Artigos 04 agosto 2026

Degeneração macular sintomas e novos tratamentos

Equipe Doctoralia
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Principais pontos deste artigo
  • A DMRI compromete a visão central e a nitidez, afetando atividades essenciais como a leitura e o reconhecimento de rostos.
  • A forma úmida da doença exige diagnóstico urgente, pois o crescimento de vasos anormais pode causar perda de visão rápida e severa.
  • Distorções visuais e manchas escuras centrais são sinais de alerta críticos que demandam avaliação médica imediata.
  • O uso de injeções intravítreas e suplementos vitamínicos específicos ajuda a estabilizar a visão e conter o avanço da doença.
  • Exames de rotina regulares e o controle de fatores como o tabagismo são fundamentais para a prevenção e saúde da retina a longo prazo.

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma condição oftalmológica progressiva que afeta a mácula, a região central da retina (tecido sensível à luz essencial para a formação de imagens), responsável pela visão de detalhes, cores e nitidez. Esta patologia é reconhecida mundialmente como uma das principais causas de perda de visão irreversível em indivíduos acima dos 50 anos. A preservação da funcionalidade macular é fundamental para atividades cotidianas, como a leitura, a condução de veículos e o reconhecimento de faces, tornando o entendimento desta doença um tema de relevância para a saúde pública global.

O que é a degeneração macular relacionada à idade (DMRI)?

A DMRI ocorre quando as células fotorreceptoras da mácula sofrem danos devido ao processo de envelhecimento e a fatores metabólicos complexos. Esta condição possui um impacto significativo em escala global, sendo considerada uma das principais causas de cegueira em diversos países. Diferente de outras patologias oculares, como o descolamento de retina que pode causar perda de visão periférica ou súbita, a DMRI compromete especificamente o centro do campo visual, mantendo, na maioria dos casos, a visão lateral intacta.

O desenvolvimento da doença está frequentemente associado ao acúmulo de resíduos metabólicos que a retina não consegue processar adequadamente. Com o tempo, esses resíduos prejudicam a nutrição das células da retina, levando a uma degeneração progressiva. A detecção precoce é essencial para mitigar os danos, visto que muitas das alterações estruturais iniciais podem ser assintomáticas para o paciente, sendo identificadas apenas em exames oftalmológicos de rotina realizados por especialistas em retina.

Tipos de degeneração macular

A classificação da DMRI é dividida em duas formas principais, que diferem em sua fisiopatologia, velocidade de progressão e opções terapêuticas disponíveis. Ambas as formas afetam a mácula, mas as consequências estruturais para o tecido retiniano seguem caminhos distintos.

DMRI seca (atrófica)

A forma seca é a manifestação mais prevalente da doença, correspondendo a aproximadamente 85% a 90% dos casos diagnosticados. Ela se caracteriza por um afinamento gradual dos tecidos da mácula e pelo acúmulo de drusas, que são pequenos depósitos amarelados de proteínas e lipídios sob a retina.

Nesta fase, a perda visual costuma ser lenta e contínua. À medida que as drusas aumentam em tamanho e número, elas podem causar a morte das células fotorreceptoras, resultando em uma condição conhecida como atrofia geográfica. Embora a progressão seja mais demorada do que na forma úmida, a DMRI seca exige monitoramento constante, pois pode evoluir para a forma mais grave a qualquer momento.

DMRI úmida (exudativa)

Embora menos comum, a DMRI úmida é responsável pela maioria dos casos de perda de visão severa e rápida. Esta forma é caracterizada pela neovascularização coroidal, que consiste no crescimento de novos vasos sanguíneos anormais e frágeis sob a retina.

Esses vasos apresentam uma permeabilidade excessiva, resultando no vazamento de fluido, lipídios e sangue para as camadas da mácula. O edema macular e as hemorragias resultantes causam danos agudos aos fotorreceptores, podendo levar à formação de cicatrizes fibróticas permanentes se não houver intervenção imediata. A rapidez com que os danos ocorrem na DMRI úmida torna o diagnóstico e o tratamento imediato fatores determinantes para o prognóstico visual.

Característica
DMRI seca (atrófica)
DMRI úmida (exudativa)
Prevalência
Cerca de 90% dos casos
Cerca de 10% dos casos
Velocidade de progressão
Lenta (anos)
Rápida (dias ou semanas)
Principais achados
Drusas e afinamento retiniano
Neovascularização e vazamento de fluidos
Sintomas iniciais
Visão levemente embaçada
Distorção súbita de linhas retas
Gravidade
Moderada a grave a longo prazo
Alta gravidade imediata
homem fazendo exame de vista
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Principais sintomas da degeneração macular

Os sintomas da DMRI podem variar conforme o estágio da doença e o tipo diagnosticado. Frequentemente, nos estágios iniciais, o cérebro e o olho saudável compensam a perda de visão, o que pode mascarar os sinais de alerta.

Visão embaçada ou desfocada

Um dos primeiros sinais percebidos é a perda de nitidez central. O indivíduo pode notar que o centro de um texto ou o rosto de uma pessoa parece nublado, enquanto a visão ao redor permanece clara. Esta dificuldade inicial é frequentemente confundida com a necessidade de novos óculos de grau ou com outras condições como o buraco macular, mas, na DMRI, a correção com lentes convencionais não resolve o embaçamento central causado pelo dano tecidual na mácula.

Metamorfopsia (visão distorcida)

A metamorfopsia é um sintoma clássico e alarmante da degeneração macular, especialmente na forma úmida. Ela ocorre quando as camadas da retina são elevadas por fluidos ou sangue, alterando a percepção das imagens. Linhas que deveriam ser retas, como molduras de portas, azulejos ou as bordas de uma folha de papel, passam a ser visualizadas como onduladas, tortas ou quebradas. Este sinal, que também pode ocorrer devido a uma membrana epirretiniana, exige uma avaliação médica urgente.

Escotoma central

Com o avanço da degeneração, pode surgir um escotoma central, que é uma mancha escura, cinzenta ou um “vazio” fixo no centro do campo visual. Diferente de outras alterações que se movem com o olhar, o escotoma da DMRI permanece na mesma posição e interfere diretamente na capacidade de focar em objetos. Em casos avançados, essa mancha pode aumentar de tamanho, impossibilitando a leitura e a identificação de detalhes finos.

Alteração na percepção de cores

A sensibilidade ao contraste e a percepção cromática também sofrem alterações. As cores podem parecer menos vibrantes, pálidas ou desbotadas. A distinção entre tonalidades semelhantes torna-se difícil, o que prejudica a percepção de profundidade e a adaptação a diferentes níveis de iluminação.

Fatores de risco e causas

A etiologia da DMRI é multifatorial, envolvendo uma combinação de predisposição genética e exposição a fatores ambientais ao longo da vida. O entendimento desses riscos é um passo importante para a prevenção e o manejo da condição.

Fator de risco
Impacto na DMRI
Idade
Principal fator; o risco aumenta significativamente após os 60 anos.
Genética
Histórico familiar aumenta a probabilidade de desenvolvimento da doença.
Tabagismo
O fumo duplica o risco e acelera a progressão da degeneração.
Exposição solar
A radiação UV sem proteção pode danificar os fotorreceptores.
Dieta
Dietas pobres em antioxidantes e ricas em gorduras saturadas são prejudiciais.
Obesidade
O excesso de peso está associado a uma progressão mais rápida da doença.

Diagnóstico e exames

O diagnóstico preciso da degeneração macular é realizado por meio de uma avaliação oftalmológica completa, que inclui o exame de fundo de olho com dilatação pupilar. Tecnologias avançadas permitem ao especialista identificar alterações celulares antes mesmo que os sintomas se tornem severos.

Tela de amsler

Este é um teste de triagem simples, mas altamente eficaz. Consiste em uma grade de linhas horizontais e verticais com um ponto central. O paciente deve olhar para o ponto central e observar se alguma linha da grade parece ondulada ou se há áreas faltando. A utilização regular da tela de amsler em casa é recomendada para pacientes de risco, pois permite a detecção precoce de distorções visuais (metamorfopsia).

Tomografia de coerência óptica (OCT)

A Tomografia de coerência óptica (OCT) é o padrão-ouro para o diagnóstico e acompanhamento da DMRI. Trata-se de um exame de imagem não invasivo que utiliza ondas de luz para obter cortes transversais da retina em alta resolução. Ele permite ao médico medir a espessura della retina e identificar a presença de fluidos, drusas ou cicatrizes com precisão microscópica, sendo vital para decidir o momento de iniciar ou ajustar o tratamento.

Angiofluoresceínografia

Este exame utiliza um corante (fluoresceína) injetado na corrente sanguínea para mapear a circulação vascular da retina. À medida que o corante passa pelos vasos oculares, fotografias especiais são tiradas para identificar pontos de vazamento ou o crescimento de vasos anormais. É uma ferramenta essencial para confirmar o diagnóstico de DMRI úmida e localizar precisamente as áreas de neovascularização.

Opções de tratamento e avanços médicos

Embora não exista uma cura definitiva para a DMRI, os avanços na medicina oftalmológica permitem, atualmente, controlar a progressão da doença e preservar a qualidade de vida dos pacientes de forma eficaz.

Injeções intravítreas (Anti-VEGF)

O tratamento de eleição para a DMRI úmida envolve a aplicação de medicamentos anti-VEGF (Fator de Crescimento Endotelial Vascular) diretamente no interior do globo ocular. Essas substâncias bloqueiam a proteína responsável por estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos anormais e reduzem o edema macular. Este procedimento pode estabilizar a visão e, em muitos casos, levar a uma melhora significativa da acuidade visual, desde que o tratamento seja mantido com a frequência recomendada pelo especialista.

Terapia para atrofia geográfica

Até recentemente, as opções terapêuticas para a forma avançada da DMRI seca (atrofia geográfica) eram limitadas. No entanto, o desenvolvimento de novas terapias baseadas na modulação do sistema complemento tem demonstrado resultados promissores em reduzir a taxa de crescimento das lesões atróficas [5, 6]. Esses medicamentos, administrados via injeção, representam um marco importante no tratamento da forma seca, oferecendo esperança para a preservação da visão periférica e central em estágios avançados.

Suplementação vitamínica (Protocolo AREDS2)

Para pacientes com DMRI intermediária ou DMRI avançada em apenas um olho, o uso de suplementos vitamínicos baseados no estudo AREDS2 é amplamente recomendado. Esta formulação específica contém altas doses de vitamina C, vitamina E, zinco, cobre, luteína e zeaxantina. A suplementação não cura a doença, mas demonstrou ser eficaz em reduzir o risco de progressão para as formas mais graves em cerca de 25%.

Prevenção e cuidados com o estilo de vida

A adoção de hábitos saudáveis pode exercer um papel protetor sobre a saúde da retina, retardando o aparecimento de alterações degenerativas.

  1. Cessação do tabagismo: O cigarro é o fator de risco modificável mais impactante. Parar de fumar reduz o estresse oxidativo na mácula.
  2. Proteção solar: O uso de óculos de sol com proteção UVA e UVB de qualidade é indispensável para evitar o dano fotoquímico nas células oculares.
  3. Dieta rica em antioxidantes: O consumo de vegetais de folhas verdes escuras (como espinafre e couve) e peixes ricos em ômega-3 contribui para a manutenção da densidade do pigmento macular.
  4. Controle metabólico: Manter a pressão arterial e os níveis de colesterol sob controle ajuda a garantir uma circulação sanguínea adequada para os tecidos oculares.
  5. Exames periódicos: Após os 50 anos, consultas anuais com um oftalmologista são recomendadas para o monitoramento da integridade da retina.

A saúde ocular é um componente fundamental da autonomia e do bem-estar na fase adulta. O acompanhamento regular com um profissional de saúde qualificado, como um oftalmologista especializado em retina, é o caminho mais seguro para o diagnóstico precoce e a implementação de tratamentos que podem preservar a capacidade visual a longo prazo.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Cegueira e deficiência visual
  2. Academia Americana de Oftalmologia. Padrão de Prática Preferencial para Degeneração Macular Relacionada à Idade
  3. Nature. Fatores genéticos e ambientais na degeneração macular relacionada à idade
  4. British Journal of Ophthalmology. Resultados visuais a longo prazo da degeneração macular neovascular relacionada à idade: uma revisão sistemática e metanálise
  5. Apellis Pharmaceuticals. Apellis anuncia resultados de 24 meses mostrando aumento de efeitos. Nota: O medicamento Pegcetacoplan possui aprovação do FDA, mas ainda não possui registro na ANVISA para uso no Brasil.
  6. The Lancet. Pegcetacoplana intravítrea para atrofia geográfica secundária à degeneração macular relacionada à idade (OAKS e DERBY): dois ensaios clínicos de fase 3, multicêntricos, randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo (sham). Nota: Terapia atualmente sem aprovação pela ANVISA.
  7. PubMed Central. Estilo de vida e degeneração macular relacionada à idade
  8. Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). E-book: Degeneração Macular Relacionada à Idade

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