Perguntas do paciente (271)

  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Talvez o seu medo esteja menos nas qualidades em si e mais no significado que você atribui à possibilidade de outras pessoas reagirem mal a elas.

    Você pode pensar: “se eu mostrar inteligência, vão me achar arrogante”, “se eu cuidar muito da aparência, vão zombar”, “se eu for direto, vão me rejeitar”. Quando essas previsões parecem muito verdadeiras, a tendência é você se editar: fala menos, esconde conquistas, se veste de forma diferente ou evita demonstrar certas características.

    Isso reduz a ansiedade naquele momento, mas tem um custo: sua mente aprende que esconder quem você é foi o que te protegeu.

    Na TCC, eu trabalharia esse ciclo de forma prática. Primeiro, identificaríamos quais situações ativam mais medo e quais pensamentos aparecem. Depois, você testaria gradualmente essas previsões: mostrar uma opinião, falar de uma conquista sem se justificar, vestir-se como prefere ou se posicionar de forma direta, observando o que realmente acontece.

    Também é importante diferenciar duas coisas: mostrar uma qualidade não é o mesmo que precisar provar superioridade. Você pode ser inteligente sem diminuir ninguém, cuidar da aparência sem precisar de validação e ser direto sem ser agressivo.

    O objetivo não é chegar a um ponto em que ninguém nunca te critique. Isso não existe. O objetivo é você conseguir pensar: “algumas pessoas podem não gostar de mim, e eu ainda assim consigo continuar sendo coerente com quem sou”.

    Se esse medo faz você se esconder bastante ou moldar sua personalidade para evitar rejeição, a psicoterapia pode te ajudar a trabalhar crenças como “preciso ser aceito para estar seguro” ou “se me julgarem, isso significa que há algo errado comigo”.

    Você não precisa se diminuir para reduzir o risco de rejeição. Precisa aprender a suportar melhor a possibilidade dela sem abandonar sua identidade.


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Você pode começar a suspeitar de TOC não simplesmente porque é perfeccionista, mas quando percebe um ciclo do tipo: dúvida → ansiedade → necessidade de fazer alguma coisa para ter certeza → alívio → nova dúvida.

    No perfeccionismo, você pode pensar “quero fazer isso muito bem” e gastar tempo demais tentando atingir um padrão elevado. No TOC, costuma existir algo adicional: você sente que precisa verificar, repetir, analisar ou obter certeza para conseguir diminuir uma ameaça ou desconforto.

    Por exemplo: “será que fiz alguma coisa errada?”, “e se eu estiver esquecendo algo?”, “e se isso significar alguma coisa?”. Então você confere, pensa repetidamente, pergunta para alguém, pesquisa ou tenta reconstruir mentalmente o que aconteceu. O alívio aparece, mas dura pouco.

    Outro ponto importante é que compulsões nem sempre são visíveis. Você pode passar muito tempo analisando pensamentos, tentando chegar a uma conclusão perfeita ou buscando sentir que finalmente “tem certeza”.

    A impulsividade que você mencionou também não é suficiente para indicar TOC. No transtorno, o comportamento costuma ter função de aliviar ansiedade ou neutralizar uma dúvida, e não simplesmente buscar recompensa imediata.

    Eu recomendaria uma avaliação quando isso estiver tomando bastante tempo, causando sofrimento ou limitando suas decisões e sua rotina.

    Na TCC, é possível mapear exatamente esse ciclo e diferenciar perfeccionismo, ansiedade e sintomas obsessivo-compulsivos. Se houver TOC, o tratamento geralmente trabalha justamente aquilo que hoje parece mais difícil para você: aprender a conviver com algum grau de incerteza sem precisar resolver, checar ou neutralizar tudo.


  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sim, crenças centrais e intermediárias disfuncionais podem mudar de forma profunda e duradoura. O que não costuma acontecer é você simplesmente “apagar” uma crença antiga como se ela nunca tivesse existido.

    Imagine que durante muitos anos você aprendeu a interpretar experiências pela crença “sou inadequado”. A partir dela, podem surgir regras como “preciso agradar todo mundo para ser aceito” ou “se alguém me rejeitar, significa que não tenho valor”.

    Na TCC, você não trabalha apenas repetindo pensamentos positivos. Você identifica como essa crença foi construída, questiona as evidências, testa previsões na prática e acumula novas experiências que sustentem uma crença mais equilibrada.

    Com repetição, a nova crença pode se tornar predominante.

    Em momentos de estresse, porém, a crença antiga pode ser temporariamente reativada. Isso não significa que você voltou ao ponto inicial. Antes, talvez pensasse “sou incapaz” e acreditasse nisso completamente. Depois da terapia, pode perceber: “minha crença antiga foi ativada porque estou passando por uma fase difícil”.

    Essa diferença é enorme.

    Por isso, recaída não significa necessariamente que a crença “voltou a ser verdadeira”. Muitas vezes significa apenas que um padrão antigo foi acionado e precisa ser manejado novamente.

    Na TCC, também se trabalha prevenção de recaídas justamente para você aprender a reconhecer esses sinais e agir antes que o padrão se fortaleça.

    O objetivo não é garantir que você nunca mais terá um pensamento antigo. É fazer com que ele deixe de comandar sua vida como antes.


  • Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente,

    Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente, mais faz três dias que minhas crises voltaram, a angústia, coração acelerado , a cabeça dói, o entalo , oque fazer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Depois de seis meses se sentindo bem, é compreensível você ficar assustada quando sintomas antigos reaparecem. Mas três dias de piora não significam necessariamente que você “voltou para o começo” ou que a venlafaxina deixou definitivamente de funcionar.

    Primeiro, vale verificar o contexto. Houve alguma mudança importante, preocupação, noites mal dormidas, sobrecarga ou situação estressante nos últimos dias? Também observe se você atrasou ou esqueceu alguma dose. Com a venlafaxina, mudanças abruptas no uso podem provocar ansiedade, dor de cabeça e outros sintomas, então não faça nenhuma alteração na medicação sem conversar com seu médico.

    Entre em contato com o profissional que prescreveu a medicação e relate essa piora. Como você vinha respondendo bem, essa informação ajuda bastante a decidir se é necessário apenas acompanhar ou reavaliar algum aspecto do tratamento.

    Na TCC, também trabalhamos algo muito comum nessas situações: a pessoa percebe o primeiro sintoma e pensa “vai começar tudo de novo”. Esse pensamento aumenta o medo, você passa a monitorar o corpo e sensações como coração acelerado, aperto e angústia ficam ainda mais intensas. Mapear esse ciclo pode evitar que alguns dias ruins se transformem em uma recaída maior.

    Não atribua todos os sintomas automaticamente à ansiedade. Se o coração acelerado vier acompanhado de dor no peito, falta de ar importante, desmaio ou batimentos muito irregulares, procure avaliação médica rapidamente.

    O tratamento não é invalidado porque alguns sintomas reapareceram. Muitas vezes, aprender a reconhecer e manejar precocemente essas oscilações é justamente parte da prevenção de recaídas.


  • Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu

    Olá, boa noite.
    Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
    Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
    Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
    Eu deveria procurar ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sim. Pelo que você descreve, eu recomendaria que você procurasse ajuda profissional agora.

    O ponto principal não é apenas sentir um vazio. Você relata perda de vontade, dificuldade de se imaginar realizando seus projetos, sensação de distanciamento até dos momentos felizes e pensamentos de “acabar com tudo”. Quando esses elementos aparecem juntos, seu sofrimento já merece uma avaliação cuidadosa.

    Essa impressão de que momentos genuinamente felizes parecem uma “atuação” ou como se não tivessem acontecido com você também precisa ser investigada. Ela pode aparecer em períodos de depressão, ansiedade intensa, estresse ou experiências de despersonalização/desrealização, mas somente uma avaliação individual pode entender o que está acontecendo no seu caso.

    Na TCC, nós procuraríamos identificar como esse ciclo funciona: o vazio aparece, você olha para o futuro e pensa que talvez nunca consiga viver o que deseja, isso aumenta a desesperança e você se afasta ainda mais das atividades. Depois, a própria falta de experiências positivas parece confirmar que nada vai mudar. Esse ciclo pode ser trabalhado.

    Mas não espere estar motivado ou “querendo melhorar o suficiente” para procurar terapia. Você pode começar justamente dizendo: “eu não consigo imaginar meu futuro e às vezes penso em acabar com tudo”. Isso já é suficiente para iniciar.

    Conte também a alguém de confiança sobre esses pensamentos. Se surgir intenção de morrer, planejamento, acesso a meios ou sensação de que você pode perder o controle, não fique sozinho e procure atendimento de urgência imediatamente.

    Você não precisa descobrir sozinho como voltar a querer viver. Esse é exatamente o tipo de sofrimento que precisa ser dividido e tratado.


  • Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr

    Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Talvez a questão não seja apenas “amizades acabam”, mas o quanto você se machuca quando alguém importante se afasta.

    Depois de algumas perdas, sua mente pode construir uma regra de proteção: “se eu depender menos das pessoas, vou sofrer menos”. No curto prazo, isso funciona. Você se expõe menos, se decepciona menos e sente mais controle. O problema é que, com o tempo, essa mesma estratégia pode aumentar solidão e fazer você concluir que realmente é melhor viver sem vínculos.

    Na TCC, esse tipo de ciclo é importante: você teme perder pessoas, então investe menos; com menos intimidade, recebe menos apoio e conexão; isso reforça a ideia de que relacionamentos não são tão importantes ou confiáveis.

    Também existe uma diferença entre uma relação terminar e ela ter sido inútil. Uma amizade pode ter sido importante por anos e depois mudar por trabalho, distância ou namoro. O valor daquele vínculo não desaparece porque ele não foi permanente.

    O objetivo não precisa ser depender dos outros para se sentir completo, mas também não precisa ser se tornar imune a qualquer apego.

    Talvez um caminho mais saudável seja construir autonomia sem abrir mão de intimidade: conseguir ficar bem sozinho e, ao mesmo tempo, permitir que algumas pessoas sejam importantes.

    Se essa necessidade de desapego aparece principalmente depois de perdas ou rejeições, a psicoterapia pode te ajudar a entender o que você está tentando evitar quando decide “não precisar mais de ninguém”.

    Você não precisa escolher entre depender das pessoas e não se vincular a ninguém. Existe um espaço intermediário em que você pode amar, confiar e ainda continuar inteiro quando uma relação muda.


  • Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "cert

    Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "certo" mas as vezes esqueço por 1 a 2 horas no MÁXIMO, além disso eu sempre uso camisinha do início ao fim e também faço coito interrompido, existe alguma chance mesmo assim de engravidar? Sou muito paranóica com isso e acho que as vezes acabo estragando o momento por pensar demais e ficar com medo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Pelo que você descreve, você já está utilizando uma combinação com alto nível de proteção: anticoncepcional e camisinha do início ao fim. Portanto, se não houve rompimento ou saída do preservativo e o anticoncepcional foi usado corretamente, a possibilidade de gravidez é baixa, embora nenhum método permita prometer risco absolutamente zero.

    Se a sua pílula for do tipo combinado, com pausa programada entre as cartelas, atrasar 1 ou 2 horas normalmente não é considerado esquecimento. Para esse tipo de pílula, atrasos inferiores a 24 horas geralmente não exigem nenhuma medida contraceptiva adicional. Como existem diferentes tipos de anticoncepcional, vale confirmar a orientação específica da sua medicação com seu ginecologista.

    Mas eu prestaria atenção em outra coisa que você mesma percebeu: mesmo usando anticoncepcional, preservativo e ainda coito interrompido, você continua com muito medo.

    Isso sugere que talvez sua mente esteja procurando uma segurança que nenhum método conseguirá oferecer: certeza absoluta.

    Na ansiedade, pode surgir um ciclo em que você aumenta as precauções, sente alívio por alguns minutos e depois aparece uma nova dúvida: “mas e se mesmo assim acontecer?”. Então você verifica novamente, pesquisa sintomas ou passa a analisar tudo que ocorreu durante a relação.

    Na TCC, o objetivo seria trabalhar justamente essa necessidade de certeza e as interpretações catastróficas sobre gravidez, sem diminuir os cuidados contraceptivos adequados.

    Você pode continuar se protegendo de forma responsável sem precisar passar todo o momento tentando eliminar um risco que nunca poderá ser matematicamente zero.


  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Seu receio é legítimo. Embora muitos terapeutas de casal possam atender diferentes configurações de relacionamento, nem todos têm formação ou experiência suficiente com não monogamia consensual. Por isso, procurar alguém que já trabalhe com casais abertos pode tornar o processo mais seguro e produtivo.

    O mais importante é que o terapeuta não parta da ideia de que a abertura do relacionamento é necessariamente a causa dos conflitos. O papel dele deve ser compreender como **vocês** organizam essa relação: quais são os acordos, limites, expectativas, dificuldades de comunicação, ciúmes, inseguranças e necessidades afetivas.

    Antes de marcar, vocês podem perguntar diretamente: “Você tem experiência com casais em relacionamentos abertos?” e “Como costuma trabalhar questões de ciúme, acordos e vínculos externos?”. Também vale observar se o profissional demonstra curiosidade respeitosa ou se imediatamente sugere que o relacionamento deveria ser fechado.

    Um bom terapeuta não precisa concordar pessoalmente com o modelo de vocês, mas precisa conseguir trabalhar sem julgamento e sem impor valores próprios.

    Se possível, procure profissionais com experiência em terapia de casal, sexualidade e não monogamia consensual. Isso reduz a necessidade de vocês passarem parte do tratamento explicando ou defendendo a própria dinâmica.

    A terapia pode ser justamente um espaço para aprimorar algo que já funciona, e não apenas para corrigir relações em crise.


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos? Crenças da baixa autoestima como: "eu sou feio", "ninguém vai me amar e me achar atraente". Crenças da depressão como: "Sou inútil", "ninguém gosta de mim", "não sou bom o suficiente", "todos são melhores do que eu". E crenças e pensamentos da ansiedade social como: "Estão me julgando", "Eu tenho que agradar todo mundo", "se me criticarem, significa que sou ruim".

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    A TCC costuma trabalhar esses três problemas de forma integrada, porque muitas vezes eles fazem parte do mesmo ciclo.

    Por exemplo, uma crença central como “não sou bom o suficiente” pode aparecer na autoestima como “sou feio” ou “ninguém vai me achar atraente”; na ansiedade social como “estão me julgando” ou “preciso agradar todo mundo”; e na depressão como “sou inútil” ou “todos são melhores do que eu”.

    A partir dessas crenças, surgem comportamentos que mantêm o sofrimento. Você pode evitar situações sociais, falar menos para não errar, tentar agradar excessivamente, comparar sua aparência e desempenho com os outros ou desistir de atividades porque acredita que não será capaz. O problema é que, quanto mais você evita e se isola, menos oportunidades tem de descobrir que essas previsões podem estar exageradas ou incorretas.

    Na terapia, vocês identificam essas crenças, analisam como foram construídas e testam novas respostas. Isso pode incluir exposição gradual a situações sociais, redução da busca por aprovação, retomada de atividades, treino de assertividade e experiências comportamentais para verificar se críticas realmente significam rejeição ou se um erro realmente define seu valor.

    A meta não é chegar à crença “sou melhor que todos”, mas a algo mais saudável: “tenho qualidades e limitações, posso ser rejeitado por algumas pessoas e ainda assim continuar tendo valor”.

    Quando essa visão de si começa a ficar mais equilibrada, autoestima, ansiedade social e depressão costumam melhorar juntas.


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    A TCC costuma trabalhar baixa autoestima, ansiedade social e depressão de forma integrada, porque frequentemente elas se alimentam mutuamente.

    Imagine uma crença central como “sou inadequado”. Na autoestima, ela pode aparecer como “não tenho valor” ou “todos são melhores do que eu”. Na ansiedade social, como “vão me julgar” ou “se eu errar, serei rejeitado”. Na depressão, como “sou inútil” ou “nada vai melhorar”.

    A partir daí, surgem comportamentos que mantêm o ciclo: evitar pessoas, recusar convites, tentar agradar todo mundo, se comparar, abandonar atividades ou desistir antes de tentar. Essas estratégias podem reduzir o desconforto no momento, mas também impedem novas experiências que poderiam enfraquecer essas crenças.

    Por isso, a TCC não trabalha apenas pensamentos. Na ansiedade social, pode utilizar exposição gradual e redução de comportamentos de segurança. Na depressão, trabalha a retomada progressiva de atividades e vínculos. Na autoestima, ajuda a construir uma avaliação mais justa de si mesmo e a reduzir regras rígidas de perfeição e aprovação.

    O objetivo não é chegar a “sou melhor que todos”, mas a algo mais realista: “tenho qualidades e limitações, posso ser criticado ou rejeitado por algumas pessoas e ainda assim continuar tendo valor”.

    Quando essas mudanças acontecem juntas, os três problemas tendem a perder força.


  • Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas cris

    Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas crises psicóticas (esquizofrenia em questionamento)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Se você está investigando esquizofrenia ou episódios psicóticos, eu teria cuidado com a tentativa de definir seus pais como “narcisistas” ou concluir sozinho quais são as intenções deles. Em momentos de maior sofrimento, interpretações sobre perseguição, manipulação ou intenção das pessoas podem ficar mais difíceis de avaliar.

    Ao mesmo tempo, isso não significa aceitar humilhações, ameaças ou invasões de limites. Tente sair das interpretações e ir para comportamentos concretos: “eles disseram X”, “fizeram Y”, “impediram minha consulta”, “me ameaçaram”. Leve esses exemplos ao profissional que acompanha você. Isso ajuda a diferenciar conflitos familiares reais de percepções que possam estar sendo influenciadas pelo quadro atual.

    Se uma conversa começar a aumentar muito sua ansiedade, você pode encerrá-la dizendo que prefere retomar o assunto quando estiver mais tranquilo. Também pode evitar discutir temas sensíveis durante uma crise e pedir que um familiar de confiança ou profissional participe das conversas mais difíceis.

    O acompanhamento psiquiátrico é especialmente importante nesse momento. Conte ao médico exatamente como essas interações familiares afetam você e se percebe aumento de desconfiança, medo ou sensação de perseguição.

    Se surgirem vozes, confusão intensa, convicção de que estão tentando te prejudicar, comportamento muito desorganizado ou risco de machucar alguém ou a si mesmo, procure atendimento de urgência.

    Você não precisa escolher entre “acreditar em tudo que sente” e “desconfiar de si mesmo”. O caminho mais seguro é examinar as situações com apoio profissional e baseado em fatos concretos.


  • Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e c

    Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Na TCC, depressão, anedonia, baixa energia e crenças negativas costumam ser entendidas como partes de um mesmo ciclo.

    Quando a pessoa está deprimida, tende a fazer menos coisas, se isolar e abandonar atividades que antes davam prazer ou sensação de competência. Isso reduz ainda mais as experiências positivas e reforça pensamentos como “não consigo”, “nada vale a pena” ou “sou inútil”. Por isso, a TCC trabalha primeiro com metas pequenas e concretas, através da ativação comportamental. Muitas vezes, a ação precisa acontecer antes da motivação: você começa mesmo sem vontade e permite que interesse e energia sejam reconstruídos gradualmente.

    As crenças também são trabalhadas. Uma crença central pode ser “sou incapaz”. A partir dela, podem surgir regras intermediárias como “preciso fazer tudo perfeitamente” ou “se eu falhar, significa que não tenho valor”. Quando essas regras são ativadas, aparecem pensamentos automáticos negativos e comportamentos de desistência ou evitação.

    Na terapia, essas ideias são identificadas, questionadas e testadas por experiências reais. O objetivo não é trocar “sou inútil” por “sou incrível”, mas construir algo mais verdadeiro e flexível, como “tenho dificuldades, mas também capacidades e posso aprender”.

    À medida que comportamento, rotina e interpretação mudam juntos, a depressão tende a perder força. O tratamento também ajuda o paciente a reconhecer sinais precoces e desenvolver estratégias para prevenir recaídas.


  • Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi

    Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Faz bastante sentido psicologicamente sentir isso, mesmo sem ter planos bem definidos antes. Você talvez não tivesse um caminho pronto, mas tinha **possibilidades**. Aos 23 anos, ainda podia imaginar que conheceria pessoas, desenvolveria sua carreira, sairia mais, descobriria interesses e construiria sua própria vida. A gravidez pode ter transformado um futuro aberto em algo que agora parece já decidido.

    Por isso, a ideia “meu bebê terá uma vida e eu perderei a minha” não significa necessariamente rejeição ao bebê. Pode representar medo de desaparecer como pessoa dentro do papel de mãe.

    Também chama atenção o pensamento “ele é amado e eu não”. Talvez a chegada do bebê esteja tocando numa necessidade sua que já existia antes: sentir pertencimento, cuidado, autonomia e valor. O fato de outras pessoas amarem seu filho não retira de você o direito de também precisar de afeto e de construir uma vida própria.

    Não tente se obrigar a “amar a gravidez”. Comece recuperando pequenas escolhas que sejam suas: projetos profissionais, vínculos, atividades, aprendizado e planos para depois do nascimento.

    Como você relata sofrimento psicológico importante aos quatro meses de gestação, converse também com seu obstetra e procure acompanhamento psicológico. Depressão e ansiedade podem ocorrer durante a gravidez e devem ser avaliadas e tratadas, não apenas suportadas até o parto.

    Ser mãe acrescentará uma identidade à sua vida. Não precisa substituir todas as outras.


  • Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou

    Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou 100mg de sertralina, mas não resolveu. Faz 3 anos que eu não vou a escola por conta dessa ansiedade. Tenho medo do julgamento, medo do que os outros estão pensando, medo de ser rejeitado, criticado, medo de desagradar alguém, autoestima baixa. Quando alguém me chama para sair, ir em algum evento, festas ou um jogo de futebol, eu nunca vou por conta dessa ansiedade. Já passei por 2 psicólogas da TCC, mas eu parei de fazer terapia porque eu achei que não estava resolvendo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    A TCC pode ajudar bastante na ansiedade social, mas o tratamento precisa atacar justamente aquilo que mantém o problema. No seu relato, o principal ciclo parece ser: medo de julgamento e rejeição → ansiedade → evitação → alívio imediato → medo ainda maior da próxima situação.

    Por exemplo, quando alguém te chama para uma festa ou jogo e você não vai, a ansiedade diminui. Seu cérebro, porém, pode aprender: “eu só fiquei seguro porque evitei”. Depois de muitas repetições, situações sociais parecem cada vez mais perigosas. É por isso que a exposição gradual ocupa um lugar importante no tratamento da ansiedade social.

    Uma TCC específica para esse transtorno também trabalha a atenção excessiva sobre si mesmo, pensamentos como “estão percebendo que estou nervoso”, comportamentos de segurança, medo de críticas e crenças como “preciso agradar para ser aceito”. O paciente realiza experiências concretas para descobrir, na prática, se suas previsões realmente acontecem. Protocolos estruturados para ansiedade social incluem justamente esses componentes.

    Ter feito TCC anteriormente e não melhorar não significa que você seja “resistente” ou que a abordagem não funcione. Pergunte ao próximo profissional como será o plano de tratamento: haverá exposição gradual? metas concretas? tarefas entre sessões? acompanhamento da ansiedade e das situações que você está voltando a enfrentar?

    Como você está há três anos sem ir à escola, eu consideraria importante retomar tratamento psicológico e retornar ao psiquiatra para informar que a sertralina não trouxe a melhora esperada. Não altere a dose por conta própria.

    Seu objetivo inicial não precisa ser “não sentir ansiedade”. É voltar, passo a passo, a fazer coisas importantes mesmo sentindo algum medo. É assim que a ansiedade começa a perder espaço na sua vida.


  • A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediá

    A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais sozinho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Sim. A TCC busca justamente aumentar a autonomia do paciente. O objetivo não é que ele dependa indefinidamente do psicólogo para questionar pensamentos, mas que aprenda um método que consiga utilizar sozinho ao longo da vida.

    Esse processo costuma começar de forma colaborativa. O psicólogo ajuda a identificar crenças intermediárias, como “se eu falhar, vou decepcionar todos”, e crenças centrais mais profundas, como “sou incompetente” ou “não sou digno de ser amado”. Depois, vocês investigam de onde essas ideias podem ter vindo, em quais situações aparecem e quais comportamentos acabam mantendo-as.

    A mudança não acontece simplesmente repetindo uma frase positiva até acreditar nela. É necessário avaliar evidências, perceber exceções, construir interpretações mais equilibradas e realizar experiências na vida real. Uma pessoa que acredita ser incapaz, por exemplo, pode começar a registrar competências que costuma ignorar e assumir gradualmente situações que antes evitava por medo de fracassar.

    Com a prática, o paciente aprende a fazer esse processo com menos ajuda: percebe a crença ativada, questiona a interpretação inicial e escolhe uma resposta mais funcional.

    Portanto, o psicólogo inicialmente ensina, modela e acompanha. Depois, a responsabilidade vai sendo progressivamente compartilhada até que o paciente consiga utilizar essas ferramentas com maior independência. Essa autonomia é, inclusive, uma parte importante da prevenção de recaídas na TCC.


  • Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessid

    Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessidade de agradar a todos, crenças como: "eu tenho que agradar todo mundo", "se eu não agradar todo mundo, ninguém vai gostar de mim". Esses medos e essas crenças estão me atrapalhando muito na minha vida pessoal e nos esportes também

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    A TCC trabalha esse tipo de dificuldade entendendo como algumas crenças viram regras rígidas para a vida. Por exemplo: “se eu não agradar todo mundo, ninguém vai gostar de mim”. A partir daí, você pode começar a evitar conflitos, concordar quando não quer, se cobrar excessivamente, ficar atento a qualquer crítica e interpretar desaprovação como rejeição.

    O problema é que essas estratégias aliviam a ansiedade no curto prazo, mas impedem você de descobrir algo importante: é possível desagradar alguém e ainda assim continuar sendo aceito, respeitado e valorizado por outras pessoas.

    Na terapia, essas crenças são examinadas com perguntas e experiências práticas. Você pode aprender a identificar pensamentos como “vão me julgar”, avaliar evidências reais, flexibilizar regras como “preciso agradar sempre” e testar novos comportamentos, por exemplo, dizer não, expressar uma opinião diferente ou aceitar um erro sem tentar se justificar imediatamente.

    Nos esportes, isso também é muito relevante. A TCC pode ajudar a separar desempenho de valor pessoal. Ser criticado, errar ou perder não significa ser inferior ou incapaz.

    O objetivo não é deixar de se importar com a opinião dos outros. É conseguir continuar agindo de acordo com seus valores, mesmo quando existe risco de crítica ou rejeição.

    A melhora acontece quando você percebe: “posso ser desaprovado por alguém e ainda assim continuar bem”.


  • bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu re

    bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu reprovo , o que posso fazer para melhorar.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Entendo sua preocupação, principalmente depois de passar por avaliações repetidas e sair com a impressão de que o problema são os traços não ficarem retos. Mas ser canhota, sozinha, não permite concluir que essa seja a causa dos resultados.

    O Palográfico não funciona como uma prova de caligrafia em que basta fazer traços “bonitos” ou perfeitamente retos. Ele é um teste psicológico expressivo, e diferentes características da execução são avaliadas dentro de critérios técnicos específicos.

    Por isso, evitaria treinar modelos encontrados na internet para tentar modificar seu resultado. Além de não necessariamente ajudar, isso interfere justamente na finalidade da avaliação. Os testes devem ser aplicados, corrigidos e interpretados seguindo a padronização prevista em seus manuais.

    Antes da próxima aplicação, conte ao psicólogo que você é canhota e explique a dificuldade que percebe ao fazer os traços. Isso permite que ele considere essa informação durante o processo e te oriente adequadamente antes do início.

    Principalmente porque você relata reprovações repetidas, peça uma entrevista devolutiva. Pergunte quais aspectos efetivamente contribuíram para o resultado, em vez de presumir que foi porque os riscos estavam tortos. A avaliação psicológica considera um conjunto de informações, e você tem direito de compreender o resultado que recebeu.


  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    O fato de você querer parecer bonita, interessante ou “bem de vida” diante de alguém que já foi um paquera não significa automaticamente que exista desejo de voltar a se envolver com essa pessoa. Muitas vezes, isso tem mais relação com aprovação, comparação e autoestima do que com interesse amoroso.

    Também é importante separar pensamento, emoção e comportamento. Perceber que quer causar uma boa impressão não é o mesmo que decidir seduzir alguém ou ultrapassar os limites acordados no seu relacionamento. O que caracteriza uma quebra de confiança depende muito mais das atitudes e dos acordos construídos pelo casal.

    A parte que parece estar causando maior sofrimento é a necessidade de analisar se esse comportamento “conta como traição”. Se você fica revisando mentalmente o que fez, tentando descobrir sua intenção exata, buscando garantias ou sentindo que precisa ter certeza absoluta de que não foi desleal, pode existir um componente ansioso ou obsessivo. Isso merece avaliação, mas não permite concluir sozinho que você tenha TOC.

    Também vale explorar por que a opinião dessas pessoas ainda tem tanto peso. Talvez exista uma necessidade de provar que você está bem, que é desejável ou que “venceu” de alguma forma.

    A psicoterapia pode te ajudar a trabalhar autoestima, necessidade de aprovação e culpa, sem transformar pensamentos automáticos em julgamentos sobre seu caráter. Você não precisa controlar tudo o que passa pela sua cabeça; precisa aprender a escolher como agir diante disso.


  • como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Se por “pornografia teleguiada” você se refere a algum conteúdo em que a pessoa recebe instruções ou estímulos dirigidos, o tratamento não depende exatamente do tipo de pornografia, mas de como esse comportamento está funcionando na sua vida.

    Nem todo consumo de pornografia significa vício. O sinal de maior preocupação é a perda de controle: tentar parar repetidamente e não conseguir, gastar muito mais tempo do que gostaria, abandonar responsabilidades ou continuar mesmo percebendo prejuízos emocionais, sexuais, financeiros ou nos relacionamentos.

    Para começar a mudar, observe o ciclo. O que acontece antes de procurar pornografia? Tédio, ansiedade, solidão, estresse, dificuldade para dormir? O que você sente durante e depois? A partir daí, crie obstáculos entre a vontade e o acesso: retire atalhos, bloqueie conteúdos, evite ficar sozinho nos horários mais vulneráveis e estabeleça outra atividade para os primeiros minutos do impulso.

    O objetivo não precisa ser “nunca mais sentir vontade”. É conseguir sentir vontade sem obedecê-la automaticamente.

    E cuidado com a lógica do tudo ou nada. Se você ficar um período sem consumir e voltar uma vez, isso não significa que todo o progresso foi perdido.

    A psicoterapia, especialmente a TCC, pode te ajudar a compreender os gatilhos, trabalhar impulsividade e construir novas respostas. Se você sente que realmente perdeu o controle, procure um psicólogo com experiência em sexualidade e comportamentos compulsivos.


  • Contar números mentalmente faz mesmo descer as ondas cerebrais? Como acontece?? Mas aí contar de um

    Contar números mentalmente faz mesmo descer as ondas cerebrais? Como acontece?? Mas aí contar de um número bem grande um números que leva vários minutos pra terminar? Isso faz mesmo diminuir ondas Rápidas e descer pra Alfa Profundo???

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Arthur Bicalho Lage

    Contar pode ser relaxante, mas não porque exista uma sequência automática do tipo “quanto mais tempo conto, mais minhas ondas cerebrais descem até alfa profundo”.

    Se você contar lentamente de 1 a 10, por exemplo, pode diminuir a dispersão da atenção e deixar de acompanhar vários pensamentos ao mesmo tempo. Associar essa contagem a uma respiração tranquila também pode favorecer uma sensação de relaxamento.

    Já contar regressivamente a partir de números muito altos, fazer subtrações ou se esforçar para não errar transforma a atividade em uma tarefa cognitiva. Pesquisas com cálculo mental mostram aumento de atividade cerebral relacionada à atenção e ao esforço; tarefas matemáticas mais complexas podem inclusive reduzir a potência alfa em determinadas regiões.

    Por isso, uma contagem de vários minutos não necessariamente relaxa mais do que uma contagem curta. Se você começar a se esforçar, conferir números ou ficar preocupado em “atingir alfa”, provavelmente estará aumentando o monitoramento e diminuindo justamente o relaxamento que procura.

    Uma forma mais simples seria contar lentamente as respirações de 1 a 10 e depois recomeçar. Se perder a conta, apenas volte, sem tentar fazer perfeitamente.

    O objetivo de uma técnica de relaxamento não precisa ser produzir uma onda cerebral específica, mas ajudar você a reduzir a tensão e voltar sua atenção para o momento presente.


Perguntas frequentes

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