Perguntas do paciente (387)

  • Quem tem DPOC, pode usar propranolol? Meu pai é hipertenso e a um ano foi descoberto que ele tem DPO

    Quem tem DPOC, pode usar propranolol? Meu pai é hipertenso e a um ano foi descoberto que ele tem DPOC, ele tem 94 anos e alguns dias anda com um chiado no pulmão, tomou expectorante e antibiótico passado pelo clínico geral.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    O propranolol é um betabloqueador não seletivo e pode provocar broncoconstrição, ou seja, estreitamento dos brônquios. Por isso, em pessoas com DPOC, principalmente quando existe chiado ou componente de broncoespasmo, ele merece bastante cautela.

    Isso não significa que todo paciente com DPOC esteja proibido de usar betabloqueadores. Quando existe uma indicação cardíaca importante, muitas vezes eles podem ser utilizados, mas geralmente são considerados betabloqueadores mais seletivos para o coração, dependendo do caso.

    Como seu pai tem 94 anos e está apresentando chiado recentemente, eu não modificaria nem suspenderia o propranolol por conta própria. Procuraria o médico que o acompanha para reavaliar o pulmão e também verificar por que ele utiliza propranolol e se continua sendo a melhor opção.

    O chiado também não deve ser atribuído automaticamente ao propranolol, especialmente se ele já utilizava o medicamento antes. Pode representar uma exacerbação da própria DPOC, infecção ou outra condição.

    Se ele apresentar piora da falta de ar, dificuldade para falar por falta de ar, confusão ou sonolência diferente do habitual, lábios arroxeados ou queda importante da saturação, procure atendimento de urgência.


  • Sofri infarto em 2021 com colocação de 2 stends e desde então venho tomando o metoprazol, ezetimiba

    Sofri infarto em 2021 com colocação de 2 stends e desde então venho tomando o metoprazol, ezetimiba e atorvastatina. Nunca fui hipertenso e com o uso desses medicamento minha pressão tem ficado em média com 10/5.
    Tenho que tomar estes medicamentos pelo resto da vida? Tenho 77 anos

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Após um infarto e colocação de stents, alguns medicamentos realmente costumam ser utilizados por muitos anos e, em alguns casos, por toda a vida, porque o objetivo não é apenas controlar a pressão, mas diminuir o risco de um novo infarto.

    A atorvastatina e a ezetimiba são utilizadas para manter o LDL bastante baixo e estabilizar a doença das artérias coronárias. Em quem já teve infarto, geralmente o tratamento para redução do colesterol é de longo prazo, mesmo quando os exames ficam excelentes — muitas vezes eles estão bons justamente porque o tratamento está funcionando.

    Já o metoprolol reduz a frequência cardíaca e também pode baixar a pressão. A necessidade de mantê-lo indefinidamente após um infarto depende de fatores como função do coração, presença de angina ou arritmias e quanto tempo passou desde o infarto.

    Uma pressão de 10/5 pode ser bem tolerada por algumas pessoas, mas aos 77 anos merece atenção principalmente se estiver causando tontura, fraqueza, desequilíbrio, quedas ou sensação de desmaio.

    Não suspenda nenhuma dessas medicações por conta própria. Como seu infarto ocorreu em 2021 e sua pressão está ficando em torno de 10/5, eu conversaria com o cardiologista especificamente sobre a necessidade e a dose atual do metoprolol. Ele pode avaliar sua frequência cardíaca, função do coração e os demais exames e decidir se ainda existe benefício em manter a mesma dose.


  • "A Variabilidade da Frequência Cardíaca (HRV) é hoje um dos melhores marcadores de resiliência do Si

    "A Variabilidade da Frequência Cardíaca (HRV) é hoje um dos melhores marcadores de resiliência do Sistema Nervoso Autônomo. Por que ainda não a utilizamos para prever eventos súbitos e manejar o estresse crônico dos nossos pacientes de alta performance?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    A Variabilidade da Frequência Cardíaca (HRV) é uma ferramenta cada vez mais interessante para compreender a modulação do Sistema Nervoso Autônomo, especialmente quando analisamos recuperação, carga de treinamento, sono e estresse em indivíduos de alta performance.

    Mas fica uma provocação:

    Se conseguimos acompanhar diariamente como o organismo responde ao estresse e à recuperação, até onde a HRV pode contribuir para a cardiologia preventiva e para a avaliação do atleta?

    E, principalmente: o que ainda falta para transformarmos tantos dados disponíveis em informações clinicamente úteis — sem atribuir à HRV um poder de predição que ela, isoladamente, ainda não possui?


  • "Estamos ignorando a microbiota? Como você interpreta níveis elevados de TMAO (N-óxido de trimetilam

    "Estamos ignorando a microbiota? Como você interpreta níveis elevados de TMAO (N-óxido de trimetilamina) em pacientes que mantêm dietas ricas em colina e carnitina, mas apresentam aterosclerose acelerada?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Estamos ignorando a microbiota intestinal na avaliação do risco cardiovascular?

    O TMAO é produzido a partir do metabolismo de nutrientes como colina e carnitina pela microbiota intestinal e tem sido associado à aterosclerose e a um maior risco de eventos cardiovasculares.

    Mas uma concentração elevada de TMAO levanta mais perguntas do que respostas:

    Ela representa uma dieta rica nesses nutrientes, uma microbiota com maior capacidade de produzi-lo, alteração da função renal ou apenas um marcador de maior risco metabólico?

    Em pacientes com progressão acelerada da aterosclerose apesar do controle dos fatores tradicionais, até que ponto deveríamos considerar também o eixo alimentação–microbiota–metabolismo?

    O TMAO ainda não deve ser interpretado isoladamente nem utilizado como justificativa automática para restringir alimentos específicos. Mas talvez seja mais uma evidência de que o risco cardiovascular não está apenas nas artérias — ele também pode começar no intestino.


  • "Qual o impacto real da hiperhomocisteinemia na estabilidade da placa aterosclerótica em pacientes q

    "Qual o impacto real da hiperhomocisteinemia na estabilidade da placa aterosclerótica em pacientes que você atende, e por que o rastreio de polimorfismos genéticos (como a MTHFR) ainda não é rotina na cardiologia padrão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Experimentalmente, ela pode estar relacionada a disfunção endotelial, estresse oxidativo, inflamação e maior tendência à trombose — mecanismos que poderiam contribuir para uma placa mais vulnerável.

    Mas, na prática clínica, a interpretação exige cautela. A homocisteína também pode aumentar por deficiência de vitamina B12 ou folato, doença renal, hipotireoidismo, alimentação, tabagismo e uso de alguns medicamentos. Por isso, um valor elevado não deve ser analisado isoladamente.

    E por que o rastreio de variantes como a MTHFR ainda não faz parte da cardiologia de rotina?

    Porque esses polimorfismos são comuns, geralmente acrescentam pouca informação além da própria dosagem da homocisteína e, na maioria dos pacientes, seu resultado não modifica o tratamento cardiovascular. As sociedades de genética, inclusive, não recomendam a pesquisa rotineira de MTHFR por falta de utilidade clínica comprovada.

    Talvez a pergunta mais importante não seja apenas “qual é o gene?”, mas: por que a homocisteína está elevada, existe uma causa corrigível e essa informação realmente mudará a conduta do paciente?


  • "Até que ponto a prescrição de estatinas em prevenção primária é segura sem a suplementação concomit

    "Até que ponto a prescrição de estatinas em prevenção primária é segura sem a suplementação concomitante de Coenzima Q10, considerando o bloqueio da via do mevalonato e a consequente miopatia mitocondrial?"

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    A prescrição de estatinas em prevenção primária é considerada segura quando existe indicação adequada, e não há recomendação de suplementar Coenzima Q10 rotineiramente em todas as pessoas que utilizam estatinas.

    É verdade que as estatinas atuam na via do mevalonato e podem reduzir os níveis de Coenzima Q10. Entretanto, isso não significa que necessariamente ocorrerá uma “miopatia mitocondrial”. A maioria dos pacientes utiliza estatinas sem desenvolver complicações musculares relevantes.

    Quando surgem dores, fraqueza ou intolerância muscular, é importante avaliar individualmente: relação dos sintomas com o início da estatina, dose utilizada, interações com outros medicamentos, função da tireoide, atividade física e, quando indicado, dosagem de CK/CPK.

    A suplementação de Coenzima Q10 já foi estudada para sintomas musculares associados às estatinas, mas os resultados ainda são inconsistentes. Por isso, atualmente ela não é recomendada de maneira obrigatória ou preventiva para todos os pacientes.

    O ponto fundamental é individualizar a indicação da estatina conforme o risco cardiovascular e acompanhar possíveis efeitos adversos. Não utilizar Coenzima Q10 junto à estatina, por si só, não torna o tratamento inseguro.


  • Tomo fluexetina 20mg Selozok 25mg Cai e o médico da upa me receitou o alivetore 90mg será que pod

    Tomo fluexetina 20mg
    Selozok 25mg
    Cai e o médico da upa me receitou o alivetore 90mg será que pode dar alguma reação essa mistureba de medicação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Existem alguns cuidados nessa associação. A fluoxetina pode aumentar o efeito do Selozok (metoprolol) em algumas pessoas, favorecendo queda da frequência cardíaca e da pressão. Se você já utiliza os dois regularmente e está bem, isso não significa que precise suspendê-los, mas a associação deve ser conhecida pelo médico que acompanha você.

    Se o Alivetore 90 mg que você recebeu for etoricoxibe, ele é um anti-inflamatório e merece cautela principalmente em pessoas com hipertensão, doença cardíaca ou renal, pois pode aumentar a pressão, causar retenção de líquidos e interferir na função dos rins.

    Além disso, associar anti-inflamatório à fluoxetina pode aumentar o risco de sangramento gastrointestinal, principalmente em pessoas mais velhas ou que utilizam AAS, anticoagulantes ou outros anti-inflamatórios.

    Como você relata que caiu, também é importante saber o motivo da queda. Se houve tontura, desmaio ou perda de consciência, isso merece avaliação e não deve ser atribuído apenas à dor.

    Não suspenda seus medicamentos habituais por conta própria. Se me disser o princípio ativo que aparece na caixa do Alivetore e quais outros medicamentos você utiliza, consigo orientar com mais precisão.


  • Tenho sentido extrassistoles com frequência, tem dias que não as percebo, mas as vezes passo o dia i

    Tenho sentido extrassistoles com frequência, tem dias que não as percebo, mas as vezes passo o dia inteiro sentindo, não tenho outros sintomas, tenho ansiedade generalizada. É perigoso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Na maioria das vezes, extrassístoles isoladas não são perigosas, principalmente quando o coração é estruturalmente saudável. É bastante comum haver dias em que aparecem mais e outros em que praticamente desaparecem.

    Ansiedade, estresse, noites mal dormidas, excesso de café, energéticos, álcool e alguns medicamentos podem aumentar tanto a ocorrência quanto a percepção das extrassístoles.

    Entretanto, como você relata períodos em que passa praticamente o dia inteiro sentindo-as, vale realizar uma avaliação cardiológica. O Holter é particularmente útil para registrar quantas extrassístoles ocorrem em 24 horas, de onde elas provavelmente se originam e se apresentam algum padrão que mereça investigação. Ecocardiograma e, dependendo do caso, teste ergométrico também podem fazer parte da avaliação.

    Se os exames demonstrarem coração saudável e extrassístoles benignas, muitas vezes o principal tratamento é controlar os fatores desencadeantes e a própria ansiedade, sem necessidade de medicamentos específicos.

    Procure avaliação mais rapidamente se as palpitações vierem acompanhadas de desmaio, sensação de quase desmaio, dor no peito, falta de ar importante ou taquicardia sustentada.


  • Quem tem pressão alta pode tomar vegetal 15? Tem alguma interação?

    Quem tem pressão alta pode tomar vegetal 15?
    Tem alguma interação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Eu teria cautela com o Vegetal 15, principalmente em quem tem hipertensão e utiliza medicamentos contínuos.

    Além de existirem diferentes composições divulgadas para produtos com esse nome, a Anvisa determinou em 2025 a proibição da comercialização, fabricação, propaganda e uso dos produtos da marca Vegetal 15, por ausência de registro, notificação ou cadastro e por fabricação atribuída a empresa desconhecida.

    Por esse motivo, não é possível garantir com segurança a composição do produto nem afirmar que não haverá interação com seus medicamentos para pressão.

    Minha orientação seria não utilizar o Vegetal 15 e conversar com seu médico sobre uma alternativa regularizada e adequada para o problema que você pretende tratar.


  • tomei diprospan injetável dos 9 aos 18 anos todos os meses para alergia, e hoje tenho arritimia isso

    tomei diprospan injetável dos 9 aos 18 anos todos os meses para alergia, e hoje tenho arritimia isso pode ser uma sequela?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    O Diprospan é um corticoide (betametasona) e o uso repetido por períodos prolongados pode causar diversos efeitos no organismo. Corticoides podem, durante o uso, favorecer alterações de pressão, glicemia, eletrólitos e, em algumas situações, palpitações ou arritmias.

    Entretanto, não é possível afirmar que uma arritmia que apareceu anos depois seja uma sequela direta das injeções utilizadas entre os 9 e 18 anos. Existem muitos tipos e causas de arritmia, e essa relação precisaria ser avaliada considerando qual arritmia você apresenta atualmente e como está a estrutura do seu coração.

    O mais importante agora é caracterizar essa arritmia. Eletrocardiograma, Holter, ecocardiograma e exames de sangue, como eletrólitos e função da tireoide, são frequentemente utilizados nessa investigação, conforme cada caso.

    Leve esse histórico de uso prolongado de corticoide ao seu cardiologista, mas não considere automaticamente que ele seja a causa da sua arritmia atual.


  • Por favor, tenho duas dúvidas: Gostaria de saber qual medicamento para PA moderada que não prejudi

    Por favor, tenho duas dúvidas:
    Gostaria de saber qual medicamento para PA moderada que não prejudique/sobrecarregue os rins a médio/longo prazo...
    E entre o Holmes 40mg e o Selozok 50mg , qual ocasiona menos efeitos colaterais e/ou danos..
    Agradeço desde já a atenção dispensada !

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Não existe um único medicamento para pressão arterial que seja considerado o “menos prejudicial aos rins” para todas as pessoas. A escolha depende da idade, função renal, níveis de potássio, presença de diabetes, doenças cardíacas e outras condições.

    Se por Holmes 40 mg você estiver se referindo à olmesartana, ela pertence à classe dos bloqueadores do receptor da angiotensina (BRA). Em muitos pacientes, essa classe não “sobrecarrega” os rins; pelo contrário, pode oferecer proteção renal, especialmente em algumas situações como doença renal associada à presença de proteína na urina. Entretanto, é necessário acompanhar creatinina e potássio, principalmente após iniciar ou aumentar a dose.

    Já o Selozok (metoprolol) é um betabloqueador. Ele atua principalmente reduzindo a frequência cardíaca e a pressão e costuma ser particularmente útil quando existem outras indicações, como determinadas arritmias, angina, pós-infarto ou insuficiência cardíaca. Pode causar cansaço, frequência cardíaca baixa, tontura e, em algumas pessoas, alterações na função sexual.

    Portanto, não é adequado dizer simplesmente que Holmes ou Selozok causa “menos danos”. São medicamentos de classes diferentes e a escolha depende do perfil do paciente. Para hipertensão sem outras condições associadas, o médico geralmente escolhe o tratamento considerando também outras classes de primeira linha.

    Se existe preocupação específica com os rins, vale avaliar creatinina, taxa de filtração glomerular, potássio e presença de albumina/proteína na urina antes de decidir qual estratégia é mais adequada. Não faça a troca entre esses medicamentos por conta própria.


  • Tenho tsi (taquicardia sinusal inapropriada) e pvm, depressão e ansiedade, faço tratamento com vário

    Tenho tsi (taquicardia sinusal inapropriada) e pvm, depressão e ansiedade, faço tratamento com vários remédios, mas minha fc sendo alta, todo médico manda eu tomar betabloqueador, mas a minha ansiedade só aceita o propanolol que é o mais suave, mas o efeito acaba rápido demais, queria saber se existe alguma solução. A lista de remédios que tomo depakene, escitalopram, alprazolam, quetiapina e risperidona, fora magnésio e vitamina B6, além do propranolol que tomo de manhã e de tarde, se eu fosse tentar outro betabloqueador, algum desses remédios iria me causar reações? Tenho medo de tomar qualquer coisa pro coração, só aceito o propanolol por ele ser bem suave, mas tenho noção que ele não segura o dia todo, e tenho transtorno de ansiedade generalizada, onde tenho pavor do coração

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    No seu caso, eu evitaria simplesmente trocar ou acrescentar um betabloqueador sem uma revisão conjunta das medicações. A taquicardia sinusal inapropriada pode realmente exigir tratamento, mas a escolha precisa considerar pressão arterial, frequência cardíaca, sintomas e todos os medicamentos que você já utiliza.

    O propranolol tem duração relativamente curta em algumas apresentações, o que pode explicar a percepção de que o efeito termina antes do final do dia. Existem betabloqueadores com ação mais prolongada e também apresentações de liberação prolongada, mas isso não significa que sejam mais “fortes” ou perigosos. A escolha deve ser individualizada.

    Além disso, escitalopram, quetiapina e risperidona podem ter efeitos cardiovasculares relevantes em determinadas situações, inclusive sobre pressão, frequência e intervalo QT. Por isso, antes de modificar o tratamento, eu consideraria importante revisar o eletrocardiograma, inclusive o QTc, e verificar eletrólitos, além de conferir doses e possíveis interações de toda a medicação.

    Existem também outras estratégias para taquicardia sinusal inapropriada além dos betabloqueadores, como a ivabradina em pacientes selecionados, mas ela também exige prescrição e avaliação cardiológica e não deve ser iniciada por conta própria.

    Como você relata muito medo relacionado aos batimentos cardíacos, tratar adequadamente a ansiedade também é parte importante do controle dos sintomas. O ideal seria que cardiologista e psiquiatra revisassem juntos seu esquema, em vez de realizar tentativas isoladas de medicamentos.

    Se sua taquicardia mudar de padrão, ficar sustentada de forma diferente do habitual ou vier acompanhada de desmaio, dor no peito ou falta de ar importante, procure avaliação médica.


  • Olá. Estou tomando tansulosina há aproximadamente 5 meses. Também tomo, há anos, remédios para hiper

    Olá. Estou tomando tansulosina há aproximadamente 5 meses. Também tomo, há anos, remédios para hipertensão. Na semana passada tive uma Síncope e bati a cabeça ao cair. É comum ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    A tansulosina pode causar queda da pressão arterial, principalmente ao se levantar, provocando tontura e, em alguns casos, síncope. Esse efeito pode ser potencializado quando a pessoa também utiliza medicamentos para hipertensão.

    Entretanto, uma síncope com queda e traumatismo na cabeça não deve ser considerada simplesmente um efeito “comum” e ignorada, principalmente após vários meses utilizando a medicação. Existem outras causas de desmaio que precisam ser excluídas, incluindo alterações importantes da pressão e arritmias cardíacas.

    Eu recomendaria uma avaliação médica para revisar sua pressão deitado e em pé, as doses e horários de todos os medicamentos e, conforme o caso, realizar eletrocardiograma e outros exames para investigar a síncope.

    Como houve uma pancada na cabeça, se você ainda não foi avaliado após a queda, procure atendimento, especialmente se utiliza anticoagulantes ou AAS. Dor de cabeça forte ou progressiva, vômitos, sonolência excessiva, confusão, alteração da visão ou fraqueza são sinais para procurar atendimento de urgência.

    Não suspenda a tansulosina nem os medicamentos para pressão por conta própria até que seu esquema seja revisto pelo médico.


  • Tomava sertralina, parei de forma abrupta, é normal sentir o peito dando batidas erradas, ainda mais

    Tomava sertralina, parei de forma abrupta, é normal sentir o peito dando batidas erradas, ainda mais quando se está deitada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Sim, a interrupção abrupta da sertralina pode provocar sintomas de descontinuação, como ansiedade, tontura, alterações do sono, sensação de choque, náuseas e também palpitações. Além disso, a própria ansiedade após a retirada pode aumentar a percepção dos batimentos, especialmente quando você está deitada e em repouso.

    Porém, sentir o coração “dando batidas erradas” também pode representar extrassístoles ou outro tipo de alteração do ritmo, e não é possível atribuir tudo à retirada da sertralina sem avaliação.

    Não reinicie nem faça ajustes na medicação por conta própria. Converse com o médico que a prescreveu, pois dependendo do tempo de uso, da dose e de quando foi interrompida, pode ser necessário estabelecer uma retirada mais gradual.

    Se as palpitações forem frequentes ou persistentes, um eletrocardiograma e, em alguns casos, Holter podem ajudar a identificar exatamente o que está acontecendo. Se vierem acompanhadas de desmaio, dor no peito, falta de ar importante ou taquicardia persistente, procure atendimento médico.


  • Olá, gostaria de tirar uma dúvida. Tenho histórico de persistência do canal arterial (PCA) corrig

    Olá, gostaria de tirar uma dúvida.

    Tenho histórico de persistência do canal arterial (PCA) corrigida cirurgicamente há cerca de 1 ano. Após a cirurgia, apresentei derrame pericárdico, tendo feito uso de colchicina por aproximadamente um mês.

    Atualmente, não sei informar se o derrame já foi totalmente resolvido, pois ainda não realizei exame recente de controle.

    Gostaria de saber se é seguro iniciar tratamento ortodôntico (colocação de aparelho dentário) nessa condição, ou se é necessário realizar avaliação cardiológica e exames antes.
    Agradeço desde já pela orientação

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Em geral, a colocação de aparelho ortodôntico é um procedimento de baixo risco cardiovascular e, isoladamente, não costuma ser impedida por uma PCA que já foi corrigida.

    No seu caso, entretanto, existe um ponto que merece atenção: você apresentou derrame pericárdico após a cirurgia e ainda não sabe se ele regrediu completamente. Por isso, considero adequado realizar o acompanhamento cardiológico que já seria necessário após esse quadro, provavelmente com um ecocardiograma de controle, antes ou paralelamente ao início do tratamento.

    Outro aspecto importante é diferenciar a simples colocação/manutenção do aparelho de procedimentos odontológicos que manipulam gengiva ou provocam sangramento. Dependendo de como a PCA foi corrigida, do tempo transcorrido e da existência ou não de defeito residual, podem existir recomendações específicas em relação à prevenção de endocardite para determinados procedimentos odontológicos. O aparelho ortodôntico, por si só, geralmente não exige antibiótico preventivo.

    Portanto, não parece haver uma contraindicação automática ao aparelho, mas eu aproveitaria para atualizar sua avaliação cardiológica e confirmar no ecocardiograma como está o pericárdio e o resultado da correção da PCA. Informe também ao dentista/ortodontista seu histórico cardíaco.


  • Tive 4 episódios de coração acelerado fui no hospital e eles falaram que era ansiedade e me deram di

    Tive 4 episódios de coração acelerado fui no hospital e eles falaram que era ansiedade e me deram diazepam em gota eu fiquei bem mas me pediram para ir no cardiologista e fui ele me passou atenolol de 25 hidroclorotiazida de 25 e anlodipino tomo só 3 juntos de manhã e a noite só anlodipino e atanalol mas a noite tomo e fico com o corpo pinicando é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Essa sensação de “corpo pinicando” não é um efeito que eu consideraria normal e simplesmente ignoraria após iniciar essas medicações. Pode ter várias causas e, pela coincidência com o horário dos comprimidos, vale revisar o tratamento com o médico.

    Além disso, atenolol, hidroclorotiazida e anlodipino reduzem a pressão arterial, e o atenolol também diminui a frequência cardíaca. É importante verificar sua pressão e seus batimentos quando os sintomas aparecem. A hidroclorotiazida também pode alterar eletrólitos, como sódio e potássio, e dependendo do quadro pode ser necessário dosá-los.

    Não suspenda ou mude os horários dos medicamentos por conta própria. Entre em contato com o cardiologista e informe exatamente quando começou o pinicamento, quais doses está utilizando e se existem outros sintomas.

    Se junto ao pinicamento aparecerem placas ou vermelhidão pelo corpo, inchaço nos lábios, língua ou rosto, chiado ou dificuldade para respirar, procure atendimento imediatamente, pois pode representar uma reação alérgica.

    E como os episódios de coração acelerado foram atribuídos inicialmente à ansiedade, mas aconteceram quatro vezes, se continuarem ocorrendo pode ser útil documentar o ritmo durante uma crise ou realizar um Holter, conforme avaliação do cardiologista.


  • Tomo selozok e propafenoma para arritmia extrassístole. Posso tomar maracugina?

    Tomo selozok e propafenoma para arritmia extrassístole. Posso tomar maracugina?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Eu teria cautela com essa associação. Selozok (metoprolol) e propafenona já atuam sobre a frequência e a condução elétrica do coração, e a própria propafenona pode aumentar o efeito do metoprolol em algumas pessoas.

    A Maracugina possui diferentes apresentações e composições, portanto não é possível afirmar que seja segura sem saber exatamente qual produto e quais princípios ativos você pretende utilizar. Algumas formulações com efeito calmante também podem aumentar sonolência e tontura.

    Como você utiliza dois medicamentos para controle de arritmia, eu não acrescentaria a Maracugina por conta própria. Mostre a composição exata do produto ao seu cardiologista ou farmacêutico para verificar possíveis interações.

    Se a intenção é utilizá-la para ansiedade ou para dormir, também vale conversar com o médico sobre uma opção que seja compatível com seu tratamento cardíaco.


  • Tenho uma dúvida,eu tomo o selozok todos os dias,e agora a gastroenterologista me passou amoxicilina

    Tenho uma dúvida,eu tomo o selozok todos os dias,e agora a gastroenterologista me passou amoxicilina 1g e claritromicina 500 mg pro tratamento da h pylori,Será que tem algum risco,a interação entre esses medicamentos ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Existe um cuidado principalmente com a claritromicina. A amoxicilina, em geral, não apresenta uma interação relevante com o Selozok (metoprolol).

    Já a claritromicina pode interagir com diversos medicamentos e também pode prolongar o intervalo QT em algumas pessoas, aumentando o risco de alterações do ritmo cardíaco, especialmente em quem já possui arritmias, frequência cardíaca muito baixa, alterações de potássio ou magnésio ou utiliza outros medicamentos que também interferem no QT.

    Isso não significa que você necessariamente terá algum problema ou que deva suspender o tratamento para H. pylori por conta própria. Como você utiliza Selozok, o ideal é informar à gastroenterologista todos os medicamentos que usa e confirmar se esse é o esquema mais adequado para você.

    Se durante o tratamento apresentar palpitações diferentes do habitual, tontura importante, sensação de desmaio ou desmaio, procure avaliação médica.


  • Tenho prolapso da válvula mitral e, no último exame, o fluxo sanguíneo do átrio esquerdo estava um p

    Tenho prolapso da válvula mitral e, no último exame, o fluxo sanguíneo do átrio esquerdo estava um pouco acima, em torno de 5,10. Por esse motivo, meu cardiologista prescreveu Marevan como forma de prevenção. Diante disso, gostaria de saber se posso continuar utilizando um manipulado que contém 30 ml de Oxandrolona em sua composição.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Eu não recomendaria manter a oxandrolona sem conversar diretamente com o cardiologista que prescreveu o Marevan.

    Primeiro, é importante esclarecer exatamente qual alteração foi encontrada no átrio esquerdo e qual foi a indicação para anticoagulação, porque prolapso da válvula mitral, isoladamente, não costuma ser motivo para uso preventivo de Marevan.

    Além disso, a oxandrolona é um esteroide anabolizante e pode provocar alterações no colesterol, pressão arterial e função hepática, além de aumentar o risco cardiovascular. Como o Marevan (varfarina) possui muitas interações e seu efeito pode variar com outros medicamentos e substâncias, qualquer inclusão ou retirada de um manipulado deve ser comunicada ao médico e pode exigir controle mais próximo do INR.

    Também é importante conferir a composição completa desse manipulado e a dose real de oxandrolona — “30 ml” informa o volume da preparação, mas não a quantidade de oxandrolona que você recebe.

    Portanto, até esclarecer a indicação do Marevan, seu INR e a composição/dose do manipulado, eu evitaria utilizar oxandrolona por conta própria. Não suspenda o Marevan sem orientação médica.


  • O psiquiatra me receitou sertralina de 50 mg,mais tomo holmecor Hct(20 por 12,5 mg) para hipertensão

    O psiquiatra me receitou sertralina de 50 mg,mais tomo holmecor Hct(20 por 12,5 mg) para hipertensão, a interação dos dois medicamentos pode me causar algum mal??Ainda não iniciei com a sertralina porque estou com medo dessa associação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Pedro Caetano de Oliveira Miranda

    Em geral, sertralina e Holmecor HCT (olmesartana + hidroclorotiazida) podem ser utilizados em conjunto quando prescritos pelos médicos. Não existe uma interação que torne essa associação automaticamente contraindicada.

    Existe, porém, um cuidado importante: tanto a sertralina quanto a hidroclorotiazida podem favorecer a redução do sódio no sangue (hiponatremia), especialmente em idosos, mulheres, pessoas com baixo peso ou que já tenham predisposição. Por isso, dependendo do seu perfil, o médico pode considerar acompanhar o sódio, principalmente nas primeiras semanas.

    A sertralina também pode causar no início náusea, tontura, dor de cabeça e, algumas vezes, aumento transitório da ansiedade. Isso não significa necessariamente que esteja ocorrendo uma interação com o medicamento da pressão.

    Portanto, se os dois medicamentos foram prescritos conhecendo seu histórico, não há motivo para deixar de iniciar a sertralina apenas por essa associação. Informe ao psiquiatra todos os medicamentos que utiliza e siga a dose orientada.

    Se após iniciar apresentar confusão importante, fraqueza intensa, vômitos persistentes, desmaio ou outros sintomas importantes, procure avaliação médica.


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