Perguntas do paciente (92)
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Estou no 14 dias do escitalopram ainda amanheci com enjôo e um pouco de tontura isso é normal?
Estou no 14 dias do escitalopram ainda amanheci com enjôo e um pouco de tontura isso é normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Continuar com enjoo e tontura no décimo quarto dia é desanimador, sobretudo quando se espera que essa fase já tenha passado. Um ponto importante: avaliar se esses sintomas são apenas adaptação prolongada ou se algo precisa de ajuste depende do seu histórico e de como o restante do quadro está evoluindo — algo que um médico de sua confiança pode analisar individualmente. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.
Sim, ainda está dentro do esperado. Náusea e tontura são os efeitos adversos mais comuns do escitalopram, que é um ISRS (inibidor seletivo da recaptação de serotonina). A náusea vem em boa parte da ação serotoninérgica sobre o trato digestivo, onde está concentrada grande parte da serotonina do corpo. Esses sintomas costumam ser mais intensos na primeira semana e ir diminuindo progressivamente, mas em algumas pessoas se estendem por duas a quatro semanas antes de ceder por completo. Duas semanas, portanto, ainda é um período de adaptação plausível.
Algumas medidas simples costumam ajudar e valem ser conversadas com quem prescreveu: tomar o comprimido junto com alimento (reduz bastante a náusea), ajustar o horário da tomada, manter boa hidratação e levantar-se devagar pela manhã, o que ameniza a tontura. Em alguns casos o médico pode considerar redução temporária da dose com subida mais lenta.
Vale atenção se os sintomas piorarem em vez de melhorar, ou se surgirem vômitos persistentes, tontura intensa a ponto de comprometer o equilíbrio, desmaio, ou a combinação de agitação, tremores, sudorese, febre e batimentos acelerados — nesse último caso, procure avaliação sem demora. Fora isso, o mais provável é que você esteja no fim da fase de adaptação. Não interrompa por conta própria: o escitalopram exige retirada gradual, e desistir agora seria abandonar o tratamento justamente às vésperas do período em que o benefício costuma aparecer.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
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Olá. Estou há 4 dias com Sertralina de 75mg, antes estava com 50mg. Minha psiquiatra aumentou para t
Olá. Estou há 4 dias com Sertralina de 75mg, antes estava com 50mg. Minha psiquiatra aumentou para tratarmos o TOC (pensamentos obsessivos), não estou com efeitos colaterais como náuseas e dor de cabeça, porém notei grande aumento na disposição (para faxina, organização e demais atividades), mas consigo descansar a noite e dormir muito bem (desde o início do tratamento com a de 50mg).
Gostaria de saber se é comum esse "UP" de disposição nos primeiros dias e se isso vai se regulando com o passar dos dias/semanas? Ou se isto pode ser algo "natural" meu e está mais evidente pois estou mais em alerta comigo mesma?
Pergunto pois sinto que é uma disposição muito maior e enérgica do que me lembro de ter naturalmente.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sua observação é bastante precisa, e essa atenção a uma mudança que poderia passar despercebida é justamente o tipo de informação que faz diferença no acompanhamento. Um ponto importante: interpretar o significado dessa disposição aumentada exige conhecer seu histórico completo e observar a evolução ao longo do tempo — algo que só um médico de sua confiança pode avaliar, e vale levar essa descrição exatamente como você escreveu. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.
Sim, esse "up" nos primeiros dias após aumento de dose é relativamente comum e, na maioria das vezes, benigno. A sertralina é um ISRS com perfil mais ativador do que sedativo, e é frequente haver aumento de energia e de iniciativa logo após ajustes de dose, tendendo a se acomodar ao longo de uma a duas semanas. Também é bastante plausível a segunda hipótese que você mesma levantou: a melhora do quadro pode estar liberando energia que antes ficava consumida pela ansiedade e pelas obsessões — e, estando mais atenta a si, você percebe isso com mais nitidez do que perceberia normalmente.
Dito isso, vale conhecer o que se observa com cuidado nesses casos, não para alarmar, mas porque é exatamente a distinção que sua psiquiatra vai querer fazer. Antidepressivos podem, em pessoas com predisposição, provocar aumento excessivo de energia — o que se chama virada de humor, para hipomania. Os sinais que diferenciam esse quadro de um simples aumento de disposição são: redução da necessidade de sono (dormir bem menos e ainda assim se sentir cheia de energia), pensamento acelerado, fala apressada, irritabilidade, impulsividade ou gastos fora do habitual.
E aqui está o ponto tranquilizador no seu caso: você relata que continua descansando e dormindo muito bem. Sono preservado é um dos marcadores mais úteis para distinguir energia saudável de ativação patológica — quando há virada de humor, o sono quase sempre se altera. Isso pesa bastante a favor de uma resposta favorável ao tratamento.
O que sugiro na prática: siga observando, com atenção especial ao sono. Se em algum momento você notar que dorme menos e mesmo assim se sente elétrica, ou se surgirem os outros sinais citados, comunique sua psiquiatra sem esperar a consulta. Fora isso, relate essa percepção no próximo retorno — é uma informação clínica valiosa.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
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Olá pessoa, tudo bem? Gostaria de tirar uma duvida conquanto ao medicamento Atentah. Estou usando a
Olá pessoa, tudo bem? Gostaria de tirar uma duvida conquanto ao medicamento Atentah. Estou usando a aproximadamente um mês onde comecei com 18mg e a cada 6 dias subia mais 18mg (assim entre 36, 54, 72) e nessa semana cheguei na dose indicada de 80mg. Desde que entrei na dosagem mais alta, tenho me sentido mais ansioso e "vulnerável", um sentimento de perda de controle mesmo. Tenho TEA e TDAH, e comecei essa medicação justamente porque não consigo manter o foco nas atividades... Além dele tomo Escitalopram 15mg... Minha pergunta é se essa ansiedade e sentimentos de vulnerabilidade/instabilidade são comuns durante a adaptação na dosagem de 80mg em casos como o meu... É algo que tem me deixado muito mal e pensativo... Podem me ajudar? Obrigado a todos!
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que sugiro na prática: relate isso ao seu médico o quanto antes, sem esperar melhorar sozinho — essa sensação de "perda de controle" é justamente o tipo de efeito que se maneja com ajuste, e a conduta habitual em casos assim é recuar para a dose anterior bem tolerada. Não reduza nem interrompa por conta própria. E procure atendimento sem demora se surgirem agitação intensa, mudança marcada de humor ou pensamentos de se machucar — a bula prevê monitorização para isso.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
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Estou tomando fluvoxamina 100mg do laboratório Biolab, mas o mesmo medicamento do laboratório Althai
Estou tomando fluvoxamina 100mg do laboratório Biolab, mas o mesmo medicamento do laboratório Althaia está com um bom desconto. Terá diferença no tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Buscar economia no tratamento sem comprometer o resultado é uma preocupação legítima, sobretudo em medicação de uso contínuo. Um ponto importante: se vale ou não trocar no seu caso específico depende de como você tem respondido ao tratamento — algo que um médico de sua confiança pode avaliar. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.
Do ponto de vista regulatório, não deve haver diferença clínica relevante. O princípio ativo é o mesmo (maleato de fluvoxamina) e na mesma dose, e medicamentos genéricos e similares aprovados pela Anvisa passam por testes de bioequivalência — que verificam se atingem concentrações no sangue equivalentes às do medicamento de referência, dentro de uma faixa de variação aceita. Portanto, a troca por questão de custo é uma prática comum e, em princípio, segura.
Dito isso, há duas ressalvas honestas. A primeira: a faixa de variação permitida, embora estreita, não é zero, e os excipientes (componentes inativos) diferem entre fabricantes. A maioria das pessoas não percebe diferença alguma, mas algumas relatam mudança na resposta ou na tolerância ao alternar apresentações — uma queixa que vale ser levada a sério se ocorrer. A segunda: se você está bem estabilizado com a apresentação atual, alguns médicos preferem manter o mesmo fabricante justamente para evitar variáveis desnecessárias.
Um ponto prático: evite alternar entre fabricantes repetidamente. Se decidir trocar, o ideal é padronizar o novo e mantê-lo, em vez de comprar ora de um, ora de outro, conforme a promoção — isso torna mais fácil identificar qualquer mudança, caso ela ocorra.
O que sugiro: mencione essa intenção ao seu médico antes de trocar — é uma conversa rápida, e ele pode ter alguma preferência baseada no seu quadro. Se trocar, observe nas primeiras semanas se percebe alguma diferença no efeito ou nos efeitos colaterais, e relate caso perceba. Economizar é legítimo, e na maioria dos casos a troca transcorre sem qualquer alteração.
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Quem tem transtornos como bipolaridade, esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo não pode de jeito
Quem tem transtornos como bipolaridade, esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo não pode de jeito nenhum tomar café? O café pode reagir com as medicações causando perda da eficácia esperada das medicações?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Querer saber se um hábito tão comum quanto o café compromete o tratamento é uma preocupação legítima — e a resposta é mais matizada do que um simples "pode" ou "não pode". Um ponto importante: como isso se aplica ao seu esquema específico depende dos medicamentos em uso e das suas doses, algo que só um médico de sua confiança pode avaliar. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.
Não existe proibição absoluta de café nesses transtornos. A recomendação habitual é moderação e regularidade, não abstinência total. Dito isso, existem interações reais e vale conhecê-las, porque variam conforme o medicamento.
Com o lítio, a cafeína tem efeito diurético leve e aumenta a eliminação renal do lítio, podendo reduzir os níveis no sangue. O risco maior, porém, está na mudança brusca: parar o café de repente pode elevar a litemia e favorecer toxicidade. Por isso a orientação é manter consumo estável.
Com a clozapina, a interação é mais significativa e no sentido oposto: a cafeína inibe a enzima CYP1A2, que metaboliza a clozapina, podendo aumentar seus níveis e a intensidade dos efeitos adversos. Aqui a atenção deve ser maior.
Um detalhe que surpreende muita gente: a fumaça do cigarro induz essa mesma enzima e reduz os níveis de vários antipsicóticos (clozapina e olanzapina, por exemplo). Portanto, parar ou começar a fumar altera bem mais o tratamento do que o café — informação que sempre deve ser comunicada ao médico.
Há ainda um ponto clínico além da farmacologia: cafeína em excesso prejudica o sono e pode agravar ansiedade, agitação e irritabilidade. Como o sono é um fator central de estabilização, sobretudo no transtorno bipolar (privação de sono é gatilho reconhecido para episódios), moderar o consumo — especialmente à tarde e à noite — costuma ser recomendado por esse motivo, mais do que pela interação medicamentosa em si.
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Quem faz uso de carbonato de lítio não pode tomar café? O café corta o efeito do lítio diminuindo o
Quem faz uso de carbonato de lítio não pode tomar café? O café corta o efeito do lítio diminuindo o seu efeito?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Querer confirmar se um hábito tão cotidiano quanto o café interfere no tratamento é uma preocupação pertinente — e no caso do lítio ela tem fundamento real. Um ponto importante: definir o que isso significa para o seu caso, considerando sua dose e sua litemia, exige avaliação de um médico de sua confiança. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.
A resposta curta: quem usa lítio pode tomar café, mas com regularidade — e a interação existe, embora funcione ao contrário do que a pergunta sugere. A cafeína não "corta" o efeito no sentido de neutralizá-lo quimicamente. O que acontece é que ela tem efeito diurético leve e aumenta a eliminação do lítio pelos rins, o que pode reduzir os níveis do lítio no sangue (a litemia) e, com isso, o efeito terapêutico.
O ponto realmente importante, porém, é outro: o problema não é o café em si, e sim a mudança brusca de consumo. Isso porque o lítio tem janela terapêutica estreita — a diferença entre a dose que trata e a que intoxica é pequena. Assim, alguém que toma muito café diariamente e para de repente pode ter aumento dos níveis de lítio, com risco de toxicidade. E o inverso também vale: aumentar bastante o consumo pode reduzir os níveis e favorecer recaída. Por isso a orientação prática é manter um consumo estável, sem grandes oscilações, em vez de eliminar o café.
Vale mencionar dois cuidados relacionados, que costumam ser mais relevantes que o café: manter boa hidratação e ingestão regular de sal, já que desidratação e restrição de sódio elevam os níveis de lítio; e evitar anti-inflamatórios (como ibuprofeno e diclofenaco) sem orientação, pois interferem de forma bem mais significativa. Sinais de alerta para intoxicação incluem tremores intensos, náusea, vômitos, diarreia, confusão mental, fala arrastada ou desequilíbrio — nesses casos, procure atendimento sem demora.
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Tomo fluoxetina há 15 anos e tive algumas crises. Foi aumentada a dose, as crises passaram mas a ten
Tomo fluoxetina há 15 anos e tive algumas crises. Foi aumentada a dose, as crises passaram mas a tensão não. Foi mantida a dose e mudado para Daforin. Há chances de melhora com essa troca?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Ter as crises controladas mas continuar com aquela tensão de fundo é uma situação frustrante — a sensação de melhora incompleta. Um ponto importante: entender o raciocínio dessa troca e o que esperar dela exige conhecer seu histórico completo, algo que só um médico de sua confiança pode avaliar. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte, com uma ressalva honesta.
A ressalva é esta: o Daforin contém fluoxetina — o mesmo princípio ativo que você já vinha tomando, na mesma dose mantida. Não se trata de uma troca de medicamento, mas de troca de apresentação (de um genérico ou de outra marca para uma marca específica, da EMS). Do ponto de vista farmacológico, portanto, não é esperada uma diferença significativa de efeito, já que a substância que age no organismo é exatamente a mesma. O que varia entre apresentações são os excipientes, os componentes inativos da fórmula, o que raramente altera a resposta clínica.
Dito isso, há motivos legítimos para essa troca, e vale entendê-los: pode ser uma questão de disponibilidade, de custo, ou de o médico preferir um laboratório cuja consistência ele conhece bem. Alguns pacientes também relatam tolerar melhor uma apresentação específica. Nenhum desses motivos indica que algo esteja errado.
Quanto à sua pergunta central — a tensão residual —, esse é o ponto que merece atenção. Sintomas residuais após 15 anos de tratamento e mesmo com aumento de dose costumam pedir uma abordagem além da apresentação do comprimido: pode envolver reavaliação do diagnóstico, associação de outro medicamento, ou, sobretudo, psicoterapia. A terapia cognitivo-comportamental tem eficácia de primeira linha para quadros ansiosos e é frequentemente o que resolve justamente esse tipo de tensão persistente que a medicação sozinha não alcança.
O que sugiro na prática: mantenha a troca conforme orientado, mas leve essa questão explicitamente à consulta — dizendo que a tensão permanece e perguntando qual o próximo passo previsto para ela. Não é uma queixa a ser tolerada indefinidamente.
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Há algum tempo atrás tratei transtorno do pânico e até então convivo com ela. Porém recentemente apó
Há algum tempo atrás tratei transtorno do pânico e até então convivo com ela. Porém recentemente após uma separação de matrimônio notei que ela voltou. Porém todos os dias pela manhã já acordo trêmula e bem fraca, com leves tonturas. Ao final da noite começa a me dar muita crise de pânico com corpo queimando, braço dormente, enfim. A ansiedade nesse momento quadro pode fazer com que eu todo dia sinta esses tremores e essa fraqueza constantemente?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Ver o transtorno do pânico voltar logo após uma separação é exaustivo, ainda mais quando os sintomas tomam conta desde o começo do dia. Um ponto importante: confirmar que esses sintomas físicos são de fato de origem ansiosa, e não de outra causa, exige avaliação clínica com seu histórico em mãos — algo que só um médico de sua confiança pode fazer. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte, e a resposta à sua pergunta central é sim.
Sim, a ansiedade pode absolutamente produzir tremores, fraqueza e tonturas constantes, inclusive logo ao acordar. O mecanismo é fisiológico: em um quadro ansioso ativo, o corpo mantém o sistema de "alerta" (o eixo do estresse, com adrenalina e cortisol) cronicamente ligado. Isso não acontece só durante a crise — há um estado de hiperativação de fundo que persiste ao longo do dia. Os tremores matinais e a fraqueza costumam refletir justamente esse cortisol elevado pela manhã somado à tensão muscular contínua e, muitas vezes, a um sono de má qualidade. Não é "fraqueza" no sentido de fragilidade; é o corpo exausto de um estado de tensão permanente.
Quanto aos sintomas das crises noturnas — corpo queimando, braço dormente — também são típicos do pânico. A dormência e o formigamento geralmente vêm da hiperventilação (respiração acelerada que altera o gás carbônico do sangue e produz parestesias), e a sensação de queimação vem da descarga adrenérgica. São sintomas dramáticos, mas conhecidos e reconhecíveis nesse contexto.
Dito isso, há uma ressalva importante, e é por isso que a avaliação médica não deve ser adiada: vários desses sintomas — tremor, fraqueza, tontura, dormência — também aparecem em condições clínicas que merecem descarte, como alterações de tireoide (o hipertireoidismo é um grande imitador da ansiedade), hipoglicemia, anemia ou distúrbios eletrolíticos. Distinguir o que é ansiedade do que pode ser outra coisa exige exame e, muitas vezes, exames laboratoriais — não é seguro assumir de antemão que é "só" ansiedade.
O que sugiro na prática: buscar reavaliação, de preferência psiquiátrica, para retomar o tratamento do transtorno do pânico, que responde bem tanto a medicação quanto à terapia cognitivo-comportamental (esta com eficácia de primeira linha e efeito duradouro justamente sobre a ansiedade antecipatória e as crises). Um gatilho claro como uma separação costuma ser um ponto importante a trabalhar em psicoterapia. E procure atendimento sem demora se surgir dor no peito persistente, falta de ar intensa, desmaio, ou dormência que não passa e se concentra em um lado do corpo — nesses casos, não se deve presumir que é pânico sem avaliação.
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Estou tomando ecitalopran de 20mg , a 15 dias e hoje tive uma crise , porém eu mestruei hoje e minha
Estou tomando ecitalopran de 20mg , a 15 dias e hoje tive uma crise , porém eu mestruei hoje e minha menstruação adiantou 5 dias , pode estar ligado ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Ter uma crise justamente no dia em que a menstruação adiantou levanta uma pergunta pertinente sobre a relação entre as duas coisas — e sim, há conexões plausíveis. Um ponto importante: entender o que desencadeou essa crise no seu caso específico depende de rever seu histórico, seu ciclo e a evolução com a medicação — algo que um médico de sua confiança pode avaliar individualmente. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.
Sim, há uma ligação possível, e por mais de um caminho. As oscilações hormonais do ciclo menstrual influenciam diretamente o humor e a ansiedade. No período pré-menstrual e no início da menstruação, a queda de estrogênio e progesterona pode intensificar sintomas ansiosos e depressivos — algo que, na forma mais acentuada, recebe o nome de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM). Ou seja, é bem possível que a proximidade da menstruação tenha contribuído para a crise de hoje.
Sobre o adiantamento em si: estresse e ansiedade intensos podem, sim, afetar o ciclo menstrual, porque o eixo hormonal que regula a menstruação é sensível ao estresse. Então a relação pode até ser nos dois sentidos — o período do ciclo influenciando o humor, e um momento de maior tensão influenciando o ciclo. Vale mencionar, ainda, que alterações menstruais têm outras causas possíveis (variações normais, tireoide, entre outras), o que reforça a utilidade de observar se isso se repete.
Sobre o escitalopram: 15 dias ainda é a fase inicial, em que o efeito pleno (habitualmente 4 a 8 semanas) não se estabeleceu, e é comum haver alguma instabilidade ou até piora transitória da ansiedade nesse começo. Portanto, uma crise agora não significa que o medicamento não esteja funcionando — a somatória "início de tratamento + fase do ciclo" pode explicar bem o episódio de hoje.
O que sugiro na prática: vale observar e anotar se as crises tendem a se concentrar em determinados dias do ciclo, porque esse registro é muito útil e pode mudar a conduta (existem estratégias específicas quando há esse padrão pré-menstrual). Leve essa observação ao seu médico. Não altere a dose por conta própria. E, se surgir uma crise muito intensa com desesperança ou pensamentos de se machucar, procure atendimento sem esperar — o CVV (188) funciona 24 horas.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
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Porque os antipsicoticos atipicos são usados para tratar transtornos como bipolaridade e transtorno
Porque os antipsicoticos atipicos são usados para tratar transtornos como bipolaridade e transtorno esquizoafetivo se são feitos para esquizofrenia? Qual a atuação deles ssobre a estabilização do humor nesses transtornos?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Um ponto importante: como esses medicamentos se aplicam ao seu caso ou ao de alguém específico exige avaliação individual de um médico de sua confiança. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte — e a resposta ajuda a desfazer uma ideia comum.
O ponto de partida é este: o nome "antipsicótico" é histórico e, de certa forma, limitante. Esses medicamentos foram inicialmente desenvolvidos e nomeados pelo efeito sobre sintomas psicóticos, mas o que eles realmente fazem é modular sistemas de neurotransmissores no cérebro — e esses sistemas estão envolvidos em muito mais do que a esquizofrenia. Seria mais preciso pensar neles como "moduladores" de vários circuitos, não como remédios de uma única doença. Um paralelo: muitos antidepressivos também tratam ansiedade, dor crônica e outros quadros — o nome reflete o uso original, não o limite da ação.
Sobre o mecanismo, de forma acessível: os antipsicóticos atípicos (de segunda geração) atuam principalmente sobre a dopamina e a serotonina. Na esquizofrenia, o alvo mais associado é o excesso de atividade dopaminérgica em certas vias, ligado aos sintomas psicóticos. Mas esses mesmos sistemas — dopamina e serotonina — participam da regulação do humor, da energia, do sono e do impulso. É aí que entra a utilidade no transtorno bipolar e no esquizoafetivo.
Na prática, a ação estabilizadora do humor se dá em algumas frentes. Na mania, há um estado de hiperativação (com componente dopaminérgico aumentado), e o efeito antidopaminérgico ajuda a "frear" essa aceleração — reduzindo agitação, impulsividade, pensamento acelerado e, quando presentes, sintomas psicóticos. Já na depressão bipolar, alguns atípicos específicos (como quetiapina, lurasidona e cariprazina) têm efeito antidepressivo próprio, atribuído em parte à modulação serotoninérgica e a ações em outros receptores. E na fase de manutenção, ajudam a prevenir novos episódios, tanto de mania quanto, em alguns casos, de depressão. No transtorno esquizoafetivo — que combina sintomas de humor e sintomas psicóticos — essa dupla ação sobre humor e psicose é justamente o que os torna adequados.
Vale um esclarecimento conceitual: nem todo antipsicótico atípico é igual. Eles diferem no perfil de receptores em que atuam, e é por isso que alguns são melhores para mania, outros para depressão bipolar, outros para manutenção. Não são intercambiáveis, e a escolha depende do polo do humor predominante e do perfil de efeitos colaterais — razão pela qual essa decisão é sempre individualizada.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
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Comecei a tomar duloxetina, bupropiona e trazodona há 3 dias. Tive relação sexual com meu parceiro h
Comecei a tomar duloxetina, bupropiona e trazodona há 3 dias. Tive relação sexual com meu parceiro hoje e não consegui atingir o orgasmo. Há chance de ser um efeito apenas na adaptação às medicações?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Perceber uma mudança na resposta sexual logo ao iniciar novos medicamentos é uma observação atenta, e é natural querer saber se isso tende a passar. Um ponto importante: avaliar como esse conjunto de medicações interage no seu caso e o que esperar da adaptação depende do seu histórico e dos motivos de cada prescrição — algo que um médico de sua confiança pode analisar individualmente. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.
Antes de tudo, três dias é muito cedo para tirar conclusões. Nesse ponto, os medicamentos ainda nem alcançaram seu efeito terapêutico pleno (que leva semanas), e o organismo está em plena fase de adaptação. Um episódio isolado de dificuldade para atingir o orgasmo nesse momento pode ter várias explicações além da medicação — inclusive a própria ansiedade de estar iniciando um tratamento novo e de "observar" como o corpo reage, o que por si só já interfere na resposta sexual.
Dito isso, sim, a dificuldade de orgasmo (anorgasmia ou retardo do orgasmo) é um efeito colateral sexual conhecido, e a duloxetina é o principal candidato aqui: ela atua sobre a serotonina (é um IRSN, inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina), e efeitos sexuais são característicos dessa ação serotoninérgica. A trazodona tem efeito sexual variável. Já a bupropiona é interessante nesse aspecto: ela atua sobre dopamina e noradrenalina e costuma ter efeito neutro ou até favorável sobre a função sexual — inclusive é às vezes usada justamente para contrabalançar esse efeito de outros antidepressivos.
Sobre a evolução: alguns efeitos sexuais melhoram com o tempo, à medida que o corpo se adapta, mas outros podem persistir enquanto a medicação é mantida — isso varia bastante de pessoa para pessoa. Como você está só no começo, o mais sensato é observar sem alarme por enquanto, sem atribuir a um episódio único um padrão definitivo.
O que sugiro na prática: não altere nem interrompa nada por conta própria — essa combinação foi montada com um objetivo, e mudanças exigem cuidado. Se o efeito sexual persistir ao longo das próximas semanas e for incômodo, leve isso ao seu médico com naturalidade: é uma queixa comum, que ele saberá manejar (há ajustes de dose, troca ou estratégias específicas). Vale saber que efeito sexual é uma das principais razões pelas quais pessoas abandonam o tratamento por conta própria — e conversar sobre isso evita justamente esse desfecho.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
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Olá estou tomando sertralina 200mg quase 40 dias não vi resultado ainda tenho crises de choro consta
Olá estou tomando sertralina 200mg quase 40 dias não vi resultado ainda tenho crises de choro constante sem apetite pode ser que o remédio não esteja fazendo efeito teria que diminuir aumentar ou trocar por outro ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sobre o tempo e a dose: 40 dias em 200 mg (dose máxima habitual da sertralina) já é um período razoável para começar a esperar resposta — a janela usual é de 4 a 8 semanas, e você está dentro dela, porém na parte final. Ou seja, ainda há alguma margem para melhora, mas a persistência de sintomas importantes nesse ponto é, sim, um sinal legítimo de que a resposta pode estar sendo insuficiente. Sua percepção não é precipitada.
Sobre as três opções que você levantou, quem decide é o médico, mas o raciocínio geral costuma ser assim: aumentar não se aplica bem aqui, já que 200 mg é praticamente o teto da sertralina; diminuir não faria sentido diante de falta de resposta; então, quando um ISRS em dose otimizada e por tempo adequado não traz resultado, as condutas habituais são trocar por outro antidepressivo (de classe igual ou diferente) ou associar um segundo medicamento (estratégia de potencialização). A escolha entre trocar ou associar depende de você já ter tido alguma resposta parcial ou nenhuma, e de outros fatores do seu quadro.
Há também um ponto que vale reavaliar: depressão que não responde a um antidepressivo bem conduzido às vezes leva a rever o próprio diagnóstico — por exemplo, verificar se não há um componente bipolar de base, o que mudaria toda a estratégia. Isso reforça a importância de retornar ao médico em vez de ajustar por conta própria.
O passo concreto agora é antecipar contato com quem prescreveu, relatando exatamente isso: dose, tempo e ausência de melhora. Não altere nem interrompa a sertralina sozinha — mudanças bruscas causam sintomas de retirada. E um ponto que não pode esperar: se as crises de choro vierem acompanhadas de desesperança intensa ou de qualquer pensamento de morte ou de se machucar, procure atendimento sem aguardar a consulta — o CVV (188) está disponível 24 horas.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
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Tomei quetiapina por dez.dias mais parei pq nao estava me fazendo bem tem algum problema?
Tomei quetiapina por dez.dias mais parei pq nao estava me fazendo bem tem algum problema?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Interromper um medicamento que não estava lhe fazendo bem é uma reação compreensível, e sua dúvida sobre se isso traz algum risco é pertinente. Um ponto importante: avaliar se essa interrupção foi segura no seu caso, e o que fazer a partir daqui, depende do motivo pelo qual a quetiapina foi prescrita e do que exatamente lhe incomodou — algo que um médico de sua confiança pode analisar individualmente. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.
Sobre parar após dez dias: como foi um período curto e em uso recente, o risco de sintomas de descontinuação tende a ser menor do que em uso prolongado. Ainda assim, mesmo após pouco tempo, a parada abrupta da quetiapina pode causar sintomas de retirada, sobretudo se a dose não era das mais baixas — os mais comuns são insônia de rebote (o sono piorando bastante nas primeiras noites), náusea, inquietação ou irritabilidade. Costumam ser passageiros. Se você não sentiu nada disso, provavelmente correu tudo bem.
O ponto que mais importa, porém, não é tanto a retirada em si, e sim o motivo pelo qual ela foi prescrita. Se a quetiapina tratava algo relevante — estabilização de humor, um quadro psicótico, ou mesmo sono no contexto de outro transtorno —, interrompê-la deixa essa condição sem cobertura, e é isso que precisa de atenção. Já se era um uso mais pontual, o impacto é menor. Só quem conhece o seu caso pode dizer em qual situação você se encontra.
O que sugiro na prática: avise quem prescreveu que você parou e por quê — descrevendo o que "não estava fazendo bem" (sonolência excessiva, tontura, sensação de embotamento, ganho de peso, o que tenha sido). Isso é importante por dois motivos: garante que a condição de base não fique desassistida, e permite ajustar a dose ou trocar por algo que você tolere melhor. Efeitos incômodos são um motivo válido para rever a medicação, mas o ideal é que essa revisão seja feita junto ao médico, não com a simples suspensão. E, se os sintomas que motivaram o tratamento voltarem, não espere muito para procurar reavaliação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
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Como saber se preciso tomar Carbonato de LITIUM ? Minha mãe toma, desde sempre porque é diagnostica
Como saber se preciso tomar Carbonato de LITIUM ? Minha mãe toma, desde sempre porque é diagnosticada com Bipolaridade. Será que eu como filha preciso observar a quantidade Litium no organismo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Só uma avaliação individual, feita por um médico de sua confiança, pode dizer se há indicação de qualquer tratamento no seu caso. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte, e vale separar duas questões que estão misturadas na sua dúvida.
Primeiro, um esclarecimento essencial: o lítio não é algo que se "monitore" preventivamente em quem não o toma. A dosagem de lítio no sangue (a litemia) só faz sentido para quem usa o medicamento, servindo para ajustar a dose e evitar toxicidade — o lítio não é uma substância que o corpo produz ou que se acumule naturalmente. Portanto, como filha que não toma lítio, você não precisa observar "nível de lítio no organismo"; isso não se aplica a você.
A segunda questão é a que realmente importa no seu caso: o risco de desenvolver o transtorno. Ter um parente de primeiro grau com transtorno bipolar aumenta a predisposição — a herdabilidade é significativa —, mas isso está longe de ser uma certeza. A maioria dos filhos de pessoas com transtorno bipolar não desenvolve o quadro. Predisposição genética é probabilidade aumentada, não destino.
O que faz sentido, então, não é "checar lítio", e sim ficar atenta a sinais ao longo da vida: episódios de humor muito elevado ou irritável, com energia aumentada, redução da necessidade de sono, impulsividade e aceleração do pensamento, alternando com fases de depressão. Se você notar algo assim em si mesma, aí sim vale buscar uma avaliação psiquiátrica — o diagnóstico se faz pela observação do padrão de humor ao longo do tempo, nunca por um exame de sangue. E se houver sofrimento ou dúvida agora, uma consulta pode ajudar a esclarecer e a tranquilizar.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
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tive uma nova crise de ansiedade após anos de estabilidade, atualmente estou com: venla 225mg (já de
tive uma nova crise de ansiedade após anos de estabilidade, atualmente estou com: venla 225mg (já de longa data, n modificada) + quetiapina 25mg (adc há 13 dias) + alprazolam 0,25mg duas vezes ao dia (em programação de desmame qnd estabilidade e período sem sintomas ansiosos) . Permaneço com sintomas q incomodam princ. desrealização / despersonalização, sensação de estar indo no piloto automático, ansiedade antecipatória, medo de “perder o controle” ou n dar conta etc. Apesar da melhora em mts fatores: apetite, sono, ausência de novas “crises” de fato ou angústia, to vindo trabalhar apesar do desconforto…
Minha psiq orientou esperar um pouco mais antes de pensar em ajustar a quetiapina. Vou ter q esperar mais ou menos 4 semanas novamente pra avaliar resposta? Até agr a quet me ajudou no sono q está continuo e na redução da ansiedade diurna. Mas durante o dia ainda tenho essas oscilações e sintomas q citei.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Retomar sintomas ansiosos após anos de estabilidade é desestabilizador por si só, e faz sentido querer saber quanto tempo mais será preciso esperar para avaliar se o ajuste atual está funcionando. Um ponto importante: definir o momento certo de reavaliar e a direção do próximo passo depende do seu quadro completo e da sua resposta individual — algo que só o médico de sua confiança que acompanha você pode determinar, e sua psiquiatra já sinalizou a orientação. De forma geral, porém, posso contextualizar o seguinte.
Sobre o prazo: a orientação de esperar mais faz sentido clínico. Para a quetiapina em dose baixa, o efeito sobre sono e angústia noturna aparece rápido (dias), mas o efeito sobre ansiedade diurna e estabilização do quadro se consolida ao longo de algumas semanas — a janela habitual de reavaliação costuma ser em torno de 4 semanas na mesma dose, com checagens parciais antes. Como faz 13 dias, você está mais ou menos na metade dessa janela, e a leitura de que ainda é cedo para concluir é coerente. Não necessariamente serão "4 semanas do zero", mas provavelmente mais uma a duas semanas até uma avaliação mais firme.
Um ponto que vale nomear, porque costuma aliviar: a desrealização e a despersonalização (sensação de que o mundo ou você mesma parecem irreais ou distantes, o "piloto automático") são sintomas dissociativos que aparecem com muita frequência em quadros ansiosos intensos. São extremamente desconfortáveis, mas não são sinal de gravidade nem de "estar perdendo o controle" — na verdade, costumam ser dos últimos sintomas a ceder à medida que o sistema nervoso, hiperativado, vai desacelerando. O medo de "perder o controle" é, ele próprio, um sintoma clássico do ciclo ansioso, não uma previsão do que vai acontecer.
O que os sinais que você descreve sugerem, no conjunto, é uma trajetória de melhora real, ainda que incompleta: sono contínuo, apetite recuperado, ausência de novas crises, ansiedade diurna reduzida e manutenção da rotina de trabalho são marcadores concretos de resposta. Os sintomas residuais que restam (oscilações diurnas, sintomas dissociativos, ansiedade antecipatória) são justamente os que tendem a demorar mais — o que reforça a lógica de aguardar antes de mexer no esquema.
Dois pontos para levar à sua psiquiatra na reavaliação, se ainda não foram abordados: primeiro, que os sintomas dissociativos e a ansiedade antecipatória respondem particularmente bem à terapia cognitivo-comportamental, que tem eficácia de primeira linha nesses quadros e pode ser o que consolida a melhora além do ajuste medicamentoso; segundo, manter o plano de desmame gradual do alprazolam exatamente como ela programou — condicionado à estabilidade —, sem antecipá-lo enquanto os sintomas ainda incomodam. E, no meio-tempo, se surgir piora importante, novas crises intensas ou pensamentos de que não vale a pena continuar, vale contato antes da data marcada.
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O Aripiprazol é um bom estabilizador de humor quando junto com o lítio?
O Aripiprazol é um bom estabilizador de humor quando junto com o lítio?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, um esclarecimento de categoria: o aripiprazol é um antipsicótico atípico (de segunda geração), não um estabilizador de humor no sentido clássico — grupo em que se enquadram o lítio e alguns anticonvulsivantes. Na prática clínica, porém, vários antipsicóticos atípicos têm ação estabilizadora do humor reconhecida no transtorno bipolar, e o aripiprazol é um deles. Então a resposta curta é: sim, é uma associação com respaldo científico.
Sobre a combinação especificamente: o aripiprazol tem melhor evidência na fase de mania e como tratamento de manutenção para prevenir novos episódios (sobretudo maníacos), com dados menos robustos para a fase depressiva. Associá-lo ao lítio é uma estratégia usada quando o lítio isolado não controla bem os episódios, ou como potencialização. Um ponto favorável é seu perfil: costuma ter menos ganho de peso e menos sedação do que outros antipsicóticos, o que muitos pacientes toleram bem.
Como toda combinação, exige atenção a alguns pontos: o aripiprazol pode causar acatisia (uma inquietação interna incômoda, com dificuldade de ficar parado), insônia ou ativação em algumas pessoas; e o lítio mantém suas próprias exigências de monitorização (litemia, função renal e tireoidiana). A escolha entre as várias opções de associação é individual e depende de qual polo do humor predomina no seu caso e de como você tolera cada medicamento — avaliação que cabe a quem acompanha você.
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Estou tendo taquicardia com o uso de lamotrigina e litio. Isso é normal?
Estou tendo taquicardia com o uso de lamotrigina e litio. Isso é normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sentir taquicardia usando esses medicamentos naturalmente gera preocupação, e é uma queixa que merece atenção — você fez bem em levantá-la. Um ponto importante: definir se a taquicardia vem da medicação, do nível de lítio no sangue ou de outra causa exige exame clínico e, muito provavelmente, dosagem laboratorial — algo que só um médico de sua confiança pode conduzir. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte, e adianto que este é um caso em que a avaliação não deve ser adiada.
Sobre o lítio: ele tem uma janela terapêutica estreita, ou seja, a diferença entre a dose que trata e a dose que intoxica é pequena. Alterações cardíacas, incluindo taquicardia e arritmias, podem ocorrer e também podem ser sinal de intoxicação por lítio, especialmente se acompanhadas de tremores intensos, náusea, vômito, diarreia, confusão mental, fala arrastada ou desequilíbrio. Se qualquer um desses sinais estiver presente, procure atendimento de urgência hoje mesmo — não espere.
Sobre a lamotrigina: efeitos cardíacos são menos comuns, mas houve, nos últimos anos, alertas regulatórios sobre risco de arritmias em pessoas com doença cardíaca prévia. Palpitações também podem aparecer. Por isso a taquicardia nesse contexto não deve ser simplesmente tolerada.
Vale lembrar ainda que taquicardia tem causas independentes que merecem descarte — ansiedade, alterações de tireoide (o próprio lítio pode afetar a tireoide), anemia, febre, cafeína, desidratação, entre outras. Isso reforça a necessidade de avaliação, em vez de autoexplicação.
O que sugiro na prática: não interrompa nem ajuste as medicações por conta própria, mas trate isso como prioridade — contate seu médico com brevidade e, se a taquicardia for intensa, persistente, ou vier com dor no peito, falta de ar, tontura ou os sinais de intoxicação citados acima, procure emergência imediatamente. Taquicardia em quem usa lítio é sempre algo a ser avaliado sem demora.
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Psiquiatra trocou fluoxetina genérica por Daforin. Há diferença?
Psiquiatra trocou fluoxetina genérica por Daforin. Há diferença?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Perceber a troca entre um genérico e um medicamento de marca e querer entender se muda algo é uma atenção pertinente ao próprio tratamento. Um ponto importante: o motivo dessa troca no seu caso específico é algo que o médico de sua confiança que a fez pode esclarecer melhor, já que envolve o raciocínio clínico dele. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte, e a resposta provavelmente vai te tranquilizar.
O princípio ativo é exatamente o mesmo: tanto a fluoxetina genérica quanto o Daforin contêm fluoxetina, na mesma dose. O Daforin é um medicamento de marca (mais precisamente, um similar de marca, da EMS). Ou seja, do ponto de vista da substância que age no seu cérebro, não há diferença — é o mesmo fármaco, com o mesmo mecanismo e o mesmo efeito esperado.
O que pode variar entre apresentações são os chamados excipientes — os componentes inativos da fórmula (corantes, aglutinantes, revestimento). Em geral isso não altera o efeito terapêutico, mas em raras situações pode influenciar a tolerância de quem tem sensibilidade a algum desses componentes. É uma diferença menor e pouco frequente.
Quanto ao porquê da troca, há motivos comuns e todos legítimos: disponibilidade na farmácia, questão de custo, preferência do médico por um laboratório cuja resposta ele conhece bem, ou até relato de melhor tolerância de alguns pacientes com uma apresentação específica. Nenhum deles indica problema. Se ficou com dúvida sobre a razão exata, vale perguntar diretamente a quem prescreveu — mas, em essência, você segue tomando fluoxetina, e pode manter o tratamento com tranquilidade.
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Consigo receita para ritalina online? Poderiam retirar essa duvida, antes de fazer a consulta?
Consigo receita para ritalina online? Poderiam retirar essa duvida, antes de fazer a consulta?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Um ponto importante: a decisão de prescrever ou não, e por qual via, é sempre individual e depende da avaliação clínica — algo que cabe ao médico de sua confiança no momento da consulta. De forma geral, porém, posso esclarecer o seguinte.
A Ritalina tem como princípio ativo o metilfenidato, um psicoestimulante sujeito a controle especial — no Brasil, exige a chamada Notificação de Receita A (receita amarela, a de controle mais rigoroso, usada para entorpecentes e psicotrópicos dessa categoria).
Aqui está o ponto central: a telemedicina é permitida e regulamentada no Brasil (Resolução CFM 2.314/2022), e a prescrição a distância é possível. Porém, a Notificação de Receita A tem uma particularidade — historicamente ela depende de um formulário oficial numerado, físico, fornecido pela vigilância sanitária, o que na prática dificulta ou impede a emissão puramente digital em muitos contextos. Há movimentos de digitalização (prescrição eletrônica com certificado digital), mas a aceitação varia conforme o estado, a farmácia e a regulamentação vigente. Ou seja, mesmo que o médico avalie e prescreva por teleconsulta, a viabilização da receita amarela nem sempre é simples de forma 100% online.
Some-se a isso um ponto clínico: o diagnóstico de TDAH, principal indicação da Ritalina, requer avaliação criteriosa, muitas vezes com historia detalhada e escalas — e muitos profissionais preferem, com razão, ao menos uma avaliação presencial antes de iniciar um estimulante, sobretudo na primeira prescrição.
O caminho mais seguro é, ao agendar, perguntar diretamente ao profissional ou ao serviço se ele emite esse tipo de receita por teleconsulta e como se dá a retirada — isso evita expectativa frustrada.
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Ciclotimia pode ser grave e ter depressão grave? Fui diagnosticada e n consigo entender pois a minha
Ciclotimia pode ser grave e ter depressão grave? Fui diagnosticada e n consigo entender pois a minha depressão é severa
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A rigor, pela definição diagnóstica (DSM-5-TR), a ciclotimia é caracterizada por oscilações crônicas do humor em que os sintomas — tanto os hipomaníacos quanto os depressivos — não atingem a intensidade completa de um episódio de hipomania ou de depressão maior, persistindo por pelo menos dois anos. Ou seja, na definição estrita, a ciclotimia não inclui uma depressão severa: se um episódio depressivo maior completo se instala, o diagnóstico habitualmente deixa de ser ciclotimia e migra para outro, geralmente transtorno bipolar tipo II.
É exatamente por isso que sua dúvida é pertinente. Há algumas possibilidades que só sua médica pode esclarecer: pode ser que o diagnóstico esteja em revisão ou seja provisório; pode ser que ela esteja descrevendo um temperamento ciclotímico de base (uma instabilidade de humor de fundo) sobre o qual se instalou um episódio depressivo grave — situação clínica real e reconhecida, ainda que a nomenclatura formal, nesse caso, tenda a ser outra; ou pode haver informação sobre o seu histórico (episódios de humor elevado no passado, por exemplo) que fundamenta a leitura dela e que vale ser conversada.
O motivo pelo qual essa distinção importa muito, e não é só uma questão de "nome": se existe um componente bipolar de fundo, o tratamento muda de forma significativa. Antidepressivos usados isoladamente, nesses casos, podem favorecer instabilidade, irritabilidade ou aceleração do humor, e estabilizadores tendem a ter papel central. Por isso vale mesmo esclarecer com ela — não é preciosismo, é algo que orienta a conduta.
E um ponto que não pode esperar: se a sua depressão está severa, com desesperança intensa, sensação de não dar conta ou qualquer pensamento de morte ou de se machucar, procure atendimento sem aguardar a próxima consulta — o CVV (188) está disponível 24 horas por dia, e serviços de emergência psiquiátrica existem exatamente para esses momentos. Você não precisa atravessar isso sozinha.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Procure um profissional médico de confiança para esclarecer dúvidas e definir o manejo adequado do tratamento.
Perguntas frequentes
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Usei o Inseris XR 300 mg por aproximadamente dois meses, conforme prescrição médica, e durante esse
Olá! Sim, dois meses é tempo suficiente, principalmente com a dose de 300mg.…