Quais são os mecanismos de defesa que você observa em pacientes com Transtorno de Personalidade Bord

4 respostas
Quais são os mecanismos de defesa que você observa em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline quando eles negam o diagnóstico ou os sintomas associados?
Oi, tudo bem?
Ótima pergunta, bastante relevante na clínica. Espero que esteja tudo bem por aí.

No Transtorno de Personalidade Borderline, quando há negação do diagnóstico ou dos sintomas, alguns mecanismos de defesa podem aparecer como formas de proteção psíquica diante de conteúdos difíceis de reconhecer.

Entre os mais frequentes, podemos observar:

Negação: recusa em reconhecer o sofrimento ou o diagnóstico.
Racionalização: explicações lógicas para justificar comportamentos, minimizando o impacto emocional.

Projeção: atribuir ao outro sentimento ou intenções que são difíceis de reconhecer em si
Idealização e desvalorização: oscilações na forma de perceber o outro, especialmente nas relações.

Externalização da responsabilidade: dificuldade em se implicar nos próprios padrões, atribuindo ao ambiente ou às pessoas ao redor

Esses mecanismos não devem ser vistos como resistência “negativa”, mas como tentativas de organização psíquica diante de vivências intensas.

O trabalho terapêutico consiste justamente em, aos poucos, ajudar o paciente a reconhecer esses movimentos, dar sentido a eles e construir formas mais integradas de se relacionar consigo e com o outro.
Obrigada!!

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 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Essa é uma pergunta muito interessante, porque quando falamos de negação no Transtorno de Personalidade Borderline, não estamos falando simplesmente de “não aceitar”, mas de um conjunto de estratégias internas que tentam proteger a pessoa de um sofrimento emocional muito intenso.

Na prática clínica, é comum observar mecanismos como a negação propriamente dita, mas também a minimização dos sintomas, a racionalização e, principalmente, a cisão. A cisão aparece quando a pessoa oscila entre visões muito extremas de si mesma ou dos outros, o que pode dificultar reconhecer padrões mais estáveis de funcionamento. Em alguns momentos, admitir o diagnóstico pode ser sentido como “eu sou isso por completo”, e isso ativa vergonha, medo de rejeição ou até sensação de vazio. O cérebro, tentando proteger dessa dor, acaba afastando essa possibilidade.

Também é frequente a projeção, quando aspectos difíceis de reconhecer em si são percebidos no outro, e a evitação emocional, que faz com que a pessoa se distancie de experiências internas que poderiam confirmar aquele diagnóstico. Do ponto de vista da neurociência, isso faz bastante sentido: sistemas ligados à ameaça e à dor emocional podem ficar hiperativados, e negar pode funcionar como uma tentativa de regulação rápida, ainda que não sustentável a longo prazo.

Algo que costuma ajudar muito em terapia não é confrontar diretamente essa negação, mas construir um espaço onde a pessoa possa, aos poucos, observar seus próprios padrões com menos julgamento. Nesse sentido, perguntas como: o que nesse diagnóstico toca em você de forma mais difícil?, quais partes disso parecem não fazer sentido e quais, mesmo que de forma incômoda, parecem familiares?, e o que você teme que possa acontecer se isso for verdade? podem abrir caminhos mais produtivos do que simplesmente tentar convencer.

Mais do que aceitar um rótulo, o trabalho terapêutico busca ampliar a consciência sobre padrões emocionais, relacionais e comportamentais, de forma que a pessoa possa ter mais escolha e menos sofrimento. Quando isso acontece, o diagnóstico deixa de ser uma ameaça e passa a ser apenas uma ferramenta de compreensão.

Caso precise, estou à disposição.
Entre os mecanismos de defesa mais comuns estão a negação, a projeção e a dificuldade em reconhecer a própria responsabilidade nas situações. Esses mecanismos não são “má vontade”, mas formas de proteção diante de emoções muito intensas, e precisam ser compreendidos com cuidado.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Quando pacientes com esse tipo de funcionamento negam o diagnóstico ou os próprios sintomas, geralmente não estamos diante de uma simples recusa consciente, mas de mecanismos de defesa que ajudam a lidar com emoções muito intensas. Esses mecanismos não surgem “por acaso”, eles costumam ter uma função importante de proteção, especialmente em histórias marcadas por experiências emocionais difíceis.

Um dos mecanismos mais frequentes é a externalização. A pessoa tende a perceber os problemas como sendo causados principalmente pelos outros ou pelas circunstâncias, o que reduz temporariamente o contato com sentimentos mais vulneráveis, como medo, rejeição ou insegurança. Isso não significa falta de responsabilidade, mas uma forma de organizar a experiência de maneira menos dolorosa naquele momento.

Outro mecanismo bastante presente é a oscilação na forma de perceber a si e aos outros. Em alguns momentos, tudo pode parecer muito negativo ou injusto; em outros, pode haver uma minimização do que aconteceu. Essa alternância pode dificultar a construção de uma visão mais estável e integrada da própria experiência, mantendo a negação de certos padrões.

Também é comum observar racionalizações. O paciente encontra explicações que fazem sentido lógico para seus comportamentos, mas que nem sempre acessam o que está acontecendo emocionalmente. Isso ajuda a manter uma sensação de controle, mesmo que parcial.

Além disso, pode existir um certo afastamento emocional em relação a algumas experiências. Situações que foram intensas ou dolorosas podem ser relatadas de forma mais “desconectada”, como se não tivessem tanto impacto, o que pode dificultar o reconhecimento de como esses eventos influenciam o presente.

Talvez valha refletir: o que esses mecanismos estão tentando proteger? O que poderia ser sentido se eles não estivessem ali naquele momento? E como seria se aproximar dessas experiências com mais curiosidade do que julgamento?

Quando olhamos para esses mecanismos dessa forma, eles deixam de ser vistos como obstáculos e passam a ser entendidos como tentativas de adaptação. E é a partir dessa compreensão que o trabalho terapêutico costuma avançar com mais profundidade.

Caso precise, estou à disposição.

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