Perguntas do paciente (92)

  • Boa tarde estou tomando velaxina de 37mg a 10 dias sinto enjôo aumentou de ansiedade, é normal?

    Boa tarde estou tomando velaxina de 37mg a 10 dias sinto enjôo aumentou de ansiedade, é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Sentir enjoo e, pior, mais ansiedade justamente quando se busca alívio é desconcertante — e é uma das razões mais comuns de abandono precoce do tratamento. Um ponto importante: avaliar se esses sintomas são adaptação inicial ou se pedem ajuste depende do seu histórico e da evolução do quadro, algo que um médico de sua confiança pode analisar. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte, e a resposta é sim, é esperado.

    A Venlafaxina tem como princípio ativo a venlafaxina, um IRSN (inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina). Náusea é o efeito adverso mais frequente dela, e o aumento transitório da ansiedade nas primeiras uma a duas semanas é bem descrito — inclusive há um nome informal para isso, "ansiedade de ativação". O mecanismo tem lógica: antes que ocorram as adaptações nos receptores cerebrais que produzem o efeito terapêutico, o aumento inicial de serotonina e noradrenalina pode gerar inquietação, tensão e sensação de nervosismo. É desagradável, mas costuma ser passageiro.

    Sobre o tempo e a dose: 10 dias ainda é fase de adaptação, e 37,5 mg é a dose inicial, escolhida justamente para suavizar esse começo. A náusea tende a ceder em uma a duas semanas; a ansiedade de ativação, no mesmo período. O efeito terapêutico, por sua vez, costuma aparecer entre 2 e 4 semanas, com resposta plena em 4 a 8 — ou seja, o desconforto vem antes do benefício, o que torna essa fase a mais difícil.

    Medidas simples que ajudam nesse período: tomar o comprimido junto com alimento (reduz bastante a náusea), manter boa hidratação, evitar cafeína em excesso e álcool, e manter horário regular. Se a ansiedade estiver muito intensa, isso é ajustável — há estratégias para atravessar essa fase, e vale relatar em consulta em vez de simplesmente suportar.

    Não interrompa por conta própria: a venlafaxina é conhecida por causar sintomas de descontinuação marcados. E procure atendimento sem demora se surgirem agitação intensa, tremores, sudorese, febre, batimentos acelerados ou pensamentos de se machucar.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Faz dez dias que tou tomando velaxina e ainda não vi efeito, é normal?

    Faz dez dias que tou tomando velaxina e ainda não vi efeito, é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Dez dias sem perceber melhora costuma gerar desânimo, sobretudo quando a expectativa era de alívio mais rápido. Um ponto importante: avaliar se a resposta está dentro do esperado no seu caso, e se a dose atual é adequada, exige acompanhamento com um médico de sua confiança, com o histórico e a evolução em mãos. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte — e a resposta curta é sim, é normal.

    A Velaxina tem como princípio ativo a venlafaxina, um IRSN (inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina). Antidepressivos dessa classe não agem de imediato: os primeiros sinais de melhora costumam aparecer entre 2 e 4 semanas, e o efeito pleno leva de 4 a 8 semanas. Isso porque o benefício não vem apenas do aumento imediato dos neurotransmissores, mas de adaptações graduais nos receptores cerebrais, que levam semanas para se estabelecer.

    Vale ainda considerar dois pontos. Primeiro, a venlafaxina costuma ser iniciada em dose baixa (37,5 mg) justamente para reduzir efeitos adversos, e essa dose inicial é frequentemente subterapêutica — o efeito só aparece de fato após os aumentos programados. Segundo, a melhora raramente é súbita: costuma começar por sono, apetite e energia, com o humor respondendo depois. Às vezes pessoas próximas percebem antes do próprio paciente.

    O que sugiro na prática: mantenha a medicação com regularidade e dê tempo ao tratamento — abandonar nessa fase é a razão mais comum de tratamentos que "não funcionam". Anote o que observar: sono, apetite, disposição, frequência de crises. Isso torna a próxima reavaliação bem mais objetiva. E não interrompa por conta própria: a venlafaxina é conhecida por causar sintomas de descontinuação marcados quando parada de forma abrupta.

    Se surgir piora importante, agitação intensa ou pensamentos de morte, procure atendimento sem esperar — o CVV atende no 188, 24 horas.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Olá, boa tarde, tudo bem? Foi-me indicado carbamazepina para transtorno bipolar. Ele é eficaz nesse

    Olá, boa tarde, tudo bem? Foi-me indicado carbamazepina para transtorno bipolar.
    Ele é eficaz nesse quadro? Eu estou um pouco cético quanto a esse medicamento.
    Obrigado desde já.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Questionar um medicamento antes de iniciá-lo é uma postura saudável, e no caso da carbamazepina o ceticismo tem uma explicação compreensível — ela é conhecida sobretudo como anticonvulsivante, o que gera estranhamento. Um ponto importante: avaliar se ela é a melhor escolha para o seu caso depende do padrão dos seus episódios, do histórico de resposta a outros medicamentos e de suas condições clínicas — algo que um médico de sua confiança pode determinar. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.

    Sim, a carbamazepina tem eficácia comprovada no transtorno bipolar, com respaldo na literatura e reconhecimento em diretrizes. Ela é considerada um estabilizador de humor, com melhor evidência no tratamento da mania aguda e também na manutenção. Historicamente, foi um dos primeiros anticonvulsivantes a demonstrar essa ação — e vale dizer que "anticonvulsivante que estabiliza humor" não é exceção: o mesmo vale para o valproato e a lamotrigina, cada um com perfil próprio.

    O que sugiro na prática: leve seu ceticismo abertamente à consulta — perguntar por que essa opção e não outra é legítimo e faz parte de um bom acompanhamento. Se iniciar, faça os exames de monitorização conforme orientado e procure atendimento imediatamente se surgirem erupção cutânea, febre, feridas na boca, dor de garganta persistente ou manchas na pele.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Sou autista adulto, diagnosticado tardiamente, estou estendo muitos episodios de crises por dia mesm

    Sou autista adulto, diagnosticado tardiamente, estou estendo muitos episodios de crises por dia mesmo tomando meus remedios. O que posso fazer para parar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Ter várias crises por dia, mesmo medicado, é exaustivo — e o diagnóstico tardio traz um desafio adicional, porque significa décadas sem as ferramentas e adaptações que poderiam ter ajudado. Um ponto importante: crises frequentes assim indicam que algo no manejo atual precisa ser revisto, e essa reavaliação, com o histórico e a medicação em mãos, cabe a um médico de sua confiança — não é algo a ajustar sozinho. De forma geral, porém, posso trazer o que costuma ajudar.

    Primeiro, um ponto que muda a abordagem: no autismo, as chamadas crises geralmente não são "sintoma psiquiátrico" a ser silenciado por medicação, e sim resposta a sobrecarga. Vale distinguir dois fenômenos, porque o manejo difere. O meltdown é uma perda de controle por sobrecarga sensorial, emocional ou cognitiva — o sistema nervoso simplesmente excede a capacidade de processar. O shutdown é o oposto aparente: desligamento, paralisia, incapacidade de falar ou reagir. Nenhum dos dois é birra ou descontrole voluntário, e nenhum responde bem a tentativas de racionalizar durante o episódio.

    Sobre reduzir a frequência, o caminho mais eficaz é atuar antes da crise, não durante. Algumas frentes costumam fazer diferença real. Identificar gatilhos com registro sistemático: anotar horário, contexto, ambiente (barulho, luz, temperatura, aglomeração), quanto dormiu, o que comeu, o que precedeu. Padrões emergem rápido e costumam surpreender. Adaptações sensoriais concretas: abafadores ou fones com cancelamento de ruído, óculos escuros, redução de iluminação fluorescente, roupas confortáveis. Previsibilidade e rotina, com transições avisadas e menos mudanças inesperadas. E, sobretudo, gestão da carga acumulada — meltdowns raramente vêm de um único evento, e sim de dias de sobrecarga somada e de masking (o esforço contínuo de mascarar traços autistas, que é exaustivo e é um dos maiores causadores de crise em adultos diagnosticados tardiamente).

    Sobre a medicação: não existe medicamento para o autismo em si. Os medicamentos tratam condições associadas — ansiedade, depressão, TDAH, insônia. Se as crises seguem frequentes, vale considerar duas hipóteses distintas: que uma comorbidade esteja mal controlada, ou que as crises sejam predominantemente sensoriais e ambientais, caso em que aumentar dose não resolve e o ajuste precisa ser do ambiente e da rotina. Essa distinção é decisiva e merece ser levada à reavaliação.

    Sobre o durante: quando a crise já começou, o que ajuda é reduzir estímulos imediatamente (ambiente escuro, silencioso, sozinho se possível), não exigir fala, e permitir stimming — os movimentos repetitivos são autorregulação, não algo a suprimir. Depois, prever tempo de recuperação: o desgaste posterior é real e não se resolve em minutos.

    Por fim, algo que costuma ter grande impacto: acompanhamento psicoterapêutico com profissional experiente em autismo adulto, focado em autorregulação, gestão de energia e redução de masking, não em "corrigir" comportamentos. E, se em algum momento a exaustão trouxer pensamentos de que não vale a pena continuar, procure atendimento sem esperar — o CVV atende no 188, 24 horas.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Tenho histórico de ansiedade há vários anos, com predominância de sintomas físicos. Iniciei recentem

    Tenho histórico de ansiedade há vários anos, com predominância de sintomas físicos. Iniciei recentemente uma terapia de reposição de testosterona (TRT) e, desde então, tenho percebido maior dificuldade para estabilizar a ansiedade. Já fiz tratamentos com diferentes medicamentos, mas ainda não encontrei um controle satisfatório dos sintomas.

    Gostaria de saber se a TRT pode, em algumas pessoas, contribuir para piora ou manutenção de sintomas de ansiedade, mesmo quando o tratamento hormonal está sendo acompanhado. Nesse contexto, qual seria a melhor forma de investigar o quadro e definir um tratamento mais adequado?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Sobre a sua pergunta central: sim, a TRT pode contribuir para sintomas ansiosos em algumas pessoas, ainda que a evidência seja mista — em muitos homens ela melhora humor e bem-estar, e o efeito varia bastante. Alguns mecanismos plausíveis explicam a piora quando ela ocorre. O mais relevante é a aromatização, ou seja, a conversão de testosterona em estradiol, que quando desequilibrada (tanto para mais quanto para menos) se associa a irritabilidade, labilidade emocional e sintomas ansiosos. Há também o efeito sobre o eixo hormonal: a TRT suprime a produção endógena e altera LH e FSH, e a supressão do sulfato de DHEA pode influenciar o humor. Um fator frequentemente subestimado é a via de administração — formulações injetáveis de éster curto produzem picos e vales acentuados, e muitas pessoas relatam oscilação de humor e ansiedade justamente na queda antes da dose seguinte, o que formulações de liberação mais estável tendem a atenuar.

    Sobre como investigar, alguns pontos práticos costumam esclarecer bastante. Vale um perfil hormonal completo, não apenas testosterona total: testosterona livre, estradiol (idealmente por método sensível), SHBG, LH, FSH e hematócrito. Também vale checar TSH e T4 livre, já que disfunção tireoidiana é um grande imitador de ansiedade e é comum passar despercebida. Um registro diário simples — sintomas ansiosos correlacionados ao dia do ciclo de aplicação — costuma ser extremamente informativo e pode revelar o padrão de pico e vale. E convém revisar outros fatores: qualidade do sono (apneia do sono piora com TRT e agrava ansiedade), consumo de cafeína, uso de estimulantes ou suplementos.

    Sobre a definição do tratamento: há duas frentes que precisam andar juntas. Do lado hormonal, ajustes de dose, frequência ou via de administração podem estabilizar bastante o quadro, e o manejo do estradiol merece atenção específica. Do lado psiquiátrico, a informação mais importante a resgatar é o que exatamente foi tentado antes — quais medicações, em que doses e por quanto tempo —, porque tratamentos interrompidos cedo ou em dose subterapêutica são a causa mais comum de "nada funcionou". Ansiedade com predominância de sintomas físicos ao longo de anos também sugere fortemente a indicação de terapia cognitivo-comportamental, que tem eficácia de primeira linha e atua justamente sobre a hipervigilância às sensações corporais — frequentemente é o componente que faltava quando sucessivas medicações não sustentaram a melhora.

    O que sugiro na prática: leve essa correlação temporal explicitamente a ambos os profissionais, com o registro dos sintomas em mãos, e não interrompa nem ajuste a TRT ou a medicação psiquiátrica por conta própria.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Além de oscilações de humor, delírios e alucinações constantes mesmo sendo fora da mania ou hipomani

    Além de oscilações de humor, delírios e alucinações constantes mesmo sendo fora da mania ou hipomania e depressão caracteriza transtorno bipolar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Sua pergunta identifica exatamente o ponto que separa dois diagnósticos diferentes — é uma distinção clínica precisa, e vale explicá-la com cuidado. Um ponto importante: definir qual quadro se aplica a um caso específico exige avaliação longitudinal, com observação do padrão dos sintomas ao longo do tempo, algo que só um médico de sua confiança pode conduzir. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.

    A resposta é: não, isso já não caracteriza transtorno bipolar típico. E o critério que você intuiu é justamente o decisivo.

    No transtorno bipolar, sintomas psicóticos (delírios e alucinações) podem ocorrer — são relativamente frequentes em episódios de mania grave e podem aparecer também em depressões graves. Mas o ponto essencial é que eles surgem durante os episódios de humor e desaparecem quando o humor se estabiliza. Ou seja, são congruentes com o curso do humor.

    Quando delírios e alucinações persistem fora dos episódios de humor — em períodos de humor estável, como você descreve —, o quadro aponta para outro diagnóstico. O transtorno esquizoafetivo é definido exatamente por isso: presença de sintomas psicóticos por pelo menos duas semanas na ausência de sintomas proeminentes de humor, embora episódios de humor também ocorram ao longo da evolução. É, em certo sentido, um quadro que combina características dos dois espectros. Outra possibilidade a considerar é a esquizofrenia com sintomas de humor associados, e a distinção entre elas se faz pela proporção e pela duração relativa de cada componente.

    Por que essa diferenciação importa na prática: o tratamento muda. No transtorno esquizoafetivo, o antipsicótico costuma ser o eixo central e contínuo, frequentemente associado a estabilizadores de humor conforme o subtipo. A leitura de "bipolar com psicose ocasional" levaria a uma estratégia diferente e possivelmente insuficiente.

    Vale uma ressalva importante: essa distinção é uma das mais difíceis da psiquiatria, exige acompanhamento ao longo do tempo e não raro o diagnóstico é revisado conforme a evolução. Também é preciso descartar outras causas de sintomas psicóticos, como uso de substâncias e condições clínicas ou neurológicas. Se essa dúvida se refere a você ou a alguém próximo, vale levá-la explicitamente à consulta — é uma pergunta que o profissional saberá acolher.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Vognus 5mg, pode cortar o efeito do anticoncepcional tantin?

    Vognus 5mg, pode cortar o efeito do anticoncepcional tantin?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Sobre a interação: não há descrição de que a vortioxetina reduza a eficácia de contraceptivos hormonais. Ela não é indutora enzimática significativa — e é justamente a indução enzimática o mecanismo pelo qual alguns medicamentos "cortam" o efeito da pílula, acelerando a eliminação do etinilestradiol. Os casos clássicos são a rifampicina, certos anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, topiramato em doses altas) e a erva-de-são-joão. Antidepressivos em geral, incluindo a vortioxetina, não fazem parte desse grupo.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Sentimento de tédio constante é um sintoma da bipolaridade e transtorno esquizoafetivo?

    Sentimento de tédio constante é um sintoma da bipolaridade e transtorno esquizoafetivo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    O tédio constante não é um critério diagnóstico do transtorno bipolar nem do transtorno esquizoafetivo. Nenhum dos dois lista "tédio" entre seus critérios formais. Mas ele pode, sim, aparecer nesses quadros — não como sintoma característico, e sim como manifestação de outra coisa.

    Vale distinguir algumas possibilidades. A mais frequente é a anedonia: a perda da capacidade de sentir prazer ou interesse, sintoma central da depressão, inclusive da fase depressiva do transtorno bipolar. Muitas pessoas descrevem isso como "tédio", mas a experiência é diferente — no tédio comum, você quer fazer algo e não encontra o quê; na anedonia, nada desperta vontade, mesmo o que antes era prazeroso. Outra possibilidade são os chamados sintomas negativos, mais associados ao transtorno esquizoafetivo e à esquizofrenia: redução da motivação, do interesse e da iniciativa (avolição e apatia), que também podem ser vividos como tédio ou vazio. Há ainda o embotamento afetivo causado por medicações, tanto antidepressivos quanto antipsicóticos, que reduz a intensidade emocional geral — uma queixa comum e que merece ser relatada.

    Um ponto que costuma ser esquecido: no transtorno bipolar, sobretudo em pessoas que já viveram fases de humor elevado, é comum uma sensação de tédio e "achatamento" nos períodos de estabilidade, por contraste com a intensidade das fases anteriores. Isso não significa que o tratamento esteja errado — mas é uma queixa legítima que merece ser trabalhada, inclusive porque às vezes leva ao abandono da medicação.

    O que sugiro na prática: leve essa queixa à consulta descrevendo-a com detalhe (desde quando, se piorou após alguma mudança de medicação, se atinge tudo ou só algumas atividades). Essa distinção muda bastante a conduta — em um caso se ajusta a medicação, no outro se intensifica o tratamento do quadro de base. E a psicoterapia costuma ter papel importante justamente nesse tipo de sintoma.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Idoso com 80 anos e ansiedade moderada mertazapina funciona apesar de ser antidepressivo?

    Idoso com 80 anos e ansiedade moderada mertazapina funciona apesar de ser antidepressivo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Sim, funciona — e o nome da classe é que confunde. "Antidepressivo" reflete o uso original desses medicamentos, não o limite da ação deles. Vários atuam sobre ansiedade tanto quanto sobre humor, porque os circuitos cerebrais envolvidos se sobrepõem. Na prática clínica, antidepressivos são tratamento de primeira linha para transtornos de ansiedade, não uma segunda escolha.

    Sobre a mirtazapina especificamente no idoso, há pontos favoráveis reais. Ela é sedativa, o que ajuda quando há insônia associada — situação muito comum nessa faixa etária. Também estimula o apetite, o que pode ser vantajoso em idosos com perda de peso ou apetite reduzido. E, comparada aos benzodiazepínicos (como clonazepam e alprazolam), tem perfil bem mais seguro no idoso: os benzodiazepínicos estão associados a quedas, fraturas, confusão mental e prejuízo cognitivo nessa faixa etária, sendo listados entre os medicamentos a evitar em idosos. Nesse sentido, a mirtazapina costuma ser uma escolha prudente.

    Os cuidados também merecem menção. A sedação pode ser excessiva e aumentar risco de quedas, sobretudo no início e ao levantar-se à noite. Pode causar ganho de peso, tontura e hipotensão postural (queda de pressão ao levantar). Em idosos, a regra é iniciar com dose baixa e subir devagar, e o efeito pleno leva algumas semanas. Vale também garantir que a ansiedade não tenha causa clínica — alterações de tireoide, cardíacas, respiratórias ou efeito de outros medicamentos são frequentes nessa idade.

    Um ponto adicional: no idoso, medidas não medicamentosas têm peso importante — rotina regular de sono, atividade física adaptada, convívio social e, quando possível, psicoterapia. Vale conversar sobre isso na consulta.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Sou fumante e o psiquiatra me receitou escitalopram tenho medo de passar mal

    Sou fumante e o psiquiatra me receitou escitalopram tenho medo de passar mal

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Ter receio de iniciar um medicamento novo, ainda mais somando a preocupação com o cigarro, é compreensível — e checar antes é uma atitude cuidadosa. Um ponto importante: avaliar como o escitalopram se encaixa no seu caso específico, considerando o tabagismo e seu histórico clínico, é algo que um médico de sua confiança pode analisar individualmente. De forma geral, porém, posso trazer o que se sabe — e a resposta tende a tranquilizá-lo.

    Sobre a interação com o cigarro: o escitalopram é uma escolha favorável nesse aspecto. A interação mais conhecida do tabagismo com psicofármacos ocorre pela indução da enzima CYP1A2 pela fumaça do cigarro, o que reduz os níveis de medicamentos como clozapina, olanzapina e fluvoxamina. O escitalopram não segue essa via de forma relevante — é metabolizado por outras enzimas. Portanto, ser fumante não deve comprometer o efeito dele nem exigir ajuste de dose por esse motivo.

    Sobre o medo de passar mal: o escitalopram é um ISRS (inibidor seletivo da recaptação de serotonina) considerado de boa tolerabilidade. Os efeitos iniciais mais comuns são náusea, dor de cabeça, sonolência ou insônia e, em quadros ansiosos, um aumento transitório da ansiedade nas primeiras uma a duas semanas. São desconfortáveis, mas costumam ser passageiros. Tomar com alimento reduz a náusea, e iniciar com dose menor e subir gradualmente costuma suavizar bastante essa fase.

    Um ponto que vale mencionar: se em algum momento você pretender parar de fumar, avise seu psiquiatra. Não pelo escitalopram em si, mas porque parar altera os níveis de outros medicamentos e a abstinência de nicotina causa irritabilidade e ansiedade que podem se confundir com efeitos do antidepressivo.

    O que sugiro na prática: comece conforme orientado e dê às primeiras duas semanas alguma paciência. Se algum efeito for muito incômodo, relate ao seu psiquiatra em vez de interromper por conta própria — costuma haver ajustes simples que resolvem.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Tomo escitalopram desde 2009 mas agora me deu crise de pânico e a depressão voltou, a psiquiatra me

    Tomo escitalopram desde 2009 mas agora me deu crise de pânico e a depressão voltou, a psiquiatra me deu zetron xl 150. Mas estou com muito enjôo é tontura. Já estou na segunda semana e só piorou. Estou muito mal. Muita tontura e sem apetite. Devo continuar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Estar há duas semanas piorando em vez de melhorar, com tontura, enjoo e sem apetite, é uma situação que merece atenção agora — e sua pergunta é legítima. Um ponto importante, e vou ser direto: essa decisão não deve ser tomada sozinha, mas também não deve esperar. Procure contato com um médico de sua confiança nos próximos dias, sem aguardar a consulta agendada, porque piora progressiva em quem já está com depressão e crises de pânico precisa ser reavaliada. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.

    O Zetron XL tem como princípio ativo a bupropiona, um antidepressivo que atua sobre dopamina e noradrenalina. Náusea, tontura, boca seca, insônia e redução do apetite estão entre seus efeitos adversos conhecidos, especialmente no início. Até aí, o que você descreve é compatível com efeitos esperados. O ponto que muda a leitura, porém, é este: efeitos de adaptação costumam melhorar ao longo das primeiras semanas, não piorar. Uma piora progressiva na segunda semana é justamente o sinal de que vale reavaliar, e não simplesmente "aguentar".

    Há um aspecto adicional relevante no seu caso: a bupropiona foi associada a um antidepressivo que você já usa há muitos anos. Essa combinação é usada com frequência e tem respaldo, mas exige atenção — o escitalopram pode influenciar o metabolismo da bupropiona, e a bupropiona é ativadora, o que em quadros de pânico às vezes intensifica ansiedade, inquietação e sintomas físicos. Só quem acompanha você pode avaliar se a conduta é reduzir a dose, mudar o esquema ou manter com ajustes.

    Respondendo objetivamente ao "devo continuar": não interrompa por conta própria, mas também não continue passivamente esperando melhorar. O caminho é contatar sua psiquiatra e relatar exatamente isto — que está na segunda semana, que piorou em vez de melhorar, e o quanto isso está limitando seu dia. Esse é um relato que costuma gerar ajuste, e existem alternativas.

    E um ponto que não pode esperar: se surgir desesperança intensa, agitação forte ou qualquer pensamento de morte ou de se machucar, procure atendimento imediatamente — o CVV atende no 188, 24 horas, e emergências psiquiátricas existem para esses momentos.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Tomei so dois comprimido de fluoxetina um sexta e o último sábado e não me adaptei com os efeitos co

    Tomei so dois comprimido de fluoxetina um sexta e o último sábado e não me adaptei com os efeitos colaterais horrível, hoje ja e quarta feira e ainda to sentindo os efeitos colaterais, oque faço pra melhorar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Sentir efeitos que persistem dias depois de ter tomado apenas dois comprimidos é desconfortável e assustador, e sua dúvida sobre o que fazer é compreensível. Um ponto importante: como você continua sintomática vários dias após a última dose, vale contato com um médico de sua confiança para avaliar o que está acontecendo — isso não deve ser simplesmente aguardado sem orientação. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.

    Primeiro, uma explicação que ajuda a entender por que os sintomas persistem: a fluoxetina tem meia-vida muito longa — a mais longa entre os antidepressivos dessa classe. Ela e seu metabólito ativo permanecem no organismo por semanas, não por dias. Portanto, é perfeitamente esperado que, mesmo tendo parado no sábado, você ainda sinta efeitos na quarta-feira. Isso não significa que algo esteja errado; é a farmacologia do medicamento. A contrapartida positiva é que, justamente por essa saída lenta, você não deve ter sintomas de retirada.

    Sobre o que fazer para melhorar: não há como acelerar a eliminação do medicamento. O que se pode fazer é aliviar os sintomas enquanto o organismo o elimina — manter boa hidratação, alimentar-se de forma leve e fracionada se houver náusea, levantar-se devagar se houver tontura, e evitar álcool. Os sintomas tendem a diminuir progressivamente ao longo dos próximos dias.

    Dois pontos merecem atenção, porém. Primeiro: se os efeitos forem intensos, ou se envolverem agitação, tremores, sudorese, febre, batimentos acelerados ou confusão mental, procure avaliação sem demora. Segundo, e igualmente importante: você começou um tratamento por algum motivo, e interrompê-lo deixa essa condição sem cobertura. Vale comunicar ao médico que não tolerou a fluoxetina e por quê — existem várias alternativas com perfis diferentes de efeitos colaterais, e não adaptar-se a um antidepressivo específico é comum, não significa que nenhum vá funcionar para você.

    O que sugiro na prática: entre em contato com quem prescreveu descrevendo exatamente quais efeitos sentiu. Isso orienta a escolha do próximo passo e evita que você fique sem tratamento.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Médico me passou paroxetina de manhã, revotril e mitarzapina a noite, tem algum problema problema se

    Médico me passou paroxetina de manhã, revotril e mitarzapina a noite, tem algum problema problema seguir essa regra

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Sobre o esquema e os horários: paroxetina pela manhã e mirtazapina à noite faz sentido farmacologicamente. A paroxetina é um ISRS (inibidor seletivo da recaptação de serotonina), e a mirtazapina atua por mecanismo diferente, sendo bastante sedativa — daí o horário noturno, aproveitando esse efeito para auxiliar no sono. A associação dos dois é uma estratégia conhecida de potencialização, usada quando um antidepressivo isolado não traz resposta suficiente. O Rivotril (clonazepam) é um benzodiazepínico, geralmente adicionado para controle de ansiedade, também com efeito sedativo à noite.

    Os cuidados reais são estes. Primeiro, a soma de sedação: mirtazapina e clonazepam juntos podem causar sonolência acentuada, tontura ou sensação de "ressaca" pela manhã — atenção especial ao dirigir, e álcool deve ser evitado. Segundo, a mirtazapina costuma aumentar apetite e peso, o que vale acompanhar. Terceiro, e mais importante a médio prazo: o clonazepam tem potencial de tolerância e dependência com uso prolongado, e as diretrizes recomendam mantê-lo pelo menor tempo necessário. Vale conversar com seu médico sobre por quanto tempo ele pretende mantê-lo e qual o plano de retirada gradual.

    Um ponto adicional: a paroxetina é o ISRS com maior propensão a sintomas de descontinuação, então nunca a interrompa nem pule doses por conta própria — a retirada, quando chegar a hora, precisa ser gradual.

    O que sugiro na prática: pode seguir conforme orientado, mantendo os horários com regularidade. Relate qualquer sedação excessiva que atrapalhe o dia, pois isso costuma se resolver com ajuste de dose ou horário.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Já fui diagnosticado com todo tipo de transtorno e já tomei quase todo tipo de remédio e nunca estab

    Já fui diagnosticado com todo tipo de transtorno e já tomei quase todo tipo de remédio e nunca estabilizo. O que pode estar acontecendo comigo? Será que devo procurar um neurologista em vez de frequentar um psiquiatra?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Percorrer diagnósticos e medicações sucessivas sem alcançar estabilidade é exaustivo, e faz todo sentido começar a questionar se o caminho está certo. Um ponto importante: uma trajetória assim pede justamente o oposto de mais tentativas isoladas — pede uma reavaliação diagnóstica cuidadosa e longitudinal, feita com calma por um médico de sua confiança, com acesso ao seu histórico completo. De forma geral, porém, posso apontar o que costuma estar por trás dessas situações.

    Algumas possibilidades merecem consideração. A primeira, e mais frequente, é diagnóstico incompleto ou impreciso — sintomas semelhantes pertencem a quadros diferentes, e um erro na base leva a tratamentos que nunca funcionam bem. Um exemplo clássico: quadros bipolares tratados como depressão unipolar tendem a não estabilizar e podem até piorar com antidepressivos isolados. Outra possibilidade são condições que geram instabilidade crônica e respondem pouco a medicação isolada, como transtornos de personalidade, TEPT ou trauma complexo. Há ainda comorbidades não tratadas — uso de substâncias, álcool, transtornos do sono — que sabotam qualquer esquema. E, por fim, causas clínicas que imitam quadros psiquiátricos: alterações de tireoide, deficiências vitamínicas, condições autoimunes, entre outras.

    Sobre a sua pergunta específica: procurar um neurologista não substitui o psiquiatra, mas pode complementar em situações determinadas. Faz sentido se houver sinais neurológicos — crises convulsivas, episódios de perda de consciência, alterações motoras, declínio cognitivo importante, cefaleias atípicas, alterações de memória progressivas. Fora esses casos, para instabilidade de humor, ansiedade e sintomas psiquiátricos em geral, o psiquiatra segue sendo o profissional adequado. O que costuma valer mais a pena é uma segunda opinião psiquiátrica, com um profissional disposto a revisar a história desde o início.

    Uma questão que também merece atenção: tratamento medicamentoso isolado dificilmente estabiliza quadros complexos. Psicoterapia estruturada tem papel central, sobretudo quando há instabilidade emocional persistente, e às vezes é justamente o que faltou nessa trajetória.

    O que sugiro na prática: reúna seu histórico — diagnósticos recebidos, medicações usadas, doses, tempo de uso e o que aconteceu com cada uma. Esse material é valioso e transforma uma reavaliação. E, se em algum momento a exaustão trouxer desesperança intensa ou pensamentos de que não vale a pena continuar, procure atendimento sem esperar — o CVV atende no 188, 24 horas.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Qual a principal diferença entre o carbonato de lítio e o carbolitium CR? Qual dos dois é mais forte

    Qual a principal diferença entre o carbonato de lítio e o carbolitium CR? Qual dos dois é mais forte ou mais potente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Querer entender a diferença entre as apresentações do lítio é uma dúvida bastante comum, e há um esclarecimento importante logo de saída. Um ponto importante: qual apresentação é mais adequada ao seu caso depende da sua dose, da sua litemia e de como você tolera o medicamento — algo que só um médico de sua confiança pode definir. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.

    O primeiro ponto é que a comparação, como formulada, mistura duas coisas: "carbonato de lítio" é o princípio ativo, e Carbolitium é um nome comercial (da Eurofarma). Ou seja, o Carbolitium também é carbonato de lítio. A diferença real está entre duas formulações da mesma marca: o Carbolitium comum (300 mg, liberação imediata) e o Carbolitium CR (450 mg, liberação controlada — o "CR" vem de controlled release).

    Respondendo à pergunta central: nenhum dos dois é mais forte. A substância é idêntica, e a potência depende da dose total diária, não da formulação. O que muda é a velocidade de liberação. Na apresentação comum, o lítio é liberado de uma vez, gerando um pico de concentração no sangue mais alto e mais rápido. Na formulação CR, a liberação é gradual ao longo de horas, produzindo níveis mais estáveis e um pico menos pronunciado.

    Essa diferença tem consequências práticas. O CR tende a causar menos efeitos ligados ao pico de concentração — como náusea, tremor logo após a tomada e desconforto gástrico —, e permite, em alguns casos, tomada uma vez ao dia em vez de fracionada. Já a apresentação comum tem custo geralmente menor e é a mais amplamente disponível, inclusive na rede pública. As doses também não se correspondem comprimido a comprimido (300 mg contra 450 mg), o que exige atenção em qualquer troca.

    Um cuidado essencial: os comprimidos de liberação controlada não devem ser partidos, triturados ou mastigados, pois isso destrói o mecanismo de liberação e transforma a dose inteira em liberação imediata. E qualquer troca entre as apresentações deve ser feita pelo médico, com nova dosagem de litemia depois, já que o lítio tem janela terapêutica estreita.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Estava tomando 1200mg de carbonato de lítio mas minha litemia deu muito baixa, então meu psiquiatra

    Estava tomando 1200mg de carbonato de lítio mas minha litemia deu muito baixa, então meu psiquiatra trocou pelo carbolitium CR 900mg. Minha pergunta é não se trata do mesmo medicamento? Ou tem alguma diferença entre eles? O carbolitium CR é superior ao carbonato de lítio?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Estranhar que a dose tenha diminuído justamente quando a litemia estava baixa é uma observação atenta, e essa aparente contradição merece explicação. Um ponto importante: o raciocínio específico do seu psiquiatra ao fazer essa troca é algo que ele pode detalhar melhor, e vale perguntar diretamente na próxima consulta — mas posso esclarecer os princípios gerais.

    Primeiro, respondendo à sua pergunta central: sim, trata-se do mesmo princípio ativo. Carbolitium é o nome comercial (Eurofarma) do carbonato de lítio. O que muda é a formulação. A apresentação comum (300 mg) é de liberação imediata, e o Carbolitium CR (450 mg) é de liberação controlada, que libera o lítio gradualmente ao longo de horas.

    Sobre "superioridade": nenhuma das duas é mais potente. A substância é idêntica. A diferença está no perfil de liberação — o CR produz níveis mais estáveis no sangue, com picos menos pronunciados, o que costuma reduzir efeitos como náusea e tremor logo após a tomada e permite tomadas menos fracionadas. Mas não é "mais forte".

    Agora, o ponto que provavelmente motiva sua dúvida: a redução de 1200 mg para 900 mg com litemia baixa parece contraditória à primeira vista. Aqui vale um esclarecimento importante — a litemia mede a concentração de lítio no sangue, e essa concentração depende não só da dose, mas também de quando a coleta foi feita em relação à última tomada (o padrão é 12 horas após a dose), da adesão ao tratamento, da hidratação e da função renal. Com formulações de liberação controlada, o perfil de concentração ao longo do dia é diferente, o que muda a leitura do exame. É possível que seu psiquiatra tenha considerado que a formulação CR sustentaria níveis mais estáveis, ou que houvesse alguma questão na coleta ou na absorção — mas só ele pode confirmar o raciocínio.

    O que sugiro na prática: pergunte diretamente a ele qual foi a lógica da troca, e confirme quando será a próxima litemia — após qualquer mudança de formulação ou dose, é esperado repetir o exame em algumas semanas para verificar se o nível chegou à faixa terapêutica. Lembre-se também de não partir nem triturar o comprimido CR, pois isso anula o mecanismo de liberação controlada, e de padronizar o horário da coleta (12 horas após a última dose) para que os resultados sejam comparáveis.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Estou tomando sertralina há um tempo, mas qnd tomo da geolab eu sinto menos eficácia. É normal?

    Estou tomando sertralina há um tempo, mas qnd tomo da geolab eu sinto menos eficácia. É normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Perceber diferença entre laboratórios é um relato que aparece com alguma frequência no consultório, e sua observação merece ser levada a sério. Um ponto importante: avaliar se essa diferença é atribuível ao medicamento ou se há outra explicação para a perda de resposta exige acompanhar seu quadro ao longo do tempo — algo que só um médico de sua confiança pode fazer. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.

    Do ponto de vista regulatório, genéricos aprovados pela Anvisa passam por testes de bioequivalência, que verificam se o medicamento atinge concentrações no sangue equivalentes às do original, dentro de uma faixa de variação aceita. Ou seja, em tese, sertralina da Geolab e de qualquer outro laboratório aprovado deveriam produzir o mesmo efeito.

    Dito isso, há nuances que tornam o seu relato plausível. A faixa de variação permitida na bioequivalência, embora estreita, não é zero — e uma pessoa mais sensível pode, em teoria, perceber diferença ao alternar entre apresentações. Os excipientes (componentes inativos) também variam entre fabricantes e podem influenciar minimamente a absorção ou a tolerância em algumas pessoas. Essa é uma discussão real na literatura, ainda que a maioria dos estudos não confirme diferença clinicamente significativa.

    Mas é preciso também considerar outras explicações, que na prática são frequentes: pode haver flutuação natural do próprio quadro coincidindo com a troca; pode haver o efeito nocebo, em que a expectativa de que o genérico funcione menos influencia a percepção do efeito (um fenômeno real e bem documentado, não imaginação); e pode ser perda de resposta ao antidepressivo, independente do fabricante.

    O que sugiro na prática: relate isso ao seu médico, porque é uma queixa legítima. Muitos profissionais optam por padronizar o fabricante quando o paciente percebe diferença consistente — é uma conduta razoável e simples de implementar. Anotar em quais períodos usou cada apresentação e como se sentiu ajuda bastante nessa avaliação. E não altere a dose por conta própria para compensar a diferença percebida.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Por que o Anafranil não fabrica mais? Ele era um medicamento maravilhoso.

    Por que o Anafranil não fabrica mais? Ele era um medicamento maravilhoso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Na prática: se você depende dele e está com dificuldade de encontrá-lo, converse com seu psiquiatra. Há a clomipramina genérica (mesmo princípio ativo) como opção, e, caso realmente falte na sua região, o médico pode orientar sobre equivalentes ou alternativas terapêuticas adequadas ao seu caso. Não substitua nem interrompa por conta própria, porque os tricíclicos pedem retirada gradual.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Boa tarde estou tomando sertralina a 1 mês e 4 dias ! Nesse primeiro mês estava tomando sertralina

    Boa tarde estou tomando sertralina a 1 mês e 4 dias ! Nesse primeiro mês estava tomando sertralina de 50 mg do laboratório tolrest agora entrando nesse segundo mês estou tomando do laboratório Zoloft 50mg as crises de ansiedade e de pânico passaram ! Só estou sentindo sensação de olhos pesados parecendo que acabou de acordar ! E cansaço e normal esse efeito já que tem 1 mês ? O médico me passou ansitec de 5 mg na minha segunda consulta será que o ancitec ajuda a combater esse cansaço nos olhos ? E sono vontade de ficar deitado ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Antes de tudo, é ótimo saber que as crises de ansiedade e de pânico passaram — isso indica uma boa resposta ao tratamento. Um ponto importante: definir se esse cansaço residual é efeito da medicação, sintoma do quadro ou tem outra causa, e qual o papel do novo medicamento, exige avaliação individual de um médico de sua confiança. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.

    Sobre a troca de laboratório: tanto o Tolrest quanto o Zoloft contêm sertralina, na mesma dose. O Zoloft é o medicamento de referência (original); o Tolrest é outra apresentação da mesma substância. Do ponto de vista do princípio ativo, não há diferença — o que pode variar minimamente são os excipientes (componentes inativos), o que raramente altera o efeito. Então a troca em si dificilmente explica o cansaço.

    Sobre o cansaço e a sensação de olhos pesados: sonolência e fadiga estão entre os efeitos possíveis da sertralina, embora ela costume ser mais ativadora do que sedativa na maioria das pessoas. Com um mês de uso, muitos efeitos iniciais já teriam cedido, então vale considerar outras explicações: a própria recuperação após um período de ansiedade intensa costuma vir acompanhada de cansaço (o corpo "descarrega" a tensão acumulada), e sono de má qualidade, anemia ou alterações de tireoide também produzem exatamente esses sintomas.

    Sobre o Ansitec: seu princípio ativo é a buspirona, um ansiolítico não benzodiazepínico. Aqui vale ajustar a expectativa — ele não é um medicamento para cansaço nem estimulante. Sua função é auxiliar no controle da ansiedade, geralmente como potencialização, e leva algumas semanas para agir. Um ponto favorável é que ele não costuma causar sedação, ao contrário dos benzodiazepínicos. Portanto, ele não foi prescrito para combater o cansaço, e não é esperado que resolva esse sintoma diretamente — embora, se a ansiedade residual estiver contribuindo para o desgaste, possa haver algum benefício indireto.

    O que sugiro na prática: relate especificamente esse cansaço ao seu médico na próxima consulta, dizendo que persiste após um mês. Pode valer investigar causas clínicas simples com exames, ou considerar ajuste de horário da sertralina. E não altere doses por conta própria.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


  • Tomo paroxetina há 30 anos pela manhã. Há 24 dias, a psiquiatra mudou o horário para a tarde devido

    Tomo paroxetina há 30 anos pela manhã. Há 24 dias, a psiquiatra mudou o horário para a tarde devido a sonolência. Desde então, sinto ansiedade extrema e depressão grave (como se o remédio fosse água). Acordo às 2h da manhã com sintomas fortes de abstinência. Além disso, tentei reduzir o Rivotril de 10 para 8 gotas (com quetiapina 25mg à noite) e piorei muito. Essa piora na madrugada é pela mudança de horário da paroxetina ou o remédio pode ter perdido a eficácia aos 60 anos? Como estabilizar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Elomar Rezende Moura

    Trinta anos de estabilidade e, de repente, essa deterioração — entendo o quanto isso deve estar sendo assustador. Um ponto importante, e vou ser direto: o que você descreve não é para ser manejado sozinha nem por orientação online. Depressão grave, ansiedade extrema e despertares às 2h com sintomas fortes merecem contato com um médico de sua confiança em dias, não semanas. Se houver desesperança intensa ou pensamentos de morte ou de se machucar, procure atendimento hoje — o CVV atende no 188, 24 horas. Dito isso, posso esclarecer o raciocínio geral.

    Sobre a sua pergunta central, há uma explicação bem mais provável do que "o remédio perdeu o efeito". A paroxetina tem meia-vida curta e é conhecida como o ISRS com maior propensão a sintomas de descontinuação — ou seja, mesmo pequenas variações no intervalo entre doses podem gerar sintomas de retirada. Ao mudar de manhã para a tarde, o intervalo entre uma dose e outra se alterou temporariamente, e o despertar às 2h com sintomas fortes é bastante compatível com uma queda de nível sérico na madrugada. Esse padrão tem nome informal, "sintomas interdose", e é típico justamente da paroxetina.

    Há um segundo fator somando-se a isso, e ele é importante: você reduziu o Rivotril (clonazepam) de 10 para 8 gotas ao mesmo tempo. Redução de benzodiazepínico após uso prolongado provoca ansiedade de rebote, insônia e despertares noturnos — sintomas praticamente idênticos aos que você descreve. Duas mudanças simultâneas tornam impossível saber qual está causando o quê, e essa é uma informação relevante para levar à sua psiquiatra.

    Sobre como estabilizar, o princípio geral é mudar uma coisa de cada vez, e essa decisão cabe à sua psiquiatra. Na prática, o que costuma ser considerado nesses casos é retomar o horário original da paroxetina (já que 30 anos de estabilidade matinal têm valor), pausar a redução do clonazepam até que o quadro se estabilize, e só então retomar o desmame de forma mais lenta. Não faça isso por conta própria — mas leve exatamente essa leitura à sua médica, e não espere a consulta agendada se ela estiver distante. Peça um contato antecipado.

    Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.


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