Perguntas do paciente (271)

  • Como posso superar de vez o meu ex? Já estamos 1 ano separados (ele terminou comigo). O que posso fa

    Como posso superar de vez o meu ex? Já estamos 1 ano separados (ele terminou comigo). O que posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Talvez seja importante começar mudando a ideia de “superar de vez”. Você não precisa chegar a um ponto em que nunca mais pense nele ou não sinta absolutamente nada. Quanto mais você fica verificando “será que já superei?”, mais o próprio ex continua ocupando espaço na sua mente.

    Depois de um ano, vale investigar o que ainda mantém essa ligação. Você acompanha as redes sociais dele? Revê fotos e conversas? Imagina uma possível volta? Compara novas pessoas com ele? Relembra principalmente os momentos bons? Tudo isso pode fazer com que uma relação encerrada na prática continue acontecendo emocionalmente.

    Tente também separar duas coisas: sentir falta dele e sentir falta do que aquela relação te proporcionava. Às vezes você sente falta de companhia, intimidade, rotina, planos ou da sensação de ser escolhida, e sua mente transforma tudo isso em “eu ainda preciso dele”.

    Uma parte importante da superação é parar de organizar sua vida em torno da ausência dele. Retome amizades, projetos, estudos, lazer e experiências novas, mesmo que a vontade ainda não esteja totalmente presente. Muitas vezes a vida precisa voltar a acontecer antes que o sentimento acompanhe.

    Se você continua muito presa ao término depois de um ano, não significa que exista algo errado com você. Mas pode indicar que existe algo nessa relação, nessa perda ou na forma como você se vinculou que ainda precisa ser elaborado.

    Superar não é esquecer. É conseguir lembrar sem continuar esperando, comparando ou deixando sua vida parada por causa dessa história.


  • É normal que a depressão só melhore

    É normal que a depressão só melhore quando ficamos longe de alguma situação estressante?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sim. É possível que seus sintomas melhorem bastante quando você se afasta de uma situação que está gerando estresse contínuo.

    Isso acontece porque seu humor não existe separado do ambiente. Um relacionamento conflituoso, trabalho extremamente desgastante, problemas familiares ou outras situações prolongadas podem aumentar tristeza, cansaço, falta de motivação, irritabilidade e sensação de vazio.

    O mais importante é entender o padrão. Se você se afasta daquela situação e volta a ter energia, interesse, prazer, concentração e vontade de realizar suas atividades, isso sugere que o contexto tem um peso importante no seu sofrimento. Se você melhora um pouco, mas continua deprimido mesmo longe do problema, pode existir também um quadro que precisa de tratamento próprio.

    Por isso, não é preciso escolher entre “é depressão” ou “é o ambiente”. As duas coisas podem estar relacionadas. Uma situação estressante pode precipitar, piorar ou prolongar sintomas depressivos.

    Na psicoterapia, vale investigar exatamente o que muda quando você está longe desse contexto e quais pensamentos, emoções e comportamentos reaparecem quando retorna.

    E existe uma questão importante: nem todo tratamento deve ter como objetivo fazer você suportar melhor aquilo que está te adoecendo. Em algumas situações, melhorar também envolve estabelecer limites, mudar a forma de lidar com o problema ou, quando possível, afastar-se de um ambiente que está mantendo seu sofrimento.


  • Quando a ansiedade passa a ser um transtorno mental ?

    Quando a ansiedade passa a ser um transtorno mental ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sentir ansiedade não significa que você tenha um transtorno. A ansiedade faz parte do funcionamento normal do organismo e pode aparecer antes de uma prova, entrevista, mudança importante ou situação de risco.

    O sinal de alerta aparece quando ela deixa de ser uma resposta proporcional à situação e começa a controlar sua vida.

    Vale observar principalmente três aspectos: intensidade, duração e prejuízo. Sua ansiedade é tão intensa que você sente que não consegue controlá-la? Ela continua mesmo quando a situação que a provocou já passou? Você está deixando de trabalhar, estudar, sair, dirigir, conversar com pessoas ou realizar outras atividades por causa dela?

    Outro sinal importante é quando evitar a ansiedade passa a organizar sua rotina. Você pode começar a recusar situações, buscar garantias constantemente, verificar coisas repetidamente ou depender de outras pessoas para se sentir seguro. Essas estratégias aliviam no momento, mas podem fortalecer a ansiedade a longo prazo.

    Não existe uma regra única, como “a partir de determinado nível já é transtorno”. Existem diferentes transtornos de ansiedade, cada um com características e critérios próprios. Por isso, o diagnóstico precisa considerar o conjunto dos sintomas e seu contexto.

    Uma forma simples de pensar é: ansiedade normal te prepara para enfrentar algo; ansiedade problemática começa a impedir você de viver.

    Se você percebe que ela está limitando sua rotina ou causando sofrimento frequente, vale fazer uma avaliação psicológica ou psiquiátrica.


  • Sofro de ciúmes retroativos, meu marido não dá motivos para desconfianças, porém as vezes sinto que

    Sofro de ciúmes retroativos, meu marido não dá motivos para desconfianças, porém as vezes sinto que fico procurando. Como posso lidar melhor com isso ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Quando você reconhece que seu marido não te dá motivos para desconfiança, mas mesmo assim percebe que procura algo, vale olhar menos para o passado dele e mais para o que acontece dentro de você quando a dúvida aparece.

    Geralmente existe um ciclo: você pensa em alguma experiência passada dele, sente insegurança, começa a comparar, perguntar, imaginar ou procurar informações. Depois de receber uma explicação, vem um alívio. O problema é que esse alívio costuma durar pouco e sua mente aprende: “quando eu estiver insegura, preciso investigar de novo”.

    Por isso, uma das formas de lidar melhor é resistir gradualmente à necessidade de obter certeza. Você pode perceber o pensamento sem transformá-lo automaticamente em pergunta ou busca.

    Tente também separar fato de interpretação. “Ele teve outras relações antes de mim” é um fato. “Talvez elas tenham sido mais importantes”, “ele pode preferir alguém do passado” ou “eu preciso saber todos os detalhes” são interpretações que sua ansiedade está produzindo.

    Evite, sempre que possível, interrogatórios repetidos, comparação com pessoas do passado e checagem de redes sociais. Essas atitudes podem parecer protetoras, mas geralmente alimentam o ciúme.

    Na psicoterapia, vale investigar o que está por trás dessa necessidade de comparação: medo de não ser suficiente, rejeição, abandono ou necessidade de controle.

    Você não precisa apagar o passado do seu marido para se sentir segura no presente. Precisa aprender a tolerar que esse passado existe sem tratá-lo como uma ameaça atual.


  • Bom dia! Gostaria de perguntar devido a uma questão da minha ansiedade, não consigo frequentar a fa

    Bom dia!
    Gostaria de perguntar devido a uma questão da minha ansiedade, não consigo frequentar a faculdade me dá muita agonia, não converso e me sinto inferior, tenho medo de apresentações... Isso acontece somente na faculdade, eu trabalho fora e não sinto isso.Comecei a faculdade de psicologia e acho que não condiz mais com o que eu quero.
    Devo ir em um psicólogo ou psiquiatra ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Eu começaria procurando um psicólogo. O fato de você trabalhar normalmente e sentir essa ansiedade principalmente na faculdade não torna seu sofrimento menos importante. Ambientes diferentes podem ativar medos diferentes.

    Na faculdade, você relata sensação de inferioridade, dificuldade para conversar e medo de apresentações. Pode existir uma preocupação maior com avaliação, comparação e julgamento nesse contexto. Se você começa a faltar para escapar dessa agonia, provavelmente sente um alívio naquele momento, mas a tendência é que voltar depois fique ainda mais difícil.

    Também não ignoraria o fato de você estar questionando sua escolha pela Psicologia. Existem duas perguntas diferentes aqui: “esse curso ainda combina comigo?” e “estou querendo sair porque a ansiedade tornou permanecer muito difícil?”. As duas podem estar acontecendo ao mesmo tempo.

    Na psicoterapia, você pode entender melhor o que acontece quando chega à faculdade, identificar os pensamentos que aumentam sua ansiedade e trabalhar gradualmente situações como interação com colegas e apresentações. Ao mesmo tempo, pode avaliar sua escolha profissional com mais clareza, sem tomar uma decisão apenas para aliviar o desconforto imediato.

    Um psiquiatra pode ser necessário se os sintomas estiverem muito intensos, se houver grande prejuízo no funcionamento ou se for importante avaliar também tratamento medicamentoso.

    Não precisa escolher entre “é ansiedade” ou “é o curso”. Primeiro, procure compreender quanto cada uma dessas questões está participando da sua vontade de desistir.


  • Boa tarde! Então eu cresci em Pernambuco e morei lá até os meus 7 anos de idade, e agora moro na cid

    Boa tarde! Então eu cresci em Pernambuco e morei lá até os meus 7 anos de idade, e agora moro na cidade a 14 anos, recentemente fiz uma viagem pro lugar onde nasci porque minha família toda é de lá, aqui na cidade só mora eu minha e meu irmão somentes, e desde que eu voltei de viagem pra cidade eu me sinto muito abatido e solitario, as vezes sinto meu coração acelerar e fico pensando no lugar onde nasci, aqui na cidade não saio pra nenhum lugar e me sinto esquecido!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Talvez a viagem tenha deixado muito evidente uma diferença que antes estava mais silenciosa na sua vida.

    Em Pernambuco, você reencontrou família, história, vínculos e provavelmente uma sensação de pertencimento. Depois, voltou para uma rotina em que você diz não sair, ter poucas pessoas próximas e se sentir esquecido. Esse contraste pode provocar uma espécie de “queda” emocional depois da viagem, com saudade, tristeza, solidão e ansiedade.

    Quando você fica pensando muito no lugar onde nasceu, tente perceber o que exatamente ele representa para você. Talvez não seja apenas vontade de morar lá novamente. Pode ser vontade de ter mais convivência, proximidade, afeto, movimento e sensação de fazer parte de algum lugar.

    Isso é importante porque, se você concluir apenas “eu só vou ficar bem se voltar para lá”, pode acabar ignorando aquilo que precisa ser construído na sua vida atual.

    Tente aumentar gradualmente seu contato com outras pessoas, sair mais de casa, manter proximidade com sua família mesmo à distância e buscar atividades em que consiga criar novos vínculos. Pequenas mudanças na rotina podem ajudar bastante quando a solidão está alimentando o abatimento.

    O coração acelerado pode acontecer com ansiedade, mas, se for frequente, intenso ou acompanhado de outros sintomas físicos importantes, também vale uma avaliação médica.

    Se essa tristeza persistir ou começar a prejudicar muito sua rotina, a psicoterapia pode te ajudar a compreender melhor essa sensação de não pertencimento e pensar em mudanças mais concretas.

    Talvez você não esteja apenas com saudade de um lugar. Pode estar com saudade de se sentir pertencente a alguma coisa.


  • Faz sentido procurar a ajuda de um profissional de saúde mental para lidar com um luto?

    Faz sentido procurar a ajuda de um profissional de saúde mental para lidar com um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sim, faz sentido. Muitas pessoas acreditam que precisam enfrentar o luto sozinhas ou que buscar ajuda seria um sinal de fragilidade. No entanto, perder alguém importante costuma ser uma das experiências mais dolorosas que podemos viver, e nem sempre é fácil lidar com tudo o que essa ausência desperta.

    O luto pode envolver tristeza, saudade, culpa, raiva, sensação de vazio e até dificuldades para retomar atividades que antes pareciam simples. Embora seja uma reação natural diante da perda, isso não significa que você precise carregar esse sofrimento sozinho. A psicoterapia oferece um espaço de acolhimento e escuta, ajudando a compreender o impacto da perda e a encontrar formas mais saudáveis de atravessar esse momento tão delicado.


  • Já se passaram oito anos da morte de um dos meus filhos. Sentir muito ainda e não poder falar no ass

    Já se passaram oito anos da morte de um dos meus filhos. Sentir muito ainda e não poder falar no assunto sem chorar é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sim. Mesmo depois de oito anos, você ainda pode se emocionar muito e chorar ao falar sobre seu filho. Uma perda desse tamanho não precisa deixar de doer para que você esteja seguindo sua vida.

    No luto, o tempo não funciona como uma regra do tipo “depois de tantos anos isso deveria ter passado”. Algumas lembranças continuam muito sensíveis, principalmente quando envolvem um vínculo tão importante. Chorar não significa, sozinho, que você não tenha elaborado a perda.

    Vale olhar para algo mais amplo: como você vive hoje quando não está falando sobre ele? Você consegue se relacionar, trabalhar, fazer planos, experimentar momentos de prazer e construir novos sentidos, mesmo sentindo saudade? Ou sente que grande parte da sua vida continua presa à perda?

    Também observe se você evita qualquer assunto relacionado ao seu filho por medo de desmoronar, se existe culpa intensa, sensação persistente de que a vida perdeu o sentido ou dificuldade importante de se conectar com outras pessoas. Nesses casos, conversar com um psicólogo que trabalhe com luto pode ser muito importante.

    A terapia não teria como objetivo fazer você parar de amar, esquecer ou nunca mais chorar. O objetivo seria conseguir acessar essa história sem ser sempre atravessada pela mesma intensidade de sofrimento.

    Você pode continuar sentindo falta dele e, ao mesmo tempo, construir uma vida que também tenha espaço para outras experiências.


  • Minha minha sogra morreu há três anos, mas meu esposo não se recuperou. Como ajudá-lo?...

    Minha minha sogra morreu há três anos, mas meu esposo não se recuperou. Como ajudá-lo?...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Três anos podem parecer muito tempo, mas o luto não funciona como uma contagem regressiva. Seu esposo pode continuar sentindo muita saudade da mãe e ainda assim estar vivendo um processo de luto. A pergunta mais importante é quanto essa perda continua impedindo que ele viva.

    Observe se ele consegue trabalhar, manter relações, cuidar de si, fazer planos e sentir prazer em outras coisas, mesmo sentindo saudade. Se a vida dele parece ter ficado paralisada desde a morte dela, se existe isolamento intenso, culpa persistente, desesperança ou dificuldade de retomar atividades importantes, vale procurar ajuda profissional.

    Você pode ajudá-lo sem tentar convencer que “já passou tempo suficiente”. Tente dizer algo como: “eu sei que sua mãe foi muito importante e percebo que essa dor ainda pesa muito. Quero estar com você, mas também acho que você merece ajuda para conseguir viver carregando essa saudade de uma forma menos dolorosa”.

    Dê espaço para ele falar sobre a mãe. Às vezes familiares evitam o assunto com medo de fazê-lo sofrer, mas isso pode aumentar a sensação de solidão. Ao mesmo tempo, incentive pequenas retomadas da vida, sem exigir que ele esteja bem para começar.

    Se ele aceitar, um psicólogo pode ajudá-lo a elaborar a perda, trabalhar culpa, lembranças e reconstruir projetos.

    Você não precisa fazê-lo esquecer a mãe. Pode ajudá-lo a perceber que continuar vivendo não significa deixar de amá-la.


  • Eu n aceito MT coisa de mim sabe Não aceito Me revolto demais

    Eu n aceito MT coisa de mim sabe
    Não aceito
    Me revolto demais

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Talvez uma parte importante do seu sofrimento esteja em transformar coisas de que você não gosta em você em conclusões muito maiores sobre quem você é.

    Por exemplo, perceber uma dificuldade e pensar “eu tenho algo para trabalhar” é diferente de pensar “eu sou errado”, “não deveria ser assim” ou “não consigo me aceitar desse jeito”. Quando isso acontece, você não está apenas tentando mudar um comportamento; está entrando em conflito com a própria identidade.

    Aceitação não significa pensar que tudo em você é bom ou que você nunca precisa mudar. Significa conseguir reconhecer uma realidade sem se atacar por ela. Você pode dizer: “não gosto dessa característica e quero trabalhar nela”, sem concluir que vale menos por possuí-la.

    Quando perceber essa revolta, tente perguntar: “o que exatamente estou rejeitando em mim agora?”. Seja específico. Depois pergunte: “isso é algo que posso mudar, algo que preciso aprender a administrar ou algo que preciso aceitar?”.

    Essa distinção costuma reduzir bastante a sensação de estar lutando contra si mesmo o tempo inteiro.

    Na psicoterapia, você pode investigar de onde vieram essas exigências sobre como deveria ser e trabalhar crenças como “só tenho valor se eu for de determinada forma”.

    Você não precisa primeiro gostar de tudo em si para começar a se tratar com mais respeito. Muitas vezes, a mudança começa justamente quando você deixa de usar a raiva contra si mesmo como principal forma de tentar melhorar.


  • TCC ou Psicanálise? Qual delas é mais indicada para trabalhar questões relacionadas à Dependência Em

    TCC ou Psicanálise? Qual delas é mais indicada para trabalhar questões relacionadas à Dependência Emocional, como ansiedade, medo da solidão, do abandono no fim de um relacionamento etc.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Quando estamos sofrendo com dependência emocional, medo do abandono, medo da solidão ou ansiedade relacionada aos relacionamentos, é natural querer encontrar a abordagem que ofereça mais ajuda para lidar com essa dor. Afinal, essas experiências costumam gerar muito sofrimento e podem afetar profundamente a autoestima, os vínculos e a sensação de segurança emocional.

    Tanto a TCC quanto a Psicanálise podem contribuir nesse processo, mas trabalham de maneiras diferentes. A Terapia Cognitivo-Comportamental busca compreender como pensamentos, emoções e comportamentos influenciam o sofrimento atual, ajudando a desenvolver formas mais saudáveis de lidar com inseguranças, medos e padrões relacionais. Já a Psicanálise costuma explorar com maior profundidade a história de vida e os significados emocionais envolvidos nessas experiências.

    Mais do que existir uma abordagem universalmente melhor, o mais importante é encontrar um tratamento que faça sentido para você e um profissional com quem seja possível construir confiança. Quando existe um bom vínculo terapêutico e um trabalho consistente, é possível desenvolver maior autonomia emocional e construir relações mais saudáveis.


  • Gostaria de saber pq eu nunca consigo chegar lá mesmo que esteja sentindo prazer, sempre aconteceu i

    Gostaria de saber pq eu nunca consigo chegar lá mesmo que esteja sentindo prazer, sempre aconteceu isso, com todos os meus parceiros sexuais, e quando tento me tocar me sinto suja de alguma forma...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Você sentir prazer e, ainda assim, não conseguir chegar ao orgasmo pode acontecer por diferentes motivos. E, como isso sempre ocorreu com parceiros diferentes e também quando você tenta se tocar, vale olhar com cuidado tanto para aspectos físicos quanto emocionais.

    Um ponto muito importante no seu relato é você se sentir “suja” ao tocar o próprio corpo. Se, em algum momento da sua história, você aprendeu que desejo, masturbação ou prazer sexual eram errados, vergonhosos ou inadequados, essas crenças podem aparecer justamente quando você começa a se envolver mais com as próprias sensações.

    Também pode surgir um ciclo de cobrança: você percebe que está sentindo prazer, começa a pensar “será que agora vou conseguir?”, passa a monitorar o próprio corpo e, sem perceber, sai da experiência para avaliar seu desempenho. Isso pode aumentar tensão e dificultar ainda mais o orgasmo.

    Outros fatores também precisam ser considerados, como ansiedade, experiências sexuais anteriores, uso de determinados medicamentos, alterações hormonais ou outras questões de saúde. Por isso, uma avaliação ginecológica pode ajudar a descartar causas físicas.

    Na psicoterapia, você pode trabalhar justamente vergonha, culpa, crenças sobre sexualidade e a relação com seu próprio corpo.

    Você não precisa transformar o orgasmo numa prova de que sua sexualidade está funcionando. Antes disso, pode ser importante aprender a viver o prazer sem julgamento, obrigação ou pressa.


  • quando estou em casa eu fico estressado sem motivos as vezes fico calado não conversor, perdi totalm

    quando estou em casa eu fico estressado sem motivos as vezes fico calado não conversor, perdi totalmente o foco que eu tinha antes de quere crescer não consigo mais fazer as coisas que eu gostava de fazer por exemplo empreende estou com a mente bloqueada as coisas que faço sempre com desmotivação .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O que chama atenção no seu relato não é apenas a desmotivação, mas a sensação de que você mudou em relação a quem era antes. Você tinha vontade de crescer, empreender e fazer coisas que gostava, e agora se percebe irritado, mais calado, sem foco e com a mente bloqueada.

    Quando várias dessas mudanças aparecem juntas, vale investigar com cuidado. Elas podem estar relacionadas a estresse prolongado, ansiedade, esgotamento, depressão ou até a situações específicas do ambiente em que você vive. Como você percebe que fica pior em casa, também é importante entender o que esse lugar representa para você e o que costuma acontecer quando está ali.

    Tente observar durante alguns dias: quando o estresse começa, o que passa pela sua cabeça, o que você faz em seguida e se existe algum momento ou ambiente em que você se sente melhor.

    Também evite esperar que a vontade volte para então retomar sua vida. Quando você está desmotivado, parar tudo parece natural, mas isso costuma aumentar ainda mais a sensação de incapacidade. Escolha uma tarefa pequena por dia relacionada a algo que antes era importante para você e faça mesmo sem entusiasmo.

    Como houve uma perda clara de interesse, energia e funcionamento, eu recomendaria uma avaliação psicológica. Você pode investigar o que mudou, trabalhar os pensamentos que acompanham esse bloqueio e reconstruir gradualmente sua rotina.

    Você não precisa voltar a ser exatamente quem era antes. Mas precisa entender o que fez você se afastar tanto de si mesmo.


  • Estou casada a 34 anos, meu marido nunca me dava a devida atenção , não me valorizava, sempre me faz

    Estou casada a 34 anos, meu marido nunca me dava a devida atenção , não me valorizava, sempre me fazendo cobrança, me deixando fora dos seus programas, tudo isso me bloqueou, a gente brigou muito, só que ele não quer a separação, me sinto mal com tudo isso, ele quer ter relação sexual comigo, mas eu não consigo, não sei o que fazer

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Depois de 34 anos se sentindo pouco valorizada, cobrada e deixada de lado, é compreensível que sua disponibilidade emocional e sexual tenha sido afetada. O desejo não costuma funcionar separado da relação. Para muitas pessoas, sentir-se respeitada, incluída e emocionalmente próxima é parte importante da intimidade.

    Por isso, talvez o problema não seja simplesmente “você não consegue ter relação”. Seu corpo pode estar expressando um afastamento que foi construído durante muitos anos.

    Também quero deixar algo claro: você não precisa ter relação sexual porque é casada, porque ele deseja ou porque ele não aceita a separação. Você tem direito de dizer não. Consentimento não deixa de existir dentro do casamento.

    Agora talvez seja necessário responder a uma pergunta mais ampla: você ainda quer reconstruir essa relação ou sente que deseja encerrá-la? O fato de ele não querer a separação não determina sozinho o futuro do casamento. Sua vontade também importa.

    Se você ainda considera permanecer, seria importante conversar sobre tudo aquilo que acumulou: exclusão, cobranças, falta de atenção e mágoas. Sem mudança nesses pontos, tentar resolver apenas a parte sexual provavelmente será insuficiente.

    Uma terapia de casal pode ajudar se houver respeito, abertura e segurança entre vocês. E a psicoterapia individual pode te ajudar a compreender melhor o que você sente e tomar decisões sem agir por medo, culpa ou obrigação.

    Você não precisa primeiro voltar a desejar seu marido para depois cuidar do relacionamento. Talvez seja justamente o relacionamento que precise ser cuidado antes que exista espaço para o desejo novamente.


  • Comecei a namorar fazem 2 meses e já decidimos morar juntos. Temos muito objetivos de vida em comum,

    Comecei a namorar fazem 2 meses e já decidimos morar juntos. Temos muito objetivos de vida em comum, gostamos das mesmas coisas, somos atenciosos e carinhosos um com o outro.

    Porém esses 2 meses foram marcados por muitas brigas. Acredito que eu tenha me esforçado tanto pra conquistar ela, que agora que estamos juntos, não consegui manter o nível de intensidade em atitudes e gestos para surpreender. Gosto muito dela, só não consigo entender pq não consigo demonstrar tanto todos os dias.

    No dia a dia nossa convivência é muito boa, mas sinto que falho nos pequenos gestos. Por não deixar um bilhete, uma flor inesperada, coisas assim que ela gosta, e então vem as cobranças! Pq eu não preparei algo enquanto ela saiu de casa, pq eu saí e não trouxe qualquer coisa que mostrasse que lembrei dela. Etc…

    Parece que tudo que faço durante o dia, os carinhos, beijos, cuidado com ela, isso nada tem relevância. É isso parece que me afasta por ser cobrado e não conseguir fazer espontaneamente. Quando faço fica parecendo que só fiz pq fui cobrado.

    Isso me deixa em dúvida sobre a relação, começar um relacionamento com um clima tão pesado, é bem difícil.

    Como entender pq não consigo dar o que ela me pede?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Talvez você esteja se cobrando para manter como rotina aquilo que aconteceu naturalmente na fase de conquista.

    No início de uma relação, é comum existir mais novidade, expectativa e esforço para surpreender. Isso não significa que, depois, o amor diminuiu porque você não deixa flores ou bilhetes todos os dias. Você relata que continua sendo carinhoso, cuidadoso e presente. O problema parece ser que essas demonstrações não estão tendo o mesmo valor para sua parceira que os gestos que ela espera.

    A cobrança pode ainda produzir o efeito contrário. Quando você escuta repetidamente “por que não fez isso?” ou “por que não lembrou de trazer aquilo?”, começa a agir para evitar uma reclamação. Então o gesto deixa de parecer espontâneo para você e, provavelmente, para ela também. Forma-se um ciclo: ela cobra para se sentir amada, você se sente pressionado e se afasta, e seu afastamento aumenta ainda mais a insegurança dela.

    Você pode aprender a incluir alguns gestos que são importantes para ela, mas ela também precisa reconhecer as formas pelas quais você já demonstra afeto. Reciprocidade envolve adaptação dos dois, não uma pessoa tentando atingir permanentemente o padrão da outra.

    E eu prestaria atenção à velocidade dessa relação. Em dois meses vocês já decidiram morar juntos e estão vivendo muitas brigas. Talvez seja mais importante agora diminuir o ritmo e entender como vocês lidam com diferenças antes de assumir compromissos ainda maiores.

    A pergunta não é apenas “como posso dar mais?”. Também precisa ser: “nós conseguimos construir uma relação em que nenhum dos dois precise estar constantemente provando que ama?”.


  • Eu e minha esposa tivemos nosso filho há 10 meses, de uns 2 meses pra cá perdemos totalmente a conex

    Eu e minha esposa tivemos nosso filho há 10 meses, de uns 2 meses pra cá perdemos totalmente a conexão um com o outro. Conversas, olhares e outras coisas nem se fala.
    Somos dois estranhos morando na mesma casa, eu vivendo para o trabalho e ela para nosso filho.
    Já falamos algumas vezes sobre separação mas nunca conseguimos chegar a um senso comum.
    Não há mais demonstrações de carinho, afeto, atenção e gratidão entre nós.
    Pensar em separação se torna complexo pois temos um filho juntos. Em nossa relação estamos tristes como casal, eu realmente não estou feliz com essa situação e acredito que ela também não.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O que você descreve parece ser muito doloroso. Sentir que a pessoa com quem você construiu uma família se tornou alguém distante costuma gerar tristeza, insegurança e a sensação de que o relacionamento está se perdendo.

    A chegada de um filho é uma das maiores mudanças que um casal pode vivenciar. Nos primeiros meses, é comum que o foco se volte quase totalmente para o bebê, enquanto o casal acaba ficando em segundo plano. Isso pode favorecer o distanciamento emocional, a redução das demonstrações de carinho e a dificuldade para manter momentos de conexão. Ainda assim, esse cenário não significa, por si só, que a relação não tenha mais possibilidade de ser reconstruída.

    Como vocês já conversaram sobre separação, mas ainda não conseguiram chegar a uma decisão, talvez este seja um momento de buscar compreender o que cada um tem vivido e quais necessidades deixaram de ser atendidas ao longo desse processo. A psicoterapia pode ajudar nesse entendimento e, se houver abertura de ambos, a terapia de casal pode oferecer um espaço seguro para restabelecer o diálogo e avaliar, com mais clareza, os caminhos possíveis.

    Independentemente da decisão que tomarem, ela tende a ser mais consciente quando nasce da compreensão da situação, e não apenas do sofrimento que vocês estão vivendo neste momento.


  • Minha filha tem 9 anos e disse q gosta de fica sozinha as vezes isso é normal? E tb já teve uma cris

    Minha filha tem 9 anos e disse q gosta de fica sozinha as vezes isso é normal? E tb já teve uma crise qundo a colega n quis falar com ela ela se arranhou isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Gostar de ficar sozinha às vezes, por si só, pode ser normal aos 9 anos. Algumas crianças são mais reservadas, gostam de brincar sozinhas ou precisam de períodos de descanso depois de interações sociais. O mais importante é observar se ela também consegue se relacionar quando quer e se esse isolamento não está acontecendo por medo, tristeza ou rejeição.

    O episódio de se arranhar depois que uma colega não quis falar com ela merece atenção. Isso não deve ser tratado apenas como “manha” ou “drama”. Pode indicar que ela teve dificuldade para regular uma emoção muito intensa e encontrou no próprio corpo uma forma de descarregar aquilo que sentiu.

    Converse com ela quando estiver calma. Você pode perguntar: “o que você sentiu quando sua colega não falou com você?”, “o que você pensou naquele momento?” e “o que você queria que acontecesse quando se arranhou?”. Tente escutar mais do que corrigir.

    Também ajude a criar alternativas para quando ela se sentir rejeitada ou muito frustrada: procurar você ou outro adulto, sair um pouco da situação, respirar, desenhar, escrever ou falar sobre o que está sentindo.

    Eu recomendaria uma avaliação com psicólogo infantil, especialmente se ela voltar a se machucar, começar a se isolar muito, apresentar crises frequentes, falar que não gosta de si, que queria sumir ou demonstrar piora importante no sono, escola ou amizades.

    Se houver risco imediato de ela se machucar novamente ou dificuldade de mantê-la segura, procure atendimento de urgência.

    Você não precisa interpretar tudo como sinal de transtorno, mas esse comportamento merece ser compreendido antes que se torne uma forma repetida de lidar com sofrimento.


  • Qual é a importância das relações interpessoais na saúde mental?

    Qual é a importância das relações interpessoais na saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    As relações interpessoais têm uma grande influência na nossa saúde mental. Muitas vezes, é nos relacionamentos que encontramos apoio, acolhimento e segurança para enfrentar momentos difíceis. Sentir-se compreendido, valorizado e conectado a outras pessoas costuma contribuir para o bem-estar emocional e para uma melhor qualidade de vida.

    Da mesma forma, conflitos constantes, relações marcadas por críticas, rejeição, falta de confiança ou isolamento podem gerar sofrimento significativo. Em alguns casos, a forma como nos relacionamos com os outros também influencia a maneira como enxergamos a nós mesmos. Por isso, cuidar da saúde mental não envolve apenas olhar para o que acontece dentro de nós, mas também para os vínculos que construímos e mantemos ao longo da vida.


  • Desejaria de saber qual é a diferença do psicólogo e do psiquiatra?

    Desejaria de saber qual é a diferença do psicólogo e do psiquiatra?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Essa é uma dúvida muito comum, especialmente para quem está pensando em buscar ajuda pela primeira vez. Muitas pessoas sabem que não estão se sentindo bem emocionalmente, mas ficam inseguras sobre qual profissional procurar.

    De forma resumida, o psicólogo trabalha por meio da psicoterapia, ajudando a pessoa a compreender melhor suas emoções, pensamentos, comportamentos e dificuldades do dia a dia. Já o psiquiatra é médico e pode realizar avaliações clínicas, prescrever medicamentos e acompanhar condições que possam se beneficiar desse tipo de tratamento.

    É importante lembrar que não se trata de escolher entre um ou outro como se fossem alternativas opostas. Em muitos casos, psicólogo e psiquiatra trabalham de forma complementar. O mais importante é dar o primeiro passo e buscar ajuda quando o sofrimento emocional começa a interferir na sua vida, nos relacionamentos ou na sua qualidade de vida.


  • É normal um adulto com TDAH de 18 anos ter ciúmes e controlar a mãe?

    É normal um adulto com TDAH de 18 anos ter ciúmes e controlar a mãe?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Não é o TDAH, por si só, que faz um adulto de 18 anos controlar a mãe.

    O TDAH pode estar associado a impulsividade e dificuldade para regular emoções. Por isso, você pode perceber que seu filho reage de maneira intensa quando se sente frustrado, excluído ou inseguro. Mas sentir ciúme é diferente de acreditar que tem direito de controlar suas escolhas.

    Vale observar o comportamento concreto. Uma coisa é ele dizer que ficou incomodado ou demonstrar ciúme. Outra é tentar impedir você de sair, decidir com quem pode conversar, exigir explicações constantemente, mexer no seu celular, fazer ameaças ou criar conflitos para que você mude suas decisões.

    Você pode acolher o sentimento sem aceitar o comportamento. Por exemplo: “eu entendo que você ficou com ciúmes, mas você não pode decidir isso por mim”. Essa diferença é importante para que ele aprenda que emoções podem ser expressadas, mas não dão direito de controlar outra pessoa.

    Também seria útil entender o que existe por trás desse ciúme: medo de perder sua atenção, dificuldade com sua autonomia, dependência emocional, ansiedade ou problemas na dinâmica familiar.

    Se esse padrão é frequente, intenso ou está prejudicando muito a convivência, uma avaliação psicológica pode ajudar a compreender melhor a situação e trabalhar limites e regulação emocional.

    O diagnóstico de TDAH pode ajudar a entender algumas dificuldades dele, mas não transforma controle em algo normal ou aceitável.


Perguntas frequentes

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