Quais as causas do complexo de rejeição de uma pessoa ?

4 respostas
Quais as causas do complexo de rejeição de uma pessoa ?
 Maisa Guimarães Andrade
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Olá, agradeço pela sua pergunta, que toca em um aspecto sensível e muito presente no sofrimento de muitas pessoas. O chamado complexo de rejeição não surge do nada e não se resume ao medo de ser recusado por alguém. Do ponto de vista da psicanálise, ele está profundamente ligado à história de cada sujeito, à forma como os primeiros vínculos foram estabelecidos e ao modo como o desejo e o afeto foram experimentados na infância.

Geralmente, as causas do complexo de rejeição estão associadas a vivências precoces de falta, de não reconhecimento ou de vínculos marcados por instabilidade, ausência emocional ou exigência excessiva. Quando a criança sente, mesmo que de forma inconsciente, que precisa se esforçar para ser amada, aceita ou vista, pode se formar uma marca psíquica que se repete nas relações futuras. Esse sentimento pode se manifestar mais tarde como insegurança, medo de abandono, necessidade constante de aprovação ou até dificuldade de confiar em vínculos afetivos.

É importante compreender que esse complexo não é sinal de fraqueza ou exagero emocional. Ele fala de uma dor psíquica que, muitas vezes, o sujeito tenta compensar com estratégias de defesa como o isolamento, a submissão ou a tentativa de agradar a todo custo. A angústia da rejeição costuma ser desproporcional ao fato presente porque está ligada não apenas à situação atual, mas a experiências passadas que ainda estão vivas dentro do sujeito.

A terapia psicanalítica pode ajudar justamente ao criar um espaço de escuta onde essas experiências possam ser lembradas, ditas e, aos poucos, elaboradas. O objetivo não é apagar a dor da rejeição, mas permitir que ela seja compreendida em sua origem, para que o sujeito possa se reposicionar diante dela. Ao se escutar com mais profundidade, é possível reconhecer as repetições inconscientes, dar nome ao que antes era apenas angústia difusa e construir novas formas de estar nas relações.

Se você sente que esse sentimento de rejeição tem te acompanhado e afetado sua vida emocional, saiba que essa dor tem uma história e merece ser escutada com seriedade e cuidado. A terapia pode ser o espaço onde esse sofrimento deixa de ser um peso solitário e passa a ser transformado em algo que você possa, enfim, compreender e atravessar. Estou aqui caso decida iniciar esse caminho.

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Dra. Leticia Sanches de Castilho
Psicanalista, Psicólogo
São Paulo
O complexo de rejeição geralmente tem origem em vivências precoces em que a pessoa se sentiu ignorada, desvalorizada ou emocionalmente negligenciada — seja por figuras parentais, cuidadores ou experiências de exclusão social.
Do ponto de vista psicanalítico, isso pode surgir quando o sujeito, ainda na infância, percebe que precisa reprimir partes de si para ser aceito. A dor da rejeição inicial, muitas vezes não simbolizada, pode se fixar e influenciar profundamente os vínculos futuros. Algumas possíveis causas incluem:
-Falta de acolhimento emocional na infância;
-Críticas excessivas ou comparação com irmãos/colegas;
-Abandono ou separações precoces;
-Bullying ou exclusões sociais;
-Traumas afetivos, como rejeição amorosa marcante.
Com o tempo, isso pode gerar uma hipersensibilidade à rejeição, levando a comportamentos de evitação, autossabotagem, necessidade constante de aprovação ou dificuldade de confiar nos vínculos.
Depende, cada caso vai ter uma causa diferente. Geralmente está relacionado traumas na infância( sentimento de rejeição na infância, bullyng, exclusão...)
Dr. Amiris Costa
Psicólogo
Rio de Janeiro
Boa tarde!

O "complexo de rejeição" não é um diagnóstico médico único, mas um conjunto de padrões emocionais e comportamentais que surgem de experiências passadas. Ele geralmente se desenvolve a partir de uma combinação de fatores ambientais, psicológicos e, às vezes, temperamento nato.

Aqui estão as principais causas divididas por categorias:

1. Causas na Infância (A Base do Apego)
A psicologia do desenvolvimento sugere que o medo crônico da rejeição muitas vezes nasce nas primeiras relações:

Abandono Real ou Simbólico: Pais ausentes (fisicamente ou emocionalmente) ou cuidadores que mudam constantemente.

Apego Inseguro-Ambivalente: Quando os pais são carinhosos em um momento e frios no outro. A criança nunca sabe o que esperar e desenvolve uma ansiedade constante sobre ser "aceita" ou "deixada".

Crítica Excessiva ou Perfeccionismo: Pais que só oferecem afeto se a criança tirar boas notas ou se comportar perfeitamente. A criança aprende que o amor é condicional e que "ser ela mesma" resultará em rejeição.

2. Experiências Traumáticas com Pares
Nem tudo vem da família. O ambiente social na juventude tem um peso enorme:

Bullying Escolar: Ser alvo de exclusão sistemática ou humilhação por parte de colegas cria uma ferida profunda na autoestima.

Trauma Amoroso: Uma traição ou um término de relacionamento muito doloroso e inesperado pode fazer com que o cérebro crie uma "armadura" contra novas rejeições.

3. Fatores Biológicos e Temperamento
Sensibilidade ao Processamento Sensorial: Algumas pessoas nascem com um sistema nervoso mais sensível (Pessoas Altamente Sensíveis - PAS). Elas sentem emoções de forma mais intensa, incluindo a dor social.

Desequilíbrio de Neurotransmissores: Níveis baixos de serotonina podem estar associados a uma maior sensibilidade à crítica e ao humor depressivo.

4. O Ciclo Cognitivo (Causa Mantenedora)
Uma vez que a pessoa se sente rejeitada algumas vezes, ela desenvolve distorções cognitivas:

Leitura Mental: Ela assume que os outros estão pensando mal dela, sem provas.

Filtro Negativo: Ela ignora 10 elogios e foca apenas no olhar de desaprovação de uma única pessoa.

Inibição Cognitiva Falha: Como discutimos antes, o cérebro não consegue "filtrar" a ideia de rejeição, mantendo o indivíduo em alerta máximo.

Qualquer coisa continuo à disposição.

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