Perguntas do paciente (621)

  • Quem tem transtornos como bipolaridade, esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo não pode de jeito

    Quem tem transtornos como bipolaridade, esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo não pode de jeito nenhum tomar café? O café pode reagir com as medicações causando perda da eficácia esperada das medicações?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Esquizoafetivo não são obrigadas a abolir completamente o café. Na maioria dos casos, o consumo moderado de cafeína pode ser permitido, desde que não piore os sintomas e não interfira no tratamento.

    A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central. Em algumas pessoas, ela pode aumentar a ansiedade, a agitação, a insônia e, em pacientes predispostos, favorecer sintomas de mania ou hipomania. Além disso, um sono de má qualidade pode aumentar o risco de recaídas, especialmente no Transtorno Bipolar.

    Em relação às medicações, o café geralmente não reduz diretamente a eficácia dos estabilizadores do humor ou dos antipsicóticos. Entretanto, pode antagonizar (reduzir) o efeito sedativo de algumas medicações, como a Quetiapina e a Olanzapina, além de piorar sintomas que esses medicamentos procuram controlar. Também vale lembrar que a cafeína pode interferir no metabolismo de alguns psicofármacos, como a Clozapina, quando consumida em grandes quantidades.

    Portanto, a recomendação costuma ser individualizada. Se o café não piora seus sintomas e é consumido com moderação, muitas vezes ele pode fazer parte da rotina. Já em pacientes que percebem piora da ansiedade, da insônia ou da instabilidade do humor, reduzir ou evitar a cafeína pode ser uma medida importante para melhorar o controle da doença.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio José Pereira da Silva


  • Quem faz uso de carbonato de lítio não pode tomar café? O café corta o efeito do lítio diminuindo o

    Quem faz uso de carbonato de lítio não pode tomar café? O café corta o efeito do lítio diminuindo o seu efeito?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Não necessariamente. O café não é contraindicado para todas as pessoas que utilizam carbonato de lítio, mas seu consumo merece atenção.

    A cafeína não "corta" diretamente o efeito do lítio nem impede sua ação como estabilizador do humor. Entretanto, ela pode aumentar a eliminação renal do lítio, levando a uma redução discreta de sua concentração no sangue (litemia), especialmente quando consumida em grandes quantidades. Por outro lado, se uma pessoa que consome muito café diariamente interrompe o consumo de forma abrupta, a litemia pode aumentar, elevando o risco de efeitos adversos.

    Além disso, o café pode piorar sintomas como ansiedade, tremores, insônia e agitação, que podem ocorrer tanto pela doença de base quanto pelo próprio tratamento, dificultando a avaliação clínica.

    Por isso, a recomendação costuma ser manter um consumo regular e moderado de cafeína, evitando grandes oscilações na quantidade ingerida de um dia para o outro. Essa estabilidade ajuda a manter níveis mais previsíveis de lítio no organismo.

    Caso haja necessidade de aumentar ou reduzir significativamente o consumo de café, é interessante informar o médico que acompanha o tratamento, pois isso pode justificar uma nova avaliação da litemia e, eventualmente, ajustes na dose do medicamento.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio José Pereira da Silva


  • Tomo fluoxetina há 15 anos e tive algumas crises. Foi aumentada a dose, as crises passaram mas a ten

    Tomo fluoxetina há 15 anos e tive algumas crises. Foi aumentada a dose, as crises passaram mas a tensão não. Foi mantida a dose e mudado para Daforin. Há chances de melhora com essa troca?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Sim, há essa possibilidade, embora nem sempre a melhora ocorra apenas pela troca do fabricante.

    O Daforin é a marca de similar da fluoxetina. Em termos de eficácia, tanto ele quanto os medicamentos genéricos e similares aprovados pela ANVISA devem apresentar bioequivalência, ou seja, alcançar concentrações semelhantes no organismo. No entanto, alguns pacientes relatam perceber diferenças ao trocar de fabricante, possivelmente relacionadas aos excipientes (substâncias que compõem o comprimido além do princípio ativo) ou à sensibilidade individual.

    Como você já utilizava Fluoxetina há muitos anos, teve uma recaída, melhorou parcialmente após o aumento da dose, mas ainda permanece com tensão importante, essa tensão residual pode refletir uma recuperação ainda incompleta ou indicar a necessidade de outras estratégias terapêuticas. A simples troca para o Daforin® pode trazer benefício em alguns casos, mas não há garantia de que, isoladamente, ela resolva esse sintoma.

    Se a tensão persistir após algumas semanas com o Daforin®, é importante reavaliar o tratamento, pois pode ser necessário ajustar a dose, associar outra medicação ou até considerar uma mudança de antidepressivo, dependendo da evolução clínica.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio José Pereira da Silva


  • Boa tarde, prezados ! Faço tto para sd do pânico desde 2019. Vinha mto bem da ansiedade. Após uma n

    Boa tarde, prezados !
    Faço tto para sd do pânico desde 2019.
    Vinha mto bem da ansiedade. Após uma nova crise, foi mantida a medicação de base (effexo 225mg q já usava há > 2 anos) e adc um alpraz 0,25 2x ao dia.
    Após 30d ainda tinha mtos sintomas ansiosos e foi adc o Quetros 25mg, fiz por 16d. porem ainda persistiram sintomas dissociativos desconfortáveis (desper/desrealizacao), sensação de automatismo, ansiedade antec., oscilações diurnas (ex: impossibilidade de cochilar durante o dia)… Apesar de melhora em relação a apetite, sono, funcionalidade apesar do ruído de fundo / desconforto.
    Médica aumentou a quet para 50mg.
    O aumento da dose leva o mesmo para apresentar resultado? 2-4 sem. em média ou tende a ter uma resposta mais rápida ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Em geral, após um aumento da dose, a resposta costuma ser mais rápida do que no início do tratamento. A Quetiapina é um antipsicótico atípico que atua principalmente modulando receptores de dopamina e serotonina. Em doses baixas, como 25 a 50 mg, seus efeitos costumam estar mais relacionados ao bloqueio de receptores de histamina e adrenérgicos, podendo contribuir para melhora do sono, redução da ansiedade e diminuição da hiperativação fisiológica.

    No seu relato, chama a atenção o fato de já ter ocorrido melhora do sono, do apetite e da funcionalidade, sugerindo que existe uma resposta parcial ao tratamento. Sintomas como despersonalização, desrealização e ansiedade antecipatória costumam acompanhar a evolução dos transtornos ansiosos e, muitas vezes, são os últimos a apresentar melhora.

    Portanto, é possível que o aumento para 50 mg traga benefícios adicionais e que estes sejam percebidos antes das 2 a 4 semanas observadas no início de um antidepressivo. Entretanto, a velocidade da resposta varia entre os pacientes e depende também do controle da ansiedade de base.

    Como você já apresenta uma melhora parcial, a evolução nas próximas semanas poderá ajudar a diferenciar se ainda existe espaço para resposta com o esquema atual ou se será necessário algum ajuste adicional na estratégia terapêutica.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Há algum tempo atrás tratei transtorno do pânico e até então convivo com ela. Porém recentemente apó

    Há algum tempo atrás tratei transtorno do pânico e até então convivo com ela. Porém recentemente após uma separação de matrimônio notei que ela voltou. Porém todos os dias pela manhã já acordo trêmula e bem fraca, com leves tonturas. Ao final da noite começa a me dar muita crise de pânico com corpo queimando, braço dormente, enfim. A ansiedade nesse momento quadro pode fazer com que eu todo dia sinta esses tremores e essa fraqueza constantemente?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Sim, a ansiedade pode causar todos estes sintomas. O Transtorno do Pânico não se manifesta apenas durante as crises; entre elas pode existir um estado persistente de ansiedade, chamado ansiedade antecipatória, em que o organismo permanece em constante estado de alerta.

    Nesta situação ocorre ativação do sistema nervoso autônomo, com aumento da liberação de adrenalina e noradrenalina. Isto pode provocar tremores, sensação de fraqueza, tonturas, palpitações, queimação pelo corpo, dormências (parestesias), aperto no peito e alterações gastrointestinais. Além disso, uma separação conjugal é um estressor importante e pode favorecer o reaparecimento dos sintomas em pessoas predispostas.

    No entanto, tremores e fraqueza também podem ocorrer por outras doenças clínicas, hormonais (como alterações da tireoide), neurológicas ou metabólicas. Portanto, não devemos atribuir automaticamente todos os sintomas à ansiedade sem uma avaliação adequada.

    Converse com um psiquiatra para que ele possa reavaliar seu quadro e indicar o tratamento mais adequado.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Estou tomando ecitalopran de 20mg , a 15 dias e hoje tive uma crise , porém eu mestruei hoje e minha

    Estou tomando ecitalopran de 20mg , a 15 dias e hoje tive uma crise , porém eu mestruei hoje e minha menstruação adiantou 5 dias , pode estar ligado ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Pode estar relacionado, sim. As alterações hormonais que ocorrem no período pré-menstrual e durante a menstruação podem levar a uma piora transitória dos sintomas de ansiedade e até favorecer o aparecimento de crises de pânico em mulheres predispostas.

    O Escitalopram é um antidepressivo da família dos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina) e, com apenas 15 dias de uso, é possível que ele ainda não tenha atingido seu efeito terapêutico máximo. Portanto, a ocorrência de uma crise neste período não significa necessariamente que a medicação não irá funcionar.

    Em relação ao adiantamento da menstruação em 5 dias, o estresse e a própria ansiedade podem interferir no ciclo menstrual. O Escitalopram também pode, mais raramente, estar associado a alterações menstruais, embora esta não seja uma reação adversa frequente.

    Converse com o psiquiatra que lhe prescreveu a medicação.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Uma pessoa com transtorno de personalidade borderline pode apresentar todos sintomas exceto o medo d

    Uma pessoa com transtorno de personalidade borderline pode apresentar todos sintomas exceto o medo de abando e delírios e alucinações psicóticas como na esquizofrenia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Sim. O Transtorno de Personalidade Borderline é um diagnóstico bastante heterogêneo, ou seja, dois pacientes podem ter o mesmo diagnóstico e apresentar sintomas muito diferentes entre si. O diagnóstico é feito quando um número mínimo de critérios é preenchido, não sendo obrigatório que todos estejam presentes.

    O medo do abandono é considerado uma das características mais marcantes do transtorno, mas nem sempre aparece de forma evidente ou é o principal sintoma relatado pelo paciente.

    Em relação aos sintomas psicóticos, o Borderline pode apresentar episódios transitórios relacionados ao estresse, como ideias persecutórias (desconfiança exagerada) ou sintomas dissociativos importantes. Alucinações e delírios persistentes, como costumam ocorrer na esquizofrenia, não são considerados características típicas do transtorno e, quando presentes, devem levar o psiquiatra a investigar outras possibilidades diagnósticas ou comorbidades.

    Converse com o psiquiatra que acompanha seu tratamento.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Porque os antipsicoticos atipicos são usados para tratar transtornos como bipolaridade e transtorno

    Porque os antipsicoticos atipicos são usados para tratar transtornos como bipolaridade e transtorno esquizoafetivo se são feitos para esquizofrenia? Qual a atuação deles ssobre a estabilização do humor nesses transtornos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Na verdade, o nome "antipsicótico" pode gerar um pouco de confusão. Estas medicações foram inicialmente desenvolvidas para o tratamento da esquizofrenia, porém com o passar dos anos observou-se que também eram eficazes no tratamento de outras doenças, como o Transtorno Bipolar e o Transtorno Esquizoafetivo.

    Os antipsicóticos atípicos atuam principalmente bloqueando ou modulando receptores de dopamina e serotonina, dois neurotransmissores importantes na regulação do humor, do pensamento e do comportamento. Durante os episódios de mania do Transtorno Bipolar, por exemplo, acredita-se que exista um aumento da atividade dopaminérgica em determinadas regiões do cérebro. Ao modular estes circuitos, estas medicações ajudam a controlar sintomas como aceleração do pensamento, impulsividade, agitação, diminuição da necessidade de sono e sintomas psicóticos, quando presentes.

    Além disso, alguns antipsicóticos atípicos também possuem efeito antidepressivo e ajudam na prevenção de novas crises, motivo pelo qual hoje fazem parte do tratamento de manutenção de muitos pacientes com Transtorno Bipolar.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Uma pessoa pode ter tido uma depressão grave e ser diagnosticada com ciclotimia?

    Uma pessoa pode ter tido uma depressão grave e ser diagnosticada com ciclotimia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Em princípio, não. A ciclotimia faz parte do espectro bipolar e caracteriza-se por oscilações crônicas do humor, porém os sintomas depressivos não preenchem critérios para um Episódio Depressivo Maior (depressão grave), assim como os períodos de elevação do humor também não preenchem critérios para mania ou hipomania completas.

    Se uma pessoa realmente apresentou um episódio de depressão grave ao longo da vida, o diagnóstico de ciclotimia isoladamente deixa de ser o mais provável. Nestas situações, o psiquiatra deve considerar outras possibilidades diagnósticas dentro do espectro bipolar, como o Transtorno Bipolar tipo II, além de outras causas para as oscilações do humor.

    Como em Psiquiatria o diagnóstico depende da evolução ao longo do tempo, não é raro que ele seja revisto conforme surgem novas informações durante o acompanhamento.

    Converse com o psiquiatra que acompanha seu tratamento.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Olá, sou mãe de uma criança autista de 7 anos com Tod e Tdha, nessas últimas semanas infelizmente o

    Olá, sou mãe de uma criança autista de 7 anos com Tod e Tdha, nessas últimas semanas infelizmente o tod dele tem ficado bastante dificil de lhe dar, e a psiquiatra receitou quetiapina 25 mg (meio comprimido), isso claro após tentativas de outros medicamentos que nao deram certo, esse quetiapina é bom?, pode ser usado mesmo em crianças nessas condições e faixa etária?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    A Quetiapina é um antipsicótico atípico, ou seja, uma medicação que atua principalmente modulando receptores de dopamina e serotonina. Embora tenha sido inicialmente desenvolvida para o tratamento da esquizofrenia, hoje também é utilizada em diversas outras situações na Psiquiatria.

    Em crianças, seu uso pode ser indicado em casos selecionados, sempre após uma avaliação cuidadosa do psiquiatra infantil. Em pacientes com TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH e TOD (Transtorno Opositivo Desafiador), ela pode ser utilizada quando existem sintomas importantes de irritabilidade, agressividade, impulsividade ou agitação e outras abordagens terapêuticas não foram suficientes.

    A dose de 12,5 mg (meio comprimido de 25 mg) é uma dose inicial baixa, utilizada justamente para avaliar a tolerabilidade e reduzir a chance de efeitos adversos. Os mais comuns são sonolência, aumento do apetite e ganho de peso, motivo pelo qual o acompanhamento médico é importante.

    Pelo que você descreveu, parece que a psiquiatra optou pela Quetiapina após tentativas anteriores com outras medicações, o que é uma conduta relativamente frequente em casos mais difíceis.

    Converse com a psiquiatra que acompanha o tratamento do seu filho e mantenha um retorno próximo para avaliar a resposta e os eventuais efeitos adversos.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Olá! Estou tomando Bupropiona 150 mg há 7 dias. O efeito colateral que tenho sentido é a boca seca,

    Olá! Estou tomando Bupropiona 150 mg há 7 dias. O efeito colateral que tenho sentido é a boca seca, e, apesar da atividade mental normal, parece que estou falando mais devagar. Será que isso passa? Tem como minimizar? Obrigada.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    A boca seca (xerostomia) é um dos efeitos adversos mais comuns da Bupropiona e costuma melhorar ao longo das primeiras semanas de tratamento. Algumas medidas simples podem ajudar, como aumentar a ingestão de água ao longo do dia, mascar chicletes sem açúcar ou utilizar balas sem açúcar para estimular a produção de saliva.

    A sensação de estar falando mais devagar não é um efeito adverso clássico da Bupropiona. É importante avaliar se esta percepção está realmente relacionada à medicação, ao próprio quadro que está sendo tratado ou a outra causa. Caso o sintoma persista, piore ou seja percebido também por familiares, vale a pena comunicar ao psiquiatra.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Boa noite ! Após uma crise de pânico, existe a possibilidade de mts sintomas terem melhorado como s

    Boa noite !
    Após uma crise de pânico, existe a possibilidade de mts sintomas terem melhorado como sono, apetite, funcionalidade etc, e outros terem “piorado”, como sintomas dissociativos?
    Ou é apenas a percepção q se volta mais para esses sintomas residuais após a melhora de outros, portanto se tornam mais evidentes ou dao a sensação de terem se intensificado ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Sim, isto pode acontecer. Após uma crise de pânico ou durante a recuperação de um transtorno de ansiedade, nem todos os sintomas melhoram na mesma velocidade. É relativamente comum que o sono, o apetite e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia melhorem primeiro, enquanto outros sintomas, como despersonalização e desrealização (os chamados sintomas dissociativos), persistam por mais tempo.

    Também existe outro fenômeno possível: quando os sintomas mais intensos da ansiedade diminuem, a atenção do paciente passa a se concentrar naqueles que permaneceram, dando a impressão de que pioraram, quando na realidade apenas se tornaram mais perceptíveis.

    Por outro lado, se os sintomas dissociativos estiverem realmente aumentando de intensidade ou frequência, é importante reavaliar o tratamento, pois isto pode indicar que a ansiedade ainda não está completamente controlada ou que existe outro fator contribuindo para o quadro.

    Converse com o psiquiatra que acompanha seu tratamento.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Tomei fluoxetina 20mg por 3 dias e não quero continuar. Posso parar sem problemas?

    Tomei fluoxetina 20mg por 3 dias e não quero continuar.
    Posso parar sem problemas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Sim. Após apenas 3 dias de uso da Fluoxetina 20 mg, a interrupção geralmente não costuma causar sintomas de retirada (abstinência). Isto porque a Fluoxetina possui uma meia-vida longa, ou seja, permanece circulando no organismo por vários dias mesmo após a suspensão.

    Entretanto, antes de interromper a medicação é importante entender o motivo da decisão. Se foi por efeitos adversos, muitas vezes eles são transitórios e diminuem ao longo da primeira ou segunda semana de tratamento. Se a interrupção está relacionada a outra causa, vale a pena discutir com o médico outras opções terapêuticas.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Comecei a tomar duloxetina, bupropiona e trazodona há 3 dias. Tive relação sexual com meu parceiro h

    Comecei a tomar duloxetina, bupropiona e trazodona há 3 dias. Tive relação sexual com meu parceiro hoje e não consegui atingir o orgasmo. Há chance de ser um efeito apenas na adaptação às medicações?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Sim, existe essa possibilidade. A Duloxetina é um antidepressivo que aumenta a disponibilidade de serotonina e noradrenalina no sistema nervoso central, e a Bupropiona atua principalmente sobre a dopamina e a noradrenalina. Já a Trazodona possui ação predominantemente serotoninérgica e costuma ser utilizada, entre outras indicações, para auxiliar o sono.

    Entre essas medicações, a Duloxetina é a que mais frequentemente está associada à disfunção sexual, podendo causar diminuição da libido, atraso ou dificuldade para atingir o orgasmo (anorgasmia). Como você iniciou o tratamento há apenas 3 dias, ainda é possível que o organismo esteja passando por um período de adaptação e nem sempre este efeito persiste ao longo do tratamento.

    Entretanto, também é importante lembrar que a própria ansiedade, a depressão e fatores emocionais podem interferir na resposta sexual, tornando difícil atribuir o sintoma exclusivamente à medicação.

    Caso a dificuldade persista nas próximas semanas, vale a pena reavaliar o tratamento, pois existem diferentes estratégias para minimizar este efeito adverso sem comprometer o controle dos sintomas psiquiátricos.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Olá. Estou em uso de Sertralina de 50mg há 29 dias. Os pensamentos acelerados parece que diminuíram,

    Olá.
    Estou em uso de Sertralina de 50mg há 29 dias.
    Os pensamentos acelerados parece que diminuíram, porém, enfrento outro problema. O estranhamento dentro do próprio corpo. É como se houvesse algo estranho acontecendo comigo, mas sem estar ou enxergar o que. Como se eu estivesse no corpo errado. Essa sensação começou após este período da Sertralina. Tenho consulta de retorno com a psiquiatra. Gostaria de saber se isso pode acontecer e há melhora ou é um sinal de necessidade de aumento de dose?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Sim, isso pode acontecer. A sensação de estranhamento em relação ao próprio corpo pode corresponder ao que chamamos de despersonalização (sensação de estar estranho consigo mesmo) ou, em alguns casos, de desrealização (sensação de que o ambiente parece diferente ou irreal). Estes sintomas podem ocorrer em quadros de ansiedade e síndrome do pânico, independentemente do uso da medicação.

    O fato dos pensamentos acelerados terem diminuído sugere que a Sertralina pode estar começando a fazer efeito. No entanto, com cerca de 4 semanas de tratamento, ainda é possível que alguns sintomas melhorem antes de outros. Isto não significa, necessariamente, que a dose esteja insuficiente.

    Também devemos considerar a possibilidade de a própria Sertralina, principalmente no início do tratamento, modificar temporariamente a percepção dos sintomas ou até contribuir para sensações de estranhamento em alguns pacientes, embora esta não seja uma reação adversa frequente.

    Como você já tem uma consulta de retorno agendada, este é um bom momento para reavaliar a evolução do quadro. A necessidade de manter, aumentar ou modificar a medicação depende da intensidade dos sintomas, da resposta global ao tratamento e da avaliação clínica.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Tenho insuficiência mitral discreta. Posso tomar antidepressivo?

    Tenho insuficiência mitral discreta.
    Posso tomar antidepressivo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Sim. Na maioria dos casos, pessoas com insuficiência mitral discreta podem utilizar antidepressivos. A escolha da medicação, entretanto, deve levar em consideração não apenas a doença cardíaca, mas também a idade, outras doenças, as medicações em uso e o perfil de efeitos adversos de cada antidepressivo.

    Alguns antidepressivos podem influenciar a frequência cardíaca, a pressão arterial ou a condução elétrica do coração (intervalo QT no eletrocardiograma), motivo pelo qual a escolha deve ser individualizada. Felizmente, existem diversas opções consideradas seguras para grande parte dos pacientes com cardiopatias.

    Também é importante lembrar que ansiedade e depressão, quando não tratadas, podem aumentar a frequência cardíaca, a pressão arterial e a percepção de palpitações, impactando negativamente a qualidade de vida.

    A melhor medicação dependerá de uma avaliação conjunta dos sintomas psiquiátricos e das condições cardiológicas, permitindo escolher a opção mais segura e eficaz para o seu caso.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Olá estou tomando sertralina 200mg quase 40 dias não vi resultado ainda tenho crises de choro consta

    Olá estou tomando sertralina 200mg quase 40 dias não vi resultado ainda tenho crises de choro constante sem apetite pode ser que o remédio não esteja fazendo efeito teria que diminuir aumentar ou trocar por outro ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    A Sertralina é um antidepressivo da família dos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina), aumentando a disponibilidade de serotonina no sistema nervoso central. A dose de 200 mg é considerada a dose máxima recomendada para a maioria das indicações.

    Após cerca de 40 dias de tratamento, já seria esperado algum grau de melhora. Entretanto, isso não significa necessariamente que a medicação tenha falhado. Algumas pessoas apresentam uma resposta mais lenta, enquanto outras podem necessitar de ajustes na estratégia terapêutica, como otimização da dose, associação de outra medicação ou substituição do antidepressivo.

    O fato de você ainda apresentar crises de choro frequentes e perda do apetite sugere que os sintomas depressivos permanecem ativos e merecem uma reavaliação do tratamento. A decisão de manter, trocar ou associar outra medicação depende de uma análise detalhada da evolução clínica, dos efeitos adversos e do diagnóstico.

    Uma reavaliação neste momento poderá esclarecer se ainda existe possibilidade de resposta à Sertralina ou se outra estratégia terapêutica oferecerá maior benefício para o seu caso.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Vou dormir e acordo com uma musica na cabeça, o que fazer? É normal?

    Vou dormir e acordo com uma musica na cabeça, o que fazer? É normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Sim, isso pode ser normal. O fenômeno é conhecido como "earworm" ou "síndrome da música presa na cabeça", caracterizando-se pela repetição involuntária de um trecho musical na mente. A maioria das pessoas já experimentou esta sensação em algum momento da vida, principalmente após ouvir uma música repetidamente ou em períodos de estresse, ansiedade e privação de sono.

    Na maior parte dos casos, trata-se apenas de um fenômeno benigno e transitório. Entretanto, quando a música passa a ocupar grande parte do dia, causa sofrimento importante ou vem acompanhada de outros pensamentos repetitivos e difíceis de controlar, pode fazer parte de um quadro de pensamentos obsessivos, merecendo uma avaliação mais detalhada.

    Algumas medidas simples podem ajudar, como evitar ouvir repetidamente a mesma música, manter-se envolvido em outras atividades cognitivas e procurar manter uma boa qualidade de sono.

    Caso o sintoma seja persistente ou esteja interferindo significativamente na sua qualidade de vida, uma avaliação especializada poderá ajudar a diferenciar um fenômeno normal de uma condição que necessite tratamento.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • O psiquiatra está alterando minha medicação de escitalopram para fluvoxamina, porém, por enquanto, p

    O psiquiatra está alterando minha medicação de escitalopram para fluvoxamina, porém, por enquanto, para que a suspensão seja gradual, ele prescreveu 15 mg de escitalopram pela manhã e 50 mg de fluvoxamina à noite. E também receitou alprazolam e lamotrigina. Estou com medo de síndrome serotoninérgica, será que o risco é grande nessa combinação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Em geral, o risco não é considerado alto quando esta associação é feita de forma planejada e temporária pelo psiquiatra. É relativamente comum que, durante a troca entre dois antidepressivos da mesma classe, exista um período de sobreposição (cross-taper), justamente para reduzir o risco de sintomas de retirada e facilitar a adaptação ao novo tratamento.

    Tanto o Escitalopram quanto a Fluvoxamina aumentam a disponibilidade de serotonina no sistema nervoso central, motivo pelo qual, teoricamente, existe um risco de síndrome serotoninérgica. Entretanto, este risco costuma ser maior quando são utilizadas doses elevadas, múltiplas medicações serotoninérgicas ou quando há interações medicamentosas importantes. A Lamotrigina e o Alprazolam não aumentam significativamente este risco.

    É importante conhecer os principais sinais da síndrome serotoninérgica, como febre, agitação intensa, tremores importantes, contrações musculares involuntárias, aumento dos reflexos, diarreia, sudorese excessiva e alteração do nível de consciência. Felizmente, trata-se de uma complicação incomum quando a troca é conduzida de forma adequada.

    A estratégia mais segura depende do motivo da troca, das doses utilizadas e da sua resposta clínica. Por isso, caso surjam sintomas diferentes do esperado durante esta fase de transição, vale a pena uma reavaliação para confirmar que a adaptação está ocorrendo conforme o planejado.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


  • Tomei quetiapina por dez.dias mais parei pq nao estava me fazendo bem tem algum problema?

    Tomei quetiapina por dez.dias mais parei pq nao estava me fazendo bem tem algum problema?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Fábio José Pereira da Silva

    Em geral, após apenas 10 dias de uso, a interrupção da Quetiapina não costuma causar problemas graves. No entanto, isso depende da dose utilizada, do motivo pelo qual ela foi prescrita e das características de cada paciente.

    A Quetiapina é um antipsicótico atípico que atua principalmente modulando receptores de dopamina e serotonina. Além disso, também bloqueia receptores de histamina, motivo pelo qual pode causar sonolência importante em algumas pessoas.

    Se você interrompeu a medicação porque estava se sentindo mal, é importante identificar se estes sintomas realmente eram efeitos adversos da Quetiapina ou se estavam relacionados à própria doença que motivou o tratamento. Em alguns casos, pode ocorrer um retorno dos sintomas para os quais a medicação foi prescrita após sua suspensão.

    Uma reavaliação permitirá definir se os sintomas estavam relacionados à medicação e se existe outra opção terapêutica mais adequada para o seu caso.

    Respeitosamente,

    Prof. Dr. Fábio Silva


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