Perguntas do paciente (254)

  • A meditação de olhar na vela ela pode acalmar um sentimento muito forte de depressão ou de uma vergo

    A meditação de olhar na vela ela pode acalmar um sentimento muito forte de depressão ou de uma vergonha? Tipo ter bebido anoite e acordar com aquela melancolia de lembrar coisas feias que fiz? e ela altera as ondas cerebrais também ? ou permanece em Beta??

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Boa noite! Espero que esteja bem, apesar do desconforto que você descreveu. Entendo que esse misto de melancolia e vergonha ao lembrar de coisas ditas ou feitas sob efeito do álcool pode ser bem difícil de carregar, ainda mais junto com o mal-estar físico da ressaca, e é muito válido você estar buscando formas de lidar com isso, em vez de só tentar ignorar o incômodo.

    Sobre a técnica: preciso corrigir uma simplificação que aparece na pergunta. As ondas cerebrais não funcionam como um interruptor que "liga" em Beta durante o dia e "desliga" para outro estado durante uma prática de foco; são padrões dinâmicos, que mudam a cada momento e não têm uma relação simples e direta com "estar calmo" ou "estar ansioso". Práticas como olhar fixamente para uma vela (uma forma de trataka, técnica tradicional de concentração) podem, sim, ajudar a acalmar, mas pelo mecanismo de ocupar a atenção e reduzir o espaço mental para a ruminação, não por alterar "ondas cerebrais" de um jeito mensurável e controlável dessa forma.

    Vale separar dois fenômenos que estão se misturando na sua pergunta: o mal-estar físico e emocional que o álcool causa (o sono fica mais fragmentado, há alterações na regulação de neurotransmissores, e isso por si só já intensifica a melancolia no dia seguinte) e o conteúdo emocional em si, a vergonha pelo que foi dito ou feito. A meditação pode ajudar a regular o estado de ativação do corpo naquele momento, mas não resolve sozinha o padrão de autocrítica e vergonha que vem depois, isso pede um trabalho mais profundo, de entender de onde vem esse julgamento tão duro consigo mesmo.

    Você percebe se esse ciclo de vergonha e melancolia aparece mais nas manhãs depois de beber, ou também em outros contextos da sua vida? E o que pesa mais nessas lembranças, o que de fato foi dito ou feito, ou o medo do que as outras pessoas podem ter pensado?

    Caso precise, estou à disposição.


  • Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coi

    Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coisas das revistas que tive ou tenho e costumo anotar num papel, antes eu guardava mas agora jogo fora,e isso está me deixando ansiosa,pois eu esqueço das coisas importantes, mesmo sabendo que essas coisas não são reais eu sinto tipo um impulso pra isso, isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Li com atenção o que você compartilhou, e há algo interessante nessa pergunta: você já reconhece, racionalmente, que esses pensamentos não são reais, mas ainda assim sente o impulso de segui-los. Isso costuma acontecer quando um pensamento cumpre uma função emocional, mesmo sem fazer sentido lógico.

    Anotar essas comparações e desejos pode funcionar como uma tentativa de organizar ou aliviar uma ansiedade de fundo, ligada à sensação de não ser ou não ter o suficiente. O detalhe de você jogar fora o papel, e não guardar mais como antes, também é um dado importante: pode ser um sinal de que parte de você já está tentando se distanciar desse padrão, mesmo sem saber exatamente como.

    O problema não é comparar-se ocasionalmente (isso é humano), mas quando esse hábito começa a consumir espaço mental a ponto de te fazer esquecer coisas importantes. Vale investigar o que essas comparações estão tentando compensar: um vazio, uma insegurança específica, ou uma forma de fugir de outra preocupação.

    Você percebe em que momentos esse impulso fica mais forte, quando está entediada, ansiosa, ou sozinha? E o que você imagina que aconteceria se, em vez de anotar, você apenas observasse o pensamento passar sem agir sobre ele? Vale explorar isso com mais profundidade em terapia. Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Li com atenção o que você compartilhou e percebo algo delicado aí: você não está em dúvida sobre ter qualidades, você está em conflito sobre poder mostrá-las. Isso costuma doer de um jeito bem específico, porque exige que a pessoa se encolha justamente naquilo que ela tem de melhor.

    O que você descreve tem muito a ver com a forma como aprendemos, ao longo da vida, a antecipar a reação dos outros. Quando alguém cresce em ambientes nos quais se destacar trouxe algum custo (uma piada, uma comparação, um afastamento), o cérebro passa a tratar a visibilidade como sinal de perigo e não como possibilidade. A partir daí, esconder vira uma estratégia de proteção que funciona no curto prazo e cobra caro no longo, porque quanto menos você se mostra, menos evidências reúne de que é possível ser visto sem ser atacado, e o medo segue intacto. Vale notar também que inveja e zombaria existem de fato em alguns contextos, então talvez a questão não seja eliminar o risco, e sim escolher com mais critério onde e com quem você se permite aparecer inteiro.

    Deixo algumas perguntas para você levar com calma: quando imagina ser alvo de zombaria, qual é exatamente o pior desfecho que aparece na sua cabeça, e o que ele diria sobre você? Existem pessoas na sua vida com quem essas mesmas características foram bem recebidas, e o que havia de diferente ali? E se olhar para as vezes em que se escondeu, o que isso te poupou, e o que te custou?

    Esse tipo de padrão costuma ter raízes antigas e responde bem a um trabalho terapêutico consistente, no qual dá para investigar de onde vem essa leitura de perigo e testar, aos poucos e com apoio, formas mais seguras de se mostrar. Caso precise, estou à disposição.


  • Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Oi, tudo bem? Obrigado por trazer essa questão aqui, ela é bem mais profunda do que parece à primeira vista. Reparo que você inverteu uma ordem que a maioria das pessoas segue sem perceber: em vez de perguntar como agradar os outros, começou por si mesmo, e isso já é um bom ponto de partida.

    Uma coisa que costumo observar na clínica é que pessoas que consideramos interessantes raramente estão tentando ser interessantes. Elas têm curiosidade genuína por alguma coisa, se envolvem, erram, se dedicam, e isso transborda. O que chamamos de presença costuma ser o resultado de alguém que está inteiro no que faz, e não de um conjunto de técnicas sociais. Já a tentativa de ser atraente aos olhos dos outros costuma produzir o efeito contrário, porque exige monitorar a própria imagem o tempo todo, e essa vigilância consome exatamente a espontaneidade que torna alguém agradável de conviver.

    Pensando em você: o que te dá vontade de aprender ou conversar sobre, mesmo quando ninguém está olhando? Em que momentos da sua vida você se sentiu mais você mesmo, e o que estava acontecendo ali? E quando diz que quer ser interessante para si, o que exatamente falta hoje, tédio, sensação de vazio, ou uma cobrança de ser diferente do que é?

    Se essa pergunta vem acompanhada de uma insatisfação mais antiga com quem você é, vale investigar isso com profundidade num espaço terapêutico, porque aí a questão deixa de ser sobre habilidade social e passa a ser sobre a relação que você construiu consigo mesmo. Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Boa tarde, tudo bem? Entendo o que você está sentindo, e sua pergunta é bem formulada, então vou tentar ser preciso com ela. Antes de tudo, uma diferenciação importante: perfeccionismo e TOC não são a mesma coisa, ainda que possam se parecer vistos de fora e, em alguns casos, coexistir.

    O perfeccionismo costuma funcionar como um traço, uma exigência interna de fazer certo, e a pessoa em geral concorda com essa exigência, mesmo sofrendo com ela. Já o transtorno obsessivo-compulsivo envolve obsessões, que são pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos e indesejados que invadem a mente e geram angústia intensa, e compulsões, que são atos ou rituais (inclusive mentais) executados para aliviar essa angústia, quase sempre reconhecidos pela própria pessoa como excessivos ou sem lógica. A diferença central está menos no conteúdo e mais na função: no perfeccionismo você quer fazer bem feito; no TOC você precisa fazer para que a ansiedade baixe, e o alívio dura pouco, o que realimenta o ciclo. A intolerância à incerteza que você descreve aparece nos dois cenários, e é justamente por isso que a avaliação precisa ser cuidadosa.

    Alguns pontos que costumam servir de sinal de alerta e que vale a pena você observar em si: esses comportamentos tomam tempo significativo do seu dia? Você sente que não consegue parar mesmo reconhecendo que aquilo é exagerado? Existe prejuízo real no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos? E os pensamentos que aparecem em meio à incerteza, eles são desejados por você ou invadem contra a sua vontade?

    Preciso ser honesto quanto a um limite ético e técnico: não é possível confirmar nem descartar TOC por escrito, à distância. Isso exige avaliação clínica e, dependendo do que for encontrado, uma avaliação psiquiátrica associada. O que posso dizer é que a hora de buscar ajuda não é quando o quadro fecha um diagnóstico, e sim quando o sofrimento já está atrapalhando a vida, e pelo que você descreve, ele já está pedindo espaço. Caso precise, estou à disposição.


  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Sua pergunta é excelente e toca num ponto que costuma gerar bastante confusão, então vale começar desfazendo uma premissa: crenças disfuncionais não funcionam como um arquivo que se apaga e deixa de existir. O que acontece na terapia é outra coisa, e entender isso muda bastante a forma de lidar com recaídas.

    Quando trabalhamos crenças centrais e intermediárias, não estamos deletando um aprendizado antigo, estamos construindo um aprendizado novo que passa a competir com ele. A crença antiga costuma ter se formado cedo, foi repetida por anos e associada a muitas situações, o que a torna uma resposta automática bem consolidada. A crença nova nasce depois, com menos histórico, e precisa de repetição e de experiências que a confirmem para ganhar força. Em situações de estresse alto, privação de sono, cansaço, ou em contextos muito parecidos com aqueles em que a crença antiga se formou, é comum que ela reapareça, porque é a via mais rápida e mais treinada. Isso não significa que o trabalho foi perdido.

    O que muda de verdade com um bom processo terapêutico é a intensidade com que a pessoa acredita naquilo, o tempo que leva para se recuperar quando a crença reaparece, e a capacidade de reconhecê-la como uma interpretação e não como um fato. Um paciente que antes passava semanas afundado num "eu não presto" e depois passa a identificar esse pensamento em minutos, questioná-lo e seguir agindo diferente, mudou muito, ainda que o pensamento apareça de vez em quando. Sob essa ótica, recaída deixa de ser fracasso e vira material de trabalho, inclusive de prevenção.

    Fica uma provocação: o que exatamente você está chamando de "mudar", a ausência total do pensamento ou a perda do poder que ele tem sobre suas escolhas? Quando a crença antiga voltou, o que estava acontecendo na sua vida naquele momento? E o que você fez de diferente dessa vez, comparado a como reagia antes?

    Se essa dúvida nasce da sua própria experiência num processo terapêutico, vale levar exatamente essa pergunta para o espaço da terapia, porque é ali que dá para mapear os gatilhos específicos e construir um plano de manutenção. Caso precise, estou à disposição.


  • Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente,

    Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente, mais faz três dias que minhas crises voltaram, a angústia, coração acelerado , a cabeça dói, o entalo , oque fazer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Oi, tudo bem? Li com atenção o que você escreveu e imagino o susto que isso deve ter sido: depois de meses se sentindo bem e reencontrando vontade de viver, ver a angústia, o coração acelerado e o entalo voltarem em poucos dias assusta, e traz junto o medo de estar voltando à estaca zero.

    A primeira coisa que preciso dizer com clareza é que qualquer avaliação sobre a medicação, dose ou ajuste é do médico que prescreveu, e esse contato merece ser feito logo, sem esperar a próxima consulta agendada. Existem várias possibilidades diferentes por trás do que você descreve, e nenhuma delas se define por escrito, à distância. O que posso afirmar com segurança é o que não fazer: não mude a dose, não pule doses e não interrompa o remédio por conta própria, porque isso costuma piorar o quadro.

    Do ponto de vista psicológico, vale olhar também para o contexto. Sintomas costumam responder a acontecimentos, e três dias é um recorte curto e bem específico. Aconteceu alguma coisa nesse período, alguma mudança na rotina, no sono, alguma notícia, alguma sobrecarga? Você percebe algum tema que se repete nos momentos em que a crise aparece? E como tem sido sua relação com o medo de que a melhora não dure?

    Uma coisa importante: a volta dos sintomas depois de um período bom não apaga o que você conquistou e não significa que o tratamento falhou. Costuma significar que algo precisa de ajuste, seja na medicação, seja no cuidado psicológico, que trabalha justamente aquilo que o remédio sozinho não alcança. Procure seu médico nos próximos dias e, se ainda não tem acompanhamento psicoterapêutico, considere associar, porque a combinação costuma dar resultados mais estáveis. Caso precise, estou à disposição.


  • Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr

    Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem por aí? Li o que você escreveu e percebo que, por trás dessa pergunta que parece uma questão de custo e benefício, existe uma dor bem concreta: você investiu, se aproximou de verdade, e viu pessoas irem embora mais de uma vez.

    A conclusão que você tirou faz todo sentido como proteção. Quando um vínculo se rompe, dói, e a mente busca uma regra que impeça a dor de se repetir. "É melhor ser sozinho e autossuficiente" é uma regra assim, e ela funciona, mas a um preço alto, porque protege da perda ao custo da conexão, e conexão é uma necessidade humana básica, não um luxo emocional. O detalhe é que essa regra costuma se confirmar sozinha: quanto menos você se aproxima, menos vínculos profundos constrói, e mais evidências acumula de que vínculo não dura.

    Tem outro ponto que vale considerar. Amizades adultas mudam de forma pela própria estrutura da vida adulta, mudanças de cidade, de emprego, casamentos, filhos, e um afastamento por essas razões não é a mesma coisa que rejeição, ainda que a sensação se pareça. Também vale questionar a ideia de "preencher lacunas": pessoas não são peças intercambiáveis, e quando pensamos nelas assim, a saída de alguém vira prova de que nada vale a pena, em vez de ser a perda específica daquela pessoa.

    Pensando no seu caso: quando um amigo se afasta, o que você conta a si mesmo sobre o motivo, e essa explicação costuma falar mais sobre você ou sobre a circunstância? Existiu alguma relação que durou, e o que havia de diferente nela? E o que você perde, no dia a dia, vivendo no modo autossuficiente?

    Essa forma de olhar os vínculos costuma ter história, e é um material bastante rico para um processo terapêutico, no qual dá para entender de onde vem o padrão e experimentar outras possibilidades com apoio. Caso precise, estou à disposição.


  • Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "cert

    Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "certo" mas as vezes esqueço por 1 a 2 horas no MÁXIMO, além disso eu sempre uso camisinha do início ao fim e também faço coito interrompido, existe alguma chance mesmo assim de engravidar? Sou muito paranóica com isso e acho que as vezes acabo estragando o momento por pensar demais e ficar com medo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Oi, espero que esteja bem. Vou dividir sua pergunta em duas partes, porque elas pedem cuidados diferentes, e quero ser honesto com você sobre o que cabe a mim responder.

    A parte sobre eficácia do anticoncepcional, atraso de horário e chance de gravidez é uma questão médica, e quem pode te responder isso com segurança é um ginecologista. Sou psicólogo, então qualquer número que eu desse aqui seria irresponsável. O que noto, e aí sim entro no meu campo, é que você já utiliza mais de um método ao mesmo tempo e ainda assim o medo permanece, e isso sugere que a resposta que você procura talvez não seja informativa.

    Esse detalhe é importante. Quando a ansiedade se organiza em torno da busca por certeza absoluta, nenhuma informação é suficiente por muito tempo. A pessoa pesquisa, pergunta, recebe uma resposta tranquilizadora, sente alívio por algumas horas, e a dúvida volta com outra roupagem, no formato "mas e se...". Cada checagem alivia no momento e, ao mesmo tempo, ensina o cérebro que aquilo era mesmo perigoso, o que fortalece o ciclo. Por isso o caminho costuma não ser conseguir mais garantias, e sim desenvolver tolerância à incerteza, que é uma habilidade treinável.

    Algumas perguntas para observar em si: além dessa situação, existem outros assuntos em que você também precisa de certeza absoluta antes de conseguir relaxar? O que você imagina que aconteceria se permitisse ficar com a dúvida sem checar? E quando o medo aparece durante a intimidade, o que exatamente passa pela sua cabeça naquele instante?

    Vale procurar um ginecologista para resolver a parte técnica de uma vez, e considerar acompanhamento psicológico para a parte que a informação não resolve, porque esse padrão tende a se espalhar para outras áreas quando não é cuidado. Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Essa é uma preocupação bastante legítima, porque infelizmente ainda existe um preconceito difundido, inclusive dentro da própria psicologia, em relação a configurações de relacionamento que fogem do modelo monogâmico tradicional. Dito isso, a boa notícia é que cada vez mais profissionais têm se atualizado e ampliado o repertório para acolher diferentes arranjos afetivos sem julgamento, então não é incomum encontrar terapeutas de casal preparados para trabalhar com relacionamentos abertos.

    Ainda assim, vale a pena, sim, buscar um pouco de informação antes de marcar a primeira sessão, seja perguntando diretamente ao profissional se ele já atendeu casais com esse tipo de configuração, seja observando como ele se posiciona sobre o tema em conteúdos públicos, quando disponíveis. Isso não é desconfiança excessiva, é uma forma de garantir que vocês cheguem num espaço onde se sintam à vontade para trazer os dilemas reais da relação, sem gastar as primeiras sessões justificando ou defendendo a própria forma de amar.

    O que mais pesa nesse receio de vocês, é o medo de julgamento moral em si, ou a preocupação de que o terapeuta não entenda as nuances específicas dos dilemas que vocês querem trabalhar? E hoje, esses dilemas que motivaram a busca por terapia, eles têm mais a ver com a dinâmica aberta em si ou com questões que poderiam surgir em qualquer relacionamento?

    Encontrar esse encaixe certo pode levar uma ou duas tentativas, mas vale a pena persistir até achar um profissional com quem vocês dois se sintam genuinamente respeitados. Caso precise, estou à disposição.


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos? Crenças da baixa autoestima como: "eu sou feio", "ninguém vai me amar e me achar atraente". Crenças da depressão como: "Sou inútil", "ninguém gosta de mim", "não sou bom o suficiente", "todos são melhores do que eu". E crenças e pensamentos da ansiedade social como: "Estão me julgando", "Eu tenho que agradar todo mundo", "se me criticarem, significa que sou ruim".

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Essas três dificuldades que você trouxe, baixa autoestima, ansiedade social e depressão, costumam caminhar juntas justamente porque compartilham uma base parecida de crenças negativas sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o futuro, que vão se retroalimentando ao longo do tempo. Quando a pessoa acredita profundamente que é inútil ou pouco atraente, tende a evitar situações sociais por medo do julgamento, e essa evitação reforça o isolamento e a sensação de não pertencer, o que por sua vez alimenta ainda mais os pensamentos depressivos.

    O trabalho terapêutico nesses casos costuma olhar para essas crenças centrais como um conjunto interligado, e não como três problemas separados, ajudando a pessoa a perceber os padrões automáticos de pensamento assim que eles aparecem, questionar o quanto eles realmente correspondem à realidade e, aos poucos, construir experiências que contradigam essas ideias tão arraigadas. Isso não acontece apenas conversando sobre o problema, mas testando essas crenças na prática, em pequenas situações do dia a dia que vão mostrando à pessoa uma versão diferente de si mesma.

    Você consegue identificar qual dessas crenças aparece primeiro quando está mal, a sensação de ser inútil, o medo do julgamento ou a ideia de não ser atraente? E quando alguém demonstra afeto ou reconhecimento por você, o que geralmente passa pela sua cabeça nesse momento, você consegue acreditar naquilo ou logo vem um pensamento que desconfirma?

    Esse tipo de entrelaçamento entre diferentes sofrimentos costuma se beneficiar bastante de um acompanhamento constante, onde dá para ir ajustando o foco conforme o que pesa mais em cada momento. Caso precise, estou à disposição.


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Oi, tudo bem? Entendo o que você está sentindo ao perceber que esses três aspectos parecem se misturar e se alimentar mutuamente, isso é bastante comum e tem uma explicação: baixa autoestima, ansiedade social e depressão costumam compartilhar as mesmas raízes, geralmente crenças antigas sobre não ser bom o suficiente ou não merecer aceitação, que se manifestam de formas diferentes dependendo da situação.

    Na prática, o processo terapêutico não trata cada um separadamente como se fossem compartimentos isolados, mas busca entender como esses pensamentos se conectam e se reforçam, criando um ciclo onde o medo do julgamento leva ao isolamento, o isolamento alimenta a tristeza, e a tristeza reforça a crença de que não se é suficiente. Ao identificar esse ciclo, fica mais fácil interromper o ponto que está causando mais sofrimento no momento.

    Nos últimos tempos, você sente que um desses três aspectos vem pesando mais do que os outros, ou eles aparecem sempre juntos? E o que você imagina que mudaria na sua vida se essas crenças perdessem força?

    Esse é um processo que costuma exigir tempo e continuidade, já que lida com padrões formados ao longo de anos, e um acompanhamento profissional ajuda a sustentar essa mudança com mais consistência. Caso precise, estou à disposição.


  • Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas cris

    Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas crises psicóticas (esquizofrenia em questionamento)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Li com atenção o que você compartilhou, e antes de tudo quero dizer que o que você está vivendo, tanto em relação às crises quanto à dinâmica com seus pais, merece um cuidado bem próximo e individualizado, que eu não consigo oferecer com segurança aqui, num espaço público e à distância.

    Como você menciona que a hipótese de esquizofrenia ainda está em investigação e que está passando por crises, o mais importante agora é garantir que você esteja em acompanhamento psiquiátrico ativo, ou retomar esse acompanhamento o quanto antes caso não esteja. Esse suporte médico é essencial nesse momento, tanto para cuidar das crises quanto para ter um profissional acompanhando de perto como o ambiente em casa pode estar influenciando o seu quadro.

    Sobre a relação com seus pais, entendo que ela parece estar pesando muito para você, e esse tipo de dinâmica familiar complexa, especialmente quando se mistura com um momento de instabilidade, realmente merece ser trabalhada com cuidado dentro de um acompanhamento terapêutico contínuo, onde dá para olhar com mais segurança para o que é da relação e o que é da própria crise, sem que você precise elaborar isso sozinho.

    Se você já está em acompanhamento, é importante levar exatamente o que trouxe aqui para o seu psiquiatra e, se tiver, para seu psicólogo, com a maior brevidade possível. Caso precise, estou à disposição.


  • Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e c

    Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Boa tarde, tudo bem? A combinação de anedonia, falta de motivação e falta de energia costuma ser um dos aspectos mais desgastantes da depressão, porque cria um paradoxo, a pessoa sabe racionalmente que fazer certas atividades poderia ajudar, mas simplesmente não sente vontade ou energia para dar o primeiro passo, o que muitas vezes gera ainda mais culpa e reforça a crença de ser incapaz ou preguiçoso.

    O trabalho terapêutico nesse ponto costuma começar de forma bem gradual, com pequenas ativações comportamentais que não dependem de motivação para acontecer, já que a motivação tende a vir depois da ação, e não antes dela como normalmente se espera. Paralelamente, as crenças centrais, como "eu sou incapaz" ou "nada vai melhorar", vão sendo identificadas e testadas frente a experiências reais, para que a pessoa possa, aos poucos, provar a si mesma o contrário do que a depressão insiste em afirmar.

    Você consegue lembrar de algum momento recente, mesmo pequeno, em que conseguiu fazer algo apesar da falta de energia? E quando pensa em atividades que antes gostava, o que vem primeiro, a falta de vontade de fazer ou já a sensação de que não vai sentir prazer mesmo fazendo?

    Esse ciclo entre falta de energia, falta de motivação e crenças negativas tende a se manter até que algo de fora ajude a quebrá-lo, e um acompanhamento terapêutico é justamente esse suporte externo que ajuda a sustentar os primeiros passos até que eles comecem a fazer sentido de novo. Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi

    Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Li com atenção o que você compartilhou, e percebo o quanto essa fase está sendo intensa para você. É comum que uma mudança tão grande quanto uma gravidez, somada a uma vida ainda pouco vivida socialmente, mexa profundamente com a sensação de quem somos e do que é nosso. Essa sensação de que a vida que está por vir pertence ao bebê e não a você não significa que seus planos deixaram de existir, mas sim que, nesse momento, o medo do desconhecido está falando mais alto que a possibilidade.

    Vale lembrar que identidade e maternidade não são projetos concorrentes, ainda que às vezes pareçam se chocar quando a pessoa nunca teve espaço para se conhecer fora de casa, do trabalho ou das expectativas da família. O fato de você ter tomado a decisão de se mudar, mesmo em meio a tanta insegurança, mostra uma capacidade de cuidar de si e do bebê que talvez você ainda não tenha reconhecido em si mesma. Isso não surge do nada, é fruto de uma força que você já tem, mesmo que agora esteja difícil de sentir.

    Como seria dar um espaço, mesmo pequeno, só para você dentro dessa nova rotina que está se formando? O que na sua vida antes da gravidez você sente que ainda não teve chance de experimentar, e que talvez ainda possa, de outras formas, mesmo com o bebê a caminho? E como tem sido lidar com a decisão de se afastar da sua mãe nesse momento, existe alguém mais próximo com quem você consiga dividir o que está sentindo?

    Esse turbilhão de sentimentos contraditórios, medo, desespero, tentativa de se adaptar, tudo isso pede um espaço de acompanhamento mais próximo, onde você possa elaborar com calma o que está mudando dentro e fora de você. Um processo terapêutico ajudaria a organizar esses pensamentos e a construir, aos poucos, uma vida que seja sua e do bebê ao mesmo tempo, sem que uma coisa precise anular a outra. Caso precise, estou à disposição.


  • Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou

    Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou 100mg de sertralina, mas não resolveu. Faz 3 anos que eu não vou a escola por conta dessa ansiedade. Tenho medo do julgamento, medo do que os outros estão pensando, medo de ser rejeitado, criticado, medo de desagradar alguém, autoestima baixa. Quando alguém me chama para sair, ir em algum evento, festas ou um jogo de futebol, eu nunca vou por conta dessa ansiedade. Já passei por 2 psicólogas da TCC, mas eu parei de fazer terapia porque eu achei que não estava resolvendo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Oi, tudo bem? Entendo o que você está sentindo, e é importante reconhecer o quanto deve ser cansativo lidar com um medo tão constante do julgamento por tanto tempo, ainda mais depois de já ter buscado ajuda e sentir que não funcionou. A ansiedade social costuma se sustentar num ciclo em que o medo de ser avaliado leva a evitar situações, e essa evitação, embora traga alívio no momento, acaba reforçando a crença de que aquele ambiente é perigoso, tornando o próximo contato ainda mais assustador.

    O trabalho terapêutico nesse tipo de quadro costuma unir a reestruturação gradual dos pensamentos automáticos de julgamento com uma exposição bem planejada às situações temidas, feita em pequenos passos e no ritmo que a pessoa consegue sustentar, além de um cuidado importante com a autoestima e com a forma como você fala consigo mesmo diante do medo de desagradar. A medicação pode ajudar a reduzir a intensidade fisiológica da ansiedade, mas raramente resolve sozinha o padrão de evitação que se instalou ao longo de anos, por isso ela costuma funcionar melhor quando caminha junto com o processo terapêutico, não no lugar dele.

    Você chegou a entender com as duas psicólogas anteriores o que especificamente não estava funcionando, era a abordagem, o vínculo, o ritmo proposto? E hoje, quando imagina voltar a fazer algo que evita há tanto tempo, o que exatamente aparece primeiro, o medo do julgamento em si ou a lembrança de já ter tentado e não ter dado certo antes?

    Três anos é bastante tempo evitando ir à escola, e isso tende a criar camadas adicionais, como a preocupação de estar "atrasado" ou diferente dos colegas, que também merecem espaço na terapia. Retomar o acompanhamento com alguém que você sinta que entende esse histórico pode fazer diferença, principalmente se o encaminhamento for lento e respeitar o que você já viveu com as tentativas anteriores. Caso precise, estou à disposição.


  • A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediá

    A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais sozinho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Boa tarde, tudo bem? Essa é uma pergunta importante, porque ajuda a entender melhor o que de fato acontece dentro de um processo terapêutico. Na prática, o psicólogo não ensina a pessoa a mudar sozinha suas crenças centrais e intermediárias como quem passa uma técnica pronta para ser aplicada em casa sem acompanhamento, o trabalho é mais colaborativo do que isso. O terapeuta ajuda a identificar essas crenças, muitas vezes formadas ainda na infância ou em experiências marcantes, e a testar, junto com o paciente, o quanto elas realmente se sustentam diante da realidade atual.

    Esse processo de questionar e reconstruir crenças tão arraigadas costuma levar tempo, porque não basta entender racionalmente que um pensamento é distorcido, é preciso vivenciar repetidas situações em que a nova forma de pensar se mostre mais verdadeira do que a antiga, e isso normalmente acontece de forma mais consistente com alguém acompanhando o processo do que sozinho. Fora da sessão, a pessoa pratica sim, observa seus pensamentos, testa novas formas de agir, mas sempre trazendo essas experiências de volta para serem revisadas e ajustadas junto ao profissional.

    O que te fez pensar nessa possibilidade de fazer essa mudança sozinho, você já tentou algo parecido antes? E hoje, quando percebe um pensamento automático negativo sobre si mesmo, você consegue identificar de onde ele parece vir, ou ele simplesmente aparece sem que você entenda a origem?

    Vale lembrar que crenças centrais costumam ser mais resistentes justamente por estarem instaladas há muito tempo, então buscar apoio profissional nesse processo não é sinal de fraqueza, é reconhecer a complexidade do próprio funcionamento mental. Caso precise, estou à disposição.


  • Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessid

    Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessidade de agradar a todos, crenças como: "eu tenho que agradar todo mundo", "se eu não agradar todo mundo, ninguém vai gostar de mim". Esses medos e essas crenças estão me atrapalhando muito na minha vida pessoal e nos esportes também

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Essas crenças que você descreveu, "eu tenho que agradar todo mundo" e "se eu não agradar, ninguém vai gostar de mim", são um exemplo bem claro do que chamamos de crenças intermediárias, regras rígidas que a pessoa cria para tentar se proteger de uma dor mais antiga, geralmente ligada ao medo de rejeição ou de não ser suficiente do jeito que é. O problema é que essas regras, embora pareçam proteger, na prática aprisionam, porque tornam impossível qualquer situação em que alguém discorde de você ou fique insatisfeito, o que é inevitável em qualquer relação humana.

    No trabalho terapêutico, essas crenças costumam ser exploradas primeiro identificando os momentos exatos em que elas aparecem, seja numa conversa, numa partida esportiva ou numa decisão pessoal, e depois testando o quanto elas realmente correspondem à realidade. Frequentemente a pessoa descobre que discordâncias ou críticas pontuais não têm o peso catastrófico que a mente antecipa, e que é possível ser respeitado e querido mesmo desagradando alguém eventualmente. Esse processo de flexibilizar a crença, em vez de simplesmente convencer a mente racionalmente, é o que costuma trazer alívio duradouro.

    Você consegue identificar de onde veio essa ideia de que precisa agradar todo mundo o tempo todo, teve alguma experiência específica na infância ou adolescência que reforçou isso? E no esporte, quando sente que não está agradando ou que pode ser criticado, o que você imagina que vai acontecer depois, o que exatamente teme perder?

    Essas crenças tendem a se manter fortes justamente porque parecem lógicas por dentro, mesmo sendo desgastantes por fora, e um acompanhamento terapêutico ajuda a olhar para elas com mais distância e construir formas mais leves de se relacionar consigo mesmo e com os outros. Caso precise, estou à disposição.


  • bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu re

    bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu reprovo , o que posso fazer para melhorar.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Oi, tudo bem? Entendo a frustração de reprovar repetidamente num teste que parece simples à primeira vista, mas que na verdade exige uma coordenação bem específica entre percepção visual, controle motor e regulação da ansiedade no momento da prova. Ser canhota pode sim tornar esse tipo de teste mais desafiador, já que muitos materiais e a própria disposição da folha costumam ser pensados a partir do padrão destro, o que exige um ajuste extra de postura e ângulo de traçado que nem sempre é considerado na aplicação.

    Além da questão motora, vale observar o quanto a ansiedade da situação de avaliação em si pode estar interferindo no resultado, porque é comum que o corpo fique mais tenso justamente no momento em que mais precisamos de precisão, e essa tensão acaba se refletindo direto no traço. Treinar o gesto fora do contexto de prova, num ritmo calmo e sem a pressão de ser avaliada, tende a ajudar o corpo a memorizar o movimento com mais soltura, para que ele fique mais automático quando a exigência de acertar entra em jogo.

    Você percebe que o erro acontece mais pela dificuldade motora em si, pela pressa de terminar rápido, ou pela ansiedade de ser avaliada nesse momento? E antes do teste, como costuma estar seu estado emocional, você sente o corpo mais tenso, a respiração mais curta?

    Se mesmo praticando com calma essa dificuldade persistir, uma avaliação neuropsicológica pode ajudar a entender melhor se há algum aspecto específico de coordenação visomotora que mereça um trabalho mais direcionado. Caso precise, estou à disposição.


  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Entendo o que você está sentindo, e é importante dizer com clareza que se preocupar com a própria aparência ou com a imagem que passa para alguém, mesmo um antigo paquera, sem nenhuma intenção de se aproximar dessa pessoa, não configura traição. Traição envolve uma ação concreta que rompe um acordo de exclusividade e confiança dentro da relação, e pensamentos ou preocupações estéticas isoladas, por mais desconfortáveis que sejam, não se encaixam nisso.

    O que você descreve parece muito mais ligado a uma preocupação excessiva com a opinião alheia e talvez a uma insegurança de fundo sobre o próprio valor, que faz com que qualquer situação de possível avaliação, mesmo antiga e sem significado real hoje, ative um desconforto grande. Isso pode estar relacionado tanto a padrões de ansiedade quanto a questões de autoestima, e também pode ter uma característica mais próxima de pensamentos intrusivos, quando a culpa aparece de forma desproporcional e repetitiva mesmo sem uma ação correspondente.

    Você sente que essa preocupação com a opinião dos outros aparece só nessas situações específicas ou costuma se repetir em outras áreas da sua vida também? E essa culpa que você sente, ela vem mais de um valor que você mesma acredita ter sido ferido, ou da imaginação do que a outra pessoa, seu parceiro, poderia pensar se soubesse?

    Vale a pena observar esse padrão com mais cuidado, porque entender a origem dessa culpa pode aliviar bastante esse peso que você carrega sem necessidade. Caso precise, estou à disposição.


Perguntas frequentes

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