Perguntas do paciente (254)

  • Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d

    Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.

    Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.

    Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.

    Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Antes de mais nada, obrigado por confiar esse relato tão detalhado, porque não é fácil colocar em palavras algo tão desconfortável quanto imagens que invadem a mente sem aviso.

    Pelo que você descreve, dá para perceber um padrão de pensamentos intrusivos, imagens rápidas e indesejadas que geram um mal-estar tão grande que o corpo reage tentando neutralizar aquilo, seja conferindo, seja trancando a porta, seja evitando situações. Isso, somado às experiências que você teve quando criança, sugere que existe uma teia mais ampla por trás desses episódios, que merece ser compreendida com cuidado e profundidade.

    Você tem se sentido seguro para falar sobre isso com alguém de confiança? Existe algum momento do dia ou situação que costuma anteceder o flash, ou eles chegam do nada? E além dessas cenas, você percebe outros pensamentos repetitivos ou algum ritual que sente necessidade de fazer para aliviar a ansiedade?

    Esse tipo de vivência merece ser olhado de perto, e o caminho mais seguro é buscar uma avaliação psicológica aprofundada o quanto antes, já que os episódios estão acontecendo várias vezes ao dia. Dependendo do que essa investigação revelar, uma avaliação psiquiátrica complementar também pode ser importante. Caso precise, estou à disposição.


  • Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento. Há alguns anos comet

    Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento.

    Há alguns anos cometi uma infidelidade com uma pessoa do meu passado. Meu companheiro me perdoou e seguimos juntos, mas eu nunca consegui me perdoar.

    Recentemente imaginei como minha vida poderia ter sido se eu tivesse ficado com essa pessoa. Foi apenas um pensamento hipotético, e logo pensei que sou feliz no meu relacionamento atual. Mesmo assim, senti uma culpa muito intensa, como se esse pensamento significasse que fiz algo errado novamente.

    Esse tipo de pensamento pode ser uma manifestação do TOC ou pode indicar que ainda tenho algum sentimento por essa pessoa? Como lidar com essa culpa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Boa tarde, tudo bem? Obrigado por confiar algo tão delicado aqui. Vou responder com cuidado, e já adianto que uma parte da minha resposta pode parecer contraintuitiva.

    O fenômeno que você descreve tem nome na literatura: fusão pensamento-ação, a sensação de que ter um pensamento equivale moralmente a praticá-lo, ou de que pensar aumenta a chance de que aquilo aconteça. É um dos mecanismos centrais do TOC, e explica por que um pensamento hipotético, que outra pessoa teria e esqueceria em segundos, gera em você uma culpa tão intensa quanto a de um ato real. A mente humana produz pensamentos aleatórios o tempo todo, inclusive absurdos e indesejados. A diferença é que, num funcionamento obsessivo, esses pensamentos são lidos como significativos e reveladores do caráter, e é daí que vem a angústia e a necessidade urgente de resolver a dúvida.

    Aqui está a parte contraintuitiva. Se eu te garantisse agora que aquilo não significa nada e que você não sente mais nada por essa pessoa, você provavelmente teria alívio por um tempo curto e a dúvida voltaria, talvez com outra pergunta. Isso acontece porque a busca por certeza é justamente o combustível do ciclo obsessivo. O trabalho terapêutico eficaz para TOC caminha na direção oposta, ajudando a pessoa a conviver com a dúvida sem precisar resolvê-la, até que o pensamento vá perdendo o poder que tem hoje.

    A culpa que não passa merece atenção à parte. Você diz que seu companheiro perdoou e que você não conseguiu, e isso costuma ter menos a ver com o episódio em si e mais com a relação que você tem consigo mesma, com o quanto se permite errar e seguir. Vale se perguntar: o que exatamente você precisaria fazer ou sentir para se considerar perdoada? Se uma amiga muito querida te contasse essa mesma história, o que você diria a ela? E o que essa culpa tem te poupado de encarar?

    Como você já tem o diagnóstico, o caminho mais consistente é levar esse tema específico para um acompanhamento psicoterapêutico voltado ao TOC, que trabalha exatamente esse tipo de conteúdo e a culpa que vem junto. Caso precise, estou à disposição.


  • Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi

    Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto.
    Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, espero que esteja bem. O que você descreve é mais comum do que parece, e acho importante começar validando: estranhar a calma não é sinal de que algo está errado com você, é sinal de quanto tempo você viveu em estado de alerta.

    Quando alguém convive muitos anos com ansiedade generalizada, a vigilância deixa de ser apenas um sintoma e vira quase uma identidade. A pessoa se acostuma a antecipar problemas, a estar sempre pronta, e passa a interpretar essa tensão como parte de quem ela é, às vezes até como aquilo que a mantém competente e responsável. Quando esse ruído de fundo baixa, sobra um silêncio interno desconhecido, e o desconhecido incomoda mesmo quando é melhor. Daí a sensação de "não sou eu", que costuma ser, na verdade, "não é o que eu estava acostumada a ser".

    Existe uma distinção que vale observar com atenção e levar para sua psiquiatra: calma não é a mesma coisa que embotamento. Sentir-se tranquila e ainda assim conseguir se emocionar, se alegrar, se irritar quando faz sentido e se interessar pelas coisas é o efeito esperado. Sentir-se anestesiada, indiferente ao que antes importava ou incapaz de sentir prazer é outra coisa, e isso merece ser relatado. Pelo que você conta, parece mais o primeiro caso, mas quem confirma é quem acompanha você de perto.

    Sobre a tristeza que aparece quando você para para pensar, ela também tem sentido. É comum surgir uma espécie de luto ao perceber quanto tempo se viveu sofrendo à toa, junto de uma pergunta incômoda sobre quem se é sem aquilo. Esse é um material excelente para levar para a sua psicóloga, que já conhece sua história e pode trabalhar essa readaptação com você. Aproveite esse espaço, porque as duas orientações que você recebeu fazem sentido e caminham na mesma direção.

    Fica uma reflexão para levar junto: o que você fazia com toda a energia que a ansiedade consumia, e o que gostaria de fazer com ela agora? Quem é você quando não está se preparando para um problema? Caso precise, estou à disposição.


  • Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gosta

    Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gostaria de saber se a Terapia DBT é adequada, mesmo que eu não tenha borderline.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Entendo sua busca, e a pergunta é tecnicamente pertinente: a Terapia Comportamental Dialética não é exclusiva para transtorno de personalidade borderline, embora tenha nascido nesse contexto. Ela foi desenvolvida em torno de um conjunto específico de habilidades (regulação emocional, tolerância ao mal-estar, atenção plena e efetividade interpessoal), e esse conjunto se mostrou útil em quadros marcados por desregulação emocional intensa e impulsividade, o que inclui, para muitas pessoas, tanto o TDAH quanto o transtorno bipolar.

    Vale entender também por que a TCC não tem funcionado como esperado para você, porque isso ajuda a escolher o próximo passo com mais precisão. Às vezes o problema não é a abordagem em si, mas o foco que ela teve: TCC tradicional trabalha bastante a reestruturação de pensamentos, enquanto DBT investe mais diretamente em habilidades comportamentais concretas para lidar com a emoção no momento em que ela está transbordando, o que costuma fazer diferença em quadros com desregulação mais intensa.

    Algumas perguntas que podem te ajudar a organizar essa conversa: quando você diz que a TCC não ajuda muito, é porque as estratégias não fazem sentido para o seu dia a dia, ou porque você entende a teoria mas não consegue aplicá-la no calor da emoção? Existe algum momento específico (crise de humor, impulsividade, conflito) em que você sente mais falta de ferramentas?

    O melhor caminho aqui é levar essa reflexão para quem já te acompanha, seja para reavaliar o foco da terapia atual, seja para considerar migrar para um profissional com formação específica em DBT, e alinhar isso também com sua psiquiatra, já que TDAH e bipolaridade costumam pedir acompanhamento medicamentoso conjunto. Caso precise, estou à disposição.


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Antes de tudo, obrigado por confiar algo tão difícil aqui, especialmente depois de uma experiência tão ruim ao tentar buscar ajuda antes. Aquela pergunta que você recebeu foi inadequada e não reflete como esse tipo de relato deveria ser acolhido, e sinto muito que isso tenha te afastado de buscar apoio por tanto tempo.

    O que você descreve tem uma diferença importante que vale destacar: você não buscou aquele conteúdo por desejo, se deparou com ele, sentiu repulsa imediata, interrompeu sozinha e isso desencadeou sofrimento intenso. Isso é bem diferente do padrão que a palavra "vício" costuma descrever, e a culpa que você sente parece estar muito mais ligada ao choque e ao medo do que ao ato em si. A mente, quando exposta a algo perturbador, às vezes reage com essa sensação de "sujeira" mesmo quando a pessoa não fez nada além de se afastar, e isso pode se intensificar bastante em quem já convive com depressão e ansiedade.

    Também noto que você carrega uma pergunta mais antiga, sobre a própria sexualidade e sobre não ter tido experiências, que talvez tenha ficado sem espaço desde aquele primeiro atendimento. Vale se perguntar: essa culpa que você sente é sobre o que aconteceu na semana passada, ou é mais antiga e esse episódio só reacendeu? O que você imagina que precisaria acontecer para se sentir limpa dessa sensação de novo?

    Você já reconhece que precisa de terapia, e concordo, mas gostaria de reforçar um ponto: encontrar um profissional que acolha esse tema sem julgamento é tão importante quanto a técnica utilizada, então não hesite em trocar se sentir de novo que não está sendo bem recebida. Isso não é fracasso seu, é sobre encontrar o encaixe certo. Caso precise, estou à disposição.


  • Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro,

    Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro, um pombo, um gato, etc....Qual especialista devo procurar?
    Muito obrigado

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Boa tarde, tudo bem? Que bom que você está atento a isso e buscando orientação, esse cuidado já faz diferença para sua filha. Pelo que você descreve (reação de pânico com o corpo travando e gritos diante de cachorros, pombos, gatos), o quadro tem características de uma fobia específica, que é uma das condições mais tratáveis na infância quando bem conduzida.

    O ideal é buscar um psicólogo infantil com experiência em ansiedade e fobias específicas, que normalmente trabalha com técnicas graduais de exposição adaptadas para a idade dela, quase sempre em formato lúdico, respeitando o tempo da criança. Antes ou junto disso, pode valer também uma avaliação pediátrica, para descartar qualquer fator físico associado e para que o pediatra, se achar necessário, indique um encaminhamento complementar.

    Algumas perguntas podem ajudar você a levar informações mais completas para esse primeiro atendimento: esse medo apareceu de repente ou foi crescendo aos poucos? Houve algum episódio específico, como um susto ou uma mordida, próximo ao início disso? E fora dos animais, ela demonstra medo intenso de outras coisas, ou parece ser algo mais específico?

    Quanto antes esse tipo de fobia é trabalhada na infância, mais rápido costuma responder, então vale não esperar. Caso precise, estou à disposição.


  • Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no ence

    Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no encerramento de uma terapia que não resolveu a demanda.
    É normal o processo ser encerrado sem uma sessão de devolutiva do psicólogo? Mesmo já tendo se passado alguns meses do término, o paciente ainda tem o direito de solicitar e receber essas informações por escrito, ou o profissional pode se recusar pelo tempo decorrido?
    Eu gostaria de saber se tenho o direito de receber um relatório onde o profissional explique a visão geral dele sobre qual ele entendeu que era a minha demanda, qual seria a solução pensada por ele e quais barreiras ou limitações foram encontradas para que o processo não tenha dado certo. Também gostaria de saber se é meu direito pedir o prontuário com o histórico das sessões, contendo o que eu falei, as demandas que trouxe e as intervenções que ele fez.
    O psicólogo é obrigado por regulamentação ou código de ética a me fornecer tudo isso caso eu peça, ou é algo opcional? Se for obrigado, como essas informações devem ser entregues oficialmente: em formato digital como PDF assinado ou em papel físico impresso?
    Como preciso dessas informações para buscar uma nova ajuda especializada a partir da avaliação técnica de um profissional da saúde, o que mais seria de meu direito solicitar para me ajudar nessa transição, e também a entender toda a minha demanda a partir da visão de um profissional pra eu conseguir lidar melhor com minhas questões?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Sua pergunta é legítima e muito pertinente, e vou responder com base no que estabelece o Código de Ética Profissional do Psicólogo, do Conselho Federal de Psicologia, sendo transparente onde a resposta exige avaliação caso a caso.

    Uma devolutiva ao final do processo terapêutico é considerada boa prática técnica e ética, ainda que o código não determine um formato único e obrigatório para ela. Já o acesso a informações sobre o próprio processo é um direito seu: o paciente pode solicitar, por escrito, esclarecimentos sobre como o profissional compreendeu sua demanda e conduziu o trabalho. Quanto ao prontuário completo, com registro detalhado de cada sessão, existe uma zona mais técnica: o psicólogo tem o dever de manter esse registro e de fornecer, quando solicitado, documentos que sintetizem tecnicamente o processo (como um relatório), mas os limites exatos de acesso ao conteúdo bruto das anotações podem variar conforme a situação, e não vou te dar uma resposta definitiva aqui por não ser advogado nem estar avaliando o caso concreto.

    Meu passo sugerido é formalizar o pedido por escrito diretamente ao profissional, citando que você deseja essas informações com base no Código de Ética Profissional do Psicólogo. Caso não obtenha resposta ou sinta que o direito não está sendo respeitado, o Conselho Regional de Psicologia da sua região tem uma área de orientação e fiscalização que pode esclarecer o que é exigível e, se for o caso, mediar a situação.

    Fica uma reflexão, já que você trouxe essa dúvida junto de uma terapia que não resolveu a demanda: o que você mais precisa desse fechamento, entender tecnicamente o que aconteceu, ou ter um espaço para elaborar emocionalmente que aquele processo não deu certo? As duas coisas são legítimas, e às vezes exigem caminhos diferentes. Caso precise, estou à disposição.


  • Olá está bem difícil por aqui, pois minha filha está ficando bem irritada , as coisa Tenque ser tudo

    Olá está bem difícil por aqui, pois minha filha está ficando bem irritada , as coisa Tenque ser tudo do jeito dela , arruma uma cama tenq ser do jeito que ela bota se muda pronto já faz escândalo começa a jogar os brinquedos pro alto , as vezes que me bater me morde , as vezes colocar uma meia no pé a meia estando certa ela cisma que está errada aí começa o choro os gritos, está bem difícil até na rua agora ela está fazendo essas coisas ela tem 3 anos , ela fica tão irritada aí ponto até da cara dela ficar cm algumas placas vermelhas. Qual especialista devo procurar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Compreendo o quanto esse cenário tem sido exaustivo e desafiador para você, pois lidar com explosões intensas nessa fase exige uma carga emocional imensa de quem cuida. Pelo que você descreve, com comportamentos que envolvem morder, jogar objetos e uma rigidez muito forte em relação a como as coisas devem estar, a criança parece estar enfrentando uma sobrecarga emocional intensa diante de frustrações simples. O aparecimento das placas vermelhas na pele durante as crises é um forte indício de como o estresse físico e emocional interagem, ativando uma resposta corporal muito rápida no sistema nervoso dela que culmina nessa reatividade extrema.

    É muito importante pontuar que aos 3 anos de idade o cérebro ainda está construindo os circuitos responsáveis pela autoregulação e pelo controle dos impulsos, o que faz com que pequenos limites sejam sentidos como ameaças desproporcionais. Quando a tolerância à contrariedade é extremamente baixa, vale a pena investigar o que está por trás dessa rigidez: será que esse comportamento é uma forma de expressar um desconforto que ela ainda não consegue nomear? Como costuma ser a reação ao redor quando essas crises começam, e o que parece ajudar a desacelerar esse estado de alerta?

    Para uma avaliação precisa, recomendo que você busque inicialmente uma consulta com um médico pediatra ou um neuropediatra, que poderá examinar a saúde global dela, descartar hipóteses orgânicas e orientar os devidos encaminhamentos. Em conjunto, a avaliação com um neuropsicólogo também pode ser valiosa para compreender o desenvolvimento cognitivo e comportamental nessa faixa etária. Paralelamente, o acompanhamento psicológico infantil e a orientação aos pais oferecem ferramentas práticas para manejar essas crises com firmeza e afeto, sem que o ambiente familiar se desestruture.

    Caso precise, estou à disposição.


  • Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso ne

    Há 4 anos conheci uma garota, não chegamos a namorar, mas nunca esqueci ela, errei com ela, penso nela todo dia, até cheguei a namorar outra pessoa depois, mas nunca me senti feliz com o meu relacionamento recente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Oi, tudo bem? Percebo que você trouxe algo mais do que uma saudade comum: quatro anos é bastante tempo para uma lembrança continuar tão presente, especialmente de algo que nem chegou a se tornar um relacionamento.

    Vale separar duas coisas que costumam se misturar nesse tipo de situação. Uma é a pessoa real, com quem você teve pouco tempo de convívio e um desfecho que você descreve como um erro seu. A outra é a versão que sua mente construiu dela ao longo desses anos, que tende a ficar cada vez mais idealizada justamente por não ter sido testada na realidade do dia a dia. Relacionamentos reais, com toda a rotina e os atritos que trazem, dificilmente competem com uma possibilidade que ficou congelada no tempo, sempre perfeita porque nunca foi vivida de fato.

    Também chama atenção você dizer que nunca se sentiu feliz no relacionamento mais recente. Vale se perguntar: essa infelicidade nasceu da comparação com essa lembrança, ou existiam outras questões nesse relacionamento que pouco tinham a ver com ela? O que exatamente você sente que "errou" na época, e o que faria diferente se pudesse? E se você imaginar reencontrá-la hoje, quatro anos depois, ambos mudados, o que te atrai mais, a pessoa que ela é agora ou a lembrança de quem ela era?

    Esse tipo de apego a uma possibilidade não vivida costuma ter função de proteção contra o risco de se entregar de verdade a alguém presente, e é um tema rico para explorar em terapia, principalmente se está afetando sua capacidade de se envolver com outras pessoas. Caso precise, estou à disposição.


  • Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissiona

    Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissional deveria falar primeiro?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Boa pergunta, porque a ordem de investigação realmente importa quando várias suspeitas aparecem juntas, e não existe um único caminho certo, mas há uma lógica que costuma funcionar bem.

    O ponto de partida mais indicado costuma ser uma avaliação neuropsicológica, porque ela é desenhada justamente para investigar, de forma integrada, características de espectro autista, TDAH e também sintomas depressivos associados, ajudando a diferenciar o que é traço mais estrutural do que é reativo a um estado emocional atual. Isso evita o risco de tratar a depressão isoladamente e deixar de lado um funcionamento de base que pede outro tipo de manejo, ou o contrário, patologizar como "espectro" ou "TDAH" algo que na verdade é sofrimento emocional recente. Paralelamente, uma avaliação psiquiátrica é importante, porque a depressão, se estiver presente com intensidade, pode e deve começar a ser cuidada enquanto a investigação mais ampla acontece, sem precisar esperar um fechamento diagnóstico para buscar alívio.

    Antes dessas avaliações, o que ajuda bastante é você organizar por escrito, com calma, os sinais que te fazem suspeitar de cada uma dessas hipóteses, com exemplos concretos do dia a dia. O que te fez pensar em espectro autista especificamente? Os sintomas de desatenção ou impulsividade que você percebe são de longa data, desde a infância, ou mais recentes? E o quanto desse sofrimento atual você atribui ao humor, e o quanto à forma como você processa o mundo ao seu redor?

    Buscar acompanhamento psicológico em paralelo também faz sentido desde já, independente do resultado das avaliações, porque o sofrimento que você descreve já merece cuidado agora. Caso precise, estou à disposição.


  • Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.

    Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Boa noite, tudo bem? Obrigado por compartilhar isso, é um tema que muita gente carrega em silêncio, sem saber muito bem onde encaixar esse tipo de pensamento.

    Lembranças recorrentes de pessoas que já partiram, acompanhadas de um sentimento de pena ou pesar, costumam ser parte de um processo de luto que não terminou, mesmo quando a perda em si já ficou distante no tempo. O luto não segue uma linha reta com prazo definido, e às vezes um pensamento volta justamente porque alguma coisa ficou sem conclusão, uma despedida que não aconteceu como se gostaria, um sentimento de culpa por algo dito ou não dito, ou simplesmente porque aquela pessoa representava algo importante que ainda dói perder.

    Vale você observar com mais atenção esse padrão: esses pensamentos aparecem em momentos específicos, como à noite, sozinho, ou em situações que lembram essas pessoas? A pena que você sente é mais por elas, pelo que perderam ou deixaram de viver, ou tem também um pouco de pena por você mesmo, pela ausência que ficou? E esse sentimento vem acompanhado de outros, como culpa, saudade ou medo da própria finitude?

    Se esses pensamentos estão frequentes o suficiente para atrapalhar seu dia a dia, ou se trazem um peso que você sente difícil de carregar sozinho, vale a pena conversar com um psicólogo sobre isso, porque processos de luto mal elaborados tendem a se manifestar de formas indiretas como essa. Caso precise, estou à disposição.


  • Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando

    Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Obrigado por trazer isso com tanta honestidade, não é fácil colocar em palavras um padrão que a gente mesmo reconhece como problemático. Vou te responder de forma direta, já que sua pergunta é bem prática.

    O caminho mais indicado é buscar um psicólogo com experiência em comportamentos compulsivos, e a abordagem que costuma trazer melhores resultados para isso combina técnicas comportamentais (para entender e interromper o ciclo de gatilho, comportamento e alívio temporário) com um trabalho mais profundo sobre o que esse comportamento está regulando emocionalmente. Pelo que você descreve, o momento é bem específico: a gravidez trouxe alguma mudança, seja na disponibilidade dela, no seu papel dentro de casa, na ansiedade sobre a paternidade que se aproxima, e o celular e depois a pornografia parecem ter virado uma forma de lidar com isso.

    O tratamento, de forma geral, costuma envolver mapear com precisão os gatilhos (que horário, que emoção, que situação antecede o comportamento), construir alternativas mais saudáveis para lidar com aquela emoção específica, e trabalhar a culpa e a vergonha que costumam acompanhar esse tipo de compulsão, porque elas sozinhas não resolvem o padrão e às vezes até o alimentam.

    Fica uma reflexão: o que você sente logo antes de recorrer a isso, tédio, ansiedade, solidão, alguma sensação de estar sendo deixado de lado? E o que mudou na sua rotina ou na relação de vocês desde que ela engravidou, além do que já contou? Buscar ajuda agora, antes da chegada do bebê, é uma escolha que tende a facilitar bastante esse momento de transição para vocês dois. Caso precise, estou à disposição.


  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Sua pergunta final já aponta na direção certa: sim, isso pode estar relacionado tanto à ansiedade quanto ao TOC, e sim, é possível trabalhar isso com bons resultados.

    O que você descreve tem um nome bem específico dentro do funcionamento obsessivo: busca de reasseguramento. Diferente de uma dúvida pontual, que se resolve com uma resposta, essa busca funciona em ciclo, você pergunta, ele reafirma o perdão, você sente alívio por um tempo curto, e a dúvida retorna, geralmente pedindo por mais detalhes ou uma nova confirmação. Cada vez que você pergunta e recebe a resposta tranquilizadora, o cérebro aprende que aquela pergunta era mesmo necessária, o que fortalece o ciclo em vez de encerrá-lo. É um padrão exaustivo tanto para quem pergunta quanto para quem responde, e isso por si só já costuma gerar mais culpa ainda.

    Um ponto interessante do seu relato é que ele já perdoou e vocês já conversaram sobre o ocorrido, então o que falta não é informação, é a sua própria capacidade de aceitar esse perdão como suficiente. Vale se perguntar: quantas vezes ele precisaria confirmar para que uma confirmação bastasse? O que você teme que aconteça se parar de perguntar? E essa culpa que você carrega, ela é proporcional ao que aconteceu, ou já cresceu além disso, alimentada pelo próprio ciclo de checagem?

    O caminho mais eficaz aqui costuma envolver terapia com foco em tolerância à incerteza e redução gradual da busca por reasseguramento, e os resultados tendem a ser bons quando a pessoa se compromete com o processo. Caso precise, estou à disposição.


  • Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no t

    Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no trabalho ou simplesmente se eu ficar fora de casa 2,3 h, isso me deixou um pouco triste e confusa, seria uma compulsão ou é coisa da minha cabeça?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Sua pergunta faz todo sentido, e a resposta curta é: não, provavelmente não é só coisa da sua cabeça, mas também não dá para cravar "compulsão" sem mais elementos, então vou te ajudar a pensar nos critérios.

    O que diferencia uso frequente de compulsão não é a frequência isolada, e sim o padrão em volta dela: existe perda de controle sobre quando e onde assistir, mesmo em contextos de risco como o trabalho? Existe prejuízo real (poderia perder o emprego, já perdeu produtividade, já mentiu especificamente sobre isso)? Ele reconhece que é um problema ou minimiza completamente quando você toca no assunto? Essas perguntas dizem mais do que a frequência sozinha.

    Também quero validar sua tristeza e confusão, porque descobrir algo assim, especialmente ligado a você sair de casa, mexe com a sensação de confiança e de ser suficiente para o outro, ainda que isso não tenha relação direta com o comportamento dele. Vale se perguntar: o que mais te incomoda, o comportamento em si, ou o fato de ele negar quando você trouxe o assunto? E como tem sido a conversa entre vocês sobre isso, aberta ou cheia de defensiva?

    Se ele reconhecer que está fora do controle dele, a indicação é buscar um psicólogo com experiência em comportamentos compulsivos. Se ele negar completamente algo que você já constatou, aí o tema que precisa de atenção também é a comunicação de vocês como casal. Caso precise, estou à disposição.


  • Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixon

    Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixono por alguém e uma vez percebi que gostei de uma pessoa quando ele cortou o contanto quando tive uma coragem pra falar com ele. É possível eu conseguir não só amar como também identificar com mais facilidade esse sentimento e qual seria a relação de amar com a força pra seguir nas minhas metas pessoais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Oi, tudo bem? Obrigado por trazer isso com tanta clareza sobre si mesma, porque nomear essa dificuldade já é um primeiro passo importante.

    O que você descreve tem uma lógica bem conhecida: quando o afeto na infância é escasso ou inconsistente, a criança aprende, sem perceber, a não confiar muito nos próprios sinais emocionais, porque expressar necessidade nem sempre trouxe resposta. Na vida adulta, isso pode aparecer como dificuldade de identificar sentimentos com clareza, inclusive o de se apaixonar, que só é percebido depois, muitas vezes tarde demais, como no episódio que você descreve, em que a pessoa se afastou justamente quando você reuniu coragem para se aproximar.

    Sobre a relação entre amar e força para seguir metas pessoais, existe conexão sim, mas talvez não da forma que se costuma imaginar. Não é que você precise amar alguém para ter motivação, e sim que a capacidade de reconhecer e sustentar vínculos afetivos (inclusive consigo mesma) tende a caminhar junto com a capacidade de se comprometer com objetivos de longo prazo, porque ambas dependem de confiar que o esforço vale a pena e que você merece o resultado.

    Fica a reflexão: quando você olha para trás, existe um padrão em quem te atraiu, alguém disponível ou alguém que também tinha dificuldade de se aproximar? O que você sente no corpo, não só na cabeça, quando está gostando de alguém, e você costuma prestar atenção nisso? Esse é um tema profundo, ligado à história de apego, e se beneficia muito de um processo terapêutico dedicado a isso. Caso precise, estou à disposição.


  • Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar

    Boatarde gostaria de tirar uma dúvida sobre o processo terapêutico. Sinto muita dificuldade em lidar com a ansiedade e angústia nos dias em que não tenho sessão. Queria saber se é uma prática comum na psicologia os profissionais entregarem algum tipo de material físico para o paciente levar para casa, como cartões com mensagens de apoio, blocos de exercícios rápidos ou lembretes para momentos difíceis? E isso realmente ajuda na eficácia do tratamento durante a semana?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Boa tarde, tudo bem? Ótima pergunta, e a resposta é sim, é uma prática relativamente comum, embora não seja padronizada nem obrigatória, varia bastante de profissional para profissional e de abordagem para abordagem.

    Terapias como a TCC costumam usar registros escritos, listas de pensamentos alternativos ou pequenos exercícios para casa, e algumas abordagens, como a DBT, chegam a usar cartões de habilidades e diários específicos para os dias mais difíceis. A lógica por trás disso é simples: a sessão acontece uma vez por semana, mas a vida (e a angústia) acontece todos os dias, então ter algo concreto para recorrer pode ajudar a trazer, no momento de aflição, um pouco do que foi trabalhado em sessão.

    Dito isso, vale um cuidado: esse tipo de material funciona melhor como ponte para uma habilidade que você já está desenvolvendo internamente, não como um substituto dela. Se a angústia entre as sessões está muito intensa, isso também é uma informação clínica importante, que merece ser levada diretamente ao seu psicólogo, porque pode indicar que o intervalo entre os atendimentos precisa ser reavaliado, ou que outras estratégias precisam entrar em cena.

    Uma pergunta que pode te ajudar a levar isso para sua terapia: nos dias sem sessão, existe algum horário ou situação específica em que a angústia costuma piorar? Vale conversar abertamente com seu psicólogo sobre essa necessidade, ele conhece seu processo e pode avaliar com você o que faz sentido nesse momento. Caso precise, estou à disposição.


  • Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com

    Estou saindo de casa para morar com minha namorada, tenho uma mãe de 75 que vai ficar só . Estou com muita dor no coração e ansiedade por deixa lá só. O que devo fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    Olá, tudo bem? Essa dor que você descreve tem nome: é a tensão entre construir sua própria vida e o medo de desamparar quem cuidou de você, e ela costuma pesar bastante em quem tem um vínculo forte com os pais.

    Vale separar dois planos aqui. Um é o emocional, a culpa e a ansiedade antecipatória, que fazem parte de qualquer mudança significativa e tendem a diminuir conforme a rotina nova se estabiliza. O outro é o prático, que é onde geralmente mora a solução real: sua mãe ficará sozinha fisicamente, mas será que ela ficará desassistida? Existem outros filhos, parentes próximos, vizinhos de confiança, ou a possibilidade de alguém morar com ela ou visitá-la com frequência? Um plano concreto de apoio costuma aliviar bem mais a ansiedade do que tentar convencer a cabeça de que "vai ficar tudo bem".

    Também vale se perguntar: essa mudança está sendo adiada por causa dessa preocupação, ou você já decidiu ir e a dor é mais sobre lidar com a partida em si? O que sua mãe tem dito sobre isso, e o quanto disso reflete o que ela sente de verdade, ou o que ela acha que deveria dizer para não te prender? Sair de casa não é abandonar, mas o sentimento de culpa não costuma respeitar essa lógica, e conversar sobre isso em terapia pode ajudar a organizar tanto o plano prático quanto o peso emocional dessa transição. Caso precise, estou à disposição.


  • Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia

    Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia ter feito mais,cuidado mais e em como poderia ter evitado que ela partisse. Imaginava ela velhinha ao meu lado e ela se foi aos 9 anos. Até mesmo ver as pessoas com seus cachorrinhos na rua,nas redes sociais,tem me causado dor. Sempre penso que era pra eu ainda estar também com a minha.💔

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    OI, TUDO BEM? Perder uma cachorrinha que fez parte de nove anos da sua vida é uma perda real, mesmo que às vezes pareça que o luto por um animal não seja levado tão a sério quanto deveria. É comum que, no meio dessa dor, surjam pensamentos do tipo "eu poderia ter feito mais" ou "poderia ter evitado", mas vale observar que a mente, quando está sofrendo, tende a distorcer a realidade e a colocar um peso de responsabilidade que muitas vezes não é justo com quem cuidou com tanto carinho durante tantos anos.

    O vínculo que criamos com nossos animais de estimação também é uma forma de apego, e é natural que ver outras pessoas com seus cachorros reative essa saudade, quase como se o corpo lembrasse antes da mente processar. Isso não significa que algo está errado com você, é apenas o luto seguindo seu curso, que raramente é linear e pode voltar em ondas mesmo depois de um tempo.

    Pode ajudar permitir-se sentir essa tristeza sem cobrar um prazo para "superar", e ao mesmo tempo buscar pequenos gestos de gentileza consigo mesma nesses momentos mais difíceis, como se você estivesse cuidando de alguém que você ama e que está sofrendo, porque nesse caso essa pessoa é você.

    Você já conseguiu conversar com alguém sobre essa saudade, ou tem guardado essa dor mais para si mesma? E quando esses pensamentos de culpa aparecem, o que costuma ajudar a suavizá-los, mesmo que um pouco?

    Caso precise, estou à disposição.


  • Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    Parece que tudo depende de mim. Como eu faço para parar de sentir isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    BOA TARDE, TUDO BEM? Essa sensação de que tudo depende de você é mais comum do que parece, e geralmente não nasce à toa. Muitas vezes ela se desenvolve desde cedo, em contextos onde assumir responsabilidade era a única forma de manter as coisas funcionando ou de se sentir segura, e com o tempo isso vira quase um piloto automático que continua ativo mesmo quando a situação já mudou.

    O problema é que esse piloto automático costuma vir acompanhado de um cansaço silencioso, porque carregar sozinha o peso de decisões, sentimentos e resultados que na verdade não são só seus é uma tarefa que nenhuma pessoa consegue sustentar indefinidamente sem se esgotar.

    Um caminho possível não é tentar apagar esse sentimento de uma vez, o que raramente funciona, mas ir testando, aos poucos, situações em que você permite que outras pessoas também assumam sua parte, observando o que realmente acontece quando você solta um pouco o controle, em vez do que a ansiedade imagina que vai acontecer.

    Você consegue identificar em que momentos da sua vida essa sensação começou a aparecer com mais força? E existe alguém à sua volta que poderia dividir um pouco desse peso, mesmo que isso pareça difícil de pedir agora?

    Caso precise, estou à disposição.


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Helio Martins

    OI, TUDO BEM COM VOCÊ? Sim, o fim de um relacionamento pode ser vivido como um luto de verdade, porque não se perde só a outra pessoa, perde-se também um futuro que foi imaginado, uma rotina, e às vezes até uma parte da própria identidade que foi construída dentro daquele vínculo.

    Assim como em outros tipos de perda, é esperado que apareçam fases que não seguem uma ordem fixa, como negação, raiva, tristeza profunda e, aos poucos, aceitação, podendo inclusive haver dias de melhora seguidos por dias em que a dor volta com força, sem que isso signifique um retrocesso.

    O apego que desenvolvemos com alguém importante ativa, no cérebro, mecanismos parecidos aos de outras formas de perda significativa, o que ajuda a explicar por que o corpo e a mente reagem com tanta intensidade mesmo quando racionalmente já se sabe que o término foi necessário ou inevitável.

    O que mais tem pesado para você agora, a saudade da pessoa em si, a mudança na rotina, ou a sensação de ter perdido os planos que vocês tinham? E tem havido espaço, no seu dia a dia, para elaborar essa dor sem se cobrar para "já estar bem"?

    Caso precise, estou à disposição.


Perguntas frequentes

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