Perguntas do paciente (189)
-
Estou em um relacionamento, ele me pediu em namoro diversas vezes, mas eu falei que queria um pedido
Estou em um relacionamento, ele me pediu em namoro diversas vezes, mas eu falei que queria um pedido especial, com aliança e tal, o pedido que eu mencionei nunca aconteceu, porém eu e ele consideramos que estamos em um namoro, trocamos presente de dia dos namorados, ele é uma pessoa que posta bastante coisa em redes sociais mas nunca postou nada de nós dois, já cobrei ele mas não adiantou, já tentei terminar por causa disso, mas sinto que tenho uma dependencia emocional pois ele me trata muito bem e sinto muita atração fisica com ele, mas tenho receio desse não postar dele, de ele ter algum rolo e não querer que a pessoa saiba, quando eu tentei terminar, ele me implorou pra não terminar e me deu um perfume de presente
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero acolher sua dúvida. Pelo que você descreve, a questão não parece ser apenas o fato de ele não postar fotos de vocês. O que está gerando sofrimento é a dificuldade de entender qual é, de fato, o compromisso que existe entre vocês.
Me chamou atenção que vocês se consideram namorados, trocam presentes no Dia dos Namorados, mas o pedido que era importante para você nunca aconteceu. Isso pode parecer um detalhe para algumas pessoas, mas, para outras, esses rituais têm um significado muito importante: eles ajudam a marcar que aquela relação mudou de lugar e passou a ser um compromisso assumido.
Também me chamou atenção que você diz que ele publica bastante a vida dele nas redes sociais, mas não publica nada sobre vocês. Isso, por si só, não prova que exista outra pessoa. Existem pessoas discretas e que simplesmente não gostam de expor relacionamentos. Porém, quando alguém costuma compartilhar diversos aspectos da própria vida e faz uma exceção justamente para o relacionamento, essa diferença merece ser conversada com calma.
Talvez, antes de cobrar uma postagem, seja mais importante conversar sobre o significado dela. Pergunte a ele: "O que é um namoro para você?", "Como você entende compromisso?", "Por que assumir esse relacionamento nas redes sociais parece difícil?". Mais importante do que a resposta pronta é observar se ele consegue conversar sobre isso de forma aberta ou se sempre desvia do assunto.
Outro ponto que merece atenção é a forma como vocês resolvem os conflitos. Você contou que tentou terminar, ele implorou para que você não fosse embora e lhe deu um perfume de presente. O presente pode ter sido um gesto de carinho, mas também vale refletir: depois disso, a dúvida que motivou a conversa foi realmente respondida ou apenas amenizada? Em alguns relacionamentos, a pessoa consegue acalmar o parceiro com demonstrações de afeto, presentes ou promessas, mas evita enfrentar a questão principal. Com o tempo, o problema permanece e o ciclo se repete.
Também seria importante observar como ele apresenta você na vida dele. Os amigos sabem que vocês namoram? A família conhece você? Quando vocês estão em ambientes públicos, ele a trata naturalmente como companheira? As pessoas próximas a ele enxergam você como alguém importante na vida dele? Essas atitudes costumam dizer muito mais sobre o compromisso do que uma publicação isolada.
Você também mencionou acreditar que pode estar vivendo uma dependência emocional. Vale refletir sobre isso com cuidado. Você sente que permanece na relação porque acredita nela ou porque tem medo de perdê-lo? Existe uma diferença importante entre amar alguém e sentir que não consegue sair da relação mesmo quando suas necessidades não estão sendo atendidas.
Na minha prática clínica, costumo dizer que um relacionamento saudável é aquele em que palavras e atitudes caminham na mesma direção. Não basta dizer que ama, nem apenas fazer gestos carinhosos. Também é importante que as ações transmitam segurança, clareza e coerência.
Acredito que, antes de tomar qualquer decisão, vocês precisem ter uma conversa mais profunda sobre o significado desse relacionamento. Se ele realmente deseja construir uma vida ao seu lado, essa conversa não deveria ser uma ameaça, mas uma oportunidade de fortalecer o vínculo. Caso você perceba que continua saindo dessas conversas mais confusa do que entrou, ou que suas dúvidas nunca são realmente respondidas, a psicoterapia pode ajudá-la a compreender melhor essa dinâmica, fortalecer sua autonomia emocional e tomar decisões mais seguras para sua vida.
-
Descobri que tenho dependência emocional, e para reverter isso, estou buscando meios de acabar com essa dependência.
Descobri que tenho dependência emocional, e para reverter isso, estou buscando meios de acabar com essa dependência. Eu coloco lógica, por um momento passa, mas depois volta, só que com uma espécie de dor inconsciente. Para não desgastar meu relacionamento, como lido com essa dor involuntária? E melhor, acabo com essa dependência de uma forma saudável?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero reconhecer uma coisa muito importante: perceber que existe uma dependência emocional e desejar mudar já é um passo que muitas pessoas demoram anos para dar. Nem sempre é fácil enxergar isso sozinho, e o fato de você estar buscando uma forma mais saudável de se relacionar merece ser valorizado.
Também me chamou atenção quando você diz que consegue usar a lógica por um tempo, mas depois a dor volta, como se fosse algo involuntário. Na minha experiência clínica, isso é bastante comum. A dependência emocional dificilmente se resolve apenas pela razão. Você pode convencer sua mente de que não precisa agir daquela forma, mas, se a forma como aprendeu a construir vínculos continua a mesma, as emoções acabam reaparecendo.
Por isso, muitas pessoas têm a sensação de que estão "brigando contra os sintomas". A lógica ajuda a controlar alguns comportamentos, mas não transforma, por si só, a maneira como aprendemos a amar, buscar segurança e lidar com o medo de perder alguém.
Também vale refletir sobre o grau dessa dependência. Algumas pessoas conseguem fazer mudanças importantes apenas reorganizando hábitos e fortalecendo outras áreas da vida. Outras viveram praticamente todos os seus relacionamentos dessa forma e têm dificuldade até de imaginar como seria amar alguém sem sentir essa necessidade intensa de aprovação, medo da perda ou sensação de vazio. Nesses casos, costuma ser muito difícil promover uma mudança consistente sozinho.
Na minha prática clínica, o tratamento acontece de uma forma um pouco diferente do que muitas pessoas imaginam. Não começamos dizendo para a pessoa simplesmente "deixar de depender". Primeiro construímos uma relação terapêutica segura, onde ela pode ser acolhida exatamente como é. Aos poucos, essa relação vai funcionando como um espaço para experimentar uma forma diferente de se vincular: com mais segurança, autonomia e confiança. É como um treino emocional. Conforme essa nova forma de se relacionar vai sendo construída, a pessoa começa, naturalmente, a levar esse aprendizado para os outros vínculos da vida.
Enquanto isso, procure observar em quais momentos essa dor aparece. Ela surge quando seu parceiro demora para responder? Quando ele sai sem você? Quando vocês brigam? Quando você sente que não foi prioridade? Entender quais situações despertam esse sofrimento costuma revelar necessidades emocionais que ainda precisam ser cuidadas, em vez de apenas combatidas.
O mais importante é saber que o objetivo não é deixar de amar ou se tornar uma pessoa fria. Pelo contrário. O objetivo é conseguir amar alguém sem perder a si mesmo no processo. Quando isso acontece, o relacionamento costuma ficar mais leve para os dois, porque o vínculo deixa de ser sustentado pelo medo e passa a ser construído pela escolha.
Acredito que a psicoterapia seja uma das formas mais seguras de fazer esse caminho. Não apenas para aliviar essa dor que volta repetidamente, mas para compreender como ela foi construída ao longo da sua história e desenvolver, de forma gradual, uma maneira mais saudável e livre de viver seus relacionamentos.
-
Estou namorando a 2 anos e recentemente eu tenho fica muito incomodada da proximidades entre nós, eu
Estou namorando a 2 anos e recentemente eu tenho fica muito incomodada da proximidades entre nós, eu não tenho gostado de abraços e beijos, quando estamos juntos eu conto as horas pra ir embora, me sinto muito sufocada e ele sempre tá perto o tempo todo . Mas ainda sinto que amo ele, mas não de forma romântica. Qual a melhor forma de conversar com o assunto com ele?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero acolher sua dúvida. Pelo que você descreve, parece que você está vivendo um conflito importante: ainda sente carinho por ele, mas a forma como seu corpo reage à proximidade mudou bastante. Isso costuma gerar muita culpa, porque a pessoa não quer machucar o parceiro, mas também não consegue fingir que está tudo bem.
Como vocês namoram há dois anos, acredito que a primeira pergunta seja: quando isso começou? Houve algum acontecimento específico na relação? Alguma briga importante, decepção, mudança na rotina ou situação que fez você passar a sentir esse desconforto? Entender quando começou costuma ajudar muito a compreender o motivo.
Também vale refletir sobre o que exatamente incomoda. É o contato físico em si ou existe algum significado por trás dele? Algumas pessoas começam a rejeitar abraços e beijos porque passam a sentir que toda demonstração de carinho acaba sendo um convite para relação sexual. Outras percebem que perderam o interesse romântico. Em alguns casos, o desconforto não está no parceiro, mas em conflitos pessoais, momentos de estresse, traumas ou mudanças emocionais que acabam sendo projetadas na relação.
Outra pergunta importante é: você já viveu algo parecido em outros relacionamentos ou essa é a primeira vez? Algumas pessoas têm mais dificuldade com intimidade em determinados momentos da vida, enquanto outras percebem esse afastamento apenas em uma relação específica. Essa diferença ajuda bastante a entender o que está acontecendo.
Também me chamou atenção quando você diz que conta as horas para ir embora. Isso sugere que talvez o incômodo não esteja apenas nos beijos ou abraços, mas na forma como vocês estão vivendo a convivência. Como ele costuma lidar com a proximidade? Ele sabe que você está se sentindo assim ou acredita que está tudo bem? Às vezes, sem perceber, um dos parceiros vai ocupando muito espaço na rotina do outro, e o relacionamento acaba ficando sufocante.
Acredito que o primeiro passo seja uma conversa sincera, antes que esse desconforto aumente ainda mais. Mas essa conversa não precisa começar dizendo que você não gosta mais dos carinhos. Talvez seja mais útil compartilhar o que está acontecendo com você: que percebeu uma mudança, que ainda está tentando entendê-la e que não gostaria de fingir que está tudo normal. Também acho importante dizer que, neste momento, você ainda não sabe se isso tem relação com algo que aconteceu entre vocês ou se é algo que surgiu dentro de você. Essa diferença é importante para que ele não transforme imediatamente essa conversa em culpa ou rejeição.
Se você perceber que esse afastamento continua crescendo ou que não consegue compreender de onde ele vem, acredito que a psicoterapia possa ajudar bastante. Muitas vezes, o corpo começa a comunicar algo antes mesmo de conseguirmos colocar em palavras. Compreender esse significado costuma ser muito mais útil do que apenas tentar forçar demonstrações de carinho que, hoje, não parecem naturais para você.
-
Descobri uma traição do meu namorado a dois anos atrás,doeu muito,mas conversamos e decidi perdoar,m
Descobri uma traição do meu namorado a dois anos atrás,doeu muito,mas conversamos e decidi perdoar,mas de lá pra cá eu vivo inseguro,sinto que ele continua me escondedo as coisas,não sei o que fazer,meu psicológico está a ser afectado,vivo tendo pesadelo com a pessoa que na qual fui traida,me dizendo que ele continua procurando-a.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero acolher o seu sofrimento. Uma traição costuma abalar profundamente a confiança e, mesmo quando existe perdão, isso não significa que a segurança volte automaticamente. O fato de você ainda estar sofrendo dois anos depois mostra que essa ferida talvez não tenha cicatrizado da forma que vocês imaginavam.
Pelo que você escreveu, vocês conversaram na época e você decidiu perdoá-lo. Mas me pergunto: vocês conseguiram realmente compreender por que a traição aconteceu? Ele assumiu a responsabilidade pelo que fez? Vocês construíram novos acordos para reconstruir a confiança ou apenas decidiram seguir em frente? Essas diferenças fazem muita diferença na recuperação do relacionamento.
Também me chamou atenção quando você diz que sente que ele continua escondendo coisas. Esse sentimento vem de atitudes concretas que ainda acontecem hoje ou é uma sensação que surgiu depois da traição? Essa é uma reflexão importante, porque algumas pessoas continuam dando motivos para a desconfiança, enquanto outras acabam vivendo em estado constante de alerta, mesmo quando não existem novos sinais objetivos.
Os pesadelos que você descreve também merecem atenção. Depois de uma experiência que gera muito sofrimento, nossa mente pode continuar revivendo a situação por meio de pensamentos repetitivos, imagens e sonhos. Isso não significa, necessariamente, que a traição continua acontecendo, mas mostra que a dor ainda está muito presente dentro de você.
Outro ponto importante é que perdoar não significa esquecer. A confiança não volta apenas porque alguém pediu desculpas; ela costuma ser reconstruída por meio de atitudes consistentes ao longo do tempo. Por isso, vale a pena observar como ele tem se comportado desde então. As ações dele têm ajudado você a recuperar a segurança ou você sente que continua precisando imaginar o que está acontecendo porque ainda existem muitas dúvidas?
Também gostaria de convidá-la a refletir sobre uma pergunta: hoje, o que mais faz você permanecer nesse relacionamento? É a confiança que está sendo reconstruída ou o medo de perder essa relação? Essa resposta costuma ajudar bastante a compreender o momento que vocês estão vivendo.
Na minha prática clínica, vejo que muitos casais conseguem superar uma traição quando ambos compreendem profundamente o que aconteceu, assumem responsabilidades e constroem uma nova forma de se relacionar. Mas isso exige participação dos dois. Não é um trabalho que apenas quem foi traído consegue fazer sozinho.
Se vocês dois desejam realmente reconstruir essa relação, a terapia de casal pode ser um recurso muito importante. Ela oferece um espaço seguro para compreender o que levou à traição, elaborar o sofrimento vivido por ambos, reconstruir a confiança de forma gradual e criar novos acordos para o relacionamento. Muitas vezes, o objetivo não é simplesmente "voltar a ser como antes", mas construir uma relação diferente e mais saudável do que aquela que existia antes da quebra de confiança.
Como você relata que seu psicológico já está sendo bastante afetado e que os pesadelos persistem, acredito que seria muito importante buscar psicoterapia. Ela pode ajudá-la a elaborar essa experiência, compreender se o que hoje predomina é uma insegurança baseada em fatos atuais ou um trauma que ainda não foi elaborado, e fortalecer você para decidir, com mais tranquilidade, qual caminho faz mais sentido para sua vida e para esse relacionamento.
-
Minha namorada se sente inferior, como se ela não fosse "boa o suficiente" pra estar comigo. Ela diz
Minha namorada se sente inferior, como se ela não fosse "boa o suficiente" pra estar comigo. Ela diz que se sente me privando de um relacionamento bom, e que estou acorrentado a ela, que é "doente"
Já tentei dizer pra ela começar acompanhamento psicológico mas ela diz que isso não vai resolver e que esse pensamento não vai mudar.
O que eu posso fazer pra resolver essa situação?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Fiquei pensando no peso que deve ser ouvir da pessoa que você ama que ela acredita não ser boa o suficiente para estar ao seu lado. Quem escuta isso normalmente sente uma mistura de carinho, preocupação e vontade de ajudar, mas também uma sensação de impotência, porque percebe que, por mais amor que ofereça, isso parece não ser suficiente para aliviar o sofrimento do outro. Pelo que você descreve, parece que é exatamente esse lugar em que você está hoje.
A situação que você descreve é delicada. Quando alguém diz repetidamente que "não é bom o suficiente", que "está prendendo o outro" ou que "é doente", existem diferentes possibilidades. Algumas pessoas passaram por relacionamentos muito difíceis ou por histórias de vida marcadas por rejeições e acabam acreditando que não merecem ser amadas. Outras, por terem consciência de que vivem conflitos emocionais importantes, sentem culpa por fazer o parceiro sofrer e chegam a alertá-lo para que se preserve.
Por isso, eu levaria as falas dela a sério, mas sem romantizá-las. Nem sempre essas frases significam apenas baixa autoestima. Às vezes, elas podem ser uma forma de dizer que ela percebe dificuldades importantes em si mesma e teme que isso prejudique a relação. Vale a pena compreender melhor o que ela quer dizer quando afirma que você estaria "acorrentado". O que ela acredita fazer que machuca você? Em quais momentos ela sente que não consegue oferecer um relacionamento saudável?
Também me pergunto como você tem ocupado esse lugar na relação. Você sente que precisa resgatá-la? Que, se conseguir demonstrar amor suficiente, ela finalmente vai acreditar que merece estar com você? Muitas pessoas entram, sem perceber, em uma posição de tentar salvar o parceiro do sofrimento. Embora essa intenção seja bonita, ela costuma gerar muito desgaste, porque nenhuma quantidade de carinho consegue substituir um processo interno que a própria pessoa precisa viver.
Outro ponto importante é que ela parece rejeitar a ideia de fazer psicoterapia, dizendo que "isso não vai mudar". Quando alguém acredita que não existe possibilidade de mudança, normalmente já está falando a partir de um lugar de muito sofrimento. Mas também é importante respeitar que ela pode, neste momento, não querer ajuda. Você pode convidá-la, mostrar caminhos, apoiar, mas não pode fazer esse processo por ela.
Na minha prática clínica, vejo que pessoas que têm consciência de suas dificuldades, mas acreditam que nunca irão mudar, frequentemente acabam procurando parceiros muito compreensivos, às vezes até assumindo que o outro deveria ir embora para se proteger. Isso merece ser escutado com atenção, não para desistir da relação, mas para compreender qual dinâmica está sendo construída entre vocês.
Também gostaria de convidá-lo a olhar para si. Como você se sente quando ela fala essas coisas? Você consegue permanecer na relação sem assumir a responsabilidade de resolver o sofrimento dela? Ou sente que, se ela continuar assim, você falhou como parceiro? Essas perguntas são importantes porque um relacionamento saudável não acontece quando apenas uma pessoa sustenta emocionalmente a outra.
Se ela aceitar, acredito que a psicoterapia individual pode ajudá-la muito a compreender essa visão tão negativa sobre si mesma e desenvolver uma autoestima mais sólida. Caso ela não queira iniciar esse processo agora, você também pode se beneficiar de um acompanhamento psicológico. Isso pode ajudá-lo a entender melhor seu lugar nessa relação, fortalecer seus próprios limites e diferenciar aquilo que você pode oferecer como parceiro daquilo que somente ela poderá transformar dentro de si.
Em alguns casos, quando ambos desejam cuidar da relação e conseguem conversar sobre essas dificuldades, a terapia de casal também pode ser uma boa possibilidade. Ela não substitui o trabalho individual de cada um, mas pode ajudar o casal a construir formas mais saudáveis de lidar com esses sentimentos, sem que um precise carregar sozinho o sofrimento do outro.
-
Acredito que estou viciado em pornografia, tenho assistido 2 ou 3 vezes ao dia, e se
Acredito que estou viciado em pornografia, tenho assistido 2 ou 3 vezes ao dia, e sentindo alguns efeitos que citam na internet como problemas sociais.
Eu faço terapia atualmente mas não me sinto confortável de abordar especificamente esse assunto com uma mulher, o que recomendam fazer para tratar esse vício?
Procuro outro profissional só pra isso? Tento resolver sozinho? Troco de terapeuta?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sua dúvida é muito pertinente. Muitas pessoas acreditam que precisam trocar imediatamente de terapeuta quando encontram dificuldade para abordar determinados assuntos, mas nem sempre essa é a melhor solução.
No caso de homens heterossexuais, temas relacionados à sexualidade, pornografia, fantasias e intimidade podem ser especialmente difíceis de conversar com uma psicóloga mulher. Isso não significa necessariamente que a profissional não esteja preparada para lidar com o assunto. Muitas vezes a dificuldade está relacionada à vergonha, ao medo de julgamentos ou às expectativas que o próprio paciente constrói sobre como será recebido ao falar dessas questões.
Uma reflexão importante é avaliar como tem sido sua relação terapêutica até aqui. Você consegue falar de outros assuntos íntimos? Sente confiança na sua psicóloga? Consegue discordar dela ou expressar desconfortos? Essas respostas podem ajudar a compreender se a dificuldade está apenas nesse tema específico ou se existe algo mais amplo acontecendo na relação terapêutica.
Também é comum que fenômenos de transferência influenciem essas percepções. Em alguns casos, sentimentos, experiências e crenças construídas em outros relacionamentos acabam aparecendo dentro da terapia. Curiosamente, a dificuldade de falar sobre pornografia com uma psicóloga mulher pode revelar aspectos importantes da forma como aquele homem se relaciona com as mulheres em geral. Às vezes existe medo de julgamento, receio de decepcionar uma figura feminina importante ou dificuldades mais amplas relacionadas à intimidade, à vulnerabilidade e à expressão de desejos e necessidades.
Sobre o uso da pornografia, antes de pensar apenas em "vício", costuma ser importante compreender qual função esse comportamento exerce na sua vida. Quando o consumo acontece diariamente e em alta frequência, muitas vezes a questão não está apenas na pornografia em si, mas na forma como a pessoa aprendeu a lidar com o desejo, o prazer, a frustração e os relacionamentos. Em alguns casos, o uso excessivo pode estar associado a dificuldades na construção da intimidade, na expressão de necessidades emocionais e sexuais ou na capacidade de viver relacionamentos reais, que naturalmente envolvem negociação, rejeição, diferenças e exposição emocional.
A pornografia oferece uma experiência previsível, imediata e sem vulnerabilidade. Por isso, algumas pessoas acabam investindo mais energia nesse tipo de satisfação do que na construção de vínculos afetivos e sexuais reais. Na terapia sexual, muitas vezes observamos que o problema não está apenas no comportamento, mas no significado que ele adquiriu ao longo da história daquela pessoa.
Por outro lado, se esse bloqueio for muito intenso e persistente, a ponto de impedir que você trabalhe uma questão que considera importante, vale conversar abertamente sobre isso com sua psicóloga. Inclusive, falar sobre a dificuldade de falar já pode ser um excelente começo. Muitas vezes uma conversa sincera sobre a própria relação terapêutica abre caminhos para temas que pareciam impossíveis de abordar.
Caso perceba que não consegue avançar nesse tema mesmo após essa tentativa, buscar um profissional com experiência em sexualidade também pode ser uma alternativa válida. O mais importante é encontrar um espaço terapêutico onde você consiga trabalhar aquilo que realmente precisa ser compreendido e transformado.
-
O estresse e ansiedade podem resultar em sensações genitais como formigamento e contração?
O estresse e ansiedade podem resultar em sensações genitais como formigamento e contração?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, estresse e ansiedade podem gerar sintomas físicos importantes na região genital, incluindo sensação de contração, tensão muscular, formigamento e dificuldade de relaxamento durante situações íntimas.
No caso do vaginismo, isso acontece com bastante frequência. O corpo pode entrar em um estado involuntário de defesa, principalmente quando existe medo, ansiedade, pressão, insegurança ou experiências emocionais negativas relacionadas à sexualidade.
Muitas mulheres acabam percebendo:
- contração involuntária da musculatura;
- dificuldade ou impossibilidade de penetração;
- sensação de travamento;
- dor, desconforto ou formigamento;
- aumento da ansiedade antes ou durante a relação sexual.
Quanto mais medo e tensão existem, mais o corpo tende a permanecer em alerta — e isso pode intensificar ainda mais os sintomas.
Na prática clínica em terapia sexual, é muito comum observar que a ansiedade sexual e o medo da relação acabam criando um ciclo:
medo → tensão corporal → dificuldade na relação → mais ansiedade → mais tensão.
Por isso, o tratamento não envolve apenas a parte física, mas também os aspectos emocionais e relacionais da sexualidade.
A terapia sexual pode ajudar a:
- compreender os gatilhos emocionais envolvidos;
- reduzir ansiedade e medo relacionados à intimidade;
- trabalhar crenças e pressões sobre sexualidade;
- desenvolver segurança corporal e emocional durante a relação.
Além disso, dependendo do caso, o trabalho pode ser integrado com ginecologista e fisioterapia pélvica, trazendo um cuidado mais completo.
E um ponto importante:
isso não significa “frescura”, falta de vontade ou falta de desejo. O corpo realmente pode responder dessa forma quando existe um nível elevado de tensão emocional associado à sexualidade.
-
Criei dependência emocional por uma pessoa a qual não cheguei a conhecer pessoalmente, foram 4 anos
Criei dependência emocional por uma pessoa a qual não cheguei a conhecer pessoalmente, foram 4 anos de conversa até que do nada a pessoa sumiu, mas antes msm eu já dava sinais de crise de ansiedade quando a pessoa demorava a responder e tals, porém mesmo a gente não se falando tudo o que tem a ver com essa pessoa de certa forma me afeta e eu começo a ter uma crise de ansiedade intensa. (A gente parou de conversar e as crises diminuiram) Mas de vez enquanto, quando uma música me lembra ela, ou vejo algo que tem a ver com ela, simplesmente me dá crise. Eu faço terapia, mas parece que continua a msm coisa... O que é indicado nesses casos? Será que procuro outro profissional?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero acolher o seu relato e reconhecer a coragem de compartilhar algo tão íntimo. Falar sobre dores que envolvem o ambiente virtual nem sempre é fácil, pois vivemos em uma sociedade que costuma invalidar sentimentos que não nasceram de encontros presenciais. O sofrimento que você sente é real, legítimo e merece ser cuidado com todo o carinho.
O que mais me chama atenção na sua pergunta é a intensidade do vínculo que foi construído ao longo desses 4 anos. Em relacionamentos virtuais, é muito comum acontecer um processo de intensa idealização. Quando não convivemos com a pessoa no dia a dia — sem dividir a rotina, os problemas práticos e as imperfeições da vida presencial —, nossa mente tende a preencher as lacunas imaginando o parceiro ideal. A gente acaba se apaixonando e se entregando não apenas a quem a pessoa é, mas à versão que criamos dela e ao conforto que aquela presença diária trazia.
A ansiedade que você descreve, com crises diante da demora em responder ou após a interrupção da conversa, aponta para uma vivência muito dolorosa. O término abrupto pelo sumiço é sempre profundamente doloroso, pois tira a oportunidade de compreender o motivo do fim. Quando alguém simplesmente desaparece sem dar explicações, a sensação é de que a história e os sentimentos do outro foram desconsiderados, demonstrando uma grande falta de responsabilidade afetiva. Sem um fechamento claro, a dor do luto fica interrompida, e pequenos gatilhos como uma música ou uma lembrança passam a reativar esse alarme no seu corpo.
Vale a pena fazer algumas reflexões sobre a sua história afetiva. Essa necessidade de presença constante e a dor intensa da perda aparecem apenas nesse vínculo ou você percebe que costuma viver outros relacionamentos com esse mesmo medo do afastamento? Como está a sua rede de apoio hoje? Na prática clínica, observo que quando vivemos em maior isolamento ou com poucos espaços de troca afetiva, é natural acabarmos colocando um peso muito grande da nossa necessidade de afeto em uma única relação, o que torna qualquer ameaça de perda algo extremamente difícil de suportar.
Se você tiver curiosidade em compreender melhor esse tipo de dinâmica, existe um programa bem conhecido chamado Catfish. Nele, os apresentadores ajudam pessoas que vivem relacionamentos virtuais a investigar o contexto, checar se a pessoa é real e entender o que está por trás daquele afastamento. Assistir a alguns episódios pode ser interessante para você perceber como esse formato de relação é complexo e como a idealização e os desencontros acontecem com frequência no meio digital.
Sobre a sua dúvida em relação ao acompanhamento psicológico: trocar de profissional nem sempre é a primeira ou a melhor resposta, especialmente quando falamos de um processo terapêutico. Construir uma relação de confiança exige tempo e coragem. Muitas vezes, a sensação de que "nada muda" faz parte do próprio processo de elaboração de dores tão antigas e profundas.
Em vez de interromper o processo agora, meu convite seria para que você leve essa sua angústia exatamente para o seu terapeuta. Experimente dizer abertamente: "Sinto que não estou evoluindo" ou "Tenho a impressão de que continuo no mesmo lugar". Falar sobre a própria frustração dentro da terapia costuma ser um momento divisor de águas e uma oportunidade valiosa para fortalecer o vínculo entre você e quem o atende, permitindo que vocês ajustem o caminho do tratamento juntos.
O objetivo da terapia não é fazer você esquecer o que viveu de um dia para o outro, mas ajudá-lo a fortalecer sua autonomia, compreender suas necessidades emocionais e aprender a construir vínculos onde você se sinta seguro, sem precisar se perder de si mesmo.
-
É normal terminar um relacionamento e não ter brigas e muito menos vontade de voltar? Isso é pq não
É normal terminar um relacionamento e não ter brigas e muito menos vontade de voltar?
Isso é pq não se amavam de verdade?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que mais me chamou atenção na sua pergunta foi o fato de você parecer estranhar a ausência de sofrimento ou da vontade de voltar. Fiquei pensando se a sua dúvida é realmente sobre o amor ou sobre a expectativa de que um término "deveria" ser muito mais doloroso.
É possível, sim, que um relacionamento termine sem grandes brigas e sem que exista vontade de reatar. Isso não significa, necessariamente, que o amor não era verdadeiro. Em muitos casos, isso acontece quando a relação já vinha esfriando há bastante tempo e o vínculo afetivo foi diminuindo aos poucos. Quando a separação finalmente acontece, parte do luto já foi sendo vivido durante o próprio relacionamento.
Também vale a pena refletir sobre como essa relação estava sendo sustentada nos últimos meses ou anos. Vocês ainda construíam projetos juntos? Havia interesse genuíno um pelo outro? Ou a relação estava sendo mantida mais pela rotina, pelos hábitos, pelas aparências ou pela dificuldade de tomar uma decisão? Às vezes, o término apenas torna visível um afastamento que já vinha acontecendo há algum tempo.
Outra possibilidade é que você esteja comparando essa experiência com outros términos que viveu ou presenciou. Muitas pessoas acreditam que, se houve amor verdadeiro, obrigatoriamente haverá muito sofrimento, brigas ou tentativas de reconciliação. Na prática clínica, vejo que isso nem sempre acontece. Cada relacionamento termina de uma forma, porque cada vínculo é construído de uma maneira diferente.
Também me pergunto por que essa questão tem chamado tanto sua atenção. O que mais incomoda: perceber que não existe vontade de voltar ou imaginar que isso possa significar que o relacionamento nunca foi importante? Essas respostas costumam revelar mais sobre a forma como cada pessoa entende o amor do que sobre o relacionamento em si.
Uma relação pode ter sido verdadeira, ter proporcionado crescimento, carinho e bons momentos e, ainda assim, chegar ao fim de forma tranquila. Em alguns casos, a ausência da vontade de voltar não representa falta de amor, mas sim o reconhecimento de que aquela história já havia cumprido seu ciclo.
Se essa reflexão continua gerando dúvidas ou se você percebe que costuma viver términos de formas muito diferentes, a psicoterapia pode ajudar a compreender melhor como você constrói seus vínculos afetivos e o significado que atribui ao amor, ao compromisso e às despedidas.
-
Olá gostaria de saber oque esta acontecendo não sei sei isso esta certo ou errado mais consigo bater
Olá gostaria de saber oque esta acontecendo não sei sei isso esta certo ou errado mais consigo bater so uma punheta ao dia e depois que eu termino fico completamente esgotado por algums dia ainda eu acredito que meus nível de testosterona são muito baixo porque vivo cansado sempre com ansiedade e depressão..
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que mais chama atenção no seu relato não parece ser apenas a masturbação em si, mas o estado geral de cansaço, ansiedade, desânimo e esgotamento que você descreve. A sexualidade e o humor estão muito ligados, então quando uma pessoa vive períodos de ansiedade intensa, sintomas depressivos, estresse emocional ou sensação constante de esgotamento, isso pode afetar tanto o desejo quanto a forma como o corpo reage após o prazer sexual.
Ficar alguns dias completamente esgotado após se masturbar não costuma ser algo esperado na maioria dos casos, principalmente em pessoas mais jovens. Por isso, além da questão sexual, seria importante olhar para sua saúde emocional de forma mais ampla e também avaliar aspectos físicos e hormonais, caso necessário.
Em alguns momentos, a masturbação ou a pornografia acabam funcionando como uma das poucas fontes de prazer ou alívio emocional disponíveis, principalmente quando a pessoa está muito ansiosa, deprimida ou desmotivada. O problema é que, quando o restante da vida perde espaço de prazer, energia e interesse, o sofrimento emocional pode acabar aumentando ainda mais.
O mais importante agora talvez não seja aumentar ou diminuir a masturbação por conta própria, mas compreender melhor o que está acontecendo com seu humor, sua ansiedade, seu nível de energia e sua relação com o prazer no geral. Um acompanhamento psicológico pode ajudar bastante nesse processo.
-
Eu sempre me isolo das pessoas, fico muito triste e choro, quando isso acontece, vem o desejo de ter
Eu sempre me isolo das pessoas, fico muito triste e choro, quando isso acontece, vem o desejo de terminar o relacionamento, sempre quero mudar e sumir pra não ser encontrada. Sinto uma tristeza profunda, não quero conversar com ninguém. Apenas ficar só no meu quarto.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que mais me chamou atenção na sua pergunta foi que você descreve um padrão que parece se repetir. Não parece ser apenas um momento de tristeza, mas um ciclo em que você se isola, chora, sente vontade de desaparecer, evita as pessoas e, nesse mesmo estado, surge o desejo de terminar o relacionamento. Isso merece ser olhado com bastante cuidado.
A primeira reflexão importante é entender se esses sentimentos estão relacionados ao relacionamento atual ou se eles aparecem independentemente dele. O desejo de terminar surge porque existe algo que não está bem entre vocês ou porque, quando você entra nesse estado de tristeza, passa a sentir vontade de se afastar de tudo e de todos? Essa diferença é muito importante para compreender o que está acontecendo.
Na prática clínica, esse tipo de movimento costuma estar relacionado a experiências importantes que não puderam ser plenamente elaboradas ao longo da vida. Muitas pessoas conseguem seguir a rotina, trabalhar, estudar e manter relacionamentos por anos, enquanto essas experiências permanecem relativamente "adormecidas". Quando a vida se torna mais segura e organizada, é relativamente comum que aquilo que ficou interrompido encontre espaço para emergir. Não porque o organismo esteja criando um problema novo, mas justamente porque passa a existir uma possibilidade maior de entrar em contato com aquilo que ainda precisa ser compreendido e integrado. Nesses momentos, o sofrimento pode aparecer através de sintomas como tristeza intensa, isolamento, vontade de romper vínculos ou de desaparecer.
Também me chamou atenção quando você diz que sente vontade de "sumir para não ser encontrada". Essa frase parece revelar que, nesses momentos, não é apenas o relacionamento que pesa, mas a própria convivência com as pessoas. Por isso, acredito que o foco talvez não deva ser apenas a relação amorosa, mas compreender o que faz você sentir que precisa desaparecer para aliviar esse sofrimento.
Outra pergunta que pode ajudá-la a refletir é: isso acontece desde antes desse relacionamento? Você já viveu esse mesmo padrão em outras fases da vida ou com outras pessoas? Se a resposta for sim, provavelmente estamos diante de um modo de lidar com o sofrimento que vem sendo repetido há bastante tempo, e não de um problema específico desse namoro.
Como você relata tristeza profunda, vontade de ficar isolada, choro frequente e desejo de romper relações justamente quando esses sentimentos aparecem, acredito que seria muito importante procurar psicoterapia. Esse espaço pode ajudá-la a compreender de onde vem esse ciclo, identificar quais situações costumam desencadeá-lo e desenvolver formas mais seguras de lidar com essas emoções, sem precisar enfrentar tudo sozinha ou tomar decisões importantes enquanto está vivendo um momento de intenso sofrimento.
Caso esses períodos de tristeza estejam ficando mais frequentes, intensos ou venham acompanhados de pensamentos de que a vida perdeu o sentido ou de vontade de desaparecer de forma definitiva, procure ajuda o quanto antes. Nessas situações, além da psicoterapia, uma avaliação com um psiquiatra também pode ser muito importante. Você não precisa enfrentar esse sofrimento sozinha, e quanto antes ele for compreendido, maiores costumam ser as possibilidades de mudança.
-
Sou viciado em jogos de azar. Cheguei em um ponto que o dinheiro não tem mais “valor” para mim. O di
Sou viciado em jogos de azar. Cheguei em um ponto que o dinheiro não tem mais “valor” para mim. O dinheiro é apenas um mero número necessário para jogar mais. Se eu ganho no jogo, eu apenas uso o dinheiro para jogar mais (e eventualmente perco o que ganhei, é claro).
Me sinto um lixo, arrasado, tenho vergonha de admitir meu vicio para minha esposa. Me sinto pessimo por esconder isso dela e mentir.
Existe algum tratamento para superar esse vício?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A coragem que você teve para escrever essa pergunta já mostra que uma parte sua deseja sair desse ciclo. Muitas pessoas que desenvolvem dependência em jogos de azar demoram muito tempo para conseguir admitir o problema, justamente porque a vergonha, a culpa e a esperança de recuperar o dinheiro perdido acabam mantendo o vício em segredo. O fato de você conseguir reconhecer isso é um passo muito importante.
A primeira reflexão que eu faria é sobre a forma como você descreve o dinheiro. Quando você diz que ele deixou de ter valor e passou a ser apenas um meio para continuar jogando, isso mostra uma característica bastante comum da dependência. Aos poucos, o objetivo deixa de ser ganhar dinheiro e passa a ser permanecer jogando. Mesmo quando há ganhos, eles não representam uma conquista, mas apenas combustível para continuar apostando.
Na prática clínica, esse ciclo costuma funcionar de maneira muito parecida: surge a expectativa de recuperar perdas ou conseguir uma grande vitória, a pessoa aposta, perde o controle, acumula prejuízos, sente culpa, esconde o problema, promete que será a última vez e, depois, tenta recuperar o que perdeu apostando novamente. Esse movimento vai consumindo não apenas os recursos financeiros, mas também a autoestima, a confiança nas próprias decisões e os relacionamentos mais importantes.
Outra reflexão importante diz respeito ao segredo que você está carregando. O próprio vício costuma dificultar a busca por ajuda, fazendo a pessoa acreditar que conseguirá resolver tudo sozinha antes que alguém descubra. Infelizmente, esse isolamento fortalece ainda mais a dependência. Você já conseguiu contar isso aqui. Talvez o próximo passo seja pensar em quem seria a pessoa mais fácil e segura para compartilhar essa situação. Não precisa ser, necessariamente, sua esposa em um primeiro momento. Pode ser um familiar, um amigo de confiança ou alguém que possa ajudá-lo a construir um caminho para enfrentar esse problema.
Também fiquei pensando na culpa que você relata por esconder isso da sua esposa. A culpa costuma ser muito intensa nas dependências e, muitas vezes, faz a pessoa acreditar que precisa resolver tudo antes de pedir ajuda. Na prática, costuma acontecer o contrário: quanto mais tempo a pessoa tenta resolver sozinha, mais o problema cresce.
Existe tratamento, e essa talvez seja a parte mais importante da sua pergunta. A psicoterapia é uma das principais formas de tratamento para compreender os gatilhos emocionais, interromper esse ciclo e desenvolver novas formas de lidar com a vontade de jogar. Em alguns casos, uma avaliação psiquiátrica também pode ser indicada, principalmente quando existem sintomas importantes de ansiedade, depressão ou impulsividade associados.
Além da psicoterapia, muitas pessoas encontram um apoio importante nos grupos de Jogadores Anônimos (JA), onde convivem com outras pessoas que enfrentam dificuldades semelhantes. Esse contato costuma diminuir a sensação de isolamento e aumenta muito as chances de recuperação.
Por fim, quero deixar uma mensagem de esperança. O número de brasileiros enfrentando problemas com apostas tem crescido bastante nos últimos anos, mas isso também fez com que surgissem mais formas de tratamento e apoio. Ao longo da minha prática clínica, acompanhei pessoas que chegaram muito próximas da situação que você descreve e conseguiram reconstruir suas vidas. O caminho exige dedicação, mas é possível. O mais importante agora é não enfrentar isso sozinho, porque a recuperação costuma começar justamente quando o segredo deixa de ser carregado apenas por você.
-
Olá bom dia Já tive vários relacionamento fracassados no passado E às vezes quando me lembro que j
Olá bom dia
Já tive vários relacionamento fracassados no passado
E às vezes quando me lembro que já me envolve com vários homens no passado não consigo me perdoar me sinto suja por ter vários parceiros sexuais
E não consigo entrar em outro relacionamentos por medo de não dar certo e ser mas um que passou em minha vida
O que eu faço para me perdoar e esquecer o meu passado? E começar de novo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Enquanto eu lia sua pergunta, fiquei pensando no quanto deve ser difícil olhar para a própria história e sentir que ela pesa mais do que deveria. Percebo que você não está sofrendo apenas pelos relacionamentos que terminaram, mas também pela forma como passou a enxergar a si mesma por causa deles.
A primeira coisa que me veio à mente foi: o que exatamente você sente que precisa perdoar? O fato de ter vivido relacionamentos, de ter se envolvido sexualmente ou o fato de essas relações não terem dado certo? Muitas pessoas acabam misturando essas experiências e passam a acreditar que cada relacionamento que termina representa um "erro" ou uma parte da própria vida que deveria ser apagada.
Depois fiquei pensando em outro aspecto. Na prática clínica, observo que algumas pessoas desenvolvem a expectativa de que cada novo relacionamento deveria ser "o definitivo". Quando ele termina, não vivem apenas a dor da separação, mas também a sensação de fracasso, como se tivessem investido algo precioso e perdido para sempre. Com o tempo, isso pode fazer com que a pessoa olhe para o próprio passado com culpa, em vez de enxergá-lo como parte do seu processo de amadurecimento.
Também vale uma reflexão importante sobre o lugar que a sexualidade ocupa na sua história. Pela forma como você escreveu, parece que o fato de ter tido outros parceiros se tornou o centro da culpa. Vale a pena se perguntar: se esses relacionamentos tivessem dado certo, você olharia para essas experiências da mesma forma? Ou será que a culpa aparece porque eles terminaram? Muitas vezes, não é a vivência sexual em si que machuca, mas a sensação de ter compartilhado intimidade com alguém que depois deixou de fazer parte da sua vida.
Existe ainda outra possibilidade que merece atenção. Também me pergunto qual era o significado do sexo dentro desses relacionamentos. Você sentia que, ao se entregar, a relação caminharia naturalmente para um compromisso duradouro? Algumas pessoas depositam nessa intimidade a esperança de que o vínculo se fortaleça e, quando isso não acontece, passam a viver o sexo como um investimento que "não deu certo". Esse raciocínio costuma gerar um sofrimento muito grande e uma visão bastante injusta sobre si mesmas.
Talvez uma pergunta que possa ajudá-la seja: em vez de perguntar quantos relacionamentos deram errado, o que cada um deles lhe ensinou sobre o tipo de relação que você deseja construir? Com quais características você se sente segura? Que tipo de pessoa combina com seus valores? Essas respostas costumam ser muito mais importantes para um novo relacionamento do que o número de experiências vividas.
Por fim, gostaria de lhe deixar uma reflexão que pode ajudar daqui para frente. Um conselho que costumo dar é tentar entrar em novos relacionamentos com menos a missão de encontrar "a pessoa definitiva" e mais com a disposição de conhecer o outro, conhecer a si mesma e aprender com a experiência. Curiosamente, quando deixamos de colocar tanto peso sobre a duração da relação, costumamos construir vínculos mais leves, mais autênticos e, muitas vezes, até mais duradouros.
A psicoterapia pode ser um espaço muito importante nesse processo. O objetivo não é esquecer o passado, mas fazer as pazes com ele. Quando conseguimos compreender nossas escolhas, nossos aprendizados e a forma como amadurecemos ao longo da vida, o passado deixa de ser um motivo de vergonha e passa a ser parte da nossa trajetória. Isso costuma abrir espaço para viver novos relacionamentos com menos culpa, mais liberdade e uma autoestima construída sobre quem você é hoje, e não apenas sobre aquilo que viveu.
-
Sentimento de dependência emocional, não aceitar um término e ter o sentimento de que sem o outro nã
Sentimento de dependência emocional, não aceitar um término e ter o sentimento de que sem o outro não será feliz, forte crise de ansiedade. Existe tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O sofrimento que você descreve costuma ser muito intenso e, para quem está vivendo isso, pode realmente dar a sensação de que a felicidade acabou junto com o relacionamento. A boa notícia é que existe tratamento, e muitas pessoas conseguem superar esse momento e voltar a construir relações mais saudáveis.
A dependência emocional costuma fazer com que o término seja vivido como uma ameaça muito maior do que apenas o fim de uma relação. Em vez de sofrer apenas pela perda da pessoa, a pessoa passa a sentir que perdeu parte de si mesma, como se não fosse mais capaz de ser feliz, seguir a vida ou encontrar sentido sem aquele vínculo. É justamente essa sensação que costuma alimentar as crises de ansiedade.
Também vale uma reflexão importante: quando alguém acredita que só poderá ser feliz se o outro voltar, acaba colocando no ex-parceiro uma responsabilidade que nenhuma relação consegue sustentar. O processo terapêutico ajuda justamente a reconstruir essa capacidade de encontrar segurança e sentido dentro de si, para que o relacionamento deixe de ser uma necessidade de sobrevivência e passe a ser uma escolha.
Uma pergunta que considero importante é: esse sofrimento apareceu apenas após esse término ou você percebe que já viveu algo parecido em outros relacionamentos? Algumas pessoas descobrem que esse padrão se repete ao longo da vida e está relacionado à forma como aprenderam a construir vínculos afetivos. Outras passaram muitos anos bem e desenvolveram essa dificuldade apenas após uma relação muito marcante. Entender essa diferença costuma ajudar bastante no tratamento.
Pela minha experiência clínica, dificilmente esse processo se resolve apenas pela lógica. Muitas pessoas sabem racionalmente que precisam seguir em frente, mas emocionalmente continuam presas à relação. Isso acontece porque não basta combater os sintomas; é preciso compreender como essa forma de se relacionar foi construída e aprender, aos poucos, uma maneira mais segura de estabelecer vínculos.
A psicoterapia costuma oferecer exatamente esse espaço. Aos poucos, a pessoa experimenta uma relação onde não precisa viver na dependência para sentir segurança, desenvolvendo recursos para tolerar frustrações, lidar com perdas e construir uma autoestima menos dependente da presença ou da validação do outro.
Embora hoje pareça impossível imaginar uma vida feliz sem essa pessoa, essa sensação costuma diminuir à medida que você compreende melhor sua história, fortalece sua autonomia emocional e aprende novas formas de se relacionar. Isso não acontece de um dia para o outro, mas acontece com muito mais frequência do que quem está vivendo esse sofrimento costuma acreditar.
-
Estou namorando há 5 meses as vezes ele curti foto de uma antiga amiga da adolescência, já disse pra
Estou namorando há 5 meses as vezes ele curti foto de uma antiga amiga da adolescência, já disse pra ele que essa atitude não me agrada. Ele sempre diz que não tem nada haver e mesmo assim ele continua. Sinto ciúmes será estou errada?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A sua pergunta me fez pensar que, muitas vezes, o sofrimento não está apenas na curtida em si, mas no significado que ela passa a ter dentro do relacionamento. Pelo que você conta, vocês já conversaram sobre isso, você explicou que essa atitude a machuca, mas ela continua acontecendo. Isso muda um pouco a discussão.
Antes de pensar se você está "certa" ou "errada" por sentir ciúmes, acho importante entender melhor a situação. Que tipo de fotos ele costuma curtir? São fotos comuns do dia a dia ou fotos mais sensuais, que poderiam dar margem para outras interpretações? E por qual motivo ele diz que continua curtindo? Para ele é apenas um gesto automático, uma amizade antiga ou existe algum outro significado?
Outro ponto importante é que essa amiga é uma relação dele, e isso merece respeito. Da mesma forma, o seu desconforto também merece respeito. Em um relacionamento saudável, os dois precisam conseguir conversar sobre os limites que consideram importantes. Nem sempre o casal concorda em tudo, mas é fundamental que ambos tentem compreender o impacto que determinadas atitudes têm sobre o outro.
O que mais me chama atenção é que o conflito parece ter deixado de ser apenas sobre as curtidas e passou a ser sobre as combinações entre vocês. Você expressou um limite importante para você, ele ouviu, mas decidiu manter o comportamento da mesma forma. Isso faz surgir uma pergunta interessante: como costumam ser as decisões no relacionamento? Quando você traz um incômodo, ele costuma tentar entender o que você sente ou normalmente minimiza suas preocupações dizendo que "não é nada"?
Também vale observar se esse comportamento aparece em outras situações. Ele costuma respeitar seus sentimentos mesmo quando pensa diferente? Ou frequentemente espera que você aceite a forma como ele faz as coisas? Como ele reage quando você estabelece um limite? E, se fosse o contrário, como você imagina que ele reagiria caso você mantivesse um comportamento que ele dissesse claramente que o machuca?
Essas perguntas são importantes porque, às vezes, o problema não é a curtida em si, mas a forma como o casal lida com os conflitos. Um relacionamento saudável não exige que uma pessoa controle a outra, mas exige disposição para negociar, construir acordos e demonstrar consideração pelos sentimentos do parceiro. Talvez essa conversa precise sair do tema "curtir fotos" e caminhar para algo mais profundo: como vocês tomam decisões e cuidam um do outro quando surgem diferenças.
-
Oii! Então, eu estou namorando a quase um ano e as vezes me pego me perguntando: e se não for ela?
Oii!
Então, eu estou namorando a quase um ano e as vezes me pego me perguntando: e se não for ela? Eu amo muito a minha namorada, amo cada detalhe dela e cada momento em que estamos juntas... mas quando não estou com ela, começo a me fazer essas perguntas...
E se passarmos anos juntas, e depois acabarmos nos separando? O que acontecerá?
E se o que tivermos não for amor, e tudo se acabar?
E se tudo se desmoronar, o que sobrará?
Quando estou com ela, me sinto a garota mais sortuda do mundo, e ela faz eu me sentir única!
Então... Por que esses pensamentos invadem minha mente quando estou longe dela e penso na gente? Isso é normal ou no meu inconsciente tem algo errado no nosso namoro?
Como eu vou saber se é ela?
... Acho q estou um pouco confusa...RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que mais me chamou atenção na sua pergunta é que, quando vocês estão juntas, você descreve sentimentos de amor, admiração, segurança e felicidade. As dúvidas aparecem justamente quando vocês estão longe uma da outra e você começa a imaginar o futuro. Isso já nos dá uma pista importante sobre o que pode estar acontecendo.
Esses pensamentos são muito mais comuns do que parecem, principalmente no primeiro ano de um relacionamento. Quando encontramos alguém que realmente nos faz bem, também nos damos conta de que aquela relação pode ser muito importante para a nossa vida. E, junto com essa importância, costuma surgir o medo de perder aquilo que nos faz felizes.
Percebo também que suas perguntas têm algo em comum: "e se um dia acabar?", "e se não for ela?", "e se tudo desmoronar?". Repare que nenhuma delas fala do presente. Elas são perguntas sobre um futuro que ainda não aconteceu. Nossa mente faz isso com frequência quando tenta nos proteger do sofrimento, como se pensar em todas as possibilidades pudesse evitar uma dor futura. O problema é que esse mecanismo costuma aumentar a ansiedade e tirar nossa capacidade de viver o relacionamento que existe hoje.
Existe uma reflexão que considero muito importante. Muitas pessoas acabam acreditando que a felicidade depende de encontrar "a pessoa certa" e que, se a relação terminar, tudo o que foi vivido perde o valor. Mas, na prática, a maior segurança não costuma estar na certeza de que aquele relacionamento durará para sempre. Ela está na confiança de que você é capaz de construir boas relações, amar profundamente, enfrentar dificuldades e seguir a vida, mesmo quando as coisas não acontecem exatamente como imaginou.
Isso acontece porque nós não controlamos o outro. Um relacionamento é sempre uma construção conjunta, e cada pessoa continua livre para crescer, mudar de planos ou seguir outro caminho. O que permanece com você, independentemente do futuro da relação, é aquilo que constrói dentro de si: sua capacidade de amar, de confiar, de enfrentar perdas e de criar novos vínculos quando necessário.
Também vale observar como esses pensamentos aparecem. Eles fazem você concluir que existe algum problema entre vocês ou surgem justamente porque você encontrou alguém que se tornou muito importante? Muitas vezes, não é o relacionamento que está em risco, mas o medo de perdê-lo que começa a ocupar espaço na mente.
Por fim, talvez a pergunta "como vou saber se é ela?" não tenha uma resposta definitiva hoje. Relacionamentos saudáveis não costumam ser sustentados por uma certeza absoluta sobre o futuro, mas pela escolha de continuar construindo o vínculo no presente. Em vez de tentar descobrir agora se ela será a pessoa da sua vida, talvez seja mais útil perguntar: "a relação que estamos construindo hoje faz sentido para nós duas?". Se a resposta continuar sendo sim, talvez você possa permitir que o tempo faça a parte dele, enquanto vocês seguem escrevendo essa história juntas, um dia de cada vez.
-
Bom, a minha namorada sempre lembra dos meus erros e eu sei que errei mas cada dia mais estou tentan
Bom, a minha namorada sempre lembra dos meus erros e eu sei que errei mas cada dia mais estou tentando concertar isso, como eu faço?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Uma coisa importante é que admitir que você errou é apenas o começo. Dependendo do que aconteceu, reparar o dano e reconstruir a confiança pode ser um processo muito mais longo. Por isso, antes de pensar apenas em "como fazer ela parar de lembrar", seria importante entender que erro foi esse e quais consequências ele teve para ela e para a relação.
Existem situações em que a pessoa consegue perdoar, mas precisa de tempo para voltar a confiar. Nesse caso, você pode estar fazendo tudo diferente atualmente e, mesmo assim, ela ainda carregar a marca do que aconteceu. A mudança precisa ser consistente por um período de tempo para que ela consiga perceber que não está apenas diante de uma promessa, mas de um novo padrão de comportamento.
Por outro lado, também existe uma situação que precisa ser observada: será que ela está conseguindo elaborar o que aconteceu ou o erro virou uma espécie de ferramenta permanente para manter você em dívida? Uma relação não consegue se reconstruir quando uma pessoa precisa passar o resto da vida sendo punida por aquilo que fez.
Talvez você também esteja querendo que ela se recupere rápido demais. É compreensível desejar que, depois de reconhecer o erro e começar a mudar, o assunto finalmente desapareça. Mas será que você já percorreu todo o ciclo de arrependimento e reparação? Reconhecer o que fez, compreender o impacto que teve nela, aceitar que algumas consequências não podem ser apagadas e sustentar mudanças sem exigir que ela esqueça rapidamente fazem parte desse processo.
Também precisamos considerar que nem todo erro pode ser reparado dentro de um relacionamento. Existem acontecimentos que desconectam profundamente um casal e, mesmo havendo arrependimento, podem tornar muito difícil reconstruir a confiança. Em algumas situações, a separação acaba sendo mais saudável do que permanecer em um ciclo interminável de erro, cobrança, culpa e tentativa de reparação.
Por isso, em vez de perguntar apenas "como faço para ela esquecer meus erros?", talvez seja mais importante perguntar: "o que eu preciso fazer para reparar o que aconteceu e construir uma relação diferente daqui para frente?". E, depois disso, observar se ela consegue gradualmente construir confiança novamente ou se vocês ficaram presos em um ciclo em que o passado continua organizando o presente.
-
meu namorado passou por um período de depressão, tomou remédio, teve alguns efeitos colaterais, como
meu namorado passou por um período de depressão, tomou remédio, teve alguns efeitos colaterais, como falta de libido. Nesse período ficamos sem relação por uns meses, mas sempre envolvidos , companheiros. Porem ele começou a ficar diferente, frio, dizia q sentia um vazio, ausencia de sentimentos, e apos a retirada dos medicamentos ele perdeu a atração por mim. Diz que gosta porém não sente atração. Não sente nada. Agora esta fazendo terapia pois ele sente que criou um bloquei emocional , mental e ate sexual por mim. Isso existe, é possivel um bloqueio desse? Pois ele diz que me acha linda, que tenho um corpo lindo mas ele não sente o desejo, as vezes ele diz que parece um bloqueio ou uma maldição é a palavra q ele usa. Ele está ficando muito pressionado e sofre c isso, pois nos dávamos muito bem em tudo. Agora não sabemos o que fazer. Existe tratamento? terapia? tem solução ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que mais me chamou atenção no seu relato é que vocês parecem estar sofrendo juntos por essa situação, e não um por causa do outro. Isso faz bastante diferença, porque mostra que existe uma parceria e um desejo de compreender o que está acontecendo, em vez de apenas procurar um culpado.
Pelo que você descreve, é possível, sim, que exista um bloqueio emocional e sexual, mas acredito que seja importante olhar esse processo de uma forma mais ampla. A sexualidade humana é construída por fatores biológicos, emocionais, relacionais e pela própria história do casal. Dificilmente existe apenas uma única explicação.
A depressão, dependendo da intensidade e do tempo que permaneceu, pode reduzir muito a capacidade da pessoa sentir prazer. Muitas vezes, durante a recuperação, a prioridade deixa de ser viver plenamente e passa a ser simplesmente voltar a funcionar: conseguir trabalhar, estudar, realizar tarefas básicas e organizar a própria vida. O prazer costuma retornar aos poucos e nem sempre todas as áreas da vida se recuperam no mesmo ritmo.
Uma pergunta importante é: ele voltou a sentir prazer em outras atividades? Consegue se divertir, sentir interesse por hobbies, amigos ou trabalho? Se ainda existe uma dificuldade generalizada para sentir prazer, isso pode indicar que a recuperação da depressão ainda está em andamento. Se o prazer voltou para outras áreas, mas permanece ausente apenas na sexualidade, vale olhar com mais atenção para o significado que o sexo passou a ter para ele.
Diferente de outras atividades prazerosas, a sexualidade envolve um peso adicional. Não basta sentir desejo; muitas pessoas também sentem a responsabilidade de corresponder ao parceiro, proporcionar prazer, não decepcionar e "funcionar". Quando essa preocupação aparece, é comum surgir um ciclo de ansiedade que acaba dificultando ainda mais o desejo espontâneo.
Também fiquei pensando em como a relação de vocês pode ter mudado durante a depressão. É muito comum que, quando um parceiro adoece, o outro passe a ocupar um lugar mais cuidador, quase como alguém que protege, incentiva e ajuda na recuperação. Isso é muito bonito e, muitas vezes, necessário. Mas, ao mesmo tempo, essa mudança pode alterar a dinâmica do casal. Às vezes, sem perceber, a relação vai ficando mais parecida com uma relação de cuidado do que com uma relação entre dois parceiros.
Da mesma forma, ele também pode ter mudado a forma como se percebe. Um homem que passa por uma depressão importante pode começar a se enxergar como alguém fragilizado, menos potente ou menos viril. E, paralelamente, você também pode ter passado a enxergá-lo principalmente através dessa fragilidade. Essas mudanças de percepção nem sempre são conscientes, mas podem influenciar bastante a forma como o casal volta a viver a intimidade.
Outro aspecto que considero importante é que ele continua dizendo que gosta de você, que a acha bonita e reconhece suas qualidades. Isso mostra que a dificuldade não parece estar relacionada à sua aparência ou ao valor que você tem para ele. Pelo contrário, ele próprio sofre por não conseguir sentir aquilo que gostaria de sentir, o que costuma aumentar ainda mais a pressão sobre ele.
Acho muito positivo ele já estar em psicoterapia. Dependendo de como esse trabalho evoluir, pode ser bastante interessante procurar um profissional que trabalhe com terapia sexual. E, considerando que essa dificuldade passou a fazer parte da história do casal, a terapia de casal também pode ser uma excelente possibilidade. Muitas vezes, não é apenas o desejo que precisa ser retomado, mas a forma como o casal passou a se enxergar depois da depressão.
Pela forma como você contou a história, não vejo essa situação como algo sem solução. O desejo não costuma desaparecer definitivamente de uma relação saudável por causa de um único fator. Muitas vezes ele fica "escondido" por trás da depressão, da ansiedade de desempenho, das mudanças que o casal viveu e da forma como ambos passaram a se perceber. Quando esses aspectos vão sendo compreendidos e trabalhados, é bastante comum que a intimidade seja reconstruída aos poucos, sem a pressão de voltar exatamente ao que era antes.
-
Estou em um relacionamento a mais ou menos 4 meses, mas o meu parceiro assim como eu sofre com ansie
Estou em um relacionamento a mais ou menos 4 meses, mas o meu parceiro assim como eu sofre com ansiedade, alguns bloqueios emocionais e falta de comunicação na maioria das vezes. Volta e meia ele se isola sozinho, fica criando coisas que não acontece, com ciumes e medo do abandono ao mesmo tempo. Tento dialogar, mas ele diz que não consegue ter um relacionamento por que quando ele tem senttimentos pela outra pessoa ele fica paranoico, tudo é motivo de desconfiança e acaba desgastando e adoencendo ambos. O que posso fazer quando essa situação ocorrer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando um relacionamento começa a despertar sentimentos mais intensos, algumas pessoas também passam a experimentar medos que antes pareciam mais controláveis. O medo de abandono, o ciúme e a tendência a imaginar situações que não estão acontecendo podem aparecer justamente porque aquela relação passou a ter importância emocional.
Pelo que você descreve, seu parceiro parece perceber que esse funcionamento acontece com ele e que acaba desgastando tanto a relação quanto vocês dois. Essa percepção é importante, mas reconhecer o problema não significa que ele consiga interrompê-lo sozinho.
Uma coisa que pode ajudar bastante é mudar o momento dessas conversas. Quando ele está tomado pela ansiedade, pelo ciúme ou pelo medo, talvez seja muito difícil conseguir estabelecer um diálogo produtivo. Nesse momento, tentar convencê-lo de que aquilo não está acontecendo pode acabar alimentando ainda mais a necessidade de buscar garantias.
Procurem conversar quando ele estiver tranquilo. Muitos casais fazem o contrário: deixam os assuntos difíceis de lado quando estão bem e só tentam conversar quando a crise aparece. Assim, o diálogo acaba acontecendo sempre dentro do sintoma e o casal não consegue construir recursos para lidar com a próxima situação.
Em um momento de tranquilidade, vocês podem conversar sobre algumas questões: desde quando ele percebe esse padrão? Isso já aconteceu em outros relacionamentos? O que costuma desencadear o medo de abandono? O que ele imagina que pode acontecer? E como você se sente quando ele se isola, desconfia ou cria situações que não aconteceram?
Também é importante que você não fique colocada no lugar de responsável por regular constantemente a ansiedade dele. Você pode oferecer segurança e conversar, mas não consegue eliminar os medos dele por meio de explicações, provas ou garantias infinitas. Se cada crise exigir que você demonstre novamente que não irá abandoná-lo, vocês podem acabar entrando em um ciclo de ansiedade e tranquilização que se repete.
Ao mesmo tempo, não significa que um relacionamento entre duas pessoas com ansiedade e dificuldades emocionais esteja condenado. Muitos casais conseguem aprender a reconhecer os padrões um do outro e construir maneiras mais saudáveis de conversar e estabelecer limites.
Como vocês estão juntos há poucos meses, também vale observar como esse padrão evolui. Existe uma diferença importante entre alguém que percebe suas dificuldades, aceita conversar sobre elas e procura desenvolver recursos para lidar melhor com elas, e alguém que usa a própria ansiedade como justificativa para controlar, acusar ou responsabilizar o parceiro.
A terapia de casal pode ser uma possibilidade interessante, principalmente porque o problema já está aparecendo dentro da dinâmica entre vocês. O objetivo não seria simplesmente ensinar você a lidar com as crises dele, mas ajudar os dois a compreender como esse ciclo se forma, qual é a participação de cada um e como construir uma relação em que os sentimentos possam ser expressos sem que o medo de abandono e a desconfiança assumam o controle.
-
Sai de um relacionamento de mais de quatro anos recentemente, e bem no inicio eu conversei com outra
Sai de um relacionamento de mais de quatro anos recentemente, e bem no inicio eu conversei com outras pessoas com segundas intenções por ser muito imaturo na época, ela soube e me deu uma segunda chance e eu jurei que aquilo jamais aconteceria e de fato não aconteceu, cortava qualquer tipo de contato mínimo que tivesse segundas intenções. Noivamos e após cerca de dois anos vivendo bem acabamos terminando pois ela se sentia insegura com essas questões do inicio e tinha medo que depois de muitos anos juntos voltasse a acontecer, até tentamos reatar mas acabamos novamente pelo mesmo motivo, algumas semanas depois ainda tentei pela ultima vez antes de deixar isso pra trás, ela me falou a mesma coisa, aquelas situações do inicio ainda a magoavam e foi um fim definitivo. Eu errei, pedi perdão, fui perdoado e mudei esse comportamento, isso jamais aconteceu, porém as vezes me pego sentindo culpa, já aceitei que não tem mais volta e estou seguindo minha vida mas gostaria de saber como trabalhar essa culpa e me perdoar de uma vez por todas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Uma coisa que eu investigaria com bastante cuidado no seu relato é se essas conversas do início foram realmente a causa do término ou se acabaram se tornando a explicação mais fácil para algo que já estava acontecendo na relação.
Você descreve comportamentos que aconteceram no começo do relacionamento, reconheceu o erro, pediu perdão, recebeu uma segunda chance e, segundo você, passou os anos seguintes sem repetir aquilo. Vocês chegaram a noivar e viveram cerca de dois anos de uma relação que você descreve como boa. Por isso, é compreensível surgir a pergunta: o que aconteceu para uma insegurança relacionada a acontecimentos tão antigos permanecer tão forte a ponto de determinar o fim anos depois?
Isso não significa que a dor dela fosse falsa ou que ela não pudesse ter dificuldade para recuperar a confiança. Algumas pessoas realmente não conseguem superar determinadas experiências, mesmo quando o parceiro muda. Mas também precisamos considerar outras possibilidades: será que existiam outros problemas na relação que não estão aparecendo no seu relato? Será que ela passou a ter medo de aprofundar o compromisso? Será que os sentimentos dela mudaram ao longo desses anos? Ou será que aquele acontecimento acabou sendo utilizado como uma forma de explicar uma dificuldade que tinha outras origens?
Essas perguntas são importantes porque existe o risco de você passar o resto da vida tentando reparar uma dívida que talvez já tenha sido reparada. Você errou, reconheceu, pediu perdão e modificou seu comportamento. Isso não apaga o que aconteceu, mas também não significa que você precise permanecer eternamente condenado por uma versão imatura de si mesmo.
Talvez parte da sua culpa venha justamente da dificuldade de separar duas coisas: arrependimento e autopunição. O arrependimento pode ensinar alguma coisa e ajudar você a construir relações diferentes. A autopunição, por outro lado, mantém você preso ao passado mesmo depois que o comportamento mudou.
Uma pergunta que pode ajudar é: se você encontrasse hoje alguém que tivesse cometido exatamente o mesmo erro, reconhecido, pedido perdão e passado anos demonstrando um comportamento diferente, você diria que essa pessoa deveria continuar se considerando imperdoável? Ou conseguiria reconhecer que ela aprendeu e mudou?
Também vale olhar para o que essa relação ensinou sobre você. O que havia por trás daquele comportamento naquela época? Imaturidade, necessidade de validação, dificuldade de compromisso, busca por atenção? Entender isso é mais importante do que simplesmente repetir para si mesmo que "eu errei". Se você compreende o que sustentava aquele comportamento e construiu uma maneira diferente de se relacionar, então o erro cumpriu uma função importante na sua história: ensinou alguma coisa.
E talvez exista uma última pergunta difícil, mas necessária: você está tentando se perdoar pelo que fez ou ainda está tentando encontrar uma explicação que permita acreditar que poderia ter impedido o término?
Porque, às vezes, a culpa também funciona como uma forma de manter um relacionamento terminado emocionalmente vivo. Enquanto você pensa "se eu não tivesse feito aquilo, ainda estaríamos juntos", existe uma sensação de que tudo poderia ter sido diferente. Mas talvez você nunca consiga saber se aquele erro foi realmente o motivo definitivo ou apenas uma parte de uma história que mudou ao longo dos anos.
Aceitar que você errou não exige acreditar que aquele erro foi responsável por tudo o que aconteceu depois. Você pode assumir completamente a responsabilidade pelo que fez e, ao mesmo tempo, aceitar que a decisão dela de continuar ou não no relacionamento também pertence a ela.
O seu próximo passo talvez seja menos "esquecer o que fiz" e mais conseguir olhar para aquele homem que você era, compreender por que ele agiu daquela maneira e reconhecer que você não precisa continuar sendo ele.
Se ainda existir dúvida sobre a possibilidade de reconstruir a relação, a terapia de casal pode ser um espaço importante para vocês compreenderem o que aconteceu, avaliar se ainda existe desejo e disponibilidade dos dois para continuar e construir novas formas de relacionamento. Mas, se a decisão de terminar já estiver definida, também existe a possibilidade de uma terapia voltada para o processo de separação, que pode ajudar vocês a compreender melhor os motivos que levaram ao fim, elaborar o que aconteceu e encontrar maneiras mais saudáveis de seguirem suas vidas separadamente. E, caso você esteja fazendo esse processo sozinho, uma psicoterapia individual com foco nas relações pode ajudá-lo a compreender essa experiência, trabalhar a culpa e construir recursos para seguir em frente sem ficar preso ao que poderia ter sido diferente.
Perguntas frequentes
-
Fiz uma cirurgia da bacia pelve com parafuso no acetábulo 38 dias após sinto estalos e dor quando pa
Com pouco mais de um mês de cirurgia no acetábulo, a região ainda está em…