Sou uma pessoa religiosa e enfrento sentimentos homossexuais que, muitas vezes, tento reprimir, sem
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Sou uma pessoa religiosa e enfrento sentimentos homossexuais que, muitas vezes, tento reprimir, sem sucesso. Estou ciente da abordagem psicológica que recomenda a aceitação de quem sou, mas acredito que minha sexualidade não me define completamente. Minha fé é extremamente importante para mim. Se não fosse, eu poderia simplesmente abandonar a religião e viver conforme os desejos do meu coração.
Contudo, essa não é minha escolha. Na igreja da qual sou membro, há um grande incentivo para compartilhar esse tipo de situação com outros membros, a fim de receber apoio. No entanto, não me sinto à vontade para fazer isso. Primeiro, por uma questão de confiança pessoal; segundo, porque não acredito que haja alguém na igreja capaz de me ajudar efetivamente. Na prática, compartilhar isso poderia trazer mais sofrimento do que soluções para os meus conflitos.
Quero deixar claro que não acredito em "cura gay" ou qualquer conceito semelhante. Meu desejo é encontrar uma forma de viver sem que esses sentimentos sejam um fardo constante em minha vida.
Acredito que buscar ajuda profissional, como a de um psicólogo, seria a melhor solução. No entanto, tenho receio de que alguns psicólogos (não todos, claro) adotem uma abordagem oposta à da minha igreja. Enquanto a igreja pode dizer "reprima-se", muitos psicólogos sugerem "aceite-se como você é e experimente".
Compreendo essa perspectiva e sei que ela pode funcionar para outras pessoas. Porém, para mim, seguir esse caminho feriria meus valores pessoais. Como já mencionei, se quisesse viver conforme meus desejos, eu simplesmente deixaria a igreja e seguiria minha vida. Minha escolha de permanecer na fé reflete a crença de que a vida vai além do que vemos e não se resume a satisfazer os desejos do corpo.
Isso tem sido um conflito para mim e não sei como lidar com essa situação. É possível compatibilizar meus valores pessoais com os meus sentimentos?
Contudo, essa não é minha escolha. Na igreja da qual sou membro, há um grande incentivo para compartilhar esse tipo de situação com outros membros, a fim de receber apoio. No entanto, não me sinto à vontade para fazer isso. Primeiro, por uma questão de confiança pessoal; segundo, porque não acredito que haja alguém na igreja capaz de me ajudar efetivamente. Na prática, compartilhar isso poderia trazer mais sofrimento do que soluções para os meus conflitos.
Quero deixar claro que não acredito em "cura gay" ou qualquer conceito semelhante. Meu desejo é encontrar uma forma de viver sem que esses sentimentos sejam um fardo constante em minha vida.
Acredito que buscar ajuda profissional, como a de um psicólogo, seria a melhor solução. No entanto, tenho receio de que alguns psicólogos (não todos, claro) adotem uma abordagem oposta à da minha igreja. Enquanto a igreja pode dizer "reprima-se", muitos psicólogos sugerem "aceite-se como você é e experimente".
Compreendo essa perspectiva e sei que ela pode funcionar para outras pessoas. Porém, para mim, seguir esse caminho feriria meus valores pessoais. Como já mencionei, se quisesse viver conforme meus desejos, eu simplesmente deixaria a igreja e seguiria minha vida. Minha escolha de permanecer na fé reflete a crença de que a vida vai além do que vemos e não se resume a satisfazer os desejos do corpo.
Isso tem sido um conflito para mim e não sei como lidar com essa situação. É possível compatibilizar meus valores pessoais com os meus sentimentos?
Como psicanalista, eu não diria a alguém em conflito entre sua sexualidade e sua fé: “aceite-se como você é e experimente”. Na análise, o que fazemos não é oferecer respostas prontas ou impor caminhos. Nosso trabalho é possibilitar que a pessoa possa se ouvir de verdade, compreender a posição subjetiva que está ocupando nesse momento e, a partir disso, encontrar uma forma própria de atravessar esse impasse, com o menor sofrimento possível.
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Olá,
Agradeço por compartilhar com tanta sinceridade algo tão íntimo e complexo. Eu reconheço a profundidade do seu sofrimento e também a seriedade com que você leva sua fé e seus valores. Isso, por si só, já demonstra coragem e responsabilidade consigo mesmo.
É importante dizer que, em um processo psicoterapêutico ético, o papel do psicólogo não é o de dizer o que você deve ou não fazer, nem de empurrar uma visão específica sobre a vida ou a sexualidade. O objetivo é justamente caminhar ao seu lado, ajudando você a compreender seus sentimentos, sua história e a encontrar um caminho que seja coerente com quem você é — considerando tanto os seus afetos quanto os seus valores mais profundos.
Sua escolha de permanecer na fé, mesmo diante do conflito, mostra que você está buscando viver com integridade. E isso não precisa excluir o cuidado psicológico. É possível, sim, compatibilizar seus valores espirituais com um acompanhamento que respeite a sua jornada — sem impor rotas prontas, mas oferecendo escuta, acolhimento e ferramentas para que você possa viver com mais leveza.
Viktor Frankl dizia que o ser humano pode encontrar liberdade mesmo nas situações mais difíceis, e que nossa capacidade de escolha — dentro das nossas crenças e limites — é o que nos torna verdadeiramente humanos.
Buscar apoio psicológico não é negar a fé. É cuidar da sua saúde mental com responsabilidade e maturidade. Existem profissionais capacitados, que podem respeitar sua cosmovisão religiosa e ajudar você a encontrar paz e coerência interior.
Estou à disposição no que puder ajudar.
Um abraço,
Leila Marques
Agradeço por compartilhar com tanta sinceridade algo tão íntimo e complexo. Eu reconheço a profundidade do seu sofrimento e também a seriedade com que você leva sua fé e seus valores. Isso, por si só, já demonstra coragem e responsabilidade consigo mesmo.
É importante dizer que, em um processo psicoterapêutico ético, o papel do psicólogo não é o de dizer o que você deve ou não fazer, nem de empurrar uma visão específica sobre a vida ou a sexualidade. O objetivo é justamente caminhar ao seu lado, ajudando você a compreender seus sentimentos, sua história e a encontrar um caminho que seja coerente com quem você é — considerando tanto os seus afetos quanto os seus valores mais profundos.
Sua escolha de permanecer na fé, mesmo diante do conflito, mostra que você está buscando viver com integridade. E isso não precisa excluir o cuidado psicológico. É possível, sim, compatibilizar seus valores espirituais com um acompanhamento que respeite a sua jornada — sem impor rotas prontas, mas oferecendo escuta, acolhimento e ferramentas para que você possa viver com mais leveza.
Viktor Frankl dizia que o ser humano pode encontrar liberdade mesmo nas situações mais difíceis, e que nossa capacidade de escolha — dentro das nossas crenças e limites — é o que nos torna verdadeiramente humanos.
Buscar apoio psicológico não é negar a fé. É cuidar da sua saúde mental com responsabilidade e maturidade. Existem profissionais capacitados, que podem respeitar sua cosmovisão religiosa e ajudar você a encontrar paz e coerência interior.
Estou à disposição no que puder ajudar.
Um abraço,
Leila Marques
Obrigada por compartilhar com tanta honestidade algo tão íntimo e sensível. Seu relato demonstra coragem, maturidade e um profundo compromisso com seus valores e sua fé — algo que merece ser acolhido com muito respeito. Como psicóloga, eu me coloco à disposição para te acompanhar nesse processo com escuta ética, empática e sem julgamentos. Meu papel não é te dizer o que fazer, mas te ajudar a compreender melhor seus sentimentos, suas escolhas e suas possibilidades dentro do caminho que você deseja seguir. A psicologia não precisa estar em oposição à fé — muito pelo contrário. Uma escuta clínica sensível pode ser justamente o espaço seguro onde você poderá elaborar seus conflitos internos, respeitando o que é essencial para você, sem pressão para adotar nenhum rótulo ou direção que te fira. Se você sentir que posso te ajudar nesse percurso, será um prazer caminhar ao seu lado, com acolhimento e cuidado. Você não está sozinho — e não precisa enfrentar isso em silêncio.
Agradeço por confiar esse dilema tão íntimo e delicado. O que você compartilha revela não apenas a intensidade do conflito, mas também a profundidade com que você leva a sério seus valores, seus sentimentos e sua fé. Essa honestidade consigo mesmo já é, por si só, um passo significativo.
Muitos impasses como esse não pedem soluções imediatas, mas sim um espaço em que possam ser sustentados, com respeito pela complexidade de cada parte envolvida. Você não está negando seus sentimentos, tampouco desprezando sua fé. Pelo contrário: você está tentando lidar com tudo isso de forma coerente com aquilo que acredita ser essencial na sua vida. E isso merece ser acolhido com cuidado.
É compreensível que você não se sinta seguro em compartilhar essa vivência na sua comunidade religiosa, especialmente se há o risco de ser mal compreendido ou até julgado. Assim como também é compreensível o receio em buscar ajuda psicológica e encontrar uma abordagem que invalide aquilo que, para você, é mais sagrado. Nem sempre é fácil encontrar um lugar onde seja possível falar dessas questões sem que uma parte precise ser sacrificada pela outra.
Mas esse lugar existe — e pode ser construído dentro de um processo terapêutico que escute a sua experiência de maneira respeitosa, sem reduzir você nem à sua sexualidade, nem à sua religião. Você não precisa escolher entre uma coisa ou outra. Seu desejo de seguir na fé e, ao mesmo tempo, compreender melhor esses sentimentos pode sim ser sustentado com integridade.
Talvez o que você esteja buscando não seja uma resposta pronta, mas um espaço em que essas tensões possam ser vividas sem desespero, com espaço para ressignificações ao longo do tempo. O sofrimento aparece quando a gente sente que está encurralado entre duas saídas ruins. Mas há caminhos em que não se trata de escolher, e sim de encontrar modos mais humanos e verdadeiros de permanecer consigo mesmo — mesmo que isso leve tempo.
Seu compromisso com o que é mais importante para você já mostra uma grande força. E é possível que, com o apoio certo, você consiga caminhar com menos peso e mais clareza, sem abrir mão da sua fé nem se perder de si mesmo.
Muitos impasses como esse não pedem soluções imediatas, mas sim um espaço em que possam ser sustentados, com respeito pela complexidade de cada parte envolvida. Você não está negando seus sentimentos, tampouco desprezando sua fé. Pelo contrário: você está tentando lidar com tudo isso de forma coerente com aquilo que acredita ser essencial na sua vida. E isso merece ser acolhido com cuidado.
É compreensível que você não se sinta seguro em compartilhar essa vivência na sua comunidade religiosa, especialmente se há o risco de ser mal compreendido ou até julgado. Assim como também é compreensível o receio em buscar ajuda psicológica e encontrar uma abordagem que invalide aquilo que, para você, é mais sagrado. Nem sempre é fácil encontrar um lugar onde seja possível falar dessas questões sem que uma parte precise ser sacrificada pela outra.
Mas esse lugar existe — e pode ser construído dentro de um processo terapêutico que escute a sua experiência de maneira respeitosa, sem reduzir você nem à sua sexualidade, nem à sua religião. Você não precisa escolher entre uma coisa ou outra. Seu desejo de seguir na fé e, ao mesmo tempo, compreender melhor esses sentimentos pode sim ser sustentado com integridade.
Talvez o que você esteja buscando não seja uma resposta pronta, mas um espaço em que essas tensões possam ser vividas sem desespero, com espaço para ressignificações ao longo do tempo. O sofrimento aparece quando a gente sente que está encurralado entre duas saídas ruins. Mas há caminhos em que não se trata de escolher, e sim de encontrar modos mais humanos e verdadeiros de permanecer consigo mesmo — mesmo que isso leve tempo.
Seu compromisso com o que é mais importante para você já mostra uma grande força. E é possível que, com o apoio certo, você consiga caminhar com menos peso e mais clareza, sem abrir mão da sua fé nem se perder de si mesmo.
Especialistas
Patricia Gomes Damasceno
Neurologista, Médico do sono, Neurofisiologista
Fortaleza
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Nathália Vieira
Nutricionista, Terapeuta complementar, Especialista em biomedicina
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