Perguntas do paciente (640)
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"Quais padrões de comprometimento cognitivo, alterações comportamentais e disfunções neurofuncionais
"Quais padrões de comprometimento cognitivo, alterações comportamentais e disfunções neurofuncionais observados na avaliação neuropsicológica indicam gravidade clínica e justificam encaminhamento psiquiátrico?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A avaliação neuropsicológica pode fornecer informações importantes sobre o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental do paciente. Embora o diagnóstico psiquiátrico não seja estabelecido a partir dos testes neuropsicológicos isoladamente, alguns padrões de comprometimento podem indicar maior gravidade clínica e justificar encaminhamento para avaliação psiquiátrica.
Entre eles, destacam-se déficits significativos em funções executivas, atenção, memória, controle inibitório, flexibilidade cognitiva e tomada de decisão quando esses prejuízos são intensos, persistentes e acompanhados de comprometimento importante no funcionamento cotidiano. Alterações dessa natureza podem estar presentes em diferentes condições neuropsiquiátricas e merecem investigação complementar.
Também chamam atenção alterações comportamentais relevantes observadas durante a avaliação ou relatadas na história clínica, como impulsividade grave, instabilidade emocional acentuada, desorganização do comportamento, agitação psicomotora importante, alterações marcantes de humor, prejuízo crítico do julgamento ou redução da capacidade de reconhecer consequências dos próprios atos.
Do ponto de vista neurofuncional, padrões sugestivos de disfunções em circuitos relacionados à autorregulação emocional, controle comportamental, atenção ou processamento social podem levantar hipóteses clínicas que demandem avaliação psiquiátrica mais aprofundada, especialmente quando associados a sofrimento significativo e prejuízo funcional.
Além disso, a presença de sintomas como alterações perceptivas, crenças claramente dissociadas da realidade compartilhada, ideação paranoide persistente, episódios de humor intensamente elevados ou rebaixados, risco de autoagressão, comprometimento grave do autocuidado ou deterioração importante do funcionamento global são situações que frequentemente justificam encaminhamento imediato.
É importante destacar que, na prática clínica, o encaminhamento não costuma ocorrer apenas em função dos resultados dos testes, mas a partir da integração entre dados neuropsicológicos, observação clínica, entrevista, histórico do paciente e impacto funcional dos sintomas. O foco principal é identificar quando a complexidade ou a gravidade do quadro exige avaliação médica especializada e possível manejo multiprofissional.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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"Em que condições clínicas, considerando comprometimentos cognitivos, neurocomportamentais e suspeit
"Em que condições clínicas, considerando comprometimentos cognitivos, neurocomportamentais e suspeita de disfunção neurobiológica, o psicólogo deve encaminhar o paciente para avaliação psiquiátrica?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O encaminhamento para avaliação psiquiátrica não depende apenas da presença de um diagnóstico específico, mas da identificação de sinais que sugiram a necessidade de investigação médica, manejo farmacológico ou avaliação mais aprofundada de possíveis alterações neurobiológicas.
De modo geral, o psicólogo pode considerar o encaminhamento quando observa sintomas cognitivos importantes, como prejuízos significativos de atenção, memória, linguagem, planejamento ou funcionamento executivo que não sejam suficientemente explicados pelo contexto emocional ou pela história de vida da pessoa. Nesses casos, pode ser necessário investigar condições neurológicas, neuropsiquiátricas ou outras alterações clínicas.
Também é recomendável encaminhar quando há mudanças marcantes no comportamento ou no funcionamento habitual, como desorganização importante do pensamento, alterações perceptivas, episódios de agitação intensa, impulsividade grave, oscilações acentuadas de humor ou comprometimento significativo do julgamento da realidade.
Outra situação frequente envolve quadros de ansiedade, depressão ou outros transtornos mentais que apresentam intensidade elevada, persistência dos sintomas ou prejuízo funcional importante, especialmente quando o sofrimento está comprometendo áreas centrais da vida, como trabalho, estudos, autocuidado ou relacionamentos. Nesses casos, a avaliação psiquiátrica pode auxiliar na definição diagnóstica e na análise da necessidade de tratamento medicamentoso.
Sob uma perspectiva clínica integrada, o encaminhamento não deve ser entendido como sinal de que a psicoterapia falhou ou de que o problema é exclusivamente biológico. Pelo contrário, muitas vezes representa uma ampliação do cuidado, permitindo que fatores psicológicos, comportamentais, sociais e biológicos sejam avaliados de forma complementar.
Em contextos de suspeita de comprometimentos neurocognitivos, transtornos do neurodesenvolvimento, alterações neurocomportamentais relevantes, sintomas psicóticos, transtornos do humor graves ou sofrimento emocional intenso com importante prejuízo funcional, a articulação entre psicólogo, psiquiatra e, quando necessário, neuropsicólogo ou neurologista costuma oferecer uma compreensão mais abrangente do caso e melhores condições para o planejamento terapêutico.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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"De que maneira sintomas depressivos, ansiosos, aditivos e psicossomáticos se articulam com a dinâmi
"De que maneira sintomas depressivos, ansiosos, aditivos e psicossomáticos se articulam com a dinâmica psíquica do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
De forma geral, esses grupos de sintomas depressivos, ansiosos, aditivos e psicossomáticos podem ser entendidos, no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), não apenas como “comorbidades”, mas também como expressões diferentes de um mesmo eixo de desregulação emocional e interpessoal.
No TPB, há frequentemente uma elevada sensibilidade a experiências de rejeição, abandono, frustração e invalidação. Essas experiências tendem a gerar estados emocionais intensos e de rápida oscilação, o que pode contribuir para a emergência de sintomas ansiosos, como hipervigilância, preocupação excessiva e sensação de ameaça constante, especialmente em contextos relacionais.
Os sintomas depressivos, por sua vez, costumam se articular com vivências de vazio, desesperança, autodepreciação e instabilidade na identidade. Muitas vezes, não se trata de uma depressão “isolada”, mas de estados afetivos reativos a rupturas, perdas percebidas ou dificuldades interpessoais, que podem ser vividos de forma intensa e prolongada.
Os comportamentos aditivos podem surgir como estratégias de regulação emocional mais imediata. Substâncias ou comportamentos compulsivos podem funcionar, em muitos casos, como tentativas de reduzir sofrimento psíquico intenso, ainda que com consequências negativas no médio e longo prazo, reforçando ciclos de instabilidade.
Já as manifestações psicossomáticas podem ser compreendidas como formas de expressão corporal de estados emocionais que não foram plenamente simbolizados ou regulados. O corpo, nesse contexto, pode se tornar um importante “porta-voz” do sofrimento emocional, especialmente quando há sobrecarga afetiva.
Sob uma perspectiva mais contextual e funcional, esses sintomas não são vistos como entidades separadas, mas como diferentes formas de resposta a um mesmo padrão de vulnerabilidade emocional e relacional. Assim, o foco clínico tende a ser menos a classificação isolada dos sintomas e mais a compreensão de suas funções: o que eles ajudam a evitar, a regular ou a comunicar na vida da pessoa.
Isso permite intervenções mais integradas, voltadas para regulação emocional, ampliação de repertório comportamental, construção de habilidades interpessoais e desenvolvimento de maior flexibilidade psicológica ao longo das relações e situações de vida.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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"Como sintomas depressivos, ansiosos, adições e manifestações psicossomáticas se relacionam com a di
"Como sintomas depressivos, ansiosos, adições e manifestações psicossomáticas se relacionam com a dinâmica psíquica característica da organização borderline?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sintomas depressivos, ansiosos, comportamentos aditivos e manifestações psicossomáticas são frequentemente observados em pessoas com organização borderline da personalidade. No entanto, atualmente entende-se que esses fenômenos não devem ser vistos apenas como condições separadas ou comorbidades independentes, mas também como possíveis expressões de dificuldades mais amplas relacionadas à regulação emocional, à identidade e ao funcionamento interpessoal.
Pessoas com funcionamento borderline costumam apresentar elevada sensibilidade emocional, respostas afetivas intensas e dificuldades para modular estados internos dolorosos. Nesse contexto, sintomas ansiosos podem surgir associados à hipervigilância interpessoal, ao medo de rejeição, abandono ou exclusão social. Já os sintomas depressivos frequentemente aparecem relacionados a sentimentos persistentes de vazio, autocrítica intensa, desesperança ou experiências recorrentes de perda e ruptura nos relacionamentos.
Os comportamentos aditivos (como uso de substâncias, compulsões ou outras formas de busca de alívio imediato) podem funcionar como tentativas de escapar, reduzir ou controlar experiências emocionais aversivas. Embora tragam alívio momentâneo, muitas vezes acabam contribuindo para a manutenção do sofrimento a longo prazo.
De forma semelhante, manifestações psicossomáticas podem ser compreendidas como expressões corporais de um sofrimento emocional intenso. Quando emoções difíceis não conseguem ser reconhecidas, processadas ou reguladas adequadamente, é comum que o sofrimento se manifeste também por meio de sintomas físicos, como dores, desconfortos gastrointestinais, fadiga, tensões musculares ou outras queixas somáticas.
Sob uma perspectiva contemporânea e contextual, todos esses fenômenos podem ser compreendidos como tentativas de adaptação diante de experiências internas intensas e difíceis de manejar. Assim, o foco clínico não costuma estar apenas na eliminação dos sintomas, mas na compreensão das funções que eles exercem na vida da pessoa e no desenvolvimento de formas mais flexíveis e eficazes de responder ao sofrimento emocional.
Por esse motivo, intervenções voltadas para regulação emocional, construção de identidade, flexibilidade psicológica, habilidades interpessoais e ampliação do repertório de enfrentamento tendem a ocupar um papel central no tratamento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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"Como as comorbidades do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se relacionam com déficits em
"Como as comorbidades do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se relacionam com déficits em funções executivas, controle inibitório, processamento emocional, tomada de decisão e cognição social?"
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
As comorbidades no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm uma relação importante com diferentes domínios do funcionamento neuropsicológico, especialmente funções executivas, controle inibitório, processamento emocional, tomada de decisão e cognição social. Essa relação é complexa e bidirecional, ou seja, as comorbidades podem tanto influenciar quanto serem influenciadas por esses déficits.
Em relação às funções executivas, comorbidades como TDAH, transtornos depressivos e transtornos relacionados ao trauma podem intensificar dificuldades em planejamento, organização, flexibilidade cognitiva e manutenção de metas de longo prazo. Isso pode agravar a instabilidade comportamental já presente no TPB, aumentando impulsividade e dificuldade de autorregulação.
No que se refere ao controle inibitório, tanto o TPB quanto suas comorbidades podem contribuir para maior dificuldade em frear respostas automáticas diante de emoções intensas. Em quadros depressivos, por exemplo, pode haver redução da capacidade de inibir pensamentos negativos recorrentes, enquanto em quadros de ansiedade e trauma há maior reatividade a estímulos percebidos como ameaçadores.
O processamento emocional também é fortemente impactado. A presença de comorbidades pode amplificar a intensidade emocional, dificultar a identificação adequada de emoções e prolongar estados afetivos negativos. Em transtornos do espectro traumático, por exemplo, há maior sensibilidade a gatilhos emocionais, o que pode intensificar a desregulação emocional típica do TPB.
Na tomada de decisão, comorbidades podem contribuir para maior impulsividade ou, em alguns casos, indecisão acentuada. Isso ocorre porque a combinação entre desregulação emocional, ruminação (frequente em depressão) e hipervigilância (frequente em ansiedade e trauma) interfere na avaliação de consequências e na escolha de comportamentos mais adaptativos.
Em relação à cognição social, condições comórbidas podem afetar a interpretação de intenções alheias, reconhecimento de emoções e leitura de contextos sociais. Isso pode aumentar interpretações negativas ou ambíguas das interações, favorecendo conflitos interpessoais e instabilidade nos relacionamentos.
Do ponto de vista neuropsicológico, essas interações refletem a sobreposição de diferentes padrões de funcionamento cerebral e cognitivo, que envolvem redes responsáveis pela regulação emocional (como sistemas límbicos), controle cognitivo (córtex pré-frontal) e processamento social.
Na perspectiva comportamental contextual, mais do que tratar essas alterações como déficits isolados, entende-se que elas representam padrões de interação entre história de aprendizagem, ambiente atual e repertório comportamental, que podem se intensificar na presença de comorbidades.
Em resumo, as comorbidades no TPB tendem a potencializar dificuldades já existentes em múltiplos domínios cognitivos e emocionais, aumentando a complexidade clínica e exigindo intervenções integradas e individualizadas.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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O que seria quando você sente que vai cochilar e você cochila, só que você ainda está de olhos abert
O que seria quando você sente que vai cochilar e você cochila, só que você ainda está de olhos abertos e você sente que você e seu corpo estão cochilando, mas os seus olhos ainda estão abertos e você consegue ver o que está na sua volta mesmo cochilando, e tem horas que você consegue fechar os olhos e dormir, só que quando você abre, você percebe que às vezes você tá acordada e ao mesmo tempo pode acabar voltando a dormir, e tem vezes que quando você quer mexer o dedo, se auto acordar ou até mesmo falar, você tem que fazer um esforço grande ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você descreve parece estar relacionado a um estado de transição entre o sono e a vigília, quando a pessoa não está completamente acordada nem completamente dormindo.
Nesses momentos, algumas pessoas relatam a sensação de estar "cochilando", mas ainda percebendo o ambiente ao redor, ouvindo sons ou vendo o que está à sua volta. Também pode ocorrer uma dificuldade temporária para se mexer, abrir os olhos completamente ou falar, como se o corpo ainda estivesse "preso" ao estado de sono enquanto a mente já começou a despertar.
Em algumas situações, isso pode estar relacionado a fenômenos relativamente comuns, como a paralisia do sono ou estados de sonolência intensa. Estresse, privação de sono, ansiedade, horários irregulares de descanso e fadiga podem aumentar a frequência dessas experiências.
No entanto, não é possível determinar a causa exata apenas pelo relato. Se isso acontece com frequência, está aumentando de intensidade ou causando prejuízo na sua rotina, pode ser importante procurar avaliação médica, especialmente com um neurologista ou médico especializado em medicina do sono.
Também vale observar aspectos como qualidade do sono, quantidade de horas dormidas, uso de medicamentos, consumo de cafeína e níveis de estresse, pois todos esses fatores podem influenciar essas experiências, e isso um psicologo pode te auxiliar.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Como a experiência subjetiva de pertencimento social é vivenciada, construída e ressignificada por p
Como a experiência subjetiva de pertencimento social é vivenciada, construída e ressignificada por pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ao longo de suas relações interpessoais?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A experiência de pertencimento social em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) costuma ser marcada por uma tensão constante entre o desejo profundo de conexão e o medo intenso de rejeição, abandono ou exclusão.
Muitas pessoas com TPB relatam sentir uma necessidade significativa de proximidade emocional e validação interpessoal. No entanto, justamente por atribuírem grande importância aos vínculos, podem se tornar especialmente sensíveis a sinais de afastamento, críticas, mudanças na disponibilidade afetiva do outro ou situações ambíguas que possam ser interpretadas como rejeição.
Sob uma perspectiva contextual, o sentimento de pertencimento não é visto apenas como uma característica interna da pessoa, mas como uma experiência construída continuamente nas interações sociais e na história de aprendizagem do indivíduo. Experiências repetidas de invalidação emocional, instabilidade relacional, trauma ou rejeição podem contribuir para o desenvolvimento de padrões nos quais o pertencimento se torna percebido como algo frágil, incerto ou constantemente ameaçado.
Como consequência, algumas pessoas podem alternar entre movimentos de intensa aproximação e estratégias de proteção emocional, como afastamento, evitação, hipervigilância interpessoal ou busca constante por garantias de aceitação. Paradoxalmente, essas tentativas de reduzir o medo da exclusão podem acabar dificultando a construção de relações estáveis e satisfatórias.
Ao longo do tratamento, muitas vezes ocorre um processo de ressignificação do pertencimento. Em vez de depender exclusivamente da confirmação constante dos outros, a pessoa pode desenvolver formas mais flexíveis de lidar com a insegurança interpessoal, tolerar melhor ambiguidades relacionais e construir vínculos baseados não apenas na necessidade de evitar o abandono, mas também em valores como intimidade, reciprocidade, autenticidade e cuidado mútuo.
Dessa forma, o pertencimento passa gradualmente a ser vivido menos como algo que precisa ser garantido a todo momento e mais como uma experiência construída e sustentada nas relações, mesmo diante das inevitáveis incertezas que fazem parte da vida social.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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De que modo os processos afetivos, cognitivos, relacionais e neurobiológicos interagem na construção
De que modo os processos afetivos, cognitivos, relacionais e neurobiológicos interagem na construção do sentimento de pertencimento social em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O sentimento de pertencimento social em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é construído a partir da interação complexa entre processos afetivos, cognitivos, relacionais e neurobiológicos. No TPB, esses sistemas tendem a funcionar de maneira mais sensível e reativa a sinais interpessoais, o que influencia diretamente a experiência de conexão social.
Do ponto de vista afetivo, há frequentemente uma maior intensidade emocional e reatividade a estímulos sociais. Emoções como medo de rejeição, vergonha e ansiedade podem surgir rapidamente em situações interpessoais, dificultando a vivência estável de segurança e aceitação. Essa alta reatividade emocional pode interferir na sensação contínua de pertencimento, tornando-a mais instável e dependente do contexto imediato.
No nível cognitivo, podem ocorrer padrões de interpretação mais negativos ou ambíguos das interações sociais. Pequenos sinais podem ser interpretados como rejeição, afastamento ou crítica, o que afeta diretamente a construção de uma percepção estável de aceitação social. Esses vieses cognitivos contribuem para oscilações na forma como a pessoa percebe seu lugar nos grupos e nas relações.
No âmbito relacional, observa-se frequentemente uma oscilação entre busca intensa de proximidade e medo de abandono. Esse padrão pode gerar vínculos intensos, mas também instáveis, com dificuldades em manter uma sensação contínua de segurança interpessoal. A experiência de pertencimento pode, assim, depender fortemente da qualidade momentânea das relações, e não de uma percepção interna estável.
Do ponto de vista neurobiológico, estudos sugerem maior reatividade de estruturas envolvidas no processamento emocional e social, como a amígdala, associada à detecção de ameaça, e menor eficiência funcional de áreas pré-frontais relacionadas à regulação emocional e reavaliação cognitiva. Isso pode aumentar a sensibilidade a sinais sociais negativos e dificultar a modulação dessas respostas.
A interação entre esses sistemas faz com que o sentimento de pertencimento no TPB seja frequentemente mais instável e altamente dependente de contextos interpessoais imediatos. Em situações de segurança e validação, pode haver forte sensação de conexão; já em situações percebidas como rejeição, essa sensação pode se romper rapidamente.
Do ponto de vista comportamental contextual, o pertencimento social é entendido como um processo dinâmico de interação entre história de aprendizagem e contingências atuais. No TPB, padrões de evitação, hipersensibilidade à rejeição e estratégias de regulação emocional podem restringir a flexibilidade necessária para sustentar vínculos estáveis ao longo do tempo.
Em síntese, o sentimento de pertencimento no TPB emerge da interação entre emoção intensa, interpretações cognitivas sensíveis a ameaça, padrões relacionais instáveis e maior reatividade neurobiológica, o que contribui para sua variabilidade e fragilidade.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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"Como a psicanálise, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a neuropsicologia explicam a relação
"Como a psicanálise, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a neuropsicologia explicam a relação entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o sentimento crônico de não pertencimento social ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Ola!
O sentimento crônico de não pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser compreendido de formas diferentes a depender da abordagem teórica. Enquanto algumas linhas enfatizam estruturas intrapsíquicas, padrões cognitivos ou possíveis correlatos neuropsicológicos, as abordagens comportamentais e contextuais tendem a focar mais nos processos que mantêm essa experiência ao longo da vida da pessoa.
Na Terapia Comportamental Dialética (DBT), por exemplo, esse sentimento é frequentemente relacionado a dificuldades na regulação emocional e a um histórico de invalidação emocional. Ao longo do desenvolvimento, a pessoa pode não ter aprendido formas eficazes de reconhecer, nomear e modular estados emocionais intensos, o que torna experiências de rejeição ou ambiguidade social muito mais dolorosas e difíceis de integrar. Isso pode levar a ciclos de busca intensa por aceitação seguidos de medo de abandono e afastamento, o que acaba dificultando a construção estável de pertencimento.
Na Análise do Comportamento, o foco recai sobre a história de aprendizagem. Sentimentos de não pertencimento podem ser entendidos como produtos de contingências de reforço ao longo da vida: experiências repetidas de rejeição, punição social, exclusão ou inconsistência nas respostas do ambiente podem reduzir a probabilidade de comportamentos de aproximação social e aumentar comportamentos de esquiva, isolamento ou hipervigilância interpessoal. Esses padrões, embora inicialmente funcionais para evitar dor, podem manter a dificuldade de contato social e reforçar a sensação de “não fazer parte”.
Já nas terapias contextuais (como ACT e FAP), o sentimento de não pertencimento não é visto como algo a ser eliminado, mas como uma experiência subjetiva que pode ser amplificada pela fusão com pensamentos autoavaliativos (“eu não pertenço”, “sou inadequado”) e pela evitação experiencial de situações sociais. Quanto mais a pessoa tenta se livrar desse desconforto evitando vínculos ou buscando garantias de aceitação, mais restrita tende a ficar sua vida social. O trabalho terapêutico, nesse sentido, envolve aumentar flexibilidade psicológica, permitindo que a pessoa se engaje em relações significativas mesmo na presença de insegurança, vergonha ou medo de rejeição.
Em comum entre essas abordagens contextuais a ideia de que o pertencimento não é apenas uma crença ou um traço interno, mas uma experiência construída nas interações e mantida por padrões de aprendizagem, regulação emocional e evitação experiencial. Assim, o foco do tratamento não é apenas “corrigir uma percepção distorcida”, mas ampliar repertórios de contato social, tolerância ao desconforto e construção de vínculos mais consistentes ao longo do tempo.
Espero ter ajudado.
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“De que forma o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) impacta os relacionamentos interpessoai
“De que forma o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) impacta os relacionamentos interpessoais sob a perspectiva da psicanálise, da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e da neuropsicologia?”
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode impactar significativamente os relacionamentos interpessoais, e diferentes abordagens teóricas ajudam a compreender esse funcionamento de maneiras complementares.
1. Perspectiva psicanalítica
Na psicanálise, o TPB é frequentemente compreendido a partir de dificuldades na integração das representações de si e do outro. Isso pode levar a oscilações intensas na forma como a pessoa percebe seus relacionamentos, alternando entre idealização e desvalorização. Também são comuns dificuldades relacionadas à regulação emocional primária e à vivência de angústias intensas ligadas ao medo de abandono. Os relacionamentos podem ser vividos de forma muito intensa, com forte dependência emocional e reações afetivas extremas diante de frustrações ou separações percebidas.
2. Perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Na TCC, o foco está nos padrões de pensamentos, crenças e comportamentos. No TPB, podem existir crenças centrais como “vou ser abandonado”, “sou inadequado” ou “as pessoas vão me machucar”. Essas crenças influenciam a interpretação das situações interpessoais, levando a respostas emocionais intensas e comportamentos impulsivos. Além disso, estratégias disfuncionais de enfrentamento, como evitação, reações impulsivas ou comportamentos de teste nos relacionamentos, podem manter ciclos de instabilidade interpessoal.
3. Perspectiva neuropsicológica
Sob a ótica neuropsicológica, o TPB é frequentemente associado a dificuldades em funções como regulação emocional, controle inibitório e processamento de informações sociais. Isso pode resultar em maior reatividade emocional a estímulos interpessoais, dificuldade em modular respostas impulsivas e maior sensibilidade a sinais percebidos de rejeição ou ameaça social. Essas características podem contribuir para interpretações mais intensas ou rápidas de situações sociais ambíguas.
Em conjunto, essas três abordagens mostram que os impactos do TPB nos relacionamentos não podem ser explicados por um único fator, mas por uma interação entre experiências emocionais, padrões cognitivos e processos neuropsicológicos.
Na prática clínica, essas perspectivas podem se complementar no entendimento do funcionamento da pessoa, contribuindo para intervenções mais amplas e integradas, focadas tanto na regulação emocional quanto na construção de padrões relacionais mais estáveis.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Por que pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm medo intenso de abandono na v
Por que pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm medo intenso de abandono na visão neuropsicológica ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Do ponto de vista neuropsicológico, o medo intenso de abandono no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é compreendido como resultado de um padrão de hiperreatividade emocional combinado com dificuldades na regulação e interpretação de sinais sociais.
Um dos principais achados na literatura é a maior ativação de estruturas como a amígdala, que está envolvida na detecção de ameaça e processamento emocional. Em pessoas com TPB, essa estrutura pode responder de forma mais intensa a estímulos sociais que são percebidos como potenciais sinais de rejeição ou afastamento, mesmo quando são neutros ou ambíguos.
Ao mesmo tempo, observa-se uma menor eficiência funcional de áreas do córtex pré-frontal, especialmente aquelas relacionadas ao controle inibitório, à regulação emocional e à reavaliação cognitiva. Isso significa que, quando o sistema emocional é ativado, pode haver mais dificuldade em “frear” essa resposta e reinterpretar a situação de forma mais estável.
Além disso, há evidências de alterações na forma como o cérebro processa sinais de vínculo e apego, o que pode tornar variações normais de proximidade interpessoal mais salientes e emocionalmente carregadas. Pequenas mudanças no comportamento do outro podem ser interpretadas como indicativos de rejeição ou abandono iminente.
Do ponto de vista funcional, isso ajuda a entender por que o medo de abandono pode surgir de forma rápida, intensa e difícil de modular: não é apenas uma interpretação consciente, mas uma resposta neuroemocional automática, que ocorre antes mesmo de uma análise racional mais elaborada.
É importante reforçar que esses padrões não são fixos nem deterministas. Eles representam tendências de funcionamento que podem ser modificadas ao longo do tempo por meio de psicoterapia baseada em evidências, que ajuda a fortalecer habilidades de regulação emocional, aumentar a tolerância à incerteza interpessoal e desenvolver respostas mais flexíveis em situações de vínculo.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Como o pertencimento social é definido clinicamente no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)
Como o pertencimento social é definido clinicamente no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) refere-se à forma como a pessoa percebe seu lugar nas relações e grupos sociais. Clinicamente, é comum que esse sentimento seja instável e muito dependente da validação externa. Pequenos sinais de afastamento, críticas ou mudanças no comportamento de outras pessoas podem ser interpretados como rejeição ou abandono, gerando intenso sofrimento emocional.
Muitas pessoas com TPB relatam sentir que não pertencem a lugar algum, mesmo quando possuem amigos, familiares ou parceiros. Em alguns momentos podem buscar intensa proximidade e aprovação dos outros; em outros, podem se afastar por medo de serem rejeitadas. Essa oscilação costuma estar relacionada às dificuldades de regulação emocional, à instabilidade da autoimagem e ao medo de abandono, características centrais do transtorno.
É importante destacar que o sentimento de não pertencimento não significa que a pessoa esteja, de fato, excluída socialmente, mas sim que sua percepção das relações pode ser influenciada pela intensidade das emoções e pela sensibilidade à rejeição.
O tratamento psicoterápico, especialmente abordagens como a Terapia Comportamental Dialética (DBT) e terapias contextuais, busca fortalecer uma identidade mais estável, desenvolver habilidades de regulação emocional e construir relações mais seguras e satisfatórias, reduzindo a dependência da validação externa para sentir-se pertencente.
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Como o psicólogo atua na construção de pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderlin
Como o psicólogo atua na construção de pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A construção de pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um dos objetivos importantes do processo psicoterapêutico, já que muitas pessoas com esse diagnóstico apresentam histórico de vínculos instáveis, medo de rejeição e dificuldades em se sentir seguras nas relações.
O papel do psicólogo não é apenas reduzir sintomas, mas também ajudar a pessoa a desenvolver experiências relacionais mais estáveis e significativas, que favoreçam a sensação de conexão e pertencimento.
Na prática clínica, isso ocorre de algumas formas:
1. Construção de uma relação terapêutica estável
A própria relação com o terapeuta funciona como uma base segura. Um vínculo consistente, previsível e validante permite que a pessoa experimente um tipo de relação diferente das experiências anteriores, mais estável e confiável.
2. Validação emocional e reconstrução de experiências relacionais
O psicólogo ajuda o paciente a reconhecer e validar suas emoções, ao mesmo tempo em que trabalha interpretações que podem levar a padrões de isolamento ou conflitos interpessoais. Isso favorece uma leitura mais flexível das situações sociais.
3. Desenvolvimento de habilidades interpessoais
São trabalhadas habilidades como comunicação assertiva, expressão de necessidades, estabelecimento de limites e manejo de conflitos. Isso aumenta a capacidade de construir e manter relações mais saudáveis.
4. Regulação emocional em contextos sociais
Muitas dificuldades de pertencimento surgem da intensa reatividade emocional. O tratamento ajuda a pessoa a reconhecer emoções antes que elas dominem o comportamento, facilitando interações mais estáveis.
5. Ampliação gradual da rede social
Em alguns casos, o processo envolve incentivar gradualmente o contato com contextos sociais seguros, favorecendo experiências reais de aceitação e vínculo.
Do ponto de vista da psicologia comportamental contextual, o pertencimento social não é visto apenas como um “sentimento interno”, mas como algo que se constrói a partir de interações consistentes entre a pessoa e o ambiente. Assim, o tratamento busca ampliar o repertório comportamental para que o indivíduo consiga se engajar em relações de forma mais flexível, mesmo diante de emoções intensas.
Em resumo, o psicólogo atua como facilitador de experiências relacionais mais seguras e consistentes, ajudando a pessoa a desenvolver habilidades e repertórios que sustentem um maior senso de pertencimento ao longo do tempo.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Como o psicólogo ajuda na construção de pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderli
Como o psicólogo ajuda na construção de pertencimento social no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O psicólogo pode ter um papel muito importante na construção do sentimento de pertencimento social em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), não apenas ensinando habilidades interpessoais, mas também oferecendo um contexto relacional seguro onde novas formas de se relacionar possam ser desenvolvidas e experimentadas.
Muitas pessoas com TPB carregam uma história marcada por experiências de invalidação, rejeição, instabilidade ou rupturas relacionais significativas. Como resultado, podem desenvolver expectativas de abandono, dificuldade em confiar nos outros ou uma sensação persistente de não se encaixar verdadeiramente em lugar algum.
Nesse contexto, a própria relação terapêutica frequentemente se torna um espaço importante de aprendizagem. Ao vivenciar uma relação baseada em aceitação, limites consistentes, autenticidade e respeito, a pessoa pode começar a construir experiências diferentes daquelas que contribuíram para seu sofrimento.
Além disso, o trabalho psicológico ajuda o paciente a identificar padrões que, embora tenham surgido como tentativas de proteção, podem acabar dificultando a construção de vínculos duradouros. Por exemplo, a busca constante por garantias de aceitação, o afastamento preventivo por medo de rejeição ou a hipervigilância a sinais de abandono.
Sob uma perspectiva contextual, o objetivo não é simplesmente fazer com que a pessoa "se sinta pertencente", mas ampliar sua capacidade de participar de relacionamentos significativos mesmo na presença de inseguranças, medos ou dúvidas. Em outras palavras, desenvolver flexibilidade para agir em direção aos vínculos que valoriza, sem precisar esperar que toda sensação de rejeição ou inadequação desapareça primeiro.
Ao longo do processo terapêutico, o pertencimento tende a ser construído menos como uma certeza absoluta de aceitação e mais como a capacidade de estar em conexão com outras pessoas de forma autêntica, recíproca e consistente, mesmo diante das vulnerabilidades que fazem parte de qualquer relação humana.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Por que o pensamento pode ficar acelerado no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
Por que o pensamento pode ficar acelerado no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O pensamento acelerado pode ocorrer em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), especialmente em momentos de intensa ativação emocional. No entanto, é importante destacar que ele não costuma acontecer pelas mesmas razões observadas em transtornos do humor, como episódios maníacos.
No TPB, frequentemente observamos uma grande sensibilidade emocional. Situações relacionadas a rejeição, abandono, conflitos interpessoais ou sentimentos de insegurança podem desencadear uma intensa cascata de pensamentos, preocupações, interpretações e tentativas de encontrar explicações ou soluções para o sofrimento vivido.
Sob uma perspectiva mais funcional, o pensamento acelerado pode ser entendido como uma tentativa da mente de lidar com emoções difíceis. A pessoa pode ficar analisando repetidamente situações, imaginando cenários futuros, revisitando conversas ou buscando sinais de ameaça e rejeição. Embora isso tenha a função de tentar gerar controle ou segurança, muitas vezes acaba aumentando ainda mais o sofrimento emocional.
Além disso, estados de ansiedade elevados, comuns em muitos pacientes com TPB, também podem contribuir para a sensação de que a mente "não desliga", tornando difícil concentrar-se, descansar ou permanecer no momento presente.
Por esse motivo, atualmente entende-se que não basta olhar apenas para a velocidade dos pensamentos, mas também para o contexto emocional em que eles surgem, sua função e o impacto que exercem sobre a vida da pessoa.
O tratamento costuma envolver o desenvolvimento de habilidades de regulação emocional, tolerância ao sofrimento e formas mais flexíveis de responder às experiências internas, reduzindo gradualmente a necessidade de entrar em ciclos de preocupação, ruminação ou busca constante por controle.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração p
Morder o próprio lábio é classificado como automutilação? Eu faço isso como uma forma de distração para minha ansiedade e falta de motivação/ânimo dessa vida. Normalmente automutilação é tratado pelas pessoas apenas como cortes, as vezes queimaduras voluntárias, mas eu queria saber sobre uma perspectiva profissional como esse ato em específico é classificado.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Do ponto de vista clínico, “morder o próprio lábio” pode ou não ser considerado automutilação — isso depende principalmente da intenção, frequência e função do comportamento, e não apenas da forma em si.
Em termos gerais, automutilação (ou comportamento autolesivo) costuma se referir a ações intencionais que causam dano ao próprio corpo com a função de lidar com sofrimento emocional, regular ansiedade, aliviar tensão ou interromper estados internos muito intensos. Embora cortes e queimaduras sejam mais conhecidos, existem também formas menos visíveis de autolesão, como bater em si mesmo, arranhar-se ou morder-se repetidamente.
No seu caso específico, morder o lábio como forma de distração da ansiedade pode ser entendido mais como um comportamento de regulação emocional automático ou um hábito repetitivo associado à tensão. Muitas pessoas fazem isso sem necessariamente haver intenção de se machucar, funcionando mais como uma forma de aliviar inquietação, desviar a atenção ou descarregar tensão interna.
A diferença principal está em alguns pontos:
Intencionalidade de causar dano: presente ou não
Grau de lesão: leve e ocasional vs. recorrente e com prejuízo físico
Função do comportamento: distração leve vs. alívio de sofrimento intenso por meio de dor ou autoagressão
Mesmo quando não há intenção consciente de autolesão, esse tipo de comportamento pode indicar que você está lidando com um nível significativo de ansiedade ou desconforto emocional, e que seu corpo encontrou uma forma de descarga ou regulação.
Se isso tem acontecido com frequência ou te causa preocupação, pode ser um bom tema para levar à terapia. Existem formas mais seguras e eficazes de regular ansiedade e aumentar a tolerância ao desconforto emocional, sem necessidade de recorrer a comportamentos que possam gerar ferimentos.
Você não está sozinho(a) nisso e o mais importante aqui não é o “rótulo”, mas entender o que esse comportamento está tentando aliviar em você.
Espero ter ajudado.
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Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se compara a uma pessoa emocionalmente sensível?
Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se compara a uma pessoa emocionalmente sensível?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Essa é uma boa pergunta porque, na prática clínica, muita confusão acontece justamente entre “ser uma pessoa emocionalmente sensível” e ter Transtorno de Personalidade Borderline (TPB).
A sensibilidade emocional é um traço humano comum. Algumas pessoas sentem emoções com mais intensidade, reagem mais rapidamente a estímulos emocionais e podem ser mais empáticas, reativas ou impactadas por situações interpessoais. Isso, por si só, não é um transtorno pode até ser uma característica neutra ou positiva dependendo do contexto.
Já o TPB não se define apenas por sentir emoções intensas, mas por um padrão mais amplo e persistente de funcionamento que envolve sofrimento e prejuízo significativo na vida da pessoa.
Algumas diferenças importantes:
Intensidade emocional:
Pessoas sensíveis podem sentir muito, mas ainda conseguem se regular na maioria das situações. No TPB, as emoções tendem a ser muito mais intensas, rápidas e difíceis de regular.
Estabilidade do self e relacionamentos:
No TPB, é comum haver instabilidade na autoimagem e nos vínculos, com relações intensas, oscilantes e medo marcante de abandono. A sensibilidade emocional, por si só, não implica necessariamente essa instabilidade.
Impacto funcional:
No TPB, os padrões emocionais costumam gerar prejuízos importantes em áreas como trabalho, relacionamentos, impulsividade e comportamento. Na sensibilidade emocional, isso nem sempre acontece.
Comportamentos associados:
No TPB podem aparecer impulsividade, comportamentos de risco, crises intensas, tentativas de evitar abandono e dificuldades importantes de regulação emocional. Isso não é típico apenas da sensibilidade emocional.
De forma contextual, também é importante evitar ver o TPB como “ser muito emocional”. Ele é melhor compreendido como um padrão de aprendizagem e regulação emocional/interpessoal que causa sofrimento significativo e rigidez nos modos de reagir às experiências.
Ser emocionalmente sensível é uma característica. TPB é um conjunto mais amplo e persistente de padrões emocionais, relacionais e comportamentais que geram prejuízo e sofrimento.
Se houver dúvida em relação ao próprio funcionamento, uma avaliação com psicólogo é sempre o melhor caminho, porque ele vai olhar para o conjunto da história e não apenas para um traço isolado.
Espero ter ajudado.
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Olá! Venho há algum tempo refletindo sobre crenças limitantes e como minha vida foi impactada por
Olá!
Venho há algum tempo refletindo sobre crenças limitantes e como minha vida foi impactada por isso desde pequeno, ainda mais considerando que sou uma pessoa LGBTQIA+. Hoje ainda permaneco com crenças que não fazem sentido para mim, mas sinto que muitas vezes fico tomado pelo medo ou ansiedade, o que inclusive afeta o meu relacionamento atual. Devo procurar um psicólogo e/ou psiquiatra?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Espero que esteja tudo bem!
Pelo que você descreve, parece que não são apenas as crenças em si que estão causando sofrimento, mas a forma como elas continuam influenciando sua vida mesmo quando, racionalmente, você já não concorda com elas.
Muitas pessoas LGBTQIA+ crescem em contextos nos quais recebem, direta ou indiretamente, mensagens sobre quem deveriam ser, como deveriam agir ou o que seria aceitável sentir. Mesmo quando essas mensagens deixam de fazer sentido na vida adulta, seus efeitos podem continuar presentes na forma de medo, ansiedade, autocrítica ou insegurança nos relacionamentos.
Do ponto de vista das terapias contextuais, nem sempre o objetivo é eliminar completamente determinados pensamentos ou crenças, mas desenvolver uma relação diferente com eles. Afinal, muitas vezes o sofrimento não está apenas no conteúdo do pensamento, mas no quanto ele passa a dirigir nossas escolhas e limitar nossa vida.
Considerando que você relata impactos emocionais e dificuldades no relacionamento, acredito que buscar acompanhamento psicológico pode ser bastante útil. A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender melhor esses padrões, aumentar sua flexibilidade psicológica e construir formas de agir mais alinhadas com quem você deseja ser, em vez de permanecer guiado pelo medo ou pela ansiedade.
Já a avaliação psiquiátrica costuma ser especialmente indicada quando os sintomas de ansiedade, sofrimento emocional ou alterações de humor são muito intensos, persistentes ou estão causando prejuízos significativos no funcionamento diário. Um psicólogo poderá inclusive ajudá-lo a avaliar se há necessidade desse encaminhamento.
O fato de você já estar refletindo sobre essas questões demonstra um importante movimento de autoconhecimento. Buscar ajuda profissional pode ser uma oportunidade de aprofundar esse processo e construir uma relação mais livre com sua própria história. Não desista de si mesmo!
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando es
Tenho vontade de fazer caminhada e correr, mas devido e TAG desenvolvi certos gatilhos que quando estou caminhando me fazem pensar um monte coisas e drenam a minha capacidade física. Interessante que ontem mesmo senti isso ao sair de casa até um restaurante. Não conseguia me desligar dos sintomas e já estava ficando cansado. Na volta, que era a mesma distância, vinha conversando com uma pessoa e nem percebi quando terminei o percurso. Não senti qualquer cansaço. Isso aponta para ansiedade? Ainda não fiz exames médicos.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você descreve é bastante compatível com um padrão comum na ansiedade, especialmente no Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), mas não é possível fazer qualquer diagnóstico apenas por esse relato isolado.
Um ponto importante do seu exemplo é a diferença entre caminhar com foco nos sintomas versus caminhar com atenção desviada (conversando com alguém). Quando você está sozinho e focado nas sensações corporais, nos pensamentos e no possível perigo, há uma tendência de aumento da hipervigilância corporal. Isso faz com que o cérebro passe a monitorar constantemente o corpo, interpretando sensações normais (como respiração, batimentos cardíacos e cansaço leve) como sinais de ameaça.
Esse estado de atenção excessiva aumenta a ativação fisiológica e pode gerar:
sensação de cansaço mais rápido;
percepção aumentada de esforço físico;
aceleração de pensamentos;
sensação de “drenagem” de energia.
Já quando você estava conversando com alguém, sua atenção foi naturalmente deslocada para o ambiente externo. Isso reduz a autorreferência e a monitorização constante do corpo, o que faz com que o esforço pareça menor e o percurso seja percebido como mais leve — mesmo que fisicamente seja o mesmo.
Esse fenômeno é muito comum em quadros ansiosos: não é que o corpo esteja necessariamente mais fraco, mas sim que a forma como a atenção está organizada influencia diretamente a percepção de esforço e fadiga.
Do ponto de vista clínico, isso sugere mais um padrão de ansiedade com foco interoceptivo (hiperatenção às sensações internas) do que um problema físico primário, mas isso não exclui a importância de uma avaliação médica básica para descartar causas orgânicas, especialmente se você ainda não fez exames.
De forma geral, quando há ansiedade envolvida, estratégias que ajudam incluem:
treino de atenção externa (focar no ambiente durante caminhadas);
exposição gradual a atividades físicas sem monitoramento constante do corpo;
reduzir a tentativa de “verificar” sintomas durante a atividade;
aprender a observar pensamentos sem se fundir com eles.
Se esse padrão estiver te limitando, a psicoterapia pode ajudar bastante a reorganizar essa relação entre atenção, corpo e ansiedade.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Quais fatores aumentam o risco de comportamento suicida em pacientes com transtorno de personalidade
Quais fatores aumentam o risco de comportamento suicida em pacientes com transtorno de personalidade borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O comportamento suicida no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um tema complexo e multifatorial. Não existe um único fator responsável por esse risco, mas sim a interação de diferentes aspectos emocionais, interpessoais e clínicos.
Entre os fatores frequentemente associados ao aumento do risco estão:
• Dificuldades intensas de regulação emocional, com sofrimento psicológico muito elevado em momentos de crise.
• Impulsividade, que pode aumentar a probabilidade de comportamentos precipitados diante de emoções intensas.
• Sentimentos persistentes de vazio, desesperança ou desamparo.
• Histórico de comportamentos autolesivos ou crises anteriores.
• Experiências de rejeição, abandono ou perdas interpessoais significativas, especialmente quando percebidas como ameaças aos vínculos afetivos.
• Presença de outros transtornos mentais associados, como depressão, transtornos por uso de substâncias, ansiedade ou transtornos alimentares.
• Pouca rede de apoio social ou dificuldades importantes nos relacionamentos interpessoais.
É importante destacar que a presença desses fatores não significa que a pessoa necessariamente apresentará comportamento suicida. Eles apenas indicam maior vulnerabilidade e a necessidade de acompanhamento adequado.
Por esse motivo, a identificação precoce do sofrimento emocional e o acesso a tratamentos baseados em evidências, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT), podem ser fundamentais para reduzir riscos e promover estratégias mais eficazes de enfrentamento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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olá. ha exatos 3 meses tive uma crise de panico apos anos bem, contexto no qual minha psiq associou
A resposta à quetiapina não depende apenas da dose e não é possível afirmar…