Qual a conduta quando o conflito envolve 'mentiras ou omissões' deliberadas de pacientes com Transto

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Qual a conduta quando o conflito envolve 'mentiras ou omissões' deliberadas de pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
 Ruviane Dalazen
Psicólogo
Rio de Janeiro
Em primeiro lugar, é importante compreender que, na maioria das vezes, as mentiras não surgem de forma gratuita ou manipulativa, mas como uma tentativa de lidar com emoções muito difíceis, como vergonha, medo de rejeição ou sensação de inadequação. Por exemplo, pode ser extremamente doloroso admitir sentimentos como inveja, fracasso ou solidão.
Pessoas com transtorno de personalidade borderline costumam ter grande dificuldade em regular suas emoções e tolerar desconfortos internos. Nesse contexto, a omissão ou distorção da realidade pode funcionar como uma estratégia de evitação emocional.
A conduta terapêutica envolve, a construção de um ambiente seguro, validante e livre de julgamentos, onde o paciente possa, gradualmente, se sentir à vontade para entrar em contato com aspectos mais vulneráveis de si.Ao mesmo tempo, é fundamental trabalhar a responsabilização de forma cuidadosa, ajudando o paciente a compreender as consequências de seus comportamentos, sem reforçar culpa ou abandono.
O manejo clínico busca equilibrar validação e limite: acolher o sofrimento que sustenta aquele comportamento, mas também promover maior consciência e alternativas mais saudáveis de enfrentamento.
Por fim, a psicoterapia é essencial nesse processo, e o envolvimento de familiares — quando possível — pode ser muito benéfico, oferecendo orientação e suporte para lidar com as dificuldades relacionais que costumam estar presentes.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Quando surgem mentiras ou omissões no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline, é importante ir além da ideia de “certo ou errado” e buscar entender a função daquele comportamento. Muitas vezes, não se trata apenas de enganar, mas de evitar uma dor, um julgamento, uma possível rejeição ou até uma consequência emocional difícil de sustentar naquele momento.

Se o terapeuta entra em confronto direto ou em uma postura investigativa rígida, o paciente pode se sentir exposto ou atacado, o que tende a aumentar a necessidade de se proteger. Por outro lado, ignorar completamente também não ajuda. O caminho mais terapêutico costuma ser trazer o tema com curiosidade e abertura, explorando o que levou àquela omissão ou distorção, sem perder a clareza sobre a importância da honestidade no processo.

Ao mesmo tempo, é fundamental sustentar que a terapia depende de um espaço minimamente confiável para funcionar. Isso não é colocado como exigência punitiva, mas como parte do cuidado. O terapeuta ajuda o paciente a perceber que esconder ou distorcer informações pode dificultar justamente aquilo que ele busca, que é ser compreendido e ajudado de forma mais profunda.

Fico pensando… quando você sente vontade de omitir algo, o que está em jogo naquele momento? Existe medo de como será visto, de decepcionar ou de perder algo importante? E o que acontece dentro de você quando percebe que não foi totalmente transparente em uma relação?

Com o tempo, esses momentos podem se transformar em oportunidades de fortalecer o vínculo, porque permitem trabalhar, de forma direta, temas como confiança, vulnerabilidade e medo de exposição. Quando bem manejados, eles ajudam a construir uma relação mais autêntica e segura.

Caso precise, estou à disposição.

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