Quais são os mecanismos de defesa que você observa em pacientes com Transtorno de Personalidade Bord

3 respostas
Quais são os mecanismos de defesa que você observa em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline quando eles negam o diagnóstico ou os sintomas associados?
Oi, tudo bem?
Ótima pergunta, bastante relevante na clínica. Espero que esteja tudo bem por aí.

No Transtorno de Personalidade Borderline, quando há negação do diagnóstico ou dos sintomas, alguns mecanismos de defesa podem aparecer como formas de proteção psíquica diante de conteúdos difíceis de reconhecer.

Entre os mais frequentes, podemos observar:

Negação: recusa em reconhecer o sofrimento ou o diagnóstico.
Racionalização: explicações lógicas para justificar comportamentos, minimizando o impacto emocional.

Projeção: atribuir ao outro sentimento ou intenções que são difíceis de reconhecer em si
Idealização e desvalorização: oscilações na forma de perceber o outro, especialmente nas relações.

Externalização da responsabilidade: dificuldade em se implicar nos próprios padrões, atribuindo ao ambiente ou às pessoas ao redor

Esses mecanismos não devem ser vistos como resistência “negativa”, mas como tentativas de organização psíquica diante de vivências intensas.

O trabalho terapêutico consiste justamente em, aos poucos, ajudar o paciente a reconhecer esses movimentos, dar sentido a eles e construir formas mais integradas de se relacionar consigo e com o outro.
Obrigada!!

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma pergunta muito interessante, porque quando falamos de negação no Transtorno de Personalidade Borderline, não estamos falando simplesmente de “não aceitar”, mas de um conjunto de estratégias internas que tentam proteger a pessoa de um sofrimento emocional muito intenso.

Na prática clínica, é comum observar mecanismos como a negação propriamente dita, mas também a minimização dos sintomas, a racionalização e, principalmente, a cisão. A cisão aparece quando a pessoa oscila entre visões muito extremas de si mesma ou dos outros, o que pode dificultar reconhecer padrões mais estáveis de funcionamento. Em alguns momentos, admitir o diagnóstico pode ser sentido como “eu sou isso por completo”, e isso ativa vergonha, medo de rejeição ou até sensação de vazio. O cérebro, tentando proteger dessa dor, acaba afastando essa possibilidade.

Também é frequente a projeção, quando aspectos difíceis de reconhecer em si são percebidos no outro, e a evitação emocional, que faz com que a pessoa se distancie de experiências internas que poderiam confirmar aquele diagnóstico. Do ponto de vista da neurociência, isso faz bastante sentido: sistemas ligados à ameaça e à dor emocional podem ficar hiperativados, e negar pode funcionar como uma tentativa de regulação rápida, ainda que não sustentável a longo prazo.

Algo que costuma ajudar muito em terapia não é confrontar diretamente essa negação, mas construir um espaço onde a pessoa possa, aos poucos, observar seus próprios padrões com menos julgamento. Nesse sentido, perguntas como: o que nesse diagnóstico toca em você de forma mais difícil?, quais partes disso parecem não fazer sentido e quais, mesmo que de forma incômoda, parecem familiares?, e o que você teme que possa acontecer se isso for verdade? podem abrir caminhos mais produtivos do que simplesmente tentar convencer.

Mais do que aceitar um rótulo, o trabalho terapêutico busca ampliar a consciência sobre padrões emocionais, relacionais e comportamentais, de forma que a pessoa possa ter mais escolha e menos sofrimento. Quando isso acontece, o diagnóstico deixa de ser uma ameaça e passa a ser apenas uma ferramenta de compreensão.

Caso precise, estou à disposição.
Entre os mecanismos de defesa mais comuns estão a negação, a projeção e a dificuldade em reconhecer a própria responsabilidade nas situações. Esses mecanismos não são “má vontade”, mas formas de proteção diante de emoções muito intensas, e precisam ser compreendidos com cuidado.

Especialistas

Anna Paula Balduci Brasil Lage

Anna Paula Balduci Brasil Lage

Psicólogo

Rio de Janeiro

Renato Furigo

Renato Furigo

Psicólogo

São Paulo

Claudia Matias Santos

Claudia Matias Santos

Psicólogo

Rio de Janeiro

Paloma Santos Lemos

Paloma Santos Lemos

Psicólogo

Belo Horizonte

Tamires Pimentel Souza

Tamires Pimentel Souza

Psicólogo

São Leopoldo

Renata Camargo

Renata Camargo

Psicólogo

Camaquã

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 5023 perguntas sobre Transtorno da personalidade borderline
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.

Seu caso é parecido? Esses profissionais podem te ajudar.

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.