Perguntas do paciente (218)

  • Bom dia, tenho 44 anos, sou casado a 16 anos e minha esposa tem 35, temos duas filhas de 15 e 7 anos

    Bom dia, tenho 44 anos, sou casado a 16 anos e minha esposa tem 35, temos duas filhas de 15 e 7 anos. Nosso casamento sempre foi bem sólido, nunc ativemos crises ou dioscussões sérias. Mas desde agosto/25 ela começou a se distanciar da vida conjugal, mais tempo sozinha, mais tempo se cuidando, novos hobbies (academia, dança, roupas,etc) aos poucos eu fui sendo deixado de lado nas decisões, nas escolhas, minha opinião nao era mais necessária. Ao mesmo tempo a irritação comigo aumentava na mesma medida que o celular dela tambem se tornava mais restrito. Em outubro quando houve um questionamento ela pediu um tempo, estava confusa e nao sentia mais amor por mim. Foi um choque posi eu me considerava um bom marido, presente nas atividades da casa , sempre trabalhei e mantive as contas em dia (no limite, ma em dia) pai presente, e quand perguntava ela sempre dizia que estava bem.
    Depois do primeiro pedido de tempo nunca mais fomos os mesmos, ela se mantinha cada vez mais isolada de mim, a familia dela ficou sabendo e ela acabou reatando comigo em fuinção da pressão familiar dela. Houve ainda outro afastamento e outro retorno tambem em função da pressão da familia dela. Porem ela dizia que nao me amava e nao sentia mais desejo nem atração por mim. Que eu estava me humilhando por ela e que eu nao merecia passar por isso.
    Devido a rotina, as filhas e as circunstancias financeiras entendemos que poderiamos continuar morando na mesma casa, porem eu a amo ainda e tento uma reconciliação. Ela por outro lado nao demonstra nenhum tipo de mudança de postura, ela ja viveu o luto, para ela ja esta tudo resolvido enrte nós, e ate está saindo com outra pessoa. Quando soube desse fato e a questionei ela disse nao ter ocorrido traição pois para ela ja nao exixtia mais nada entre nós. Alem disso toda a familai dela nao entende o motivo dela estar fazendo isso, e que me apoiariam até para eu ficar com a guarda das minhas filhas, a mais velha ja disse que quer ficar comigo.
    Eu sei que os sinais estão todos ai e que o divorcio é inevitavel, MAS eu ainda a amo e aceitaria até tê-la de volta mas ela nao se arrepende, inclusive disse nas duas tentativas anterioes que só voltou por insistencia minha.
    Minha familia é tudo o que tenho e nao queria perdê-la , o que faço? Será que vou ter que vê-la quebrando a cara e se arrepender para ver o erro que está cometendo ao destruir o nosso casamento?

    obrigado pela ajuda

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Olá. O que você descreve é uma situação muito dolorosa, porque quando um relacionamento longo entra em ruptura, não é apenas o vínculo conjugal que parece se desfazer. Vêm junto a história construída, a rotina da família, os projetos e a sensação de pertencimento que existia ali. Para quem ainda ama e deseja continuar, é comum sentir choque, confusão e uma grande dificuldade em aceitar que o outro possa estar vivendo um processo diferente.

    Na psicologia dos relacionamentos, às vezes acontece de os dois parceiros estarem em tempos emocionais diferentes. Enquanto um ainda está tentando compreender o que aconteceu e buscando caminhos para reconstruir o vínculo, o outro pode já ter feito internamente um processo de afastamento, de questionamento da relação e até de luto pela vida conjugal. Isso não significa que a dor de um seja menor que a do outro, mas mostra que cada pessoa pode estar em estágios diferentes da mesma história.

    Também é importante considerar que, em muitos casamentos longos, as crises não aparecem necessariamente como grandes discussões. Às vezes o distanciamento começa de forma silenciosa: menos diálogo sobre sentimentos, menos espaço para falar de insatisfações ou desejos pessoais. Quando isso vem à tona, pode parecer repentino para quem não percebia esses sinais antes.

    Diante de tudo que você relatou, existem algumas questões importantes para refletir. A primeira é que uma reconciliação verdadeira só acontece quando os dois desejam reconstruir a relação. O amor de uma pessoa, por mais genuíno que seja, não consegue sozinho sustentar um casamento. A segunda é que, mesmo em um momento de separação ou indefinição, cuidar da sua própria dignidade emocional e da sua estabilidade também é fundamental — especialmente porque vocês têm filhas e continuarão ligados como família de alguma forma.

    A terapia, individual ou de casal, pode ajudar muito nesse momento. Ela pode oferecer um espaço para compreender o que aconteceu com a relação, elaborar essa dor e também ajudar você a se reorganizar emocionalmente para tomar decisões mais claras sobre o futuro — seja na tentativa de reconstrução, se houver abertura dos dois, ou na construção de um novo caminho.

    Quando uma família passa por uma crise conjugal, isso não significa necessariamente que tudo que foi vivido perde valor. Muitas vezes o desafio passa a ser reorganizar a vida, proteger os vínculos com os filhos e reconstruir a própria identidade emocional diante dessa mudança.

    Espero ter ajudado você a refletir.
    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica.


  • Olá boa tarde , eu sou viciada em se mastubar , e o meu parceiro tem vontade de ver outros cmg na ca

    Olá boa tarde , eu sou viciada em se mastubar , e o meu parceiro tem vontade de ver outros cmg na cama e as vezes acho chato isso, será q devo aceitar o fetiche dele

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Olá. A sexualidade é um campo muito amplo e cada pessoa pode ter desejos, fantasias e formas diferentes de viver o prazer. Na terapia sexual, o primeiro ponto importante é entender que fantasia não é obrigação. O fato de um parceiro ter um fetiche ou uma curiosidade não significa que o outro precise aceitá-lo se aquilo não faz sentido ou causa desconforto.

    Quando aparece um desejo desse tipo (como a vontade de incluir outras pessoas na relação) o mais importante é o diálogo claro e respeitoso entre o casal. É preciso perguntar: isso é algo que ambos realmente desejam experimentar ou apenas uma expectativa de um dos dois? Em relações saudáveis, as experiências íntimas precisam ser construídas com consentimento, segurança e vontade compartilhada. Se para você isso soa estranho ou desagradável, é legítimo colocar limites.

    Sobre a masturbação, também é importante olhar com calma. A masturbação faz parte da sexualidade humana e, em geral, não é um problema. Ela passa a merecer atenção quando começa a gerar sofrimento, culpa, sensação de perda de controle ou quando interfere na vida cotidiana ou na relação com o parceiro. Nesses casos, conversar com um profissional pode ajudar a entender o que está por trás desse comportamento e como equilibrar melhor a relação com o próprio prazer.

    Na terapia sexual, muitas vezes o trabalho é justamente ajudar a pessoa ou o casal a compreender seus desejos, limites e formas de viver a intimidade de maneira mais consciente e respeitosa para ambos.

    Espero ter ajudado você a refletir.
    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica.


  • Sou homem hétero, mas tem um rapaz que quer me conhecer, (ele viu uma foto minha nesses grupos de wh

    Sou homem hétero, mas tem um rapaz que quer me conhecer, (ele viu uma foto minha nesses grupos de whatsap para pegação ) mora perto da minha casa, é casado. Não sei se tenho receio se tenho tendencia homossexual ou bissexualidade, (talvez pela pornografia que assisti muito), me relacionei com uma moça um ano atrás, mas nunca cheguei a um orgasmo com ela nem com outras que tive sexos casuais.

    Sempre que fico um tempo sem me masturbar, a sensação volta com força, aí entro nesses grupos.

    A gente marcou apenas de se encontrar , senão rolar tudo bem, mas estou angustiado, pois nunca fiz isso antes. Queria experimentar, para ver se gosto mesmo. É tipo um desejo proibido que estou sentindo. Tem terapia para isso ou é só questão de experimentar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    O que você está vivendo não é simples, e é importante não reduzir isso apenas a “sou ou não sou”.
    Antes de falar em rótulo (hétero, bi, homossexual), talvez valha a pena entender como esse desejo está se organizando dentro de você.

    Você traz três elementos importantes:
    1. A dificuldade de chegar ao orgasmo com mulheres.
    2. O uso frequente de pornografia.
    3. O aumento do desejo quando fica um tempo sem se masturbar.

    Esses pontos não falam necessariamente de orientação sexual. Eles falam, primeiro, de condicionamento do desejo.

    A pornografia atua principalmente no campo mental. Ela oferece estímulo constante, variedade infinita, novidade imediata, intensidade visual e cenas muitas vezes exageradas. O cérebro passa a associar excitação a estímulos rápidos, intensos e variados. Com o tempo, o corpo pode ter dificuldade de responder a situações reais, que são mais lentas, mais ambíguas, mais emocionais.

    Isso pode gerar:
    – Dificuldade de orgasmo em relações presenciais.
    – Busca por estímulos cada vez mais diferentes ou “proibidos”.
    – Sensação de urgência quando fica sem se masturbar.

    O “desejo proibido” muitas vezes não é apenas sobre a pessoa em si. Ele pode estar ligado à intensidade da fantasia, à quebra de regra, ao risco, ao segredo — elementos que a pornografia costuma reforçar.

    Outra camada importante: quando o orgasmo acontece majoritariamente via masturbação associada à pornografia, o cérebro aprende um roteiro muito específico de excitação. Qualquer coisa fora desse roteiro pode parecer menos potente. Isso não define sua orientação, mas pode influenciar o tipo de estímulo que ativa seu desejo.

    Experimentar pode esclarecer? Às vezes sim. Mas também pode confundir ainda mais se você não estiver entendendo o que está buscando.

    Perguntas mais profundas talvez ajudem:
    – Você sente atração afetiva por homens ou apenas excitação sexual pontual?
    – Esse desejo aparece fora do contexto da pornografia?
    – Se não houvesse segredo, risco ou transgressão, ainda seria excitante?
    – O que você busca nesse encontro: prazer, confirmação, adrenalina, curiosidade, validação?

    Existe terapia para isso, sim.
    Não para “mudar” orientação (porque orientação não é doença) mas para compreender como seu desejo está estruturado, como a pornografia impactou sua resposta sexual e o que é fantasia, o que é compulsão e o que é identidade.

    Talvez antes de experimentar, você pudesse fazer um teste mais simples:
    ficar um período sem pornografia e observar como seu desejo se reorganiza.
    Muitas vezes, quando o estímulo excessivo diminui, o corpo volta a responder de forma mais integrada.

    A angústia que você sente agora é um sinal importante.
    Não é só curiosidade. É conflito interno.

    E conflito não se resolve apenas com ação.
    Ele se resolve com compreensão.

    Espero ter ajudado a refletir.
    Eu sou Betânia Tassis,
    psicóloga clínica.


  • Por que a organização excessiva é considerada uma doença?

    Por que a organização excessiva é considerada uma doença?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    A organização, em si, não é uma doença. Ser organizado pode ser uma qualidade, uma preferência pessoal ou até uma estratégia saudável de vida. O que faz a diferença, no caso do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), não é o quanto a pessoa organiza, mas o porquê e como isso acontece.

    No TOC, a organização excessiva costuma estar ligada a ansiedade intensa, medo de que algo ruim aconteça ou a uma sensação constante de que “não está certo ainda”. A pessoa não organiza porque gosta ou porque facilita a vida, mas porque sente um alívio momentâneo da angústia ao cumprir aquele ritual. E esse alívio nunca dura, a necessidade volta, geralmente mais forte.

    Outro ponto importante é que, no TOC, esses comportamentos:
    • tomam muito tempo,
    • geram sofrimento,
    • interferem na rotina, nos relacionamentos ou no trabalho,
    • e dão à pessoa a sensação de perda de controle sobre o próprio comportamento.

    Ou seja, o problema não é gostar de ordem, limpeza ou simetria, mas quando isso deixa de ser uma escolha e passa a ser uma obrigação interna, movida por medo, culpa ou ansiedade.

    Espero ter ajudado.
    Meu nome é Betânia Tassis, eu sou psicóloga clínica.


  • O que é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) de Simetria?

    O que é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) de Simetria?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) de Simetria é um subtipo do TOC em que a principal fonte de sofrimento está ligada à necessidade intensa de ordem, alinhamento, simetria ou exatidão. A pessoa sente um desconforto profundo quando objetos, ações ou até pensamentos parecem “fora do lugar”, “desalinhados” ou “incompletos”.

    Nesse tipo de TOC, surgem obsessões, que são pensamentos ou sensações internas persistentes, como a ideia de que algo está errado ou incompleto, e compulsões, que são comportamentos repetitivos feitos para aliviar essa angústia. Exemplos comuns incluem alinhar objetos de forma rígida, repetir movimentos até que “pareçam certos”, organizar excessivamente ou refazer tarefas várias vezes até atingir uma sensação subjetiva de equilíbrio.

    É importante destacar que o alívio obtido com esses comportamentos é temporário. A ansiedade retorna, criando um ciclo que pode consumir muito tempo, energia emocional e afetar a vida pessoal, profissional e os relacionamentos. Diferente de uma preferência por organização, no TOC de Simetria a pessoa não escolhe agir assim, ela sente que precisa fazer, mesmo reconhecendo o exagero ou o impacto negativo.

    O tratamento envolve acompanhamento psicológico especializado e, em alguns casos, apoio psiquiátrico. Com cuidado adequado, é possível reduzir o sofrimento, recuperar flexibilidade e construir uma relação mais saudável com a própria rotina e com o controle.

    Espero ter ajudado.
    Eu sou a Betânia Tassis, psicóloga clínica.


  • Ultimamente tenho enfrentado muitas crises de ansiedade, eu me sinto uma pessoa péssima e eu simples

    Ultimamente tenho enfrentado muitas crises de ansiedade, eu me sinto uma pessoa péssima e eu simplesmente me odeio tanto fisicamente quanto emocionalmente às vezes eu é horrível viver dentro de mim, eu me sinto constantemente angustiada, com uma sensação de agonia em relação à vida e às situações do dia a dia. Muitas vezes, as crises surgem do nada, e em outras percebo que vêm acompanhadas de algum gatilho específico.

    O mais difícil durante as crises é que fico muito mal emocionalmente: extremamente triste, estressada e com uma forte confusão mental. Em alguns momentos me sinto perdida, como se estivesse distante da consciência das coisas ao meu redor, tomada pela dor, pela angústia e pelos pensamentos acelerados. Minha cabeça não para um minuto sequer.

    Tudo acaba me deixando muito ansiosa, em um nível muito alto, até mesmo situações simples, que não deveriam causar esse tipo de reação. Qualquer coisa parece suficiente para me gerar uma ansiedade intensa. Em algumas crises, a sensação é ainda pior, porque parece que todo o bem-estar que eu estava sentindo simplesmente desaparece de repente, o que isso pode ser ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Sinto muito que você esteja vivendo isso. Pelo que você descreve, há um sofrimento emocional intenso e real, e é importante dizer com clareza: isso não é fraqueza, não é exagero e não define quem você é.

    Na psicologia, esse conjunto de experiências costuma aparecer em quadros de ansiedade elevada, que podem incluir crises de ansiedade ou de pânico, hiperativação do sistema nervoso, pensamentos acelerados, sensação de perda de controle e, em alguns momentos, vivências dissociativas, quando a pessoa se sente distante de si ou do ambiente, como se estivesse “fora do corpo” ou desconectada da realidade ao redor. Essas sensações são muito angustiantes, mas não são perigosas, apesar de parecerem assustadoras quando acontecem.

    O que chama atenção no seu relato é:
    • a autocrítica muito dura, com rejeição de si mesma física e emocionalmente;
    • a sensação constante de angústia e agonia diante da vida;
    • crises que às vezes surgem sem aviso e, em outras, vêm associadas a gatilhos;
    • confusão mental, tristeza intensa e pensamentos que não desaceleram;
    • a percepção de que qualquer situação, mesmo simples, vira uma ameaça emocional.

    Tudo isso indica um sistema emocional em estado de alerta contínuo, como se o corpo e a mente estivessem tentando se proteger o tempo todo. Quando isso acontece por muito tempo, o esgotamento vem, e junto dele surgem pensamentos negativos sobre si mesma e a sensação de que o bem-estar “desaparece do nada”.

    É muito importante reforçar: essas experiências não dizem quem você é, dizem o quanto você está sobrecarregada. O fato de você perceber os gatilhos em alguns momentos já mostra consciência emocional, mesmo que agora isso pareça confuso e doloroso.

    Nesse momento, dentro da psicologia de apoio, algumas orientações importantes são:
    • procurar acolhimento profissional contínuo, seja a psiquiatria ou a psicologia, para que você não precise atravessar isso sozinha;
    • trabalhar, aos poucos, a regulação emocional e corporal, porque a ansiedade começa no corpo antes de virar pensamento;
    • reduzir a autocrítica e aprender a se relacionar com seus sintomas com mais cuidado, em vez de combate;
    • identificar gatilhos sem julgamento, entendendo o que eles representam emocionalmente para você.

    Se em algum momento essa dor vier acompanhada de pensamentos de desistência da vida ou de se machucar, é fundamental buscar ajuda imediata com alguém de confiança ou um serviço de emergência emocional. Pedir ajuda é um sinal de cuidado consigo, não de fraqueza.

    Você não está quebrada. Você está sobrecarregada e precisando de sustentação emocional. Com acompanhamento adequado, isso pode melhorar, e melhora.

    Eu espero ter ajudado.
    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica.


  • Como saber quando devo me consultar com psiquiatra ou psicólogo?

    Como saber quando devo me consultar com psiquiatra ou psicólogo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Olá! Essa é uma dúvida muito comum, e fico feliz que você tenha trazido.

    De forma simples:
    O psicólogo trabalha com acompanhamento emocional, autoconhecimento, elaboração de vivências, padrões de comportamento e construção de recursos internos.
    O psiquiatra é o médico responsável pela avaliação biológica, diagnóstico e, quando necessário, prescrição de medicação.

    Você deve considerar procurar um psicólogo quando percebe:
    • dificuldade em lidar com emoções, relações ou decisões;
    • repetição de padrões que te fazem sofrer;
    • ansiedade, tristeza, conflitos ou mudanças na vida que precisam de elaboração;
    • desejo de se conhecer melhor ou reorganizar sua vida emocional.

    E é importante buscar um psiquiatra quando há:
    • sintomas persistentes que afetam sono, apetite, rotina ou concentração;
    • crises frequentes de ansiedade ou pânico;
    • grandes oscilações de humor;
    • suspeita de que possa existir um transtorno que precise de avaliação médica;
    • dúvida sobre uso, início ou ajuste de medicação.

    Muitas vezes, o cuidado ideal acontece de forma integrada, com psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico quando necessário.

    Se quiser conversar sobre o seu caso e entender qual caminho faz mais sentido agora, fico à disposição para te orientar com calma.
    Betânia Tassis, Psicóloga Clínica


  • Qual o motivo de não gostar de ser chamada de meiga ? De sentir vergonha, constrangimento e desconfo

    Qual o motivo de não gostar de ser chamada de meiga ? De sentir vergonha, constrangimento e desconforto ao ser chamada assim?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Olá! Algumas pessoas realmente não se sentem confortáveis quando são chamadas de “meiga”, e isso não tem relação com certo ou errado, mas com a história emocional de cada uma.

    Em geral, esse desconforto aparece quando a palavra é associada, pela própria pessoa, a ideias como fragilidade, diminuição ou falta de autonomia. Para quem precisou ser forte desde muito cedo, “meiga” pode soar como um rótulo que não representa sua força ou complexidade, e isso gera estranhamento, vergonha ou constrangimento.

    Na psicoterapia, trabalhamos justamente para compreender esses significados internos e reorganizar o que causa incômodo. Nomear essas sensações é um passo importante para que você possa se reconhecer de forma mais ampla e alinhada ao que realmente sente e deseja expressar.
    Espero ter ajudado a refletir! Eu sou Betânia Tássis, psicóloga Clínica.


  • Olá , Sou casada a 14 anos , tenho uma vida sexual ativa com meu esposo . De uns anos para cá ,

    Olá ,

    Sou casada a 14 anos , tenho uma vida sexual ativa com meu esposo . De uns anos para cá , ele vem falando umas coisas que não me sinto nada confortável e isso tora totalmente minha vontade, ele fala em me ver com outros caras , pagar viagens com acompanhantes , isso me deixa triste , já falei p ele que não gosto e ele continua falando , eu amo meu marido , mas infelizmente isso me deixa enojada quando ele fala ..Como agir?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Quando algo que deveria ser espaço de intimidade começa a gerar nojo, tristeza ou afastamento, isso é um sinal importante — não sobre “certo ou errado”, mas sobre limite.

    Você está casada há 14 anos. Existe história, vínculo, construção. E, ao mesmo tempo, existe um ponto em que o desejo dele toca em algo que não conversa com o seu. Na terapia sistêmica, nós entendemos que o casal funciona como um sistema: o que um propõe afeta o outro. A sexualidade não é individual dentro do casamento, ela é relacional. Ela precisa ser negociada, consentida e segura para ambos.

    Fantasias existem. Muitas vezes, falar sobre terceiros, ménage, acompanhantes ou voyeurismo pode estar ligado a curiosidade, excitação simbólica ou tentativa de renovar o desejo. Isso, por si só, não define caráter nem amor. Mas o ponto central não é a fantasia — é o efeito que ela produz no vínculo.

    Quando você já disse que não gosta e ele continua insistindo, saímos do campo da fantasia compartilhada e entramos no campo da desconsideração do limite. E limite desrespeitado corrói o desejo. Porque desejo precisa de segurança emocional para existir.

    Vale se perguntar:
    – Ele fala disso como fantasia verbal ou como intenção real?
    – Ele entende o impacto emocional que isso causa em você?
    – Você consegue expressar o que sente sem acusar, mas também sem minimizar?

    Na sexualidade humana saudável, o consentimento não é apenas físico — é psíquico. Se algo gera nojo, repulsa ou tristeza, isso precisa ser levado a sério. O corpo costuma reagir antes da razão.

    Talvez o caminho não seja “aceitar” ou “proibir”, mas aprofundar a conversa:
    “O que isso significa para você?”
    “O que você busca quando fala nisso?”
    “Você percebe o que acontece comigo quando escuto isso?”

    Às vezes, por trás de fantasias mais ousadas, existe medo da rotina, insegurança, busca por validação ou tentativa de manter a excitação viva. Mas nenhuma dessas hipóteses justifica ignorar o desconforto do parceiro.

    Você não está errada por se sentir enojada. Esse sentimento é uma informação. A questão agora é: vocês conseguem transformar isso em diálogo verdadeiro ou isso está criando uma fissura silenciosa no vínculo?

    Se for possível, uma terapia de casal pode ajudar a mediar essa conversa, trazendo compreensão das dinâmicas e reorganizando acordos com respeito mútuo.

    Porque sexualidade madura não é sobre fazer tudo.
    É sobre construir algo que faça sentido para os dois.

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


  • O que pode Desencadear uma Frustração Existencial ?

    O que pode Desencadear uma Frustração Existencial ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Frustração existencial não nasce de um único evento.
    Ela costuma surgir quando a vida que estamos vivendo começa a não conversar mais com quem estamos nos tornando.

    Alguns fatores que podem desencadear esse tipo de sensação:

    1. Desalinhamento entre vida externa e mundo interno
    Você cumpre tarefas, trabalha, se relaciona… mas sente que algo está “fora do lugar”. Na psicologia, entendemos isso como um conflito entre identidade e papel social. A pessoa funciona, mas não se sente inteira.

    2. Crises de transição
    Mudanças de fase — casamento, separação, maternidade, envelhecimento, mudança de carreira, perdas — podem provocar a pergunta silenciosa: “É só isso?”. Não é ingratidão. É reorganização de sentido.

    3. Acúmulo de frustrações não elaboradas
    Pequenas concessões repetidas ao longo dos anos podem gerar um vazio. Você vai se adaptando, se ajustando… até perceber que deixou partes importantes suas pelo caminho.

    4. Comparação constante
    Redes sociais, expectativas familiares, padrões de sucesso. Quando o parâmetro externo vira régua interna, a sensação de insuficiência cresce.

    5. Falta de pertencimento ou propósito
    A frustração existencial muitas vezes vem acompanhada de solidão emocional. Não é falta de pessoas, é falta de conexão significativa.

    Na terapia sistêmica, olhamos para isso como um sintoma do sistema inteiro — relações, história, contexto. Não é apenas “algo errado dentro de você”. É um chamado para reorganizar vínculos, escolhas e direção.

    A pergunta que ajuda é:

    O que em mim está pedindo atualização?

    Onde estou vivendo por obrigação e não por convicção?

    O que eu deixei de desejar porque achei que não podia?

    Frustração existencial não é fracasso.
    É um momento de consciência.
    E consciência, embora desconfortável, é fértil.

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


  • Como ajudar os adolescentes a construir um projeto de vida?

    Como ajudar os adolescentes a construir um projeto de vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Construir um projeto de vida não é escolher uma profissão.
    É construir uma direção interna.

    Na adolescência, essa pergunta aparece com força porque é o momento em que a identidade está em formação. O jovem começa a se separar emocionalmente da família, testa pertencimentos, experimenta versões de si. Existe desejo, mas também insegurança. Existe potência, mas também medo de não dar conta.

    Por isso, ajudar um adolescente a construir um projeto de vida não é pressioná-lo a decidir rápido. É ajudá-lo a se conhecer.

    Alguns pontos são fundamentais:

    Primeiro, identidade antes de desempenho.
    Quem eu sou? O que me interessa? O que me mobiliza? O que me cansa? Sem essa base, qualquer meta vira expectativa externa.

    Segundo, experimentar sem rotular fracasso.
    Adolescência é fase de teste. Cursos, hobbies, grupos, estágios. Experimentar faz parte da construção. Projeto de vida não nasce pronto. Ele vai sendo ajustado.

    Terceiro, sustentar frustração.
    Nenhum projeto se constrói sem frustração. Ensinar o adolescente a tolerar erro, revisar rota e continuar é mais importante do que garantir que ele nunca erre.

    Agora, isso não vale só para adolescentes.

    Quando alguém se separa, muda de país, troca de trabalho ou atravessa uma crise, acontece algo semelhante ao que ocorre na adolescência: uma reorganização de identidade. A pergunta volta com força — “Quem eu sou agora?”

    Construir um projeto de vida nessas fases exige duas coisas: construção e sustentação.

    Construir é sonhar, planejar, desenhar possibilidades.
    Sustentar é aguentar o processo, a incerteza, o tempo de maturação.

    Muita gente constrói bem, mas não sustenta. Desiste no primeiro obstáculo.
    Outros sustentam rotinas que já não fazem sentido, mas não constroem algo novo.

    O equilíbrio está em revisar continuamente:
    – Isso ainda faz sentido para mim?
    – Estou vivendo por escolha ou por medo?
    – O que precisa ser ajustado, não abandonado?

    Na psicoterapia, ajudamos a pessoa — adolescente ou adulta — a organizar essas perguntas, integrar passado, presente e futuro, reconhecer talentos, limites e contexto.

    Projeto de vida não é um plano fechado.
    É uma direção com flexibilidade.

    E mais importante do que decidir tudo é aprender a se escutar ao longo do caminho.

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


  • De que forma a Neuropsicologia ajuda na definição de metas pessoais e profissionais?

    De que forma a Neuropsicologia ajuda na definição de metas pessoais e profissionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    A neuropsicologia ajuda na definição de metas porque ela investiga como o seu cérebro está funcionando hoje — e metas realistas precisam partir desse ponto.

    Muitas vezes a pessoa se frustra não porque “não tem disciplina”, mas porque está estabelecendo objetivos que não conversam com seu perfil cognitivo, emocional e atencional.

    A neuropsicologia avalia funções como:

    – Atenção e concentração
    – Memória
    – Planejamento e organização
    – Controle inibitório (impulsividade)
    – Flexibilidade cognitiva
    – Velocidade de processamento

    Essas funções executivas são fundamentais para transformar desejo em ação.

    Por exemplo:

    Se alguém tem dificuldade atencional, metas longas e complexas podem gerar procrastinação e culpa.
    Se há rigidez cognitiva, mudanças de plano podem ser vividas como fracasso.
    Se a impulsividade é alta, metas muito abertas podem levar a decisões precipitadas.

    A partir dessa leitura, é possível:
    1. Criar metas compatíveis com o funcionamento real da pessoa, não com um ideal externo.
    2. Dividir objetivos em etapas cognitivamente viáveis, respeitando ritmo e energia mental.
    3. Desenvolver estratégias compensatórias, como uso de agenda estruturada, técnicas de foco, organização por blocos de tempo.
    4. Fortalecer autoconhecimento, reduzindo autocrítica injusta.

    Além disso, a neuropsicologia dialoga com aspectos emocionais. Estresse crônico, ansiedade e alterações de humor impactam diretamente o desempenho cognitivo. Então, muitas vezes, antes de definir metas grandiosas, é preciso regular o sistema nervoso.

    Na prática, a pergunta deixa de ser:
    “Qual meta eu deveria ter?”

    E passa a ser:
    “Com o cérebro e o momento de vida que eu tenho hoje, qual meta é possível, sustentável e coerente?”

    Metas saudáveis não são apenas ambiciosas.
    Elas são integradas à realidade neuroemocional da pessoa.

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


  • O que faz a mente ficar acelerada? .

    O que faz a mente ficar acelerada? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Quando a mente fica acelerada, é importante não reduzir tudo a “estresse” ou “ansiedade comum”. Muitas vezes é isso mesmo: sobrecarga, excesso de responsabilidades, conflitos não elaborados, dificuldade de descansar. Mas em alguns casos, a aceleração pode indicar algo além.

    Primeiro, vamos entender o mais frequente.

    A mente acelera quando o corpo entra em estado de alerta. Ansiedade, medo de errar, necessidade de controle, excesso de tarefas, noites mal dormidas, uso constante de telas ou estimulantes — tudo isso mantém o sistema nervoso ativado. O cérebro tenta antecipar cenários, resolver problemas e evitar riscos. Pensar demais vira uma tentativa de proteção.

    Também pode acontecer quando emoções não encontram espaço para serem sentidas. Em vez de sentir tristeza, frustração ou insegurança, a pessoa pensa sem parar. A mente trabalha para não entrar em contato com o que dói.

    Agora, existe um ponto importante: quando essa aceleração é muito intensa, persistente, acompanhada de redução importante do sono sem cansaço, impulsividade, aumento excessivo de energia, irritabilidade marcante ou mudanças bruscas de comportamento, é fundamental considerar a hipótese de um transtorno de humor.

    Em quadros como hipomania ou mania, por exemplo, a aceleração mental não é apenas preocupação — é uma alteração do ritmo psíquico. Nesses casos, além do acompanhamento psicológico, cabe avaliação médica, especialmente psiquiátrica, para um diagnóstico adequado.

    Por isso, algumas perguntas ajudam a diferenciar:
    – Essa aceleração é situacional ou constante?
    – Você consegue desacelerar quando o problema se resolve?
    – Seu sono está preservado?
    – Há mudanças importantes no seu comportamento ou nas suas decisões?

    Nem toda mente acelerada é transtorno.
    Mas toda aceleração persistente merece investigação cuidadosa.

    O mais importante não é rotular, e sim compreender o que está acontecendo no seu corpo, na sua história e no seu momento de vida. Psicoterapia ajuda a organizar o que é emocional, relacional e contextual. Quando necessário, o trabalho conjunto com avaliação médica amplia o cuidado.

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


  • O que é proatividade e como a psicoterapia pode ajudar a desenvolvê-la?

    O que é proatividade e como a psicoterapia pode ajudar a desenvolvê-la?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Proatividade não é fazer tudo.
    Também não é estar sempre disponível ou assumir mais do que consegue sustentar.

    Proatividade é a capacidade de se posicionar diante da própria vida com consciência e ação. É perceber o que precisa ser feito, reconhecer a própria responsabilidade nas escolhas e agir antes que a situação vire urgência ou crise.

    Uma pessoa proativa não espera o outro decidir tudo.
    Mas também não age por impulso.
    Ela pensa, avalia, escolhe e sustenta.

    O que muitas vezes impede a proatividade não é preguiça. É medo. Medo de errar, de desagradar, de falhar, de assumir consequências. Às vezes é insegurança aprendida lá atrás. Outras vezes é excesso de autocrítica que paralisa.

    A psicoterapia ajuda porque ela organiza o que está por trás da dificuldade de agir.

    Na perspectiva sistêmica, olhamos para os padrões de relação: você aprendeu a esperar que decidam por você? Foi muito criticada quando tentou se posicionar? Cresceu em um ambiente onde agir era arriscado?

    Na dimensão emocional, trabalhamos a regulação da ansiedade. Porque agir exige tolerar desconforto. E quem não suporta desconforto tende a adiar decisões.

    Na dimensão cognitiva, a terapia ajuda a desenvolver planejamento, clareza de metas e divisão de tarefas em etapas possíveis. Proatividade não nasce de motivação mágica. Ela nasce de organização interna.

    Com o tempo, a pessoa começa a perceber:
    “Eu posso escolher.”
    “Eu posso iniciar.”
    “Eu posso sustentar.”

    Proatividade é maturidade emocional aplicada à ação.

    E ela não significa fazer tudo sozinha.
    Significa assumir o que é seu — e negociar o que é do outro.

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


  • Qual a importância da saúde mental para a qualidade de vida e a produtividade de um indivíduo?

    Qual a importância da saúde mental para a qualidade de vida e a produtividade de um indivíduo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Olá, importante a sua pergunta, vamos pensar um pouco sobre o assunto.

    A saúde mental é a base que sustenta a forma como pensamos, sentimos e agimos. Quando está em equilíbrio, conseguimos lidar melhor com os desafios, manter relações mais saudáveis, tomar decisões com clareza e organizar nossa rotina sem tanto peso. Isso se reflete diretamente na qualidade de vida: mais energia, mais bem-estar e mais presença no dia a dia.

    Já quando a saúde mental está fragilizada, a produtividade e o bem-estar ficam comprometidos. A mente se dispersa, o corpo sente, o sono e a motivação se alteram, e até atividades simples parecem pesadas demais. Não é sinal de fraqueza, mas sim um alerta de que algo precisa de cuidado.

    Por isso, cuidar da saúde mental não é um detalhe, é essencial. A terapia, os hábitos de autocuidado, os momentos de descanso e uma rede de apoio ajudam a manter esse equilíbrio. Assim, produtividade deixa de ser apenas “fazer muito” e passa a ser “fazer com qualidade e sentido”, preservando também a vida emocional.

    Espero ter ajudado a refletir.
    Eu sou Betânia Tassis, Psicóloga Clínica.


  • O que pode desencadear uma crise existencial? .

    O que pode desencadear uma crise existencial? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Olá, que bom receber a sua pergunta, vamos refletir sobre isso.

    Uma crise existencial costuma surgir quando algo nos faz questionar o sentido da vida, nossas escolhas ou até o rumo que estamos seguindo. Pode acontecer em momentos de perda, mudanças importantes, transições de carreira, fim ou início de relacionamentos, envelhecimento ou mesmo após uma conquista que, inesperadamente, não trouxe a satisfação esperada.

    Essas crises não são sinais de fraqueza, mas de um movimento interno que pede reorganização. A vida, em certas fases, nos convida a rever valores, prioridades e caminhos. O que pode gerar sofrimento é quando essas perguntas passam a paralisar, roubando energia, prazer e clareza no dia a dia.

    Na terapia, esse processo é visto como uma oportunidade de amadurecimento. Ao compreender o que realmente tem sentido para você, é possível transformar a angústia em aprendizado e dar novos significados às escolhas que vêm pela frente.

    Espero ter ajudado a refletir.
    Eu sou Betânia Tassis, Psicóloga Clínica.


  • Quais são os fatores que contribuem para o adoecimento mental?

    Quais são os fatores que contribuem para o adoecimento mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Adoecimento mental não surge de um único fator.
    Ele costuma ser resultado de um acúmulo — biológico, emocional, relacional e social.

    Ninguém “acorda doente” de um dia para o outro. Geralmente há sinais que foram sendo ignorados ou suportados por tempo demais.

    Um dos fatores mais comuns é o estresse crônico.
    A pessoa que trabalha o dia inteiro sob pressão, chega em casa e continua resolvendo problemas, dorme pouco e nunca descansa de verdade. O corpo permanece em alerta. Com o tempo, isso pode evoluir para ansiedade intensa, irritabilidade, crises de choro ou esgotamento.

    Outro fator importante é a sobrecarga emocional não elaborada.
    Por exemplo: alguém que passou por uma separação, mas “seguiu forte”, sem falar sobre a dor. Ou alguém que perdeu um familiar e precisou continuar funcionando. Emoções não processadas não desaparecem — elas se acumulam.

    Também existem os padrões relacionais adoecedores.
    Viver em ambientes de crítica constante, desvalorização, controle ou violência psicológica fragiliza a autoestima e pode levar a quadros depressivos, ansiedade ou sintomas físicos.

    Há ainda os fatores biológicos e genéticos.
    Alterações hormonais, histórico familiar de transtornos de humor, mudanças neurológicas e uso de substâncias podem influenciar diretamente o funcionamento psíquico.

    Outro ponto pouco percebido é a falta de sentido ou desalinhamento de vida.
    A pessoa cumpre tarefas, paga contas, mantém relações, mas sente um vazio constante. Vive uma vida que não conversa mais com seus valores. Esse distanciamento interno também pode gerar sofrimento significativo.

    E não podemos ignorar o isolamento social.
    Ter muitas pessoas por perto não é o mesmo que ter vínculos significativos. A solidão emocional prolongada impacta profundamente a saúde mental.

    Na prática, o adoecimento costuma aparecer em frases como:
    “Eu não tenho mais energia.”
    “Estou sempre irritada.”
    “Nada me anima.”
    “Minha mente não para.”
    “Eu era diferente antes.”

    É importante entender que saúde mental não é apenas ausência de diagnóstico. É capacidade de regular emoções, sustentar frustrações, estabelecer vínculos seguros e encontrar sentido na própria trajetória.

    E quando algo começa a sair desse eixo, buscar ajuda não é fraqueza — é cuidado.

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


  • O que fazer quando a vida parece vazia? .

    O que fazer quando a vida parece vazia? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    Quando a vida parece vazia, muitas vezes a pessoa continua funcionando por fora — mas por dentro sente como se estivesse desconectada.

    É aquele acordar sem vontade.
    Cumprir tarefas no automático.
    Estar em uma roda de amigos e se sentir distante.
    Olhar para o parceiro, para o trabalho, para a própria casa e pensar: “Era isso que eu queria… mas por que não estou sentindo nada?”

    Às vezes esse vazio aparece depois de uma grande mudança — uma separação, a saída dos filhos, a mudança de cidade ou de país. Outras vezes surge no meio da rotina estável: trabalho garantido, contas pagas, relacionamento mantido… e, ainda assim, falta sentido.

    No cotidiano, ele pode se manifestar assim:
    – Você faz planos, mas nada empolga.
    – O domingo chega e traz uma angústia silenciosa.
    – Pequenas conquistas parecem sem sabor.
    – Você começa a se isolar porque “tanto faz”.

    Primeiro passo: diferenciar vazio de exaustão.
    Uma pessoa sobrecarregada pode sentir anestesia emocional porque está esgotada. Dormir mal, trabalhar demais, não ter pausa real. Às vezes o corpo só está pedindo descanso.

    Segundo passo: investigar sentido.
    O que na sua vida hoje é escolha e o que é repetição?
    Você está vivendo alinhado com seus valores ou apenas mantendo estruturas?

    Terceiro: retomar pequenas experiências concretas.
    Vazio aumenta quando a vida fica só mental. Pequenos movimentos ajudam a recentralizar: caminhar, reorganizar um espaço, iniciar uma atividade manual, marcar um encontro, retomar algo que já deu prazer. Não para “resolver tudo”, mas para sair da imobilidade.

    Agora, um ponto importante e delicado.

    Se esse vazio começa a vir acompanhado de pensamentos como:
    “Não faria diferença se eu não estivesse aqui.”
    “Queria desaparecer.”
    “Não vejo sentido em continuar.”

    Isso já não é apenas vazio existencial. É um sinal de sofrimento mais profundo.

    Nesse nível, é fundamental não enfrentar sozinho. Buscar psicoterapia, conversar com alguém de confiança, e, se houver ideação suicida clara, procurar atendimento médico ou serviço de emergência. Pedir ajuda não é exagero — é cuidado.

    Existe uma diferença entre:
    – Um vazio que convida à reorganização de sentido.
    – Um vazio que aponta para risco e precisa de intervenção mais imediata.

    Em qualquer um dos casos, o caminho não é se culpar. É se perguntar: em que ponto eu estou? O que meu estado atual está pedindo?

    Às vezes a vida parece vazia porque uma versão sua já terminou.
    E ainda dói construir a próxima.

    O movimento de voltar ao centro da própria vida começa pequeno. Não é uma grande decisão. É um gesto de cuidado hoje.

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


  • Como a consciência da finitude (mortalidade) afeta a aceitação?

    Como a consciência da finitude (mortalidade) afeta a aceitação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    A consciência da finitude mexe com algo muito profundo em nós.
    Saber que a vida tem limite muda a forma como olhamos para o tempo, para as escolhas e para as perdas.

    Muitas vezes essa consciência aparece de forma concreta: a morte de alguém próximo, um diagnóstico de saúde, um aniversário marcante, os filhos crescendo, os pais envelhecendo. De repente, aquilo que parecia infinito ganha contorno.

    No cotidiano, isso pode surgir em pensamentos como:
    “Eu não tenho tanto tempo quanto imaginava.”
    “Preciso parar de adiar o que é importante.”
    “Será que estou vivendo do jeito que faz sentido para mim?”

    A finitude pode aumentar a ansiedade — medo de perder, medo de errar, medo de não aproveitar o suficiente. Algumas pessoas passam a tentar controlar tudo. Outras evitam pensar no assunto, mergulhando em trabalho ou distrações.

    Mas, paradoxalmente, a consciência da mortalidade também pode ampliar a aceitação.

    Quando entendemos que nada é permanente — nem a juventude, nem os conflitos, nem as fases difíceis — começamos a relativizar certas batalhas. Pequenas discussões perdem peso. Orgulhos ficam menos rígidos. A pergunta muda de “quem está certo?” para “vale a pena sustentar isso?”

    Na psicologia existencial, falamos que a consciência da finitude pode nos aproximar da autenticidade. Se o tempo é limitado, viver de forma automática deixa de fazer sentido. A aceitação surge não como resignação, mas como maturidade: reconhecer limites, perdas e impermanências como parte da condição humana.

    Por exemplo:
    Um casal que enfrenta uma crise pode, ao perceber a fragilidade da vida, decidir conversar de forma mais honesta.
    Alguém que perdeu um familiar pode reorganizar prioridades e valorizar mais os vínculos vivos.
    Uma pessoa que atravessa a meia-idade pode aceitar mudanças no corpo com menos rigidez, entendendo que o tempo faz parte da experiência.

    A aceitação, nesse contexto, não é desistir.
    É reconhecer que controlar tudo é impossível.

    A consciência da finitude pode nos levar a duas direções: medo ou profundidade.
    Quando elaborada, ela nos ajuda a escolher melhor onde colocar energia, afeto e presença.

    No fim, aceitar a vida passa também por aceitar que ela é limitada.
    E talvez seja justamente isso que a torna preciosa.

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


  • Como a análise existencial pode ajudar a melhorar a saúde mental?

    Como a análise existencial pode ajudar a melhorar a saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Betânia Tassis

    A análise existencial parte de uma pergunta central:
    como você está vivendo a sua própria vida?

    Ela não foca apenas em sintomas, mas em sentido, responsabilidade, liberdade e escolhas. Parte do princípio de que sofrimento psíquico muitas vezes está ligado a um desalinhamento entre a forma como a pessoa vive e aquilo que, profundamente, faz sentido para ela.

    Na prática, isso aparece no cotidiano assim:

    A pessoa tem um bom emprego, mas sente vazio.
    Está em um relacionamento estável, mas desconectado.
    Cumpre expectativas familiares, mas se sente distante de si mesma.

    A análise existencial ajuda a organizar perguntas como:
    – Estou vivendo por escolha ou por medo?
    – Onde estou evitando assumir responsabilidade?
    – O que estou adiando por insegurança?
    – O que, se eu pudesse escolher com honestidade, mudaria?

    Esse tipo de reflexão amplia a consciência. E consciência, embora às vezes desconfortável, é organizadora. Quando a pessoa reconhece que tem liberdade — ainda que limitada — ela começa a sair da posição de vítima das circunstâncias.

    Mas é importante ampliar.

    A saúde mental pode ser trabalhada por diferentes abordagens terapêuticas, cada uma com sua lente:

    A psicanálise investiga conflitos inconscientes, padrões repetitivos e experiências da infância que moldam a forma de amar, trabalhar e reagir.

    A terapia sistêmica observa os vínculos e os sistemas nos quais a pessoa está inserida — família, casal, trabalho — entendendo que o sofrimento não é apenas individual, mas relacional.

    A terapia cognitivo-comportamental organiza pensamentos, crenças e comportamentos que mantêm sintomas como ansiedade e depressão.

    Abordagens humanistas focam na autenticidade, na autoaceitação e na ampliação da experiência emocional.

    A neuropsicologia observa como funções cognitivas e funcionamento cerebral influenciam planejamento, foco e regulação emocional.

    Cada forma de terapia oferece uma porta de entrada diferente, mas todas têm algo em comum: ajudam a pessoa a se compreender melhor, regular emoções e reorganizar escolhas.

    A análise existencial contribui especialmente quando o sofrimento está ligado à perda de sentido, à crise de identidade ou a momentos de transição — como separações, mudanças de carreira, envelhecimento ou lutos.

    Melhorar a saúde mental não significa eliminar dor.
    Significa aumentar a capacidade de sustentar a própria vida com consciência, responsabilidade e flexibilidade.

    No fim, a pergunta não é apenas “como parar de sofrer?”, mas “como viver de forma mais alinhada comigo?”

    Eu sou Betânia Tassis, psicóloga clínica, e espero ter ajudado você a refletir.


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