Perguntas do paciente (640)

  • É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter? Ontem eu estava acordando, ainda c

    É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter?

    Ontem eu estava acordando, ainda com muito sono, em tinha aberto os olhos ainda, quando do nada me veio na cabeça um cara que um dia gostei e sorri. Assim que abri os olhos, pensei: “Ué, mas eu nem gosto mais dele. Essa pessoa me fez passar por coisas ruins, então por que eu tive essa reação?”

    Passei o dia remoendo isso e me sentindo culpada, porque eu sei que não gosto mais dele e não quero voltar a ficar com ele. Mas aquele momento me fez questionar se uma reação espontânea pode significar alguma coisa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Sim. E, na verdade, essa é uma distinção muito importante na psicologia: não escolhemos diretamente quais pensamentos, sensações ou emoções aparecem; temos muito mais influência sobre a maneira como respondemos a eles.

    No exemplo que você trouxe, o fato de você ter pensado nessa pessoa e sorrindo espontaneamente não significa necessariamente que ainda goste dela, que queira voltar ou que exista algum desejo escondido. Uma reação automática pode acontecer antes mesmo de você ter tempo de avaliar conscientemente o que está acontecendo.

    O cérebro associa pessoas, lugares, músicas, memórias e situações a diferentes emoções. Uma pessoa que foi importante em determinado período da sua vida pode continuar aparecendo espontaneamente na memória, inclusive acompanhada de uma sensação agradável, mesmo que hoje você não queira mais aquela relação.

    Também é possível que o sorriso tenha ocorrido por diversos motivos: uma lembrança específica, uma associação automática, uma memória de uma situação agradável daquele período ou simplesmente uma reação corporal momentânea. Não existe uma correspondência perfeita entre uma reação espontânea e aquilo que você realmente deseja ou valoriza atualmente.

    O que parece ter causado mais sofrimento no seu relato foi o que aconteceu depois:

    "Eu sorri quando pensei nele → então talvez ainda goste dele → mas eu não quero gostar dele → então esse sorriso deve significar alguma coisa → preciso entender o que senti."

    A partir daí, você passou o dia tentando descobrir o "verdadeiro significado" daquela reação. Esse processo de análise pode acabar dando muito mais importância ao episódio do que ele originalmente tinha.

    Uma pergunta mais útil seria:

    "O que eu escolho fazer hoje em relação a essa pessoa?"

    E não necessariamente:

    "O que aquele sorriso prova sobre o que eu sinto?"

    Você pode ter uma lembrança agradável, sentir carinho por uma memória, sorrir involuntariamente ou até sentir alguma atração momentânea e, ainda assim, escolher não retomar aquela relação. Sentimentos e pensamentos não são compromissos nem ordens.

    Isso também vale para emoções que você não gostaria de sentir: podemos sentir saudade de alguém que sabemos que não nos faz bem, sentir raiva de alguém que amamos, sentir medo quando sabemos que estamos seguros ou ter pensamentos que entram em conflito com nossos valores.

    O objetivo da terapia não costuma ser garantir que nenhum sentimento indesejado apareça. Isso seria impossível. O trabalho é desenvolver uma relação mais flexível com essas experiências, de modo que você não precise transformá-las em provas sobre quem você é ou sobre o que realmente deseja.

    Nesse caso, talvez uma resposta mais saudável ao episódio fosse simplesmente:

    "Interessante, meu cérebro trouxe essa pessoa à memória e eu sorri. Não preciso descobrir exatamente por quê. Isso não muda as razões pelas quais escolhi não estar mais com ela."

    E seguir o seu dia.

    O fato de você ter passado o restante do dia remoendo o episódio merece mais atenção do que o sorriso em si. Se situações como essa frequentemente fazem você buscar certezas sobre o que realmente sente, analisar reações espontâneas ou se sentir culpada por pensamentos e sensações que não escolheu, isso pode ser algo bastante produtivo para trabalhar em psicoterapia.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou u

    Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou um pouco de lado emocionalmente e acredito que isso me bloqueia de me priorizar mais, sinto que tenho que tirar força negativa de dentro de mim pra tentar me priorizar e tenho uma crença de que acho que seria muito egoísta da minha parte ao me colocar em primeiro lugar. Como se trabalha isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    O que você descreve pode fazer bastante sentido. Quando uma pessoa cresce em um contexto em que suas necessidades emocionais foram pouco reconhecidas, ela pode aprender, ao longo do tempo, que as necessidades dos outros são mais importantes que as próprias. Isso pode aparecer na vida adulta como dificuldade de dizer não, culpa ao descansar, dificuldade de investir em si mesma ou a sensação de que priorizar os próprios objetivos seria egoísmo.

    Uma crença que pode estar por trás disso é justamente:

    "Se eu me colocar em primeiro lugar, estarei sendo egoísta."

    Essa crença pode ser trabalhada em psicoterapia, mas não necessariamente tentando simplesmente substituí-la por pensamentos positivos. É importante compreender como ela foi aprendida, em quais situações aparece e quais comportamentos ela está mantendo atualmente.

    Por exemplo, você pode começar a perceber:

    "Quero fazer algo por mim → sinto culpa → penso que estou sendo egoísta → abandono minha atividade → faço aquilo que outra pessoa espera de mim → sinto alívio da culpa."

    Embora evitar a própria necessidade diminua a culpa naquele momento, isso pode reforçar a ideia de que cuidar de si é realmente algo errado.

    Um objetivo terapêutico seria começar a experimentar uma alternativa:

    "Posso me importar com as pessoas e, ao mesmo tempo, cuidar das minhas próprias necessidades."

    Isso é diferente de colocar-se sempre acima dos outros. Priorizar-se não significa desconsiderar as necessidades das outras pessoas. Significa reconhecer que as suas necessidades também têm importância.

    Outro ponto importante é que talvez você não precise "tirar uma força negativa de dentro de si" para conseguir se priorizar. Muitas vezes, esperar primeiro sentir vontade, confiança ou ausência de culpa faz com que a mudança nunca aconteça. É possível começar a agir mesmo sentindo algum desconforto.

    Por exemplo:

    "Estou me sentindo culpado por dedicar uma hora a algo que gosto, mas vou fazer mesmo assim porque isso é importante para mim."

    A experiência pode ensinar algo que apenas o pensamento dificilmente consegue ensinar: sentir culpa não significa necessariamente estar fazendo algo errado.

    Você pode começar com pequenas escolhas: reservar um período da semana para uma atividade pessoal, retomar um interesse que abandonou, estabelecer um limite, dizer "não" quando realmente não quiser algo ou dedicar tempo a uma meta sem precisar justificar constantemente essa escolha.

    Também pode ser útil perguntar:

    "Se eu não precisasse provar que sou uma pessoa boa através de sacrifícios, como eu gostaria de utilizar meu tempo?"

    E outra pergunta:

    "Se alguém que eu amo cuidasse de si da mesma maneira que estou tentando cuidar de mim, eu consideraria essa pessoa egoísta?"

    Essas perguntas podem ajudar a perceber padrões de cobrança que talvez você não aplicasse a outras pessoas.

    Na perspectiva das terapias comportamentais contextuais, também podemos trabalhar para que suas escolhas sejam guiadas menos pela tentativa de evitar culpa ou rejeição e mais por aquilo que você considera importante para a vida que deseja construir. Você pode sentir culpa, insegurança ou medo de desagradar e, ainda assim, realizar uma ação coerente com seus valores.

    Portanto, o objetivo não seria chegar ao ponto de "não me importo com ninguém", mas desenvolver uma posição mais equilibrada:

    "Eu me importo com as pessoas, mas também faço parte daquilo que precisa ser cuidado."

    Se essa dificuldade estiver presente há muitos anos e estiver impedindo você de construir projetos pessoais, relacionamentos ou uma vida mais significativa, a psicoterapia pode ser um espaço importante para compreender essa aprendizagem e experimentar novas formas de se relacionar consigo mesmo.

    Você não precisa escolher entre cuidar dos outros e cuidar de si. É possível fazer as duas coisas.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Na visão da TCC e da neurociência, repetir afirmações positivas e repetir pensamentos positivos todo

    Na visão da TCC e da neurociência, repetir afirmações positivas e repetir pensamentos positivos todos os dias, modifica ou cria novas crenças crenças centrais e crenças intermediárias? Pois a cada pensamento e cada palavra que repetimos, cria novas conexões neurais no cérebro fazendo com que modifique ou crie novas crenças? repetir essas afirmações e esses pensamentos todos os dias, cria ou modifica essas crenças centrais e intermediárias?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Sim, a repetição de pensamentos e comportamentos pode participar da aprendizagem e da modificação de padrões cognitivos, mas é importante fazer uma ressalva: não é correto dizer que simplesmente repetir uma afirmação positiva todos os dias irá, por si só, criar ou modificar automaticamente uma crença central ou intermediária.

    Na TCC, crenças centrais são estruturas mais profundas, como:

    "Sou incapaz."
    "Não sou digno de ser amado."
    "Sou inferior aos outros."

    E crenças intermediárias costumam aparecer como regras, pressupostos e exigências:

    "Preciso agradar as pessoas para ser aceito."
    "Se eu cometer um erro, significa que sou incompetente."

    Essas crenças não são construídas apenas por palavras. Elas se desenvolvem ao longo da história da pessoa, a partir da interação entre experiências, aprendizagem, emoções, interpretações e comportamentos.

    Por isso, simplesmente repetir:

    "Eu sou confiante."
    "Eu sou inteligente."
    "Eu sou amado."

    pode até produzir uma sensação momentânea positiva, mas não significa necessariamente que o cérebro passará a acreditar nisso como uma nova crença central.

    Imagine uma pessoa que acredita profundamente:

    "Sou incompetente."

    Se ela repetir cem vezes por dia:

    "Sou extremamente competente."

    mas continuar evitando situações desafiadoras, interpretando qualquer erro como prova de incapacidade e buscando constantemente confirmação dos outros, provavelmente a crença antiga continuará sendo ativada.

    Por outro lado, se essa pessoa começa a agir de maneira diferente e acumular experiências novas, o processo pode ser muito mais poderoso.

    Por exemplo:

    "Tenho medo de apresentar meu trabalho → apresento mesmo assim → consigo realizar → recebo um feedback positivo → percebo que consigo lidar com erros → volto a enfrentar outra situação."

    Essas experiências podem fornecer evidências concretas que contribuem para modificar a maneira como a pessoa percebe a si mesma.

    É aí que entra uma ideia importante da neurociência: o cérebro possui capacidade de plasticidade, e aprendizagem repetida pode produzir alterações nas redes neurais envolvidas em diferentes funções. Porém, dizer simplesmente que "cada palavra cria uma nova conexão neural" é uma simplificação excessiva. Nem toda repetição de uma frase cria uma nova conexão significativa, e não existe uma relação direta do tipo "repeti uma afirmação 30 vezes → criei uma nova crença".

    O que parece ser mais importante é a aprendizagem associada à repetição.

    Por exemplo:

    Pensamento: "Não consigo lidar com críticas."

    Nova experiência: recebo uma crítica → sinto desconforto → consigo permanecer na situação → reflito sobre o feedback → continuo minha atividade.

    Quando experiências desse tipo se repetem, a pessoa pode começar a desenvolver uma aprendizagem diferente:

    "Posso ser criticado e ainda assim lidar com isso."

    Essa nova aprendizagem pode, ao longo do tempo, modificar crenças intermediárias e contribuir para mudanças mais profundas na forma como a pessoa percebe a si mesma.

    Por isso, na TCC, as técnicas utilizadas para modificar crenças geralmente vão muito além das afirmações positivas. Podem envolver reestruturação cognitiva, experimentos comportamentais, exposição, ativação comportamental, desenvolvimento de habilidades e busca de novas experiências.

    Uma afirmação pode ser útil, principalmente quando é realista e funciona como um lembrete de uma perspectiva que você está aprendendo a desenvolver.

    Por exemplo, em vez de:

    "Eu nunca vou sentir ansiedade."

    pode ser mais útil:

    "Posso sentir ansiedade e ainda assim fazer aquilo que considero importante."

    Nesse caso, a frase não precisa convencer artificialmente o cérebro de que algo é verdade. Ela pode servir como uma orientação para o comportamento.

    Portanto, repetir pensamentos pode participar da aprendizagem, mas crenças centrais não são simplesmente reprogramadas pela repetição de frases. Mudanças mais profundas tendem a acontecer quando novas formas de pensar são acompanhadas por novas experiências e comportamentos, repetidos ao longo do tempo.

    Uma maneira simples de pensar é:

    repetir uma frase pode ajudar a direcionar a atenção;
    pensar de maneira diferente pode favorecer novas interpretações;
    agir de maneira diferente proporciona novas experiências;
    e experiências repetidas podem contribuir para mudanças mais profundas nas crenças.

    E mesmo depois de uma crença ter mudado, a antiga pode ocasionalmente ser ativada em situações de estresse. Isso não significa necessariamente que todo o progresso foi perdido. O objetivo terapêutico é que a antiga crença tenha cada vez menos força e controle sobre a vida da pessoa.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do

    Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do quarto, moro com a minha mãe, mas me sinto estagnada aqui e
    eu queria muito trabalhar, mas deixei oportunidades passar por conta do meu estado, eu passo no caps as vezes e tomo antidepressivo, mas preciso de mais acompanhamento e algo mais efetivo pra sair disso, por isso pensei em internação, mas queria a ajuda de vocês sobre o que posso fazer nessa situação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Sinto muito que você esteja passando por uma fase tão difícil. O fato de a depressão estar dificultando até mesmo tarefas básicas, fazendo com que você tenha dificuldade para sair do quarto e esteja interferindo nas suas oportunidades de trabalho, indica que o sofrimento está causando um prejuízo importante na sua vida e merece um acompanhamento mais intensivo.

    A ideia de internação não é necessariamente exagerada, mas também não significa que ela seja automaticamente a melhor opção. A necessidade de internação costuma ser avaliada principalmente de acordo com a intensidade dos sintomas, o risco para a própria pessoa, a capacidade de realizar os cuidados básicos e a possibilidade de receber tratamento adequado fora do ambiente hospitalar.

    Como você já tem contato com o CAPS e está utilizando antidepressivo, eu recomendaria conversar diretamente com a equipe e explicar com clareza exatamente o que você descreveu aqui: que está com muita dificuldade para sair do quarto, realizar atividades básicas, trabalhar e que sente necessidade de um acompanhamento mais intensivo. Peça uma reavaliação do seu plano de tratamento e pergunte quais possibilidades de acompanhamento mais frequente estão disponíveis.

    Dependendo da avaliação, pode ser possível intensificar o tratamento sem necessariamente precisar de uma internação. O CAPS pode oferecer diferentes formas de cuidado, incluindo acompanhamento psicológico e psiquiátrico, atividades terapêuticas e, em determinadas situações, modalidades de cuidado mais intensivas.

    Também é importante lembrar que não conseguir trabalhar neste momento não significa que você perdeu suas oportunidades ou que ficará estagnada para sempre. Em uma depressão intensa, até tarefas simples podem exigir uma quantidade enorme de energia. O primeiro objetivo pode ser recuperar gradualmente o funcionamento básico; depois, trabalho, estudos e outros projetos podem ser retomados progressivamente.

    Existe, porém, uma questão que precisa ser avaliada com prioridade: se você estiver tendo pensamentos de morrer, de se machucar, de não querer mais estar viva, se tiver planejado como fazer isso ou sentir que não consegue garantir sua própria segurança, não espere apenas pela próxima consulta. Procure imediatamente um pronto-socorro/UPA ou um serviço de emergência, peça para sua mãe ou outra pessoa de confiança permanecer com você e informe à equipe exatamente o que está acontecendo. No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo 192 e o CVV atende pelo 188.

    Mesmo que não exista risco imediato, pelo nível de prejuízo que você descreve, acredito que vale buscar uma reavaliação profissional o quanto antes, em vez de simplesmente esperar o antidepressivo fazer efeito ou tentar enfrentar tudo sozinha.

    E uma coisa importante: querer uma internação pode ser, na verdade, uma forma de dizer "eu não estou conseguindo dar conta disso sozinha e preciso de mais ajuda". Essa necessidade merece ser ouvida. Talvez a melhor resposta seja uma internação, talvez seja um cuidado intensivo no CAPS ou outra estratégia — mas isso precisa ser decidido junto com profissionais que possam avaliar você presencialmente.

    Você não precisa resolver agora a questão do trabalho, da carreira ou de toda a sua vida. Neste momento, o mais importante é aumentar o suporte e recuperar condições para voltar a viver sua rotina aos poucos.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Eu tava tomando sertralina parei uma semana, voltei tomar tem 14 dias tô sentindo dor de cabeça faz

    Eu tava tomando sertralina parei uma semana, voltei tomar tem 14 dias tô sentindo dor de cabeça faz 6 dias e não passa é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    A dor de cabeça pode, sim, estar relacionada à sertralina. Ela é um efeito adverso relativamente comum, principalmente no início do tratamento ou quando há mudanças na forma de utilização do medicamento.

    No seu caso, existe um detalhe importante: você ficou uma semana sem tomar a sertralina e depois voltou a utilizá-la, estando agora há aproximadamente 14 dias tomando novamente. Essa interrupção pode provocar sintomas de descontinuação e, ao reiniciar o medicamento, alguns efeitos adversos podem reaparecer durante o período de adaptação.

    É possível, portanto, que a dor de cabeça esteja relacionada a essa mudança, mas não é possível afirmar à distância que essa seja a causa. Como você está com dor há seis dias sem melhora, recomendo entrar em contato com o psiquiatra que prescreveu a sertralina para relatar o sintoma e verificar se é necessário algum ajuste.

    Não interrompa novamente, aumente ou diminua a dose por conta própria. Alterações repetidas na utilização do antidepressivo podem aumentar a ocorrência de sintomas de retirada e dificultar a avaliação de como o organismo está respondendo ao tratamento.

    Também é importante observar a intensidade e as características da dor. Se for uma dor muito forte ou diferente do habitual, surgir de forma súbita e intensa, ou vier acompanhada de desmaio, confusão, fraqueza, alteração da visão, dificuldade para falar, febre, rigidez na nuca, vômitos persistentes ou outros sintomas neurológicos, procure atendimento médico imediatamente.

    Se for uma dor de cabeça leve ou moderada, sem esses sinais de alerta, o mais adequado é conversar com o médico que acompanha seu tratamento, especialmente porque ela já persiste há vários dias.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • A meditação de olhar na vela ela pode acalmar um sentimento muito forte de depressão ou de uma vergo

    A meditação de olhar na vela ela pode acalmar um sentimento muito forte de depressão ou de uma vergonha? Tipo ter bebido anoite e acordar com aquela melancolia de lembrar coisas feias que fiz? e ela altera as ondas cerebrais também ? ou permanece em Beta??

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    A meditação olhando para a chama de uma vela, conhecida em algumas tradições como uma prática de concentração visual, pode ajudar algumas pessoas a reduzir a agitação mental e a ansiedade momentaneamente, mas não deve ser entendida como um tratamento capaz de eliminar uma depressão ou uma emoção intensa de vergonha.

    Quando acordamos depois de beber e começamos a lembrar de situações das quais nos arrependemos, por exemplo, podemos entrar em um ciclo de ruminação:

    lembrança → vergonha/culpa → pensamentos repetitivos → mais sofrimento → novas lembranças → mais vergonha.

    Nesse momento, direcionar a atenção para uma única coisa, como a chama da vela, pode funcionar como um exercício de atenção sustentada. Você percebe que a mente saiu da vela, reconhece isso e gentilmente retorna a atenção para a chama. O benefício não depende de conseguir "esvaziar a mente", mas de interromper por algum tempo a sequência automática de pensamentos.

    No entanto, é importante diferenciar regular uma emoção de eliminar uma emoção. A prática pode diminuir a intensidade da experiência naquele momento, mas não necessariamente resolverá a culpa ou a vergonha relacionadas ao que aconteceu. Se você fez algo de que realmente se arrepende, pode ser mais útil posteriormente refletir sobre o acontecimento, reparar aquilo que for possível e aprender com a experiência, em vez de tentar simplesmente eliminar o sentimento.

    Sobre as ondas cerebrais, existe uma simplificação bastante comum de que "meditar faz o cérebro sair de Beta e entrar em Alfa". A realidade é mais complexa. Estudos de EEG mostram que diferentes formas de meditação podem estar associadas a alterações na atividade cerebral, incluindo mudanças em bandas como alfa e teta, mas isso não significa que exista uma sequência simples em que você sai de Beta e entra em Alfa sempre que medita.

    Além disso, estar em Beta não significa estar ansioso ou mal, assim como estar em Alfa não significa automaticamente estar relaxado. O cérebro utiliza diferentes padrões de atividade simultaneamente, e eles variam conforme a tarefa, o nível de atenção, o estado de alerta e a pessoa.

    Portanto, você não precisa se preocupar em "baixar as ondas Beta" para que a meditação funcione. O objetivo mais útil é observar se, depois de alguns minutos praticando, você consegue ficar menos preso à ruminação e lidar melhor com aquilo que está sentindo.

    Se a melancolia, a culpa ou a vergonha aparecem frequentemente, são muito intensas ou vêm acompanhadas de perda de interesse, desesperança ou pensamentos de morte, é importante procurar avaliação psicológica e, quando necessário, psiquiátrica. A meditação pode ser uma ferramenta complementar, mas não substitui o tratamento quando existe um quadro depressivo.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coi

    Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coisas das revistas que tive ou tenho e costumo anotar num papel, antes eu guardava mas agora jogo fora,e isso está me deixando ansiosa,pois eu esqueço das coisas importantes, mesmo sabendo que essas coisas não são reais eu sinto tipo um impulso pra isso, isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    O que você descreve — imaginar coisas que gostaria de ter ou características que gostaria de possuir, anotar essas ideias e sentir um impulso de fazer isso mesmo sabendo que não são reais — pode acontecer por diferentes motivos e, isoladamente, não significa necessariamente que exista um transtorno.

    Imaginar uma vida diferente, desejar determinadas características ou se inspirar em pessoas e objetos que aparecem em revistas faz parte da experiência humana. O ponto que merece mais atenção é o fato de você relatar que isso está gerando ansiedade, ocupando espaço mental e fazendo você se preocupar em esquecer coisas importantes.

    Uma questão importante é entender qual função essas anotações estão cumprindo. Por exemplo: você escreve porque simplesmente gosta de registrar seus desejos ou sente que precisa escrever, como se algo ruim ou desconfortável acontecesse caso não registrasse?

    Se existir uma sensação de obrigação, urgência ou necessidade de repetir o comportamento para diminuir a ansiedade, pode estar acontecendo um ciclo semelhante ao de comportamentos compulsivos:

    pensamento ou impulso → ansiedade/desconforto → anotar → alívio momentâneo → novo pensamento/impulso → necessidade de anotar novamente.

    Nesse caso, o problema não seria necessariamente o conteúdo do pensamento, mas a relação que você desenvolveu com ele e a necessidade de realizar o comportamento para conseguir se sentir tranquila.

    Também é importante observar se você fica revisando as anotações, tentando garantir que não esqueceu nada, fazendo listas repetidamente ou sentindo necessidade de guardar determinados registros. Esses detalhes ajudam o profissional a entender se existe apenas um hábito, uma estratégia de organização ou algum comportamento relacionado à ansiedade ou a sintomas obsessivo-compulsivos.

    Você pode começar a experimentar uma postura diferente diante do impulso: perceber que ele apareceu sem precisar obedecê-lo imediatamente. Por exemplo, quando surgir a vontade de anotar algo, você pode esperar alguns minutos e observar o que acontece com a ansiedade. Isso ajuda a descobrir se você realmente precisa registrar aquilo ou se está apenas tentando aliviar o desconforto causado pela sensação de "preciso fazer isso".

    E não é necessário tentar impedir todos os pensamentos ou desejos de aparecerem. A mente produz ideias, imagens e vontades o tempo inteiro. Ter um pensamento ou um impulso não significa que você precise transformá-lo em uma ação.

    Como isso já está causando ansiedade e preocupação com sua memória e suas atividades importantes, seria interessante conversar com um psicólogo para avaliar melhor esse padrão. Se houver características obsessivo-compulsivas, a terapia pode trabalhar justamente a relação com esses impulsos e a tolerância ao desconforto sem precisar recorrer continuamente às anotações.

    Se você também estiver percebendo esquecimentos importantes no cotidiano, vale observar há quanto tempo isso acontece e se está relacionado à ansiedade, sono, excesso de preocupação ou outros fatores. A ansiedade, por exemplo, pode prejudicar a atenção e fazer com que pareça que a memória está pior.

    Portanto, o fato de ter esses pensamentos e desejos não é, por si só, anormal. O que merece atenção é quando surge uma sensação de obrigação, o comportamento passa a consumir muito tempo ou você sente que precisa realizá-lo para conseguir aliviar a ansiedade.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    O que você descreve parece estar relacionado a um conflito entre querer expressar características que fazem parte de quem você é e, ao mesmo tempo, tentar se proteger da possibilidade de ser julgado, rejeitado ou ridicularizado.

    É compreensível ter esse receio. Algumas características podem realmente gerar reações negativas em determinados ambientes, especialmente quando são interpretadas como arrogância, vaidade ou tentativa de se destacar. Porém, existe uma diferença importante entre ter uma característica e precisar escondê-la para garantir que as pessoas aprovem você.

    Talvez um primeiro passo seja separar duas perguntas:

    "Algumas pessoas podem me julgar?"
    Sim, provavelmente.

    "Preciso modificar quem sou para impedir que isso aconteça?"
    Não necessariamente.

    Não é possível controlar completamente a interpretação que outras pessoas farão de você. Se você tentar eliminar toda possibilidade de crítica ou rejeição, pode acabar entrando em um padrão de autocensura constante.

    Por exemplo, você pode pensar:

    "Se eu demonstrar que sou dedicado, vão achar que quero aparecer."

    "Se eu falar que gosto de me vestir bem, vão me zoar."

    "Se eu mostrar que sou inteligente, vão sentir inveja."

    Essas previsões podem fazer com que você esconda espontaneamente aspectos positivos seus. O problema é que, quanto mais você evita demonstrá-los, mais a sua mente aprende:

    "Mostrar quem sou é perigoso."

    Isso pode aumentar ainda mais o medo.

    Uma possibilidade terapêutica é trabalhar exposição gradual à possibilidade de julgamento. Em vez de tentar eliminar o medo primeiro, você pode começar a permitir pequenos comportamentos que expressem quem você é e observar o que realmente acontece.

    Por exemplo, cuidar da aparência sem tentar esconder que você se importa com ela. Expressar uma opinião quando tiver uma opinião. Demonstrar dedicação a um projeto sem diminuir seu esforço para parecer mais "humilde".

    O objetivo não é provocar as pessoas ou tentar mostrar superioridade. É simplesmente parar de esconder características suas exclusivamente para evitar uma possível reação negativa.

    Também vale observar uma possível regra por trás desse medo:

    "Se alguém me ridicularizar ou tiver inveja de mim, significa que fiz algo errado."

    Essa regra pode ser flexibilizada para algo como:

    "Posso ser criticado, interpretado de maneira equivocada ou até ridicularizado por algumas pessoas, e ainda assim continuar vivendo de acordo com aquilo que considero importante."

    Isso é diferente de ignorar completamente o contexto social. É possível desenvolver sensibilidade social sem transformar essa sensibilidade em autocensura.

    Outro ponto importante é avaliar se existe uma tendência a interpretar antecipadamente determinadas reações como inveja ou rejeição. Às vezes, a pessoa pode estar tão preocupada em ser julgada que começa a tentar prever o que os outros estão pensando sem ter evidências suficientes. Nesse caso, vale trabalhar a capacidade de tolerar o "não sei o que essa pessoa está pensando".

    E sobre cuidar da aparência: não há nada de errado em um homem gostar de se vestir bem, cuidar da pele, do cabelo ou da própria aparência. Isso não precisa ser interpretado como vaidade excessiva nem como uma tentativa de obter aprovação. Pode simplesmente fazer parte da maneira como você gosta de se apresentar ao mundo.

    Talvez o objetivo não seja chegar ao ponto de pensar:

    "Não me importo absolutamente nada com o que os outros pensam."

    Isso seria pouco realista. Uma alternativa mais saudável seria:

    "Eu me importo com a maneira como sou percebido, mas não preciso controlar completamente essa percepção para conseguir ser eu mesmo."

    A psicoterapia pode ajudar bastante nesse processo, principalmente se esse medo estiver fazendo você esconder partes importantes da sua personalidade, evitar situações sociais ou modificar constantemente seu comportamento para não ser rejeitado.

    No final, existe uma espécie de escolha: você pode organizar sua personalidade para minimizar a possibilidade de ser criticado ou pode aceitar que alguma rejeição é inevitável e começar a escolher quais características deseja expressar mesmo assim.

    Não se trata de ser indiferente aos outros. Trata-se de não entregar a eles o controle completo sobre quem você pode ser.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Ser uma pessoa interessante e atraente para si mesmo não significa construir uma personalidade para agradar ou impressionar outras pessoas. Na prática, costuma envolver construir uma vida da qual você próprio tenha vontade de participar.

    Quando a pessoa está muito preocupada em ser interessante para os outros, pode entrar em um ciclo de comparação e busca de aprovação:

    *"Será que sou interessante?" → "Será que estão gostando de mim?" → tento impressionar → fico monitorando a reação das pessoas → fico ainda mais inseguro.

    Uma direção diferente seria começar a perguntar:

    "O que torna a minha vida interessante para mim?"

    Isso pode envolver desenvolver interesses genuínos, aprender coisas novas, praticar atividades que despertam curiosidade, cuidar da aparência de uma maneira que faça você se sentir bem, desenvolver habilidades, conhecer lugares, cultivar amizades e construir projetos pessoais.

    Também é importante desenvolver autonomia emocional. Uma pessoa que precisa constantemente da aprovação dos outros pode acabar abandonando seus próprios interesses para se adaptar ao que acredita que será valorizado. Já alguém que conhece seus valores e interesses consegue participar das relações sem precisar transformar cada interação em uma avaliação do próprio valor.

    Ser interessante também não significa ter uma vida extraordinária. Você pode ser uma pessoa interessante simplesmente por ter curiosidade, opiniões próprias, experiências, interesses e disposição para conhecer o mundo.

    Nas relações, outra característica importante é o interesse genuíno pelo outro. Conversas não precisam ser uma oportunidade para provar que você é interessante. Perguntar, ouvir, compartilhar experiências e demonstrar curiosidade costuma criar conexões muito mais naturais do que tentar impressionar.

    E existe uma questão importante em relação à atração: não é possível ser atraente para todo mundo. Algumas pessoas vão gostar da sua aparência, personalidade e jeito; outras não. Isso não significa que exista algo errado com você.

    Talvez seja mais saudável trocar a pergunta:

    "Como faço para que as pessoas gostem de mim?"

    por:

    "Como posso me tornar alguém de quem eu gosto de ser?"

    A partir daí, você pode construir uma vida baseada em coisas como:

    desenvolver competências;
    cuidar do corpo e da aparência;
    cultivar interesses próprios;
    ter experiências novas;
    manter amizades;
    aprender a conversar e ouvir;
    desenvolver senso de humor;
    assumir responsabilidades;
    estabelecer objetivos;
    conhecer seus valores;
    e, principalmente, permitir-se ser você mesmo sem transformar cada interação em um teste de aprovação.

    Na perspectiva das terapias comportamentais contextuais, isso pode ser entendido como construir uma vida orientada por valores, em vez de organizar a vida exclusivamente para evitar rejeição ou obter aprovação.

    E existe uma aparente contradição interessante: quanto mais você tenta desesperadamente ser interessante para alguém, mais artificial pode ficar a interação. Quando você começa a investir em uma vida que realmente considera significativa, desenvolve interesses, experiências e segurança para compartilhá-la com os outros.

    Portanto, o objetivo não seria "ficar interessante para conseguir pessoas", mas construir uma vida que você considera interessante e, dentro dela, permitir que outras pessoas conheçam quem você é.

    Você não precisa se tornar extraordinário para ser atraente. Precisa, aos poucos, se tornar mais presente na própria vida.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Sim, o que você descreve pode justificar uma avaliação para TOC, principalmente pela combinação de ansiedade intensa diante da incerteza e comportamentos que você percebe como obsessivos. Mas é importante diferenciar isso de um padrão de perfeccionismo e intolerância à incerteza, que também pode existir sem TOC.

    Uma das perguntas mais úteis é: o que você faz para aliviar a ansiedade quando não consegue ter certeza?

    No TOC, geralmente existe um ciclo parecido com:

    dúvida/incerteza → ansiedade → necessidade de certeza → ritual ou comportamento de segurança → alívio temporário → nova dúvida.

    A compulsão não precisa ser algo visível. Pode ser reler, conferir, pesquisar, pedir confirmação, comparar possibilidades, analisar mentalmente uma situação por muito tempo ou tentar encontrar a resposta "perfeita". Atos mentais também podem funcionar como compulsões.

    Por exemplo, imagine o pensamento:

    "E se eu estiver tomando a decisão errada?"

    Uma pessoa com perfeccionismo pode ficar desconfortável e analisar cuidadosamente a decisão. Já em um padrão obsessivo-compulsivo, ela pode passar horas revisando mentalmente todas as possibilidades, pesquisar repetidamente, pedir opinião de várias pessoas e continuar sentindo que ainda não tem certeza suficiente.

    Outro ponto importante é o impacto funcional. A suspeita de TOC aumenta quando essas obsessões ou compulsões provocam sofrimento significativo, consomem muito tempo ou começam a interferir no trabalho, estudos, relacionamentos e rotina.

    O fato de você mencionar que fica impulsivo diante da incerteza também merece ser explorado. Às vezes, a pessoa não consegue tolerar o desconforto e toma uma decisão rapidamente, não porque realmente tenha chegado a uma conclusão, mas para parar de sentir a ansiedade. Nesse caso, a questão clínica não é simplesmente a impulsividade, mas a função que ela está cumprindo.

    Também é importante lembrar que perfeccionismo não é sinônimo de TOC. Uma pessoa pode ser extremamente exigente, ter dificuldade com erros e buscar fazer tudo corretamente sem apresentar obsessões e compulsões.

    Por isso, em vez de perguntar apenas "sou perfeccionista ou tenho TOC?", pode ser mais útil observar:

    Quanto tempo gasto tentando ter certeza?
    O que faço para diminuir a dúvida?
    Consigo deixar uma questão sem resposta?
    Preciso conferir, pesquisar ou perguntar novamente?
    O alívio dura ou a dúvida retorna pouco depois?
    Isso está fazendo com que eu evite decisões, atividades ou situações?
    Quanto isso está interferindo na minha vida?

    Se você identificar um ciclo persistente de dúvida → ansiedade → busca de certeza/ritual → alívio → nova dúvida, vale procurar um psicólogo ou psiquiatra para uma avaliação mais específica.

    Caso seja identificado TOC, a TCC com Exposição e Prevenção de Resposta (EPR) é uma das principais abordagens utilizadas. O objetivo não é ensinar a pessoa a conseguir certeza absoluta, mas justamente desenvolver a capacidade de tolerar a incerteza sem precisar realizar os rituais para obter alívio.

    E isso é particularmente relevante no seu relato: talvez o problema não seja simplesmente "preciso ser menos perfeccionista", mas aprender que é possível tomar decisões, cometer erros e seguir em frente mesmo sem ter 100% de certeza.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Sim, crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais podem mudar significativamente durante a psicoterapia, mas é importante entender que "mudar uma crença" não significa necessariamente apagá-la da mente para que ela nunca mais apareça.

    Crenças centrais, como "sou incapaz", "não sou amável" ou "não sou bom o suficiente", geralmente foram construídas ao longo de muitos anos e são sustentadas por experiências repetidas. Por isso, sua modificação costuma exigir um processo consistente, envolvendo reestruturação cognitiva, experimentos comportamentais e novas experiências que contradigam o padrão antigo.

    Por exemplo, uma pessoa pode passar de:

    "Sou incompetente."

    para uma compreensão mais flexível:

    "Tenho capacidades e limitações. Posso cometer erros sem que isso determine meu valor ou minha competência."

    Isso não significa que, diante de uma situação de fracasso, o pensamento antigo nunca mais aparecerá.

    Em momentos de estresse, rejeição, perdas ou outras situações emocionalmente difíceis, uma crença antiga pode ser reativada. Isso não significa necessariamente que o tratamento fracassou ou que a pessoa voltou ao ponto inicial.

    Existe uma diferença importante entre:

    "A crença antiga apareceu novamente"

    e

    "A crença antiga voltou a controlar minha vida."

    Imagine alguém que durante anos acreditou:

    "Ninguém gosta de mim."

    Depois da terapia, essa pessoa construiu amizades, desenvolveu habilidades sociais e passou a ter uma visão mais equilibrada de si mesma. Um dia, alguém a rejeita e surge novamente o pensamento:

    "Ninguém gosta de mim."

    Se antes esse pensamento levaria a isolamento, desespero e abandono dos relacionamentos, agora a pessoa pode reconhecer:

    "Estou tendo novamente aquele pensamento antigo. Uma pessoa ter me rejeitado não significa que ninguém goste de mim."

    Ela sente o desconforto, mas continua se relacionando.

    Isso já representa uma mudança terapêutica importante.

    O mesmo vale para as crenças intermediárias. Uma pessoa pode ter aprendido:

    "Preciso agradar todo mundo para ser aceito."

    Depois do tratamento, pode desenvolver uma regra mais flexível:

    "Eu gostaria que as pessoas gostassem de mim, mas não preciso agradar todo mundo."

    Em uma situação de crítica, a regra antiga pode ser ativada novamente. A diferença é que ela não precisa obedecê-la.

    Por isso, eu não definiria o sucesso da terapia como "nunca mais pensar ou sentir aquilo". Um objetivo mais realista é que essas crenças se tornem menos rígidas, menos convincentes e menos capazes de determinar o comportamento.

    Inclusive, pesquisas sobre TCC e depressão mostram que a prevenção de recaídas pode estar relacionada não apenas à mudança do conteúdo dos pensamentos, mas também à mudança na maneira como a pessoa processa e responde aos pensamentos negativos.

    Isso ajuda a entender por que uma pessoa pode apresentar uma recaída sem que todo o trabalho terapêutico tenha sido perdido.

    Uma recaída pode acontecer quando antigas vulnerabilidades são reativadas por acontecimentos como perdas, rejeições, conflitos, estresse ou mudanças importantes. Por isso, a terapia também procura ensinar o paciente a reconhecer seus sinais de alerta e utilizar novamente as habilidades aprendidas.

    Podemos pensar em dois cenários:

    Antes da terapia:

    "Sou um fracasso" → acredito nisso → sinto vergonha → evito desafios → tenho menos experiências positivas → a crença fica ainda mais forte.

    Depois da terapia:

    "Sou um fracasso" → percebo que esse pensamento apareceu → avalio o contexto → reconheço outras evidências → tolero o desconforto → continuo agindo de acordo com meus objetivos.

    Nesse segundo cenário, o pensamento pode até aparecer, mas ele perdeu parte do poder que tinha sobre a pessoa.

    Portanto, não é necessário pensar que uma crença disfuncional precisa desaparecer "para sempre" para que a terapia tenha funcionado. Algumas crenças antigas podem permanecer disponíveis na memória e ser ocasionalmente ativadas, principalmente em períodos de maior vulnerabilidade.

    O objetivo é que uma nova forma de compreender a si mesmo e o mundo se torne mais acessível, mais convincente e mais utilizada, enquanto a crença antiga deixa de ser a principal explicação para as experiências.

    E talvez uma das mensagens mais importantes para o paciente seja:

    "Ter novamente um pensamento antigo não significa voltar a ser quem você era antes da terapia."

    O verdadeiro ganho pode estar justamente em perceber esse pensamento, não tratá-lo automaticamente como verdade e conseguir escolher como agir mesmo quando ele aparece.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente,

    Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente, mais faz três dias que minhas crises voltaram, a angústia, coração acelerado , a cabeça dói, o entalo , oque fazer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Entendo a sua preocupação, principalmente porque você estava se sentindo bem com a venlafaxina e, depois de aproximadamente seis meses de tratamento, percebeu o retorno das crises nos últimos dias.

    A angústia, o coração acelerado, a dor de cabeça e a sensação de "entalo" podem acontecer durante períodos de ansiedade ou crises de pânico. A ansiedade pode produzir sintomas físicos bastante intensos, incluindo palpitações, dor de cabeça e sensação de aperto ou sufocamento.

    Entretanto, como houve uma mudança recente depois de um período de boa resposta ao medicamento, é importante não concluir automaticamente que seja apenas ansiedade ou que a venlafaxina "parou de funcionar". Vale conversar com o psiquiatra que acompanha você para avaliar o que pode ter contribuído para essa mudança.

    O profissional poderá verificar, por exemplo, se houve alguma alteração na dose ou no horário da medicação, esquecimento de doses, introdução de outros medicamentos ou suplementos, mudanças importantes no sono ou na rotina, aumento de estresse ou outros fatores que possam estar contribuindo para o retorno dos sintomas.

    Não aumente a dose nem interrompa a venlafaxina por conta própria. A suspensão abrupta pode provocar sintomas de retirada, incluindo ansiedade, tontura e dor de cabeça, e a venlafaxina está entre os antidepressivos que apresentam maior risco desses sintomas quando interrompidos de maneira inadequada.

    Enquanto aguarda o contato com o psiquiatra, tente não interpretar cada sensação física como sinal de que algo grave está acontecendo. Durante uma crise, respirar mais lentamente, permanecer em um ambiente seguro e lembrar que a onda de ansiedade tende a diminuir podem ajudar. A psicoterapia também pode ser bastante importante para trabalhar os gatilhos e a forma de responder às crises.

    Como você relata coração acelerado e dor de cabeça, se esses sintomas forem muito intensos, diferentes do que você costuma sentir, persistentes, ou vierem acompanhados de sintomas físicos importantes, procure avaliação médica para descartar outras causas.

    E se junto dessa piora surgir vontade de morrer, pensamentos de se machucar ou sensação de que você não consegue se manter em segurança, procure atendimento de urgência imediatamente.

    Portanto, o mais indicado neste momento é entrar em contato com seu psiquiatra para reavaliar o retorno dos sintomas e manter o tratamento sem fazer alterações por conta própria. Uma recaída ou oscilação dos sintomas não significa que você perdeu todo o progresso que havia conquistado.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu

    Olá, boa noite.
    Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
    Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
    Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
    Eu deveria procurar ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Sim, acredito que você deveria procurar ajuda profissional, principalmente por causa de uma parte muito importante do que relatou: os pensamentos de "acabar com tudo".

    A sensação de vazio, a perda de interesse ou motivação, a dificuldade de aproveitar as coisas e a percepção de que momentos felizes parecem distantes ou até irreais podem aparecer em diferentes situações psicológicas, incluindo quadros depressivos. Porém, não é possível determinar por esse relato se você está com depressão ou qual seria o diagnóstico.

    Também chama atenção a forma como você descreve o futuro: parece haver uma sensação de que sua vida não está acontecendo como gostaria e de que aquilo que deseja está muito distante. Quando esse sofrimento começa a produzir pensamentos sobre não querer mais continuar, é importante não enfrentar isso sozinho.

    Uma avaliação com um psicólogo pode ajudar a compreender melhor esse vazio, a falta de motivação, a relação que você está desenvolvendo com o futuro e esses pensamentos. Dependendo da intensidade dos sintomas, também pode ser importante uma avaliação com psiquiatra.

    E existe algo que eu gostaria de destacar: você não precisa ter sua vida planejada aos 18 anos. É perfeitamente possível chegar nessa idade sem saber exatamente o que quer fazer, sem ter vivido determinadas experiências ou sem possuir objetivos muito claros. Isso não significa que sua vida ficará assim para sempre.

    Às vezes, quando estamos deprimidos ou emocionalmente esgotados, o futuro parece especialmente fechado. A mente transforma o estado atual em uma previsão: "se hoje não consigo imaginar uma vida diferente, então provavelmente ela nunca vai acontecer". Mas sentir que algo é impossível não significa que realmente seja.

    Também não é necessário descobrir imediatamente um grande propósito para começar a mudar. O tratamento pode ajudar você a recuperar gradualmente energia, interesse, contato com outras pessoas e atividades que tenham algum significado. A partir dessas experiências, objetivos podem começar a aparecer.

    Sobre os pensamentos de "acabar com tudo", procure levar isso a sério. Se você perceber que esses pensamentos estão ficando mais frequentes, que está pensando em como fazer isso, que sente que pode se machucar ou que não consegue garantir sua própria segurança, procure atendimento de urgência e não permaneça sozinho. No Brasil, é possível procurar uma UPA, pronto-socorro ou CAPS; em uma situação de emergência, o SAMU pode ser acionado pelo 192. O Ministério da Saúde também disponibiliza o CVV pelo 188, gratuitamente, para apoio emocional.

    Se esses pensamentos estiverem presentes agora, uma medida importante é contar a alguém de confiança exatamente o que você está sentindo e pedir que essa pessoa fique com você enquanto você busca ajuda. O Ministério da Saúde recomenda procurar apoio e não permanecer sozinho quando existe risco de suicídio.

    Você não precisa resolver sua vida inteira agora. O primeiro objetivo pode ser simplesmente conseguir atravessar esse momento com segurança e começar a receber ajuda. Depois, aos poucos, vocês podem trabalhar em terapia para construir uma vida que faça sentido para você.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr

    Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Entendo a lógica do seu pensamento. Quando algumas relações importantes terminam ou se afastam, pode surgir a sensação de que investir emocionalmente nas pessoas é correr o risco de sofrer novamente. Nesse sentido, pensar em ser o mais autossuficiente possível pode parecer uma forma de proteção contra a frustração, o abandono e a sensação de vazio que ficam quando alguém vai embora.

    Mas existe uma diferença importante entre autonomia e isolamento. Ser emocionalmente autônomo não significa não precisar de ninguém. Significa conseguir cuidar de si, tolerar momentos de solidão e não depender exclusivamente de uma pessoa para se sentir bem, ao mesmo tempo em que permite construir vínculos significativos.

    É verdade que algumas pessoas vão sair da nossa vida. Amigos mudam de cidade, começam relacionamentos, mudam de emprego, desenvolvem interesses diferentes ou simplesmente passam por fases diferentes da vida. Isso faz parte das relações humanas. Porém, o fato de uma relação ter um fim não significa que o investimento feito nela tenha sido inútil.

    Uma amizade pode ter valor enquanto existe, sem precisar durar para sempre para ter sido significativa. O mesmo vale para outras relações. Podemos construir experiências, receber apoio, aprender com alguém e compartilhar momentos importantes, mesmo que anos depois os caminhos se separem.

    Também vale observar uma possível conclusão que aparece no seu pensamento:

    "As pessoas vão embora → vou sofrer → portanto, é melhor não me apegar a ninguém."

    Essa estratégia pode realmente diminuir a possibilidade de sofrer com perdas, mas também reduz a possibilidade de experimentar intimidade, pertencimento, companheirismo e apoio. É uma espécie de proteção que pode funcionar no curto prazo, mas cobrar um preço alto no longo prazo.

    Talvez uma alternativa mais saudável não seja escolher entre "depender das pessoas" e "não precisar de ninguém", mas construir uma vida em que existam diferentes fontes de satisfação: amigos, família, trabalho, interesses, projetos pessoais, relacionamentos afetivos e momentos sozinho.

    Assim, quando uma pessoa se afasta, você sente a perda — porque aquele vínculo era importante —, mas isso não significa que toda a sua vida ficou vazia.

    Além disso, não precisamos procurar novas pessoas apenas para "preencher lacunas". Podemos conhecer pessoas porque temos interesse genuíno em compartilhar experiências com elas. Algumas relações serão mais profundas, outras mais circunstanciais, e isso não diminui necessariamente o valor de nenhuma delas.

    A psicoterapia pode ser um espaço interessante para explorar essa questão, especialmente se você percebe que está começando a utilizar o desapego e a autossuficiência como uma forma de evitar sofrimento. O objetivo não seria convencê-lo de que "as pessoas são boas" ou obrigá-lo a ser mais sociável, mas compreender o que você está tentando proteger ao evitar vínculos e qual preço está pagando por essa proteção.

    Você não precisa escolher entre ser dependente e ser completamente sozinho. É possível desenvolver autonomia e, ao mesmo tempo, permitir-se construir relações.

    Talvez a pergunta não seja "como faço para nunca mais sofrer quando alguém for embora?", porque isso não é possível. Uma pergunta mais útil pode ser:

    "Como posso construir vínculos importantes sabendo que algumas pessoas podem, em algum momento, seguir caminhos diferentes do meu?"

    Aprender a lidar com essa possibilidade pode permitir que você aproveite as relações enquanto elas existem, sem precisar abrir mão delas por medo de perdê-las.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "cert

    Eu comecei a usar anticoncepcional e estou na pausa da minha terceira cartela, eu tenho tomado "certo" mas as vezes esqueço por 1 a 2 horas no MÁXIMO, além disso eu sempre uso camisinha do início ao fim e também faço coito interrompido, existe alguma chance mesmo assim de engravidar? Sou muito paranóica com isso e acho que as vezes acabo estragando o momento por pensar demais e ficar com medo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Pelo que você descreve, a chance de gravidez parece ser muito baixa, principalmente porque você está utilizando mais de um método contraceptivo.

    Se o seu anticoncepcional for uma pílula combinada e você está tomando todas as pílulas corretamente, atrasos de apenas 1–2 horas não são considerados uma falha da pílula. As recomendações atuais consideram uma pílula combinada como "atrasada" quando passou menos de 24 horas do horário habitual; nesses casos, não é necessária proteção contraceptiva adicional.

    Além disso, você relata que sempre utiliza camisinha do início ao fim da relação e ainda utiliza o coito interrompido. Dessa forma, existem várias camadas de proteção.

    É importante, porém, saber qual anticoncepcional você utiliza, porque algumas pílulas exclusivamente de progesterona possuem regras diferentes em relação ao atraso, dependendo do princípio ativo. Por isso, confira a bula do seu anticoncepcional ou converse com seu ginecologista para confirmar a orientação específica para a sua pílula.

    Também percebo que existe uma segunda questão no seu relato: você diz que é muito "paranoica" com a possibilidade de engravidar e que isso está começando a atrapalhar sua experiência sexual. Quando a preocupação continua mesmo diante de várias medidas de proteção, pode acontecer um ciclo de ansiedade:

    "E se eu engravidar?" → procuro sinais/certezas → fico temporariamente tranquila → surge outra dúvida → volto a verificar.

    Nesse caso, tentar obter 100% de certeza repetidamente pode acabar alimentando ainda mais a ansiedade. O objetivo pode ser aprender a reconhecer que você tomou precauções razoáveis e que, embora nenhum método contraceptivo seja absolutamente infalível, não é necessário eliminar toda possibilidade teórica para conseguir viver sua sexualidade com tranquilidade.

    Se essa preocupação estiver ocupando muito tempo, fazendo você verificar constantemente, pedir confirmação ou evitar relações sexuais apesar de estar protegida, pode ser interessante conversar com um psicólogo. A terapia pode ajudar especialmente quando existe uma necessidade excessiva de certeza e medo desproporcional às evidências.

    Portanto, considerando o que você relatou — anticoncepcional utilizado regularmente, atrasos de apenas 1–2 horas e camisinha utilizada corretamente do início ao fim — não há motivo para considerar esses atrasos, por si só, como uma situação de alto risco de gravidez.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Sim, é possível realizar terapia de casal em relacionamentos abertos, e o fato de vocês adotarem uma dinâmica não monogâmica não significa que exista necessariamente um problema a ser corrigido. O objetivo da terapia não deve ser transformar a relação em um modelo considerado "normal" pelo profissional, mas ajudar o casal a compreender e lidar com as questões que estão trazendo sofrimento.

    Porém, sua preocupação é bastante pertinente. Embora terapeutas de casal possam ter boa formação para trabalhar comunicação, conflitos, ciúmes, acordos, intimidade e dificuldades relacionais, nem todos possuem experiência ou formação específica para trabalhar com não monogamia consensual. Um profissional sem familiaridade com essa dinâmica pode acabar interpretando determinados comportamentos a partir de pressupostos de relacionamentos monogâmicos, mesmo sem perceber.

    Por isso, eu recomendaria procurar, preferencialmente, um profissional que tenha experiência com relacionamentos não monogâmicos consensuais, relações abertas ou poliamor. Não necessariamente porque vocês precisem de uma terapia "especial", mas porque o conhecimento desse contexto reduz o risco de vocês precisarem passar boa parte do tratamento explicando ou defendendo o funcionamento da relação.

    Na primeira conversa, vocês podem perguntar diretamente:

    "Você possui experiência atendendo casais em relacionamentos abertos ou não monogâmicos?"

    "Como você trabalha quando o casal possui acordos diferentes dos modelos tradicionais de relacionamento?"

    "Você considera a monogamia como pressuposto do relacionamento ou trabalha de acordo com os acordos estabelecidos pelo próprio casal?"

    Uma boa indicação de profissional não é necessariamente aquele que concorda com todas as escolhas de vocês, mas aquele que consegue manter uma postura acolhedora, ética e não julgadora, sem tentar conduzir o casal para um modelo específico.

    O terapeuta também deve conseguir questionar aspectos da relação quando necessário. Ser acolhedor não significa concordar automaticamente com tudo. Se houver, por exemplo, ciúmes, insegurança, dificuldade de estabelecer limites, acordos que não estão sendo respeitados ou sofrimento de um dos parceiros, isso pode e deve ser trabalhado — mas a partir dos acordos e valores de vocês.

    Outro ponto importante é diferenciar não monogamia consensual de uma situação em que um dos parceiros está aceitando a abertura apenas por medo de perder o outro. Nesse caso, a terapia pode ajudar justamente a compreender se existe consentimento genuíno, quais são as necessidades de cada pessoa e quais acordos fazem sentido para ambos.

    Portanto, vocês não precisam procurar necessariamente alguém que trabalhe exclusivamente com esse "nicho", mas eu daria preferência a um profissional que tenha experiência com não monogamia consensual.

    E vocês podem usar a própria primeira sessão para avaliar se existe segurança. Vocês devem conseguir falar sobre a dinâmica do relacionamento sem sentir que precisam se defender ou convencer o terapeuta de que a relação de vocês é válida.

    Uma boa terapia de casal não precisa decidir se relacionamento aberto ou monogâmico é melhor. Ela pode ajudar vocês a construírem uma relação que seja coerente com os valores, limites e acordos das duas pessoas.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos? Crenças da baixa autoestima como: "eu sou feio", "ninguém vai me amar e me achar atraente". Crenças da depressão como: "Sou inútil", "ninguém gosta de mim", "não sou bom o suficiente", "todos são melhores do que eu". E crenças e pensamentos da ansiedade social como: "Estão me julgando", "Eu tenho que agradar todo mundo", "se me criticarem, significa que sou ruim".

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    A TCC pode trabalhar baixa autoestima, ansiedade social e depressão de maneira integrada, porque esses problemas frequentemente se influenciam e podem compartilhar algumas crenças centrais. Em vez de tratar cada sintoma isoladamente, o terapeuta procura compreender os ciclos que mantêm o sofrimento.

    No seu exemplo, podemos imaginar uma crença central mais profunda como:

    "Eu não sou bom o suficiente."

    A partir dela podem surgir diferentes crenças e pensamentos, dependendo da situação.

    Na baixa autoestima, isso pode aparecer como:

    "Sou feio."

    "Ninguém vai me amar."

    "Ninguém vai me achar atraente."

    Na depressão, pode aparecer como:

    "Sou inútil."

    "Ninguém gosta de mim."

    "Todos são melhores do que eu."

    "Não sou bom o suficiente."

    Já na ansiedade social, a mesma vulnerabilidade pode aparecer através de pensamentos como:

    "Estão me julgando."

    "Preciso agradar todo mundo."

    "Se me criticarem, significa que sou uma pessoa ruim."

    Perceba que os pensamentos são diferentes, mas podem estar conectados por uma mesma avaliação negativa sobre o próprio valor.

    A TCC começa ajudando o paciente a identificar esses pensamentos automáticos, emoções e comportamentos. O objetivo não é simplesmente dizer "você não é feio" ou "você é uma pessoa boa". O trabalho é investigar como essas conclusões foram construídas e se elas continuam sendo uma maneira adequada de interpretar a realidade.

    Por exemplo, diante da crença "sou feio e ninguém vai me achar atraente", o terapeuta pode investigar:

    "O que significa, para você, ser atraente?"

    "Que evidências sustentam essa conclusão?"

    "Você está transformando uma característica ou experiência específica em uma conclusão sobre seu valor como pessoa?"

    "É possível alguém não se sentir atraído por você e, ainda assim, você continuar tendo valor?"

    "Sua aparência determina sua capacidade de ser amado?"

    O objetivo é desenvolver uma percepção de si mesmo mais flexível e menos dependente de padrões rígidos de aparência e aprovação.

    Na depressão, além do trabalho cognitivo, a TCC costuma dar bastante importância à ativação comportamental. Quando a pessoa acredita que é inútil ou incapaz, pode começar a evitar atividades, se isolar e deixar de fazer coisas que antes proporcionavam prazer ou sensação de realização.

    Isso cria um ciclo:

    "Sou inútil" → não faço nada → tenho menos experiências de realização → sinto-me ainda mais inútil → faço ainda menos.

    A terapia procura interromper esse ciclo através da retomada gradual de atividades, mesmo quando a motivação ainda está baixa.

    Na ansiedade social, por outro lado, é muito importante trabalhar a esquiva e os comportamentos de segurança. A pessoa pode evitar conversar, festas, encontros, esportes ou situações em que possa ser avaliada. Também pode tentar controlar excessivamente a própria aparência, ensaiar tudo o que vai falar ou ficar monitorando constantemente a reação das outras pessoas.

    Esses comportamentos podem diminuir a ansiedade imediatamente, mas impedem que a pessoa descubra que consegue enfrentar situações sociais e que muitas das consequências temidas não acontecem.

    Por isso, a TCC utiliza exposição gradual e experimentos comportamentais. Se a crença é "se eu for criticado, significa que sou ruim", o tratamento pode ajudar a pessoa a vivenciar situações em que existe a possibilidade de crítica e aprender que ser criticado não é equivalente a ser uma pessoa ruim.

    Esse ponto é fundamental: o objetivo não é chegar a uma vida em que ninguém critique você, ninguém rejeite você e todo mundo considere você atraente. Isso seria impossível.

    O objetivo é desenvolver uma capacidade maior de pensar:

    "Talvez alguém não goste de mim."

    "Talvez alguém me critique."

    "Talvez eu não seja considerado atraente por determinada pessoa."

    "E ainda assim, isso não determina meu valor."

    Com o tempo, o tratamento pode trabalhar também as crenças intermediárias, que são regras e pressupostos derivados das crenças mais profundas. Por exemplo:

    Crença central:
    "Não sou bom o suficiente."

    Crença intermediária:
    "Preciso agradar as pessoas para ser aceito."

    Pensamento automático:
    "Se eu falar isso, vão achar que sou estranho."

    Emoção:
    ansiedade.

    Comportamento:
    fico quieto, evito a situação ou tento agradar.

    Consequência:
    alívio imediato, mas manutenção da crença de que não consigo lidar com situações sociais.

    O tratamento procura modificar esse ciclo não apenas através da conversa, mas também através de novas experiências comportamentais.

    Outro aspecto importante é que a TCC não precisa transformar todas essas crenças em pensamentos extremamente positivos. A alternativa a "sou inútil" não precisa ser "sou incrível em tudo". Pode ser algo mais realista e flexível:

    "Tenho dificuldades e limitações, mas isso não significa que eu seja inútil."

    Da mesma forma, a alternativa a "ninguém vai me amar" não precisa ser "todo mundo vai me amar". Pode ser:

    "Não tenho como saber quem vai se interessar por mim. Posso ser rejeitado por algumas pessoas e ainda assim construir relações significativas."

    Esse tipo de pensamento tende a ser mais sustentável porque não depende de convencer a pessoa de algo que ela ainda não consegue acreditar.

    Portanto, quando baixa autoestima, depressão e ansiedade social aparecem juntas, a TCC pode trabalhar pensamentos automáticos, crenças intermediárias e crenças centrais, mas também comportamentos de esquiva, isolamento, busca de aprovação, ativação comportamental e exposição.

    O objetivo final não é fazer você nunca mais pensar "sou feio", "estão me julgando" ou "não sou bom o suficiente". Pensamentos podem continuar aparecendo. O objetivo é que eles deixem de determinar o que você faz, como você se relaciona e o quanto você acredita que vale.

    Esse processo pode levar algum tempo, especialmente quando essas crenças foram construídas durante muitos anos. Por isso, uma avaliação com um psicólogo pode ajudar a identificar quais crenças e ciclos estão mais importantes no seu caso e estabelecer um plano de tratamento individualizado.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    A TCC pode trabalhar baixa autoestima, ansiedade social e depressão de forma integrada, porque esses problemas frequentemente se influenciam mutuamente. Em vez de tratar cada sintoma como algo completamente separado, o terapeuta procura identificar os ciclos que mantêm o sofrimento.

    Por exemplo, uma pessoa pode ter uma crença central como "não sou bom o suficiente". Em situações sociais, essa crença pode gerar pensamentos como "as pessoas vão perceber que sou inadequado" ou "vão me rejeitar". Isso aumenta a ansiedade e pode levar à evitação de encontros, conversas, escola, trabalho ou outras situações.

    A evitação traz alívio inicialmente, mas também reduz experiências positivas, vínculos e oportunidades de perceber que os pensamentos não necessariamente correspondem à realidade. Com o tempo, isso pode contribuir para isolamento, perda de prazer, sensação de incapacidade e sintomas depressivos, reforçando novamente a crença de que "não sou bom o suficiente".

    A terapia pode trabalhar esse ciclo em diferentes níveis.

    1. Identificação dos pensamentos e crenças

    O terapeuta ajuda a identificar pensamentos automáticos, regras e crenças mais profundas relacionadas à autoestima, como:

    "Preciso agradar todo mundo."

    "Se alguém me criticar, significa que sou uma pessoa ruim."

    "Não sou interessante."

    "Se eu fracassar, as pessoas vão perceber que sou um fracasso."

    Essas ideias são investigadas e testadas, em vez de simplesmente substituídas por pensamentos positivos.

    2. Trabalho com a ansiedade social

    Na ansiedade social, a TCC costuma utilizar exposição gradual e experimentos comportamentais. A pessoa vai retomando situações que evita e aprende a permanecer nelas sem depender de estratégias de segurança ou da necessidade de ter certeza de que todos estão aprovando seu comportamento.

    O objetivo não é fazer com que você nunca mais sinta ansiedade, mas aumentar sua capacidade de participar da vida mesmo quando existe algum desconforto.

    3. Trabalho com a depressão

    Quando existe depressão, a TCC também pode utilizar estratégias de ativação comportamental. Em vez de esperar a motivação aparecer para começar a agir, o paciente gradualmente retoma atividades que proporcionam prazer, conexão, domínio ou que estejam relacionadas aos seus objetivos.

    Isso é particularmente importante porque a depressão pode gerar um ciclo de:

    desânimo → redução das atividades → menos experiências positivas → maior isolamento → mais desânimo.

    A ativação comportamental procura interromper esse ciclo.

    4. Reconstrução da autoestima

    A autoestima não precisa ser trabalhada apenas tentando convencer a pessoa de que ela é "boa". Um objetivo mais consistente é desenvolver uma percepção de si mesma menos dependente de desempenho e aprovação externa.

    Por exemplo, aprender que cometer um erro não determina seu valor, que uma pessoa pode não gostar de você sem que isso signifique que você seja inadequado e que suas características positivas não deixam de existir simplesmente porque você teve uma experiência negativa.

    5. Experimentos na vida real

    A TCC também procura levar o aprendizado para fora do consultório. Se você acredita que "se eu falar alguma coisa errada, todos vão me rejeitar", pode ser possível construir um experimento para testar essa previsão.

    Isso permite que a mudança não fique apenas no nível intelectual. Você passa a adquirir novas experiências que podem modificar gradualmente suas crenças.

    É importante destacar que não existe necessariamente uma ordem rígida em que primeiro se trata a autoestima, depois a ansiedade e somente depois a depressão. O tratamento costuma ser individualizado de acordo com aquilo que está mantendo o sofrimento naquele momento.

    Além disso, outras abordagens, especialmente as terapias comportamentais contextuais, podem complementar esse trabalho ao desenvolver maior flexibilidade psicológica, autocompaixão, aceitação das experiências internas e ações orientadas por valores.

    Portanto, a TCC pode trabalhar os três problemas simultaneamente porque existe uma interação entre eles. O objetivo final não é apenas diminuir sintomas, mas ajudar a pessoa a retomar atividades, relacionamentos e projetos importantes sem ficar tão dependente do medo, da autocrítica ou da necessidade de aprovação.

    Se esses três aspectos estão presentes ao mesmo tempo e causando prejuízo significativo, uma avaliação psicológica pode ajudar a identificar quais ciclos estão mais importantes no seu caso e definir por onde começar.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas cris

    Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas crises psicóticas (esquizofrenia em questionamento)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    Sinto muito que você esteja passando por uma situação assim. Conviver com familiares em relação aos quais você percebe manipulação, desqualificação ou uso das suas dificuldades psicológicas contra você pode ser muito desgastante, especialmente quando você já está enfrentando sintomas importantes.

    No entanto, é importante ter cuidado com o rótulo de "pais narcisistas". Não é possível concluir que seus pais tenham Transtorno de Personalidade Narcisista apenas a partir desse relato. O mais importante é olhar para os comportamentos concretos que estão acontecendo e para o impacto deles sobre você.

    Quando existem episódios psicóticos ou um diagnóstico de esquizofrenia ainda em investigação, essa questão merece atenção especial. Durante períodos de maior sofrimento, estresse ou alterações na percepção da realidade, conflitos familiares podem ser vivenciados de maneira ainda mais intensa. Isso não significa que aquilo que você está percebendo seja necessariamente falso, mas significa que é importante ter uma avaliação profissional que ajude a separar o que está acontecendo objetivamente daquilo que pode estar sendo influenciado pelos sintomas.

    Se seus pais utilizam suas crises para humilhá-lo, ameaçá-lo, intimidá-lo ou invalidar sistematicamente tudo o que você diz, você pode estabelecer limites sobre aquilo que aceita discutir. Por exemplo, pode evitar entrar em discussões intermináveis sobre suas crises e dizer que prefere conversar sobre o assunto na presença do profissional que acompanha seu tratamento.

    Também pode ser útil registrar objetivamente os episódios, quando estiver em condições de fazê-lo: o que aconteceu, quem estava presente, o que foi dito e qual foi a consequência. Isso pode ajudar seu psicólogo ou psiquiatra a avaliar a situação sem depender apenas da memória durante momentos de grande estresse.

    Como você menciona crises psicóticas e uma possível esquizofrenia ainda em questionamento, eu consideraria especialmente importante manter acompanhamento com um psiquiatra e relatar a ele tanto os sintomas quanto os conflitos familiares. Se houver psicólogo acompanhando você, esse também pode ser um espaço importante para trabalhar limites, autonomia e estratégias de enfrentamento.

    Se você depende dos seus pais, estabelecer limites pode precisar ser feito de maneira gradual e estratégica. Nem sempre é possível simplesmente confrontar familiares ou cortar contato, especialmente quando existe dependência financeira, moradia ou necessidade de cuidados. O objetivo inicial pode ser aumentar sua autonomia e construir uma rede de apoio confiável.

    E existe uma distinção importante: você não precisa descobrir se seus pais são ou não "narcisistas" para reconhecer que determinado comportamento está fazendo mal a você. Você pode trabalhar com aquilo que é observável: "quando acontece X, isso me faz mal e eu preciso de Y".

    Se durante uma crise você começar a perceber coisas que outras pessoas não percebem, ouvir ou ver coisas que não estão presentes, ficar muito confuso ou sentir que pode perder o controle, procure seu psiquiatra ou um serviço de urgência. Nesses momentos, é especialmente importante não tentar resolver sozinho, pela internet, se determinada interpretação é verdadeira ou não.

    O objetivo do tratamento pode ser ajudá-lo não apenas a compreender os sintomas, mas também a desenvolver mais autonomia, reconhecer sinais de descompensação, construir uma rede de apoio e encontrar formas mais seguras de lidar com conflitos familiares.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


  • Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e c

    Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo  Vieira

    Olá!

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode trabalhar a depressão, a anedonia, a falta de motivação e de energia, ao mesmo tempo em que investiga as crenças centrais e intermediárias que podem estar contribuindo para a manutenção do sofrimento.

    Na depressão, é comum ocorrer um ciclo em que a pessoa se sente sem energia e motivação, reduz suas atividades e passa a ter menos experiências de prazer, realização e contato social. Essa redução pode aumentar o isolamento, a sensação de incapacidade e os pensamentos negativos, reforçando novamente a depressão.

    Por isso, um dos componentes importantes da TCC é a ativação comportamental. A ideia não é simplesmente "se obrigar a fazer as coisas", mas começar gradualmente a retomar comportamentos que possam produzir contato com fontes de prazer, realização, conexão e sentido.

    Um exemplo seria:

    desânimo → deixo de fazer atividades → tenho menos experiências positivas → sinto-me ainda mais desanimado → faço cada vez menos.

    A terapia procura interromper esse ciclo através de pequenas mudanças comportamentais, muitas vezes começando por atividades simples e possíveis. É comum que, inicialmente, a pessoa precise agir antes de sentir vontade, porque esperar a motivação aparecer pode manter o ciclo depressivo.

    A anedonia também pode ser trabalhada dessa maneira. O objetivo não é exigir que a pessoa "sinta prazer" imediatamente, mas aumentar gradualmente o contato com diferentes experiências e observar o que acontece. Em alguns casos, atividades que antes eram prazerosas precisam ser retomadas de maneira muito gradual.

    Ao mesmo tempo, a TCC pode investigar os pensamentos automáticos e as crenças envolvidos na depressão.

    As crenças centrais são ideias mais profundas sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o mundo, como:

    "Sou incapaz."

    "Não tenho valor."

    "Sou um fracasso."

    "Ninguém realmente gosta de mim."

    "Não adianta tentar porque nada vai mudar."

    Já as crenças intermediárias costumam aparecer como regras, pressupostos ou exigências:

    "Se eu não fizer tudo perfeitamente, significa que sou incompetente."

    "Preciso ser produtivo o tempo todo para ter valor."

    "Se eu falhar, não devo tentar novamente."

    "Se não consigo fazer algo com facilidade, significa que não sou capaz."

    O terapeuta não simplesmente diz ao paciente que essas crenças são falsas. O processo envolve investigá-las, identificar de onde elas vieram, observar como influenciam os comportamentos e testar sua validade através de evidências e experiências concretas.

    Por exemplo, alguém pode acreditar: "Se eu não conseguir trabalhar oito horas completamente motivado, sou preguiçoso." A terapia pode ajudar a questionar essa regra e construir uma compreensão mais flexível sobre produtividade, limites e funcionamento humano.

    Os experimentos comportamentais são especialmente importantes porque algumas crenças são mantidas durante anos e não mudam apenas através de argumentos. O paciente pode testar novas maneiras de agir e observar se aquilo que previa realmente acontece.

    Outro aspecto importante é trabalhar a autocrítica. Pessoas deprimidas frequentemente interpretam dificuldades como características pessoais: "não fiz porque sou preguiçoso", "não consigo porque sou fraco". A terapia pode ajudar a diferenciar uma dificuldade momentânea de uma conclusão global sobre quem a pessoa é.

    Também é importante avaliar fatores que podem contribuir para a falta de energia e motivação. Alterações do sono, alimentação, sedentarismo, uso de medicamentos, condições médicas e outros transtornos podem influenciar esses sintomas. Quando a depressão é moderada ou grave, ou quando existe grande prejuízo funcional, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser indicado.

    Um ponto fundamental é que a TCC não trabalha apenas "pensamentos positivos". O objetivo é desenvolver uma relação mais flexível com os pensamentos e construir comportamentos que permitam à pessoa voltar a ter contato com aquilo que é importante em sua vida.

    Portanto, o tratamento pode atuar simultaneamente em três frentes:

    comportamento: aumentar gradualmente atividades e reduzir padrões de esquiva;

    cognição: identificar e modificar pensamentos automáticos, crenças intermediárias e crenças centrais disfuncionais;

    contexto de vida: reconstruir rotina, relações, atividades significativas e fontes de prazer e realização.

    Com o tempo, essas mudanças podem produzir um ciclo diferente:

    pequenas ações → maior contato com experiências positivas e de realização → aumento gradual da energia e da motivação → maior disposição para agir → redução dos sintomas depressivos.

    E é importante ter paciência com esse processo. Na depressão, esperar sentir-se motivado para começar a agir pode ser justamente uma das armadilhas do transtorno. Muitas vezes, a motivação começa a aparecer depois que pequenas ações são retomadas, e não antes delas.

    Espero ter ajudado.

    Rodrigo Vieira
    Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)


Perguntas frequentes

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