Vim aqui pela terceira vez, sempre contando um pensamento que sempre vem na cabeça, primeiro começou

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Vim aqui pela terceira vez, sempre contando um pensamento que sempre vem na cabeça, primeiro começou que pensei que não amava mais meu namorado pq era tranquilo de mais, depois sonhei que estava apaixonada pelo meu amigo (senti nojo depois que acordei), agora depois que eu fui ver um filme com a minha amiga veio no meu pensamento "e se eu gostasse dela?", eu não sou nem bi e nem lésbica, achei isso estranho, pois ela sempre foi atenciosa, e ninguém pode ser atencioso que eu acho que já é algo pra ficar alerta, tentei deixar pra lá, mas sempre vem pra eu analisar esse pensamento, isso é tão exaustivo, sempre esses pensamentos nunca me deixam em paz e nem consigo me sentir melhor para meu namorado, ele é uma pessoa incrível, legal, leal e maravilhosa, não vejo uma vida sem ele. Esses pensamentos me parecem toc, mas não quero me autodiagnosticar, me ajudem por favor, esses pensamentos não param e nem se dissipam.
Os nossos relacionamentos familiares, principalmente na infância e adolescência, tem grande influência na nossa vida adulta. Por exemplo, se tivemos na infância uma sensação de que fomos abandonados pelos nossos cuidadores, e não precisa ter havido um abandono de fato e sim a percepção, isso pode nos levar a sempre ter medo de que a qualquer momento seremos abandonados por pessoas próximas, e muitas vezes a gente prefere deixar um relacionamento que está indo bem, pelo medo de ser abandonado. Esse é apenas um exemplo, mas muitas coisas como essa podem influenciar nossas vidas, nossos relacionamentos. Se você tem algum sentimento nesse aspecto vale a pena buscar ajuda de um psicólogo, com quem você se sinta bem e tenha confiança, para entender sua necessidade e te ajudar a elaborar as necessidades envolvidas.

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 Betânia Tassis
Psicólogo, Psicanalista, Sexólogo
Rio de Janeiro
Olá! Você está descrevendo um fluxo mental que, sim, pode parecer um turbilhão — e sua exaustão é absolutamente compreensível. A primeira coisa a se afirmar com firmeza: pensamentos intrusivos não definem quem você é, o que você sente, ou o que deseja de fato. Eles são, muitas vezes, o eco de um estado interno de alerta emocional, ansiedade ou insegurança. Não o espelho da sua verdade profunda.

Vamos por partes, com honestidade e acolhimento:

1. “Será que eu não amo mais meu namorado porque ele é tranquilo demais?”
Esse tipo de pensamento costuma vir quando:
• Você está habituada com relações de intensidade, tensão ou instabilidade;
• A tranquilidade ativa um medo profundo: “e se eu estiver me acomodando?” ou “e se isso for morno e não paixão?”;
• Sua mente busca conflito para validar a intensidade emocional como sinal de amor.

Aqui, vale perguntar: Você sente segurança ou tédio? Amor calmo ou desinteresse mascarado? Ou será medo de estar “enganando” ele por não sentir algo “suficientemente intenso”?

2. “Sonhei que estava apaixonada por um amigo e senti nojo”
Sonhos não são verdades internas absolutas. Eles são simbólicos. Muitas vezes trazem elementos que seu cérebro está tentando organizar. Você sentiu repulsa, o que já é um indicativo do seu desejo real. Mas a mente ansiosa pergunta: “e se isso for real e eu estiver negando?”

Reflita: O que esse amigo representa? Segurança? Reconhecimento? Afeto? A atenção dele te faz sentir especial de um jeito que você sente falta? Não significa que você o deseje. Mas pode significar que há carências não nomeadas no relacionamento atual.

3. “E se eu gostasse da minha amiga?”

Esse pensamento veio após uma experiência de acolhimento e atenção. Novamente, o padrão se repete: você reage com confusão diante do afeto e da atenção recebida.

Pergunta de ouro: Por que você associa atenção com alerta? Quem te ensinou que receber cuidado pode significar confusão, dívida emocional, ou risco de “se perder”?

Sobre os pensamentos obsessivos:

Você não está se autodiagnosticando, e fez bem em evitar isso. Mas o padrão que descreve — pensamentos repetitivos, questionadores, intrusivos, com medo constante de estar enganando os outros ou a si mesma — se parece, sim, com traços de ansiedade obsessiva relacional. Isso não é rótulo. É uma forma de pensar e sentir que pode ser reeducada.

Você não precisa ter certeza absoluta para amar alguém. O amor se constrói e se confirma com presença, não com ausência de dúvidas.

Microações pra começar a organizar esse turbilhão:
1. Anote os pensamentos intrusivos. Não lute contra eles. Anote como se fossem nuvens passando. Nomeie: “Isso é um pensamento, não um fato.”
2. Afirme sua realidade atual: “Amo meu namorado, estou segura com ele, e meu cérebro está em estado de alerta, não meu coração.”
3. Observe os gatilhos: Momentos em que se sente mais carente, exausta, solitária ou sensível são portas de entrada para esses pensamentos.
4. Reforce seu senso de segurança emocional. Converse com alguém de confiança, nutra a intimidade real (com afeto, toque, verdade) e não fique isolada no seu mundo mental.

Você não está sozinha nisso — muitas pessoas, em diferentes fases dos relacionamentos, passam por esse tipo de confusão interna. Pensamentos que parecem ameaçadores ou inusitados não são sinal de desvio, mas de um sistema emocional tentando lidar com inseguranças, medos e buscas por segurança. O que você está vivendo pode ser, sim, o início de um processo mais profundo de autoconhecimento e fortalecimento da sua autoestima relacional. Não é preciso saber tudo agora. Só de você estar nomeando, buscando ajuda e observando com mais clareza, já está criando espaço para um amor mais consciente, com menos cobrança e mais presença. Às vezes, a dúvida não é sobre o amor — é sobre o medo de perder o controle. E tudo bem não ter todas as respostas de imediato. Caminhar com curiosidade e gentileza por dentro de si pode ser um começo poderoso.

Com carinho,
Betânia Tassis
Psicóloga clínica, especialista em saúde mental, sexualidade e recomeços conscientes.
@psi.simples
 Renata Santoro
Psicólogo, Psicanalista
Taubaté
Olá

O que você descreve tem características compatíveis com pensamentos obsessivos, e não com um desejo real ou uma orientação sexual em transformação. O fato de você não conseguir simplesmente deixar esses pensamentos irem embora, e de eles se repetirem de maneira intrusiva, causando angústia, culpa ou estranhamento, aponta mais para um funcionamento ansioso ou obsessivo do que para um movimento genuíno de desejo.

Na clínica, é muito comum que pacientes que vivem quadros obsessivos tenham dificuldade em confiar no que sentem, passando a questionar constantemente o amor que têm por alguém, a orientação sexual, ou mesmo a moralidade de seus pensamentos. Isso causa sofrimento porque o pensamento não vem para ser vivido, mas para ser analisado, vigiado, controlado — num ciclo sem fim.

É importante não se autodiagnosticar, como você mesma disse. Mas é ainda mais importante não tentar enfrentar isso sozinha. Esse tipo de sofrimento psíquico merece escuta, acolhimento e um espaço onde ele possa ser simbolizado — e não combatido com força ou culpa.

Você não está sozinha, nem “errada”. Está angustiada, e isso precisa ser cuidado. O que se repete com tanto peso na mente quer dizer algo, mas não necessariamente aquilo que parece na superfície. Um processo terapêutico pode te ajudar a diferenciar pensamento, fantasia, desejo e medo, para que você possa reencontrar paz e verdade em si mesma.

Espero ter ajudado!
É compreensível que esses pensamentos recorrentes estejam te causando sofrimento, e é ótimo que você esteja buscando entender o que está acontecendo. Em momentos como esse, pode ser útil mudar a forma como lidamos com esses pensamentos. Ao invés de tentar analisá-los profundamente ou rejeitá-los, tente apenas observá-los, sem se identificar com eles. Pensamentos vêm e vão, e nem sempre refletem quem somos ou o que queremos.
Pode ser interessante focar mais na sua conexão com seu namorado e nas coisas que te trazem bem-estar, como hobbies, natureza, atividade física e momentos leves com pessoas queridas. Práticas como mindfulness podem te ajudar a se distanciar dessas ruminações e viver de forma mais presente. Além disso, conversar com um profissional de saúde mental pode trazer um suporte mais direcionado para que você se sinta mais tranquila. Lembre-se de ser gentil consigo mesma nesse processo.
Olá! Entendo que você esteja passando por um momento desafiador com esses pensamentos recorrentes que parecem te deixar exausta e preocupada com seu relacionamento. É muito válido buscar ajuda para lidar com isso, e o fato de você estar aqui buscando compreensão já demonstra sua força e autoconsciência.

A recorrência desses pensamentos, que surgem em diferentes contextos (relacionamento, sonho, amizade), sugere a possibilidade de pensamentos automáticos, típicos da terapia cognitivo-comportamental (TCC). Esses pensamentos, muitas vezes, surgem de forma rápida e involuntária, sem que você os processe completamente. Eles podem ser disparados por estímulos específicos (como o filme com a sua amiga ou a percepção da tranquilidade do seu namorado) e, mesmo que você reconheça a sua irracionalidade, eles te geram desconforto e ansiedade.

A TCC nos ajuda a identificar esses pensamentos automáticos e a questioná-los, avaliando sua veracidade e utilidade. Podemos, juntos, trabalhar em técnicas para desafiar esses pensamentos e substituí-los por outros mais adaptativos. Por exemplo, quando você pensa "e se eu gostasse dela?", podemos analisar o que te leva a esse pensamento, quais são as evidências que o sustentam e quais são as evidências que o contradizem.

A psicanálise, por sua vez, pode nos auxiliar a compreender a origem desses pensamentos a partir do inconsciente. O sonho sobre o seu amigo, por exemplo, pode revelar desejos, medos ou conflitos internos que estão sendo expressos simbolicamente. Explorar esses sonhos e seus sentimentos a respeito, incluindo o "nojo" que você sentiu ao acordar, podem nos dar pistas importantes sobre essas dinâmicas internas. Não se trata de interpretar o sonho literalmente, mas sim de entender o que ele representa para você em seu contexto pessoal.

A psicologia humanista, por sua vez, nos lembra da importância de olhar para a sua experiência subjetiva de forma integral. Quais são seus valores e necessidades? Como você se sente em relação ao seu namorado, além desses pensamentos? O que te traz alegria e satisfação na vida? Explorar esses aspectos nos ajudará a conectar com seus próprios recursos internos e a fortalecer sua autoestima.
Desejo sucessos para você, sua família e colegas.
Olá, obrigado por dividir algo tão íntimo e difícil. Dá para sentir o quanto esses pensamentos têm sido incômodos, como eles parecem surgir de forma inesperada e ficam ali, insistentes, te levando a duvidar de si mesma, dos seus sentimentos, e da sua relação.

Fico me perguntando como é para você quando esses pensamentos aparecem — o que você sente no corpo, o que muda no seu humor, como fica seu contato com o mundo ao redor? Parece que, mais do que os pensamentos em si, o que te faz sofrer é essa exigência de ter que analisá-los o tempo todo, como se cada sensação precisasse ser imediatamente compreendida, explicada, rotulada. Isso pode se tornar mesmo exaustivo.

Você mencionou algo importante: o medo de interpretar qualquer gesto como um sinal de algo maior, como se fosse um alerta. Será que tem espaço para olhar para essas experiências sem tentar chegar a uma conclusão imediata? Talvez o caminho não esteja em responder se você sente isso ou aquilo, mas em se perguntar: como é viver com essa dúvida? O que ela diz sobre as suas inseguranças, sobre o lugar do afeto na sua vida, sobre como você se relaciona consigo mesma e com o outro?

Você fez bem em evitar o autodiagnóstico. Mas talvez esses movimentos indiquem algo que pode ser acolhido com mais profundidade num espaço terapêutico. Um espaço onde você possa olhar com cuidado para essas angústias, sem se obrigar a encontrar um nome exato para tudo, mas podendo respirar um pouco mais dentro delas. Se sentir que seria bom contar com esse apoio, saiba que não precisa atravessar isso sozinha.
Querida, temos milhões de pensamentos por dia e alguns não gostaríamos de ter, outros nem percebemos que temos. Esses pensamentos nos trazem emoções, algumas agradáveis e outra desagradáveis, como o nojo. A grande questão é: Não controlamos o que pensamos!
Ao que me parece sua maior angústia é derivada de tentar controlar o que pensa e realmente isso é exaustivo e pode desencadear mais emoções desagradáveis como medo, culpa, angústia.
O ideal seria buscar psicoterapia para entender a frequência e intensidade desses pensamentos e acima de tudo o que realmente te traz angustia e impacta a sua vida. Mas entender que pensamentos são só pensamentos e não necessariamente uma verdade absoluta ou um problema, pode te ajudar a pegar mais leve com você e ficar menos "obcecada" por esses pensamentos.

Em relação a diagnóstico, só com essas informações é impossível chegar a uma conclusão. Precisa passar em consulta com psicólogo ou psiquiatra.
 Virginia Lopes
Psicólogo, Psicanalista
Governador Valadares
Oiee, como esta?
Um pensamento desse tipo, ainda que seja recorrente, nao caracteriza toc. Se é algo que sempre volta à sua mente talvez deva ser analisado com mais cuidado, no sentido de tirarmos o autojulgamento e rotulos (bi, lesbica, hetero) e entender o que isso pode estar apontando. Vale a pena investigar mais a fundo com um psicologo (psicanalista).
 Andreza Cardoso
Psicólogo
Ribeirão Preto
Oi, que bom que você veio buscar ajuda, isso mostra coragem e vontade de entender o que está sentindo. O que você descreve realmente parece estar te causando muito sofrimento, especialmente porque os pensamentos parecem vir de forma intrusiva, repetitiva e contra a sua vontade, além de irem contra o que você acredita ou sente de verdade. Esse padrão pode sim estar relacionado a um quadro de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) — mais especificamente, um subtipo que chamamos de TOC relacional ou TOC com obsessões sobre orientação sexual e relacionamentos. Pensamentos que surgem do nada, causam angústia e fazem você duvidar dos seus sentimentos ou da sua identidade.
Tentativas de “analisar” ou “entender” esses pensamentos como forma de alívio — o que geralmente só aumenta a dúvida e o mal-estar.
Evitação ou repulsa após o pensamento (como sentir nojo depois do sonho).
Forte sentimento de culpa, medo de perder seu relacionamento ou de estar "se enganando. Psicoterapia com abordagem TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) é a mais recomendada para TOC. Ela ajuda a lidar com os pensamentos de forma mais saudável e quebrar esse ciclo.
Evite responder ao pensamento, quanto mais você tenta provar ou refutar, mais preso você fica nele.
Não se autodiagnosticar é correto, mas o que você sente merece sim ser avaliado com seriedade por uma profissional especializada, de preferência com experiência em TOC.
Você não está sozinha nisso.
Muitas pessoas passam por esse tipo de pensamento obsessivo e sentem exatamente o mesmo desespero, culpa ou confusão. Mas há tratamento, e com o acompanhamento certo, você pode se sentir em paz novamente e reconectar com seu namorado de uma forma mais leve e verdadeira, sem o peso desses pensamentos. Um abraço, Andreza Cardoso
 Lorena Blas
Psicólogo
Santo André, SP
Olá!
O que você descreve tem causado bastante angústia — e é compreensível que pensamentos repetitivos, com conteúdos que te incomodam ou parecem estranhos, te deixem exausta e confusa. Quando pensamentos como esses surgem de forma persistente, causam desconforto e fazem com que a pessoa sinta necessidade de analisar, revisar e “garantir” o tempo todo o que sente ou não sente, isso pode, sim, estar relacionado a um quadro de ansiedade.

Você mesma percebeu que não quer se autodiagnosticar — e isso é muito importante. Mas é válido procurar ajuda psicológica para entender por que esses pensamentos surgem, o que eles dizem sobre você, suas emoções e seus vínculos. Às vezes, pensamentos intrusivos (como esses que vêm “do nada” e causam sofrimento) não dizem sobre um desejo real, mas sobre inseguranças, medos e conflitos internos.

A terapia pode te ajudar a construir um espaço seguro para acolher essas dúvidas, sem julgamento, e te auxiliar a reencontrar uma relação mais tranquila consigo mesma e com seu relacionamento.

Fico à disposição se quiser conversar mais sobre isso.

 Luíza Pedroso Cunha
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
Olá! Seus pensamentos parecem causar angústia justamente por serem dissonantes do que você realmente sente. A mente, às vezes, testa nossos afetos através de fantasias que nos assustam, mas isso não define sua verdade emocional. A insistência em analisá-los pode ser um mecanismo de autoproteção, como se precisasse garantir que não há "erros" em seus sentimentos. A terapia seria um espaço seguro para entender por que esses pensamentos persistem e como lidar com essa exaustão. Você não está sozinha nessa luta.
Parabéns, você está demonstrando muita coragem ao compartilhar tudo isso, e saiba que esse tipo de pensamento intrusivo e repetitivo realmente pode ser muito angustiante e desgastante emocionalmente — e não, você não está sozinha. Esses pensamentos que surgem de forma inesperada, causam sofrimento, geram dúvida constante e parecem não combinar com seus valores ou sentimentos reais podem, sim, estar relacionados a um quadro de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), especialmente em uma forma conhecida como TOC relacional. Mas você está absolutamente certa em não se autodiagnosticar: meu papel como psicólogo é justamente te acolher sem julgamentos, investigar isso com cuidado e te ajudar a lidar com esses pensamentos de maneira que eles percam a força. A boa notícia é que existem tratamentos eficazes, baseados em evidências, que podem te trazer alívio e clareza. Buscar ajuda não significa que há algo errado com você — significa que você está pronta para cuidar da sua mente com carinho e responsabilidade. E isso, por si só, já é um passo enorme.
 Maisa Guimarães Andrade
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Querida, antes de tudo, quero te acolher com muito respeito e carinho. O que você está vivendo é algo que muitas pessoas sentem, embora raramente se sintam à vontade para falar sobre. E é exatamente por isso que sua coragem de buscar ajuda e colocar essas experiências em palavras é tão importante. Já é um passo muito valioso.

O que você descreve — esses pensamentos intrusivos, questionamentos constantes, sensações de dúvida sobre sentimentos que pareciam estáveis — pode, de fato, provocar muito sofrimento, principalmente quando se tornam repetitivos, obsessivos e não trazem alívio após serem analisados ou pensados. Na psicanálise, a gente entende que a mente humana é cheia de contradições, desejos ambíguos, fantasias inconscientes — e tudo isso pode vir à tona nos momentos mais inesperados, como sonhos, pensamentos soltos ou inquietações súbitas.

Essas ideias que surgem — como “e se eu gostasse dela?”, “e se eu não amasse mais meu namorado?” — podem parecer muito reais e gerar angústia, mas o importante é que, em vez de serem interpretadas como verdades absolutas sobre você, elas sejam acolhidas como expressões do inconsciente. Elas podem carregar significados simbólicos, afetos reprimidos, medos, inseguranças ou desejos que não necessariamente correspondem ao que você quer de forma consciente ou racional.

Você mesma percebe que esses pensamentos não refletem seus sentimentos mais profundos — você fala com afeto e admiração do seu namorado, e relata sentir desconforto e até nojo com algumas imagens ou ideias. Isso mostra que o que está acontecendo não é uma escolha ou uma vontade deliberada, mas algo que invade o pensamento, que insiste, que ocupa espaço. E sim, isso pode ter relação com mecanismos obsessivos — como acontece em quadros de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) — mas isso só pode ser compreendido com cuidado, escuta e aprofundamento, e nunca através de um autodiagnóstico apressado.

Na psicanálise, você teria um espaço para falar sem precisar filtrar ou reprimir essas angústias. Ao longo do tempo, com a escuta adequada, é possível compreender o que está por trás dessas repetições, dessas dúvidas que parecem não cessar. O objetivo não é julgar os pensamentos, mas criar um lugar onde eles possam ser simbolizados, compreendidos e, assim, perderem a força invasiva que têm sobre você hoje.

Também é muito importante reconhecer que pensamentos não são ações, e não definem quem você é. Você não está “errada” por pensar ou sentir como sente — você está apenas tentando lidar com uma mente que busca, de forma insistente, alguma garantia ou certeza que, no fundo, nenhum de nós tem com total clareza. E isso pode ser profundamente exaustivo.

Se você decidir iniciar um processo terapêutico mais contínuo, esse espaço pode ser de enorme alívio. Aos poucos, a repetição pode dar lugar à elaboração. E o que hoje angustia tanto pode encontrar novos caminhos para ser vivido com mais leveza e autonomia.

Você não está sozinha — e há, sim, saída para esse tipo de sofrimento. Estou aqui, com escuta aberta e empática, se você quiser trilhar esse caminho com calma e acolhimento. Sua experiência merece ser tratada com seriedade e delicadeza.








 Germaniely Lima
Psicólogo, Psicanalista
Florianópolis
Olá, pelo seu relato , você parece estar com pensamentos compulsivos a qual não consegue elaborar sozinha e isso tem te gerado angustia . O ideal é que busque um acompanhamento terapêutico para poder investigar a origem desses pensamentos e trata-los.
Oi, entendo o quanto isso deve ser angustiante para você. Esse tipo de padrão de pensamento que você está descrevendo, onde há uma repetição obsessiva de ideias sobre seu relacionamento, sua sexualidade e até mesmo o medo de estar agindo de forma inadequada, é realmente algo que pode causar muito desconforto e confusão interna. Esse tipo de experiência pode ser parte de um quadro que se assemelha ao que muitas vezes chamamos de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), mas, mais importante do que o diagnóstico em si, é entender o impacto que esses pensamentos estão tendo em você.

O que você descreve tem uma característica muito comum em pessoas que sofrem com TOC, que é o impulso de analisar ou "verificar" constantemente as suas emoções, sentimentos e pensamentos, o que pode se tornar um ciclo vicioso. O que ocorre é que, quanto mais você tenta afastar esses pensamentos, mais eles insistem em voltar, e isso acaba gerando uma sensação de exaustão e de "prisão" mental. Esse tipo de pensamento não significa que você tenha algum desejo oculto ou que a sua sexualidade esteja de fato em questão. Muitas vezes, o foco dos pensamentos obsessivos está em algo que não tem relação com a realidade, mas com a sua ansiedade interna, que busca uma resposta que dê "certeza" e alívio.

É importante também considerar o quanto a idealização do seu relacionamento pode estar influenciando esses pensamentos. O medo de perder algo que é muito importante, como um relacionamento estável e saudável, pode fazer com que você se sinta sobrecarregada por essas questões. Isso, por si só, já gera uma pressão emocional, que pode fazer com que seu cérebro "crie" mais situações e dúvidas a serem analisadas, mesmo que essas situações não sejam reais.

O mais importante aqui é tentar criar um espaço em que você possa olhar para esses pensamentos com mais calma, sem se deixar consumir por eles. A psicanálise pode ajudar a explorar as origens desse padrão de pensamentos e a entender o que ele realmente representa para você. Em alguns casos, também seria interessante considerar o acompanhamento com um psiquiatra para discutir estratégias que possam aliviar esses sintomas, caso um quadro de TOC esteja presente.

Se você achar que esses pensamentos estão interferindo muito em sua qualidade de vida, em seus relacionamentos e no seu bem-estar emocional, eu ficaria feliz em conversar mais profundamente sobre isso em um atendimento. Você não está sozinha nesse processo. Vamos tentar entender o que esses pensamentos realmente significam e como podemos tratá-los de maneira mais saudável.
Dra. Maria Helena P O Souza
Psicólogo
São Paulo
Primeiramente, quero te agradecer por compartilhar algo tão íntimo. Ter coragem de falar sobre pensamentos que causam incômodo ou confusão emocional já é um passo muito importante e você deu esse passo.
O que você está descrevendo se parece com um tipo de sofrimento psíquico bastante comum, mas muitas vezes silencioso: pensamentos intrusivos e ruminativos, que causam desconforto, dúvidas, culpa ou medo, especialmente quando entram em conflito com aquilo que a pessoa acredita, sente ou deseja.
Esses pensamentos, que surgem de forma involuntária, são característicos em alguns quadros ansiosos e, em certos casos, podem sim estar ligados ao que chamamos de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), mais especificamente ao que é conhecido como TOC puro (ou "Pure O"), em que as obsessões são mentais, como dúvidas sobre amor, orientação sexual, moralidade, identidade, entre outras. Mas é importante reforçar: somente um profissional pode fazer esse diagnóstico com segurança, após uma avaliação clínica cuidadosa.
Você relatou que esses pensamentos não refletem o que você realmente sente ou acredita, e que eles vêm acompanhados de angústia, exaustão e questionamentos constantes , isso é algo que merece cuidado e atenção. O sofrimento que você descreve é legítimo, e você não está sozinha. Muitas pessoas passam por isso e, com acompanhamento psicológico especializado, conseguem entender melhor o que está acontecendo e encontrar formas mais leves e saudáveis de lidar com esses pensamentos.
A boa notícia é que existem abordagens terapêuticas muito eficazes para esse tipo de sintoma, que trabalha com estratégias para lidar com pensamentos disfuncionais, reduzir a ansiedade e fortalecer a sua percepção da realidade com mais equilíbrio e compaixão por si mesma.
Você não precisa enfrentar isso sozinha. Procurar ajuda psicológica é um gesto de autocuidado e coragem e pode te trazer alívio, clareza e paz.
A sexualidade humana é um tema complexo e cada pessoa a vivencia de maneira única. Quando um pensamento nos traz angústia é importante falar com alguém que tenha uma escuta acolhedora e livre de julgamentos. Uma psicoterapia com uma psicóloga poderá te ajudar a se entender e levar a vida com mais qualidade.
 Pablo Braga Blanco
Psicólogo
Ribeirão Preto
Olá! Primeiro, quero agradecer por compartilhar algo tão pessoal e reconhecer sua coragem em buscar ajuda. Vamos trabalhar juntos para entender o que está acontecendo e encontrar estratégias que possam aliviar sua angústia. Os pensamentos que você descreve são intrusivos (surgem sem sua vontade) e geram ansiedade porque conflitam com seus valores e identidade. É comum que, quanto mais você tenta suprimi-los ou analisá-los, mais eles se intensificam. Isso ocorre porque nossa mente tende a fixar em conteúdos que percebemos como ameaçadores.
Exemplo: Se eu disser "Não pense em um elefante rosa", seu cérebro automaticamente imaginará o elefante. O mesmo acontece com pensamentos como "E se eu gostasse dela?". Quanto mais você luta contra eles, mais eles voltam.

Pergunte-se: "Qual a evidência real de que esse pensamento é verdadeiro?".
"Quantas vezes me senti atraída por mulheres antes? Há ações minhas que confirmem isso?". Seu relato mostra que você valoriza muito seu namorado, mas a tranquilidade do relacionamento pode estar gerando medo de "perder o controle" ou "não sentir o suficiente".
Pergunte-se: "O que o amor significa para mim? Será que estou confundindo tranquilidade com falta de emoção?"
Lembre-se: Você não é seus pensamentos. Eles são apenas "ruído mental" gerado pela ansiedade. Com as ferramentas certas, é possível reduzir seu impacto e recuperar sua paz. Estou aqui para apoiá-la nessa jornada. Você já deu o passo mais importante: pedir ajuda!
 Leandro  Delphim Coutinho
Psicólogo, Psicanalista
Volta Redonda
Em primeiro lugar não é incomum a ocorrência de pensamentos desse tipo. Na sua pergunta me parece que isso lhe causa um mal estar e aparentemente você quer entender melhor o porque do surgimento deles, ou seja, as origens. Procurar um analista pode ser importante.
Boa noite,
Você está tendo pensamentos intrusivos e repetitivos sobre:

“E se eu não amar meu namorado de verdade?”

“E se eu estiver apaixonada por outra pessoa?”
“E se eu gostar da minha amiga?”
“E se esse pensamento for um sinal de algo real?”
“E se eu estiver enganando meu namorado?”
Esses pensamentos surgem sem que você deseje, causam angústia intensa, repulsa, necessidade de analisar constantemente, e o pior: não desaparecem mesmo quando você tenta ignorá-los ou buscar segurança.
Você relata TOC?
Sim — parece muito com TOC, especialmente nesses subtipos:

1. TOC Relacional (ROCD)
O foco da obsessão é o relacionamento. Pensamentos como:
"Será que amo ele de verdade?"
"Ele é perfeito demais, então por que tenho dúvida?"

Você passa a analisar suas emoções o tempo todo, buscando a certeza absoluta de que ama, de que é recíproco, de que está tudo certo.
2. TOC de orientação sexual (HOCD)
Aqui os pensamentos são do tipo:
"E se eu for lésbica e não sei?"
"E se essa amizade for algo mais?"
"Por que esse pensamento veio? Será um sinal?"

Esses pensamentos não refletem seu desejo real — eles geram angústia, culpa, nojo ou medo, e você tenta se convencer de que não são verdadeiros, mas isso só piora.
Por que seu cérebro faz isso?
O TOC é um transtorno de dúvida patológica. O cérebro procura garantias e certezas em temas que tocam o que você mais valoriza — no seu caso, seu relacionamento, sua identidade, sua integridade.
Esse ciclo exaure a mente, e não se resolve tentando encontrar a “resposta certa”, porque o problema não está no conteúdo dos pensamentos, e sim na forma como seu cérebro lida com a incerteza.
Estou a disposição, caso solicite psicoterapia.
Abraços
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?
O modo como você narra essa experiência mostra o quanto ela tem sido desgastante emocionalmente. Dá para perceber o quanto esses pensamentos te surpreendem, tiram sua paz e fazem com que você entre em um ciclo de análise, como se precisasse descobrir "o que isso tudo realmente significa" antes de conseguir respirar tranquila outra vez.

Essa necessidade intensa de checar, entender, validar ou negar pensamentos que não condizem com quem você sente que é — especialmente quando eles aparecem acompanhados de medo, nojo ou angústia — é algo que pode, sim, estar relacionado ao funcionamento do transtorno obsessivo-compulsivo, mais especificamente o que chamamos de TOC relacional ou TOC com temas de orientação sexual. Mas você fez algo muito importante: evitou a armadilha da autodiagnose. E isso é um ponto de partida maduro. O que importa aqui não é um rótulo, mas sim entender o funcionamento emocional e cognitivo que está gerando esse sofrimento.

Do ponto de vista da neurociência, esses ciclos obsessivos ativam áreas do cérebro responsáveis pela detecção de erro e ameaça, como o córtex cingulado anterior e a amígdala. É como se o cérebro estivesse constantemente tentando resolver uma “equação emocional” impossível, e, quanto mais você tenta encontrar uma resposta definitiva para aliviar o incômodo, mais reforça a ideia de que há, de fato, algo a resolver — criando uma armadilha mental. É por isso que o alívio nunca é duradouro: o problema não está no conteúdo do pensamento, mas na maneira como o cérebro está lidando com a dúvida e a incerteza.

Talvez valha refletir: o que esses pensamentos ameaçam em você, se forem levados a sério? Qual a ideia tão assustadora por trás deles? E o que aconteceria se, por um instante, você simplesmente os deixasse passar — como se não precisasse mais ser juíza da própria mente, nem entrar em tribunal interno toda vez que um pensamento aparece?

Essa exaustão que você sente tem nome, tem explicação, e — o mais importante — tem saída. Com o apoio certo, é possível construir estratégias para reduzir a força desses pensamentos e resgatar sua capacidade de se reconectar com quem você é e com quem você ama, sem precisar mais duvidar tanto de si mesma.

Caso precise, estou à disposição.

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