visual e uma espécie de “auto-monitoramento” muito forte nas interações, em que você fica tão preocupado com como está sendo percebido que o contato com as pessoas passa a gerar tensão automática. Isso pode acontecer independentemente da orientação sexual ou da história de comportamentos anteriores, e não significa que exista algo “errado” com você, mas sim um padrão de ansiedade que ficou condicionado ao longo do tempo.

Quando alguém passa por experiências de fobia social, insegurança corporal, culpa ou conflitos internos, o cérebro pode começar a interpretar situações sociais como ameaçadoras. A partir daí, coisas normais como olhar nos olhos, conversar ou estar perto de alguém passam a ativar sintomas físicos de ansiedade, como tensão, desconforto, sensação de que o outro percebe seu nervosismo e até bloqueio do contato visual. Isso cria um ciclo: quanto mais você tenta controlar, mais consciente fica, e mais difícil parece.

Esse tipo de quadro costuma melhorar bastante com tratamento adequado, principalmente com psicoterapia (como terapia cognitivo-comportamental) e, em alguns casos, medicação para ansiedade quando indicado por um psiquiatra. O foco não é “forçar contato visual”, mas reduzir a ansiedade de base, trabalhar crenças de autocrítica, medo de julgamento e recondicionar a forma como você se percebe nas interações sociais.

Também é importante dizer que esse “clima de que o outro percebe tudo” geralmente é uma distorção da ansiedade chamada de leitura mental, em que o cérebro assume que os outros estão percebendo sinais internos que, na realidade, não são tão visíveis assim.

Existe solução sim, e esse tipo de sofrimento costuma melhorar bastante quando tratado de forma consistente.

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Dra. Amanna Vieira Gama
Psiquiatra
Vitória da Conquista
Há diversas possibilidades para buscar uma solução. Primeiramente, no momento que impulsos ou compulsões trazem prejuízo social, de funcionamento ou causam sofrimento no indivíduo, já é um grande indicativo de necessidade de busca de ajuda profissional psiquiátrica e psicológica. Diversas questões podem vir acompanhados desses pensamentos, principalmente quando eles estão em conflito com valores ou crenças do indivíduo. Aconselho fortemente que procure acompanhamento psicoterapêutico para desenvolver melhor esses pensamentos e impulsos com um psicoterapeuta, e também uma consulta psiquiátrica para ajudar a destrinchar melhor esses sintomas, diferenciando entre pensamentos obsessivos-compulsivos, pensamentos intrusivos ou impulsivos, a fim de traçar a melhor estratégia de tratamento medicamentoso e não medicamentoso para você.
Dra. Jéssica Carpaneda
Psiquiatra, Médico clínico geral, Generalista
Brasília
Há solução, sim. E o ponto não parece ser apenas o olhar em si. Pelo que você descreve, antes existia uma questão ligada ao desejo, à vergonha e à sensação de não se sentir atraente. Depois da sua conversão e, principalmente, depois dessa discussão, parece que algo mudou: o olhar passou a ser vivido como ameaça. Como se, ao olhar para alguém, você pudesse ser “descoberto”, mal interpretado ou expor algo que tenta controlar. Isso gera um ciclo muito angustiante. Você tenta controlar o olhar, passa a prestar atenção demais nele, fica mais tenso, o contato visual perde a naturalidade e aí vem a sensação de que o outro percebeu. Quanto mais você tenta evitar, mais o sintoma cresce. Não vejo isso como falta de fé ou falta de força de vontade. Parece mais um sofrimento psíquico importante, misturado com culpa, medo, ansiedade e vigilância constante sobre si mesmo. O tratamento ajuda justamente a entender o que ficou preso nessa experiência e a recuperar naturalidade no contato com as pessoas. Vale procurar uma avaliação com calma, porque dá para trabalhar isso sem julgamento e sem reduzir sua história a um rótulo.

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