Tenho medo de que minha vida nunca mais será a mesma com lúpus eritematoso sistêmico (LES). Como pos
1
respostas
Tenho medo de que minha vida nunca mais será a mesma com lúpus eritematoso sistêmico (LES). Como posso aprender a lidar com essa incerteza sem me sentir desesperada ?
Olá, primeiramente gostaria de elogiar sua iniciativa de buscar ajuda, esse primeiro passo é fundamental! Agora, tentarei te ajudar do melhor modo.
Uma das maiores dores nesse medo é a sensação de que você está perdendo a vida que tinha, e que a que virá será uma versão empobrecida. Na esquizoanálise, trabalhamos com a ideia de que a vida é um processo de constantes desorganização e reorganização. O lúpus desorganiza brutalmente: ele tira você de certos lugares, rotinas, planos, identidades. Mas a desorganização não é o fim — ela convoca uma reorganização, ou seja, a criação de novos modos de existir, que não são “menores” que os anteriores, apenas diferentes.
Sinto dizer, mas de fato, Você não vai voltar a ser quem era antes, assim como ninguém volta a ser quem era depois de qualquer experiência que transforma a relação com o corpo e com o tempo. Mas isso não quer dizer que a pessoa que você está se tornando não possa construir uma vida significativa, afetiva, criativa — ainda que marcada por ritmos e limites novos.
As vezes esse "desespero" se apresenta como o medo do que é novo, do que ainda não está consolidado, do risco, do que não está sob o nosso controle... Mas de fato a vida, ela é sempre um eterno "vir a ser", não temos como ter um controle real sobre a vida, há sempre um imprevisto, uma mudança, algo que escapa à nossa capacidade de previsão - por melhor que sejamos na arte de prever ou de controlar variáveis - porque essa é a natureza da vida. Entender isso, retira de nós o peso e a culpa quando acontece algo fora das nossas expectativas.
Porém há alguns aspectos imediatos que podem ajudar, por exemplo:
* Separar o luto legítimo de uma antecipação catastrófica:
- O luto: você perdeu ou está perdendo certas possibilidades. Isso dói, e merece ser chorado, nomeado, compartilhado. Fazer luto não é fraqueza; é um trabalho psíquico necessário para que você possa se abrir ao novo.
- A antecipação catastrófica: é quando a mente projeta que tudo o que virá será só perda, sofrimento e isolamento. Essa projeção muitas vezes ignora sua capacidade de adaptação, sua rede de apoio, e os recursos que você ainda nem descobriu que tem. Produzindo assim: ansiedade, estresse e paralisação frente aos desafios.
* Nomeie o medo e compartilhe-o: Outro ponto muito importante é nomear e compartilhar o que se está sentindo, dentro de uma rede de apoio efetiva e um espaço seguro. Desse modo, esse medo é materializado e reduzido à sua real dimensão, enquanto que quando não é nomeado e compartilhado ele tende a assumir proporções bem maiores do que ele é de fato "na nossa mente".
Dessa maneira, acredito que a psicoterapia seria essencial para você nesse momento, criando um espaço seguro e potente para você nomear suas angústias, construir pontes de possibilidades e articular essas novas "versões" de si que serão essenciais para lidar com os novos desafios.
Por fim, é muito importante dizer que novos desafios não significar uma condição de existência pior, muito pelo contrário, porém exigirá atenção e reorganização.
Espero ter ajudado com sua pergunta, e me coloco à disposição para te ajudar com o que for preciso.
Uma das maiores dores nesse medo é a sensação de que você está perdendo a vida que tinha, e que a que virá será uma versão empobrecida. Na esquizoanálise, trabalhamos com a ideia de que a vida é um processo de constantes desorganização e reorganização. O lúpus desorganiza brutalmente: ele tira você de certos lugares, rotinas, planos, identidades. Mas a desorganização não é o fim — ela convoca uma reorganização, ou seja, a criação de novos modos de existir, que não são “menores” que os anteriores, apenas diferentes.
Sinto dizer, mas de fato, Você não vai voltar a ser quem era antes, assim como ninguém volta a ser quem era depois de qualquer experiência que transforma a relação com o corpo e com o tempo. Mas isso não quer dizer que a pessoa que você está se tornando não possa construir uma vida significativa, afetiva, criativa — ainda que marcada por ritmos e limites novos.
As vezes esse "desespero" se apresenta como o medo do que é novo, do que ainda não está consolidado, do risco, do que não está sob o nosso controle... Mas de fato a vida, ela é sempre um eterno "vir a ser", não temos como ter um controle real sobre a vida, há sempre um imprevisto, uma mudança, algo que escapa à nossa capacidade de previsão - por melhor que sejamos na arte de prever ou de controlar variáveis - porque essa é a natureza da vida. Entender isso, retira de nós o peso e a culpa quando acontece algo fora das nossas expectativas.
Porém há alguns aspectos imediatos que podem ajudar, por exemplo:
* Separar o luto legítimo de uma antecipação catastrófica:
- O luto: você perdeu ou está perdendo certas possibilidades. Isso dói, e merece ser chorado, nomeado, compartilhado. Fazer luto não é fraqueza; é um trabalho psíquico necessário para que você possa se abrir ao novo.
- A antecipação catastrófica: é quando a mente projeta que tudo o que virá será só perda, sofrimento e isolamento. Essa projeção muitas vezes ignora sua capacidade de adaptação, sua rede de apoio, e os recursos que você ainda nem descobriu que tem. Produzindo assim: ansiedade, estresse e paralisação frente aos desafios.
* Nomeie o medo e compartilhe-o: Outro ponto muito importante é nomear e compartilhar o que se está sentindo, dentro de uma rede de apoio efetiva e um espaço seguro. Desse modo, esse medo é materializado e reduzido à sua real dimensão, enquanto que quando não é nomeado e compartilhado ele tende a assumir proporções bem maiores do que ele é de fato "na nossa mente".
Dessa maneira, acredito que a psicoterapia seria essencial para você nesse momento, criando um espaço seguro e potente para você nomear suas angústias, construir pontes de possibilidades e articular essas novas "versões" de si que serão essenciais para lidar com os novos desafios.
Por fim, é muito importante dizer que novos desafios não significar uma condição de existência pior, muito pelo contrário, porém exigirá atenção e reorganização.
Espero ter ajudado com sua pergunta, e me coloco à disposição para te ajudar com o que for preciso.
Tire todas as dúvidas durante a consulta online
Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.
Mostrar especialistas Como funciona?
Especialistas
Perguntas relacionadas
- Qual terapia psicológica é mais eficaz para pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)?
- O que causa a negação em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)?
- Será que se eu continuar negando o diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico (LES), minha saúde vai piorar?
- Por que eu não consigo aceitar que tenho lúpus eritematoso sistêmico (LES), mesmo depois de tantos exames e diagnósticos?
- Não quero que as pessoas me vejam como frágil por ter lúpus eritematoso sistêmico (LES). Como posso aceitar doença sem me sentir vulnerável?
- Eu tento não pensar sobre o lúpus eritematoso sistêmico (LES), mas isso só faz com que eu me sinta mais ansiosa e estressada ? O que posso fazer para lidar com a ansiedade sem ignorar a doença?
- Me sinto sobrecarregada com todas as informações que recebi sobre lúpus eritematoso sistêmico (LES). Como posso lidar com a avalanche de informações sem me sentir perdida ?
- Sinto que estou me afastando das pessoas por causa diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico (LES). Como posso me reconectar e pedir ajuda quando preciso?
- Tenho medo de que lúpus eritematoso sistêmico (LES) piore e me impeça de viver vida que quero. Como posso aprender a viver com essa incerteza sem me sentir impotente?
- Como um psicólogo pode ajudar um paciente com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) a lidar com a frustração e a perda de identidade devido à doença?
Você quer enviar sua pergunta?
Nossos especialistas responderam a 752 perguntas sobre Lúpus Eritematoso Sistêmico
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.