Perguntas do paciente (68)

  • O que causa o ciúme intenso no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    O que causa o ciúme intenso no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Uchôa

    O ciúme intenso nasce do medo profundo de abandono. Quem tem TPB teme ser trocado, esquecido ou rejeitado, e interpreta gestos simples, como o outro dar atenção a alguém, como ameaça ao vínculo. Esse medo ativa emoções intensas e respostas impulsivas, como raiva, tristeza ou desespero. É uma reação emocional, não racional.


  • Por que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ficam com ciúmes quando veem a pess

    Por que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ficam com ciúmes quando veem a pessoa favorita com outras pessoas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Uchôa

    O ciúme, nesse caso, nasce do medo intenso de abandono e substituição. A “pessoa favorita” costuma representar uma espécie de porto seguro emocional. Quando essa pessoa demonstra afeto por outros, o cérebro da pessoa com TPB interpreta como uma ameaça direta ao vínculo.
    Não se trata de possessividade no sentido comum, mas de uma resposta emocional desproporcional ao medo de ser esquecida. Com acompanhamento terapêutico, é possível aprender a reconhecer esses gatilhos e desenvolver estratégias para regular o ciúme e a insegurança.


  • Quais são as estratégias de manejo para o hiperfoco no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB ?

    Quais são as estratégias de manejo para o hiperfoco no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Uchôa

    O “hiperfoco” no TPB é basicamente quando a pessoa fica presa emocionalmente em algo. O manejo precisa quebrar esse ciclo.
    1. STOP (DBT) – interrupção do impulso
    Ajuda a pessoa a não agir no calor da emoção.
    Stop, respira, observa, age com intenção.
    É básico, mas funciona porque cria freio.
    2. Grounding sensorial
    Quando a pessoa está em hiperfoco, ela está “na cabeça”.
    Grounding puxa de volta pro corpo. Exemplos:
    – lavar o rosto com água fria
    – contar objetos no ambiente
    – segurar gelo
    – sentir os pés no chão
    Regula a amígdala e tira a pessoa do looping.
    3. Nomear a emoção
    O paciente descreve o que está sentindo.
    Isso ativa o córtex pré-frontal e diminui a intensidade emocional.
    Ex.: “Isso é ansiedade”, “Isso é medo de abandono”.
    4. Desfusão cognitiva (ACT)
    Ajuda o paciente a perceber que o pensamento não é um fato.
    Frases como:
    “Estou tendo o pensamento de que…”.
    Só isso já afrouxa o hiperfoco.
    5. Redirecionamento da atenção
    Não adianta dizer “não pense nisso”.
    Funciona assim:
    – trocar a atividade
    – mudar o ambiente
    – envolver o corpo
    O hiperfoco é emocional, então você precisa deslocar o foco para algo funcional.
    6. Plano de ação para gatilhos previsíveis
    No TPB, os gatilhos são quase sempre os mesmos: silêncio, mensagem não respondida, conflito, sensação de rejeição.
    Ter um plano pronto reduz o impacto. Ex.:
    – o que fazer nos primeiros 10 minutos
    – quem pode ser acionado
    – qual atividade substituta
    – qual frase de autorregulação usar
    7. Técnicas de tolerância ao mal-estar (DBT)
    Coisas simples que reduzem ativação fisiológica:
    – respiração cadenciada
    – exercício rápido
    – banho frio
    – caminhar
    Isso tira o cérebro do modo “ameaça”.
    8. Mudança fisiológica imediata
    O hiperfoco ama corpo parado.
    Movimento quebra o ciclo.
    Levantar, alongar, andar pela casa.
    Simples e muito eficaz.
    9. Limite de tempo para pensar no assunto
    Rotina tipo:
    “Eu permito pensar nisso por 10 minutos. Depois paro.”
    Ajuda o paciente a ganhar controle.
    10. Registro rápido
    Colocar no papel o que está rodando na mente.
    Ajuda a esvaziar a ruminação e clarear.
    11. Trabalho contínuo de regulação emocional
    Sono, alimentação, rotina, previsibilidade.
    Quanto mais o corpo está regulado, menos hiperfoco aparece.


  • Por que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB podem apresentar algo semelhante ao

    Por que pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB podem apresentar algo semelhante ao hiperfoco?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Uchôa

    Hiperfoco no Transtorno de Personalidade Borderline não é igual ao hiperfoco clássico do TDAH ou do autismo. No TPB ele tem uma pegada mais emocional. É como se a pessoa grudasse afetivamente em algo ou alguém com uma intensidade que ultrapassa o razoável. É um estado em que a pessoa com TPB cola toda a sua energia psíquica num alvo específico, podendo ser: uma pessoa, um relacionamento, uma ideia, uma discussão, uma sensação de abandono, uma lembrança, um conflito…
    A pessoa fica voltando mentalmente para o mesmo ponto, ruminando falas, gestos, expressões, procurando sinais de rejeição ou aprovação. Fica “presa” no tema, mesmo sem vontade, muda de humor, fisiologia, expectativa, tudo em função do alvo. É como um looping emocional. Isso acontece pq no TPB o sistema de ameaça é hiperreativo e há medo crônico de abandono. Então, quando algo mexe nesse gatilho, o cérebro acha o perigo e foca em resolver, só que nunca resolve e vira hiperfoco afetivo.


  • A hiperfixação é um sintoma do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    A hiperfixação é um sintoma do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Uchôa

    Não, hiperfixação não é um sintoma oficial do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB).
    Ela não aparece nos critérios diagnósticos do DSM-5 nem do CID-10/CID-11. A hiperfixação é um efeito secundário de duas características centrais do transtorno:
    1. Hiperreatividade emocional
    Quando uma emoção dispara forte demais, a atenção cola no estímulo que provocou aquilo. É automático.
    2. Medo de abandono e necessidade de controle
    O cérebro tenta achar segurança se fixando num único ponto: uma pessoa, uma mensagem não respondida, um conflito, um detalhe que virou ameaça.
    É como se a hiperfixação fosse uma tentativa de “resolver” a instabilidade interna.


  • Qual a relação entre hiperfixação e a necessidade de estabilidade no Transtorno de Personalidade Bor

    Qual a relação entre hiperfixação e a necessidade de estabilidade no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Uchôa

    A relação entre hiperfixação e necessidade de estabilidade no TPB é muito simples quando a gente olha pela lógica do medo de abandono e da instabilidade emocional crônica. A ideia central é essa. A hiperfixação aparece como uma tentativa desesperada do cérebro de criar estabilidade onde a pessoa não sente estabilidade nenhuma.
    No borderline, tudo parece incerto: relações, sentimentos, identidade, intenções dos outros, futuro. Então o sistema emocional agarra algo (uma pessoa, uma ideia, um conflito, uma mensagem, um detalhe) como se aquilo fosse uma âncora. A hiperfixação vira uma forma de “controle”.


  • Tive um ataque de pânico e vivo chorando sem motivos alem da angustia que sinto. Tambem não tenho vo

    Tive um ataque de pânico e vivo chorando sem motivos alem da angustia que sinto. Tambem não tenho vontade de socializar. Qual o especialista indicado para meu caso? Quem devo procurar? Psicólogo,psiquiatra ou psicanalista? estou receosa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Uchôa

    Psicólogo(a) e Psiquiatra, ambos!


  • Eu quero sair pra trabalhar fora uma viagem de uns quatro dias e eu estou sentido uma desanimo e uma

    Eu quero sair pra trabalhar fora uma viagem de uns quatro dias e eu estou sentido uma desanimo e uma fraqueza, o que eu faso? Que me aconselham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luciana Uchôa

    Procure um profissional habilitado, psicólogo ou psicoterapeuta :)


Perguntas frequentes

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