Perguntas do paciente (640)
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Como intervenções psicológicas focadas em habilidades contribuem para a melhora do autocontrole emoc
Como intervenções psicológicas focadas em habilidades contribuem para a melhora do autocontrole emocional em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Intervenções psicológicas focadas em habilidades desempenham um papel importante no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), especialmente porque muitas das dificuldades associadas ao transtorno estão relacionadas à regulação emocional, ao manejo de impulsos e aos relacionamentos interpessoais.
De forma geral, essas intervenções buscam ampliar o repertório comportamental da pessoa diante de situações emocionalmente difíceis. Em vez de depender exclusivamente de estratégias impulsivas ou de evitação para lidar com o sofrimento, o paciente aprende formas mais eficazes de reconhecer, compreender e responder às próprias emoções.
O desenvolvimento de habilidades de regulação emocional pode ajudar a identificar emoções com maior precisão, reduzir a vulnerabilidade emocional e aumentar a capacidade de lidar com sentimentos intensos sem recorrer a comportamentos que tragam prejuízos a longo prazo. Da mesma forma, habilidades de tolerância ao mal-estar podem auxiliar a pessoa a atravessar momentos de crise sem agir impulsivamente.
Além disso, muitas abordagens também trabalham habilidades de atenção plena (mindfulness), favorecendo uma maior consciência das experiências internas no momento presente, e habilidades interpessoais, que contribuem para relações mais estáveis e eficazes.
Com o tempo, o fortalecimento dessas competências tende a aumentar o senso de autocontrole e a flexibilidade comportamental. Isso não significa eliminar emoções difíceis, mas desenvolver recursos para lidar com elas de maneira mais adaptativa, reduzindo o impacto que exercem sobre as escolhas e os relacionamentos da pessoa.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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“Qual o papel do treinamento de habilidades no manejo da autoagressão em pacientes com Transtorno de
“Qual o papel do treinamento de habilidades no manejo da autoagressão em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) no contexto do cuidado em saúde mental?”
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Bom dia!
Sim, a ansiedade pode estar associada a sensações de vazio, desrealização e despersonalização em algumas pessoas. Durante períodos de ansiedade intensa ou prolongada, o organismo pode entrar em um estado de alerta elevado, o que pode alterar temporariamente a forma como percebemos a nós mesmos e o ambiente ao nosso redor.
A desrealização costuma ser descrita como a sensação de que o mundo parece estranho, distante ou "irreal". Já a despersonalização envolve uma sensação de desconexão de si mesmo, como se a pessoa estivesse observando a própria vida de fora. Embora essas experiências possam ser bastante assustadoras, elas não significam necessariamente que a pessoa esteja "perdendo o controle" ou desenvolvendo um transtorno grave.
A sensação de vazio também pode aparecer em diferentes contextos emocionais, incluindo ansiedade, estresse intenso, esgotamento emocional e outras condições psicológicas. Por isso, é importante compreender o conjunto da experiência e não apenas um sintoma isolado.
De qualquer forma, esses sintomas merecem atenção, especialmente se forem frequentes, intensos ou estiverem causando sofrimento significativo. Uma avaliação profissional pode ajudar a identificar os fatores envolvidos e a construir estratégias adequadas para lidar com eles.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Qual o papel do treinamento de habilidades no controle da autoagressão Transtorno de Personalidade B
Qual o papel do treinamento de habilidades no controle da autoagressão Transtorno de Personalidade Boderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O treinamento de habilidades desempenha um papel fundamental no manejo da autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Em muitos casos, comportamentos de autoagressão não têm como objetivo chamar atenção, mas funcionam como uma tentativa de aliviar um sofrimento emocional intenso, interromper emoções difíceis ou lidar com situações percebidas como insuportáveis.
Por isso, apenas pedir que a pessoa "pare de se machucar" costuma ser insuficiente. É necessário ajudá-la a desenvolver novas formas de responder às emoções e aos conflitos que antes levavam à autoagressão.
Uma das abordagens com maior evidência científica para o TPB é a Terapia Comportamental Dialética (DBT), que dedica uma parte importante do tratamento ao treinamento de habilidades. Entre elas, destacam-se:
Regulação emocional: aprender a identificar, compreender e manejar emoções intensas antes que elas levem a comportamentos impulsivos.
Tolerância ao mal-estar: desenvolver estratégias para atravessar momentos de crise sem recorrer à autoagressão.
Mindfulness: fortalecer a capacidade de observar pensamentos, emoções e sensações sem agir automaticamente em resposta a eles.
Efetividade interpessoal: aprender maneiras mais saudáveis de expressar necessidades, estabelecer limites e lidar com conflitos nos relacionamentos.
Do ponto de vista da psicologia comportamental, a autoagressão costuma ser compreendida como um comportamento que, em algum momento, cumpriu uma função importante para a pessoa, geralmente a de reduzir rapidamente um sofrimento intenso. O tratamento busca identificar essa função e ampliar o repertório comportamental, para que outras estratégias, mais saudáveis e eficazes, passem a exercer esse papel.
É importante destacar que esse processo acontece de forma gradual. O objetivo não é apenas reduzir a autoagressão, mas ajudar a pessoa a construir uma vida em que esse comportamento deixe de ser necessário como forma de enfrentamento.
Quando há episódios frequentes de autoagressão ou risco significativo à segurança da pessoa, é fundamental que o tratamento seja conduzido por profissionais capacitados, podendo envolver acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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O que são comportamentos autolesivos? .
O que são comportamentos autolesivos? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Os comportamentos autolesivos são ações intencionais em que a pessoa provoca algum tipo de dano ao próprio corpo como uma forma de lidar com um sofrimento emocional intenso. Entre os exemplos mais comuns estão cortes, arranhões, queimaduras, bater em si mesmo ou outras formas de causar lesões sem que, necessariamente, exista a intenção de morrer.
É importante destacar que a autolesão não deve ser interpretada como "busca por atenção". Na maioria das vezes, ela funciona como uma tentativa de aliviar emoções muito intensas, como tristeza, raiva, culpa, vergonha, vazio emocional ou ansiedade. Embora possa proporcionar um alívio momentâneo, esse comportamento tende a manter o ciclo de sofrimento ao longo do tempo.
Do ponto de vista da psicologia comportamental contextual, compreender a função da autolesão é uma etapa essencial do tratamento. Ou seja, procura-se entender em quais situações ela acontece, quais emoções ou pensamentos costumam antecedê-la e o que a pessoa obtém com esse comportamento naquele momento. Essa compreensão permite desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com o sofrimento, sem recorrer à autolesão.
Alguns sinais merecem atenção, como episódios repetidos de autolesão, dificuldade em controlar esse comportamento, isolamento, sentimentos intensos de desesperança ou aumento da frequência das lesões. Nesses casos, é importante procurar ajuda psicológica o quanto antes. Dependendo da gravidade, a avaliação psiquiátrica também pode ser indicada.
Com acompanhamento adequado, muitas pessoas conseguem aprender novas formas de regular as emoções, reduzir a necessidade da autolesão e construir uma vida mais alinhada aos seus valores e objetivos.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Oi, se um paciente já possui o acompanhamento com um psicólogo da família, é possível manter um indi
Oi, se um paciente já possui o acompanhamento com um psicólogo da família, é possível manter um individual também? Não quero perder a oportunidade de ter dois profissionais.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Sim, isso é possível em algumas situações, mas depende dos objetivos de cada acompanhamento e da comunicação entre os profissionais envolvidos.
Por exemplo, é relativamente comum que uma pessoa faça psicoterapia individual ao mesmo tempo em que participa de terapia familiar ou de casal. Nesse caso, cada processo tem um foco diferente e pode se complementar.
Por outro lado, quando se trata de duas psicoterapias individuais ao mesmo tempo, é importante avaliar se isso realmente será benéfico. Em geral, manter dois psicólogos trabalhando com os mesmos objetivos pode gerar orientações conflitantes, dificultar a construção do vínculo terapêutico e tornar mais difícil compreender o que está favorecendo ou dificultando o processo.
Se você sente que gostaria de manter os dois acompanhamentos, vale a pena conversar de forma aberta com ambos os profissionais. Eles poderão avaliar, junto com você, quais são os objetivos de cada atendimento e se existe uma forma ética e organizada de conduzir esse processo.
O mais importante não é a quantidade de psicólogos, mas que o tratamento tenha clareza de objetivos, boa comunicação e esteja contribuindo para o seu desenvolvimento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Eu tive vários sonhos dentro de vários sonhos e eu tive uma experiência muito intensa, que mexeu mui
Eu tive vários sonhos dentro de vários sonhos e eu tive uma experiência muito intensa, que mexeu muito e demais comigo seja interno, seja dentro de mim, marcou demais em mim, e ficou muito na minha mente um último sonho meu que ele é meio pesado. Eu queria saber o porquê sonhar várias vezes dentro de vários sonhos e experiências profundas e que mexem demais. Porque sonhar várias vezes dentro de vários sonhos? Porque sentir tão profundo e forte e não conseguir sair do sonho de ser tão profundo e difícil? É porque sonhar com um homem totalmente desconhecido que eu não conheça pessoalmente e nem no sonho mais eu conversar com ele e o homem falar comigo e conversar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O que você descreve pode ser uma experiência muito intensa e, muitas vezes, bastante marcante. Sonhos que parecem acontecer "dentro de outros sonhos", conhecidos popularmente como "falsos despertares" ou sonhos em camadas, podem ocorrer em pessoas sem que isso signifique, por si só, algum problema psicológico.
Durante o sono, especialmente em períodos de maior estresse, ansiedade ou intensa atividade emocional, os sonhos podem se tornar mais vívidos, complexos e carregados de emoções. Isso pode fazer com que a pessoa acorde com a sensação de que tudo foi extremamente real e continue pensando na experiência durante o dia.
Em relação ao homem desconhecido, é importante lembrar que os sonhos não devem ser interpretados como previsões ou mensagens literais sobre a realidade. O cérebro é capaz de criar personagens completamente novos ou combinar características de diferentes pessoas que vimos ao longo da vida, mesmo que não nos lembremos delas conscientemente. Assim, conversar com alguém desconhecido em um sonho é uma experiência relativamente comum e, por si só, não possui um significado psicológico único.
Do ponto de vista da psicologia, costuma ser mais útil perguntar como você se sentiu durante o sonho e qual impacto ele teve em você, do que tentar descobrir um significado universal para cada elemento. Às vezes, o que permanece não é o conteúdo do sonho, mas as emoções que ele despertou, como medo, tristeza, curiosidade, conforto ou esperança.
Se esses sonhos começaram recentemente, estão acontecendo com frequência, causando sofrimento intenso, medo de dormir ou interferindo na sua rotina, vale a pena procurar um psicólogo para compreender o contexto em que eles estão ocorrendo e o que eles podem estar representando na sua experiência emocional.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
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Estou em um relacionamento com uma mulher que era hetero e hoje é lésbica . Estou em um relaciona
Estou em um relacionamento com uma mulher que era hetero e hoje é lésbica .
Estou em um relacionamento a 1 ano e pouco com ela que era hetero e ao me conhecer cê relacionamos amorosamente. Só que depois de um tempo ela passou a ter um desconfiança imensa de mim ,passou a ter pensamento na mente de coisas q ela achava que eu fazeris com ela porque eu sou lésbica e é impossível na cabeça dela uma pessoa lésbica não desejar outras pessoas ,e mesmo eu jurando meu amor todo por ela e ela saber qur eu amo ela e faço de tudo por ela ,quando tem mulheres por perto de mim ou na frente dela ,ela começa com esses pensamentos ruins achando que eu vou desejar elas ,que vou olhar pra elas ,pro corpo delas ,mesmo ela vendo q na frente dela eu não faço isso,mais ela acha que sem ela ou até com ela mesmo eu iria querer outras pessoas por causa da minha sexualidade,eu não sei mais o que fazer ,já provei pra ela que não tô em um relacionamento pra isso ,já fiz de tudo ,já jurei amor ,já evitei muitas pessoas tudo ,e mesmo assim ela fiz não conseguir de jeito nenhum acreditar e confiar em mim .. O que fazer?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
Pelo que você descreve, parece que o problema principal não é a falta de amor ou de demonstrações de compromisso da sua parte. Você relata que já conversou, reafirmou seus sentimentos, evitou situações que poderiam gerar insegurança e procurou tranquilizá-la diversas vezes. Ainda assim, a desconfiança permanece.
Chamou minha atenção o fato de ela acreditar que, por você ser lésbica, seria "impossível" não sentir desejo por outras mulheres. Essa ideia parece estar funcionando como uma crença muito forte, independentemente das evidências que ela tem da sua fidelidade. Ou seja, o sofrimento dela parece estar sendo mantido mais pela interpretação que faz da situação do que pelo seu comportamento.
Infelizmente, quando a insegurança funciona dessa maneira, oferecer garantias repetidamente costuma trazer apenas um alívio temporário. Pouco tempo depois, surgem novas dúvidas, novos testes ou a necessidade de mais confirmações. Isso pode fazer com que ambos entrem em um ciclo desgastante: quanto mais você tenta provar que é confiável, mais ela sente necessidade de novas provas.
Algumas atitudes podem ser úteis:
Converse com ela em um momento tranquilo, explicando que você compreende a insegurança dela, mas que percebe que as garantias já não estão resolvendo o problema.
Evite transformar sua vida em uma sequência de provas de fidelidade. Relações saudáveis precisam de confiança, e não de confirmações constantes.
Pergunte a ela o que ela acredita que precisaria acontecer para conseguir confiar em você. Muitas vezes, a própria pessoa percebe que nenhuma resposta parece suficiente.
Reflitam juntos se essa insegurança está relacionada apenas ao relacionamento atual ou se também aparece em outras experiências da vida dela, como medo de abandono, rejeição ou comparações.
Caso ambos desejem continuar a relação, a psicoterapia pode ser muito importante. Se ela aceitar, a terapia individual pode ajudá-la a compreender a origem dessa desconfiança. Em alguns casos, a terapia de casal também pode auxiliar na reconstrução da confiança e na comunicação.
Também é importante lembrar que você não é responsável, sozinho, por eliminar a insegurança dela. Você pode ser uma parceira amorosa, transparente e comprometida, mas a confiança é construída pelos dois. Se apenas um faz esforço para sustentar a relação, é natural que, com o tempo, surjam exaustão e sofrimento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a capacidade de antecipação de consequênci
Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a capacidade de antecipação de consequências?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode afetar a capacidade de antecipar consequências, principalmente em momentos de intensa ativação emocional. Isso não significa que a pessoa seja incapaz de compreender as consequências de seus atos, mas que, em determinadas situações, as emoções podem exercer uma influência tão grande sobre o comportamento que a avaliação das consequências de longo prazo fica temporariamente reduzida.
Por exemplo, durante episódios de raiva intensa, medo de abandono, vergonha ou sofrimento emocional, é comum que comportamentos impulsivos pareçam, naquele momento, a única forma de aliviar a dor. Nesses casos, o alívio imediato tende a ter mais peso do que os possíveis prejuízos futuros.
Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas com TPB podem agir impulsivamente em situações de conflito, dizendo ou fazendo coisas das quais se arrependem depois. Quando a intensidade emocional diminui, geralmente conseguem reconhecer com mais clareza as consequências do que aconteceu.
Do ponto de vista da psicologia comportamental contextual, esse padrão não é entendido como uma simples "falta de controle" ou "falta de responsabilidade", mas como uma dificuldade em manter comportamentos alinhados aos próprios objetivos e valores quando emoções muito intensas estão presentes.
Por esse motivo, o tratamento costuma incluir o desenvolvimento de habilidades para reconhecer precocemente a escalada emocional, aumentar a tolerância ao sofrimento, reduzir a impulsividade e criar um intervalo entre a emoção e a ação. Isso favorece decisões mais conscientes e aumenta a capacidade de considerar as consequências antes de agir.
É importante destacar que pessoas com TPB podem desenvolver significativamente essa habilidade ao longo do tratamento. Com intervenções baseadas em evidências, muitas conseguem responder de forma mais flexível às emoções intensas e tomar decisões mais consistentes com aquilo que desejam para suas vidas.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Qual a relação entre sentimentos de vazio e autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (
Qual a relação entre sentimentos de vazio e autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A relação entre sentimentos de vazio e autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é bastante relevante clinicamente, já que ambos fazem parte de dimensões centrais do funcionamento emocional nesse transtorno.
O sentimento de vazio no TPB costuma ser descrito como uma experiência subjetiva de desconexão interna, falta de sentido, ausência de identidade estável ou sensação de “não sentir nada”. Esse estado pode ser extremamente desconfortável e difícil de tolerar, muitas vezes gerando um sofrimento emocional significativo, mesmo quando não há um evento externo claro associado.
Diante desse vazio, algumas pessoas podem recorrer à autoagressão como uma forma de tentar modificar rapidamente o estado interno. Do ponto de vista funcional, o comportamento pode atuar como uma tentativa de interromper a sensação de entorpecimento emocional, trazendo uma experiência mais intensa e “concreta”, ainda que dolorosa.
Além disso, o vazio emocional pode estar associado à dificuldade de identificar, nomear e sustentar estados afetivos. Nesse contexto, a autoagressão pode funcionar como uma forma de regulação emocional disfuncional, transformando um estado difuso e difícil de acessar em uma sensação mais localizada e compreensível.
Outro aspecto importante é que o sentimento de vazio muitas vezes está relacionado a dificuldades na construção de identidade e continuidade do self, o que pode gerar instabilidade interna. Essa instabilidade pode aumentar a vulnerabilidade a comportamentos impulsivos, incluindo a autoagressão, especialmente em momentos de maior estresse interpessoal ou emocional.
Do ponto de vista comportamental contextual, esses padrões são compreendidos como formas aprendidas de lidar com estados internos aversivos. A autoagressão pode ter sido, em algum momento, uma estratégia que produziu alívio imediato ou alguma forma de sensação de controle, o que contribui para sua manutenção.
Em resumo, a relação entre vazio emocional e autoagressão no TPB envolve a tentativa de lidar com estados internos intensamente desconfortáveis, nos quais o comportamento autoagressivo pode funcionar como uma forma disfuncional de regulação emocional e de modulação da experiência subjetiva.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Como diferenciar autoagressão impulsiva de autoagressão premeditada no Transtorno de Personalidade B
Como diferenciar autoagressão impulsiva de autoagressão premeditada no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a autoagressão pode se apresentar com diferentes níveis de planejamento e controle, sendo comum a distinção entre comportamentos impulsivos e comportamentos mais premeditados. Essa diferenciação é importante clinicamente porque envolve funções diferentes e, consequentemente, estratégias de intervenção distintas.
Autoagressão impulsiva
É aquela que ocorre de forma mais rápida, reativa e com pouco ou nenhum planejamento prévio. Geralmente está associada a uma elevação intensa e súbita de emoções como raiva, angústia, desespero ou sensação de abandono. Nesse caso, a pessoa pode agir quase automaticamente, com dificuldade de interromper o comportamento entre a emoção e a ação. Costuma haver maior sensação de “perda de controle” e o comportamento funciona como uma tentativa imediata de aliviar o estado emocional intenso.
Autoagressão premeditada
Já a forma premeditada envolve maior planejamento e antecipação do comportamento. Pode haver preparação prévia, escolha de momento, local ou método, além de uma fase de ruminação antes da ação. Nesse caso, o comportamento tende a estar mais ligado a processos cognitivos prolongados, como pensamentos recorrentes de autodepreciação, desesperança ou necessidade de lidar com sofrimento emocional de forma controlada ou deliberada.
Do ponto de vista clínico, uma diferença importante está no grau de controle inibitório no momento da ação: na autoagressão impulsiva, ele está mais comprometido durante uma ativação emocional intensa; na premeditada, há mais preservação do planejamento, ainda que sob forte sofrimento psíquico.
É importante destacar que essas categorias não são rígidas. Em muitos casos de TPB, os comportamentos podem apresentar elementos mistos, com fases de planejamento seguidas de momentos de impulsividade, ou impulsos que vão sendo “alimentados” por ruminação ao longo do tempo.
Do ponto de vista da psicologia comportamental contextual, mais do que classificar o comportamento, o foco clínico está em compreender sua função, ou seja, o que ele está regulando naquele contexto específico — como alívio emocional, redução de tensão interna, comunicação de sofrimento ou tentativa de interromper estados internos aversivos.
Essa compreensão funcional é essencial para o desenvolvimento de intervenções eficazes, especialmente aquelas focadas em regulação emocional, tolerância ao mal-estar e ampliação de repertórios comportamentais mais seguros.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Qual a relação entre raiva internalizada e autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (T
Qual a relação entre raiva internalizada e autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A raiva internalizada e a autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) frequentemente estão relacionadas, especialmente em contextos de intensa desregulação emocional.
A raiva internalizada ocorre quando emoções de raiva, frustração ou indignação não são expressas de forma externa e acabam sendo direcionadas para o próprio indivíduo. Em vez de serem manifestadas no ambiente ou reguladas de outra forma, essas emoções podem ser voltadas contra si mesmo, gerando autocrítica intensa, culpa e comportamentos autoagressivos.
Do ponto de vista clínico, isso pode acontecer por diferentes razões. Em alguns casos, há um histórico de ambientes em que a expressão de raiva não era aceita ou era punida, levando a pessoa a aprender a inibir essa emoção. Com o tempo, essa emoção não expressa pode se acumular e se transformar em tensão interna elevada.
No TPB, essa dinâmica pode contribuir para a autoagressão como uma forma de aliviar rapidamente esse estado emocional intenso. O comportamento autoagressivo pode funcionar como uma tentativa de regular a ativação emocional, interrompendo momentaneamente a experiência de raiva ou transformando uma emoção difusa em uma sensação mais localizada e controlável.
Além disso, a raiva internalizada muitas vezes está associada a padrões de autocrítica e autodepreciação. A pessoa pode direcionar a raiva contra si mesma por se perceber como “responsável” pelos conflitos ou dificuldades, o que aumenta ainda mais o sofrimento emocional e o risco de comportamentos autoagressivos.
Do ponto de vista da psicologia comportamental contextual, essa relação pode ser compreendida como um padrão aprendido de regulação emocional em que a expressão direta da raiva foi reduzida ou punida, levando a formas alternativas — porém disfuncionais — de manejo dessa emoção.
O tratamento, nesses casos, busca ajudar a pessoa a reconhecer, nomear e expressar a raiva de forma mais funcional, além de desenvolver estratégias de regulação emocional que não envolvam autoagressão. Isso inclui habilidades de tolerância ao mal-estar, validação emocional e aumento da flexibilidade psicológica.
Em resumo, a relação entre raiva internalizada e autoagressão no TPB está frequentemente ligada a dificuldades na expressão e regulação dessa emoção, que acabam sendo direcionadas para o próprio indivíduo como forma de alívio ou controle do sofrimento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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. Qual a relação entre trauma precoce e autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)
. Qual a relação entre trauma precoce e autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A relação entre trauma precoce e autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é complexa e envolve fatores emocionais, de aprendizagem e de regulação do estresse ao longo do desenvolvimento.
De forma geral, experiências traumáticas na infância — como abuso físico, emocional ou sexual, negligência ou invalidação emocional crônica — podem impactar profundamente o desenvolvimento da regulação emocional e das estratégias de enfrentamento. Isso pode levar a uma maior vulnerabilidade a estados emocionais intensos e de difícil manejo na vida adulta.
Uma das hipóteses mais aceitas é que, em contextos precoces marcados por dor emocional intensa, a criança pode não ter desenvolvido repertórios saudáveis de regulação emocional. Assim, comportamentos que envolvem alívio imediato da tensão podem ser aprendidos de forma indireta como estratégias de sobrevivência emocional.
Nesse contexto, a autoagressão pode surgir mais tarde como uma forma disfuncional de regulação emocional. Em situações de estresse intenso, ela pode funcionar como uma tentativa de reduzir rapidamente estados emocionais aversivos, como angústia, raiva, vazio ou dissociação.
Além disso, o trauma precoce pode estar associado a dificuldades na construção de uma autoimagem estável e positiva, o que pode favorecer padrões de autocrítica intensa, culpa e sentimentos de desvalorização pessoal. Esses fatores também aumentam o risco de comportamentos autoagressivos.
Outro aspecto importante é que o trauma pode impactar o desenvolvimento de sistemas neurobiológicos relacionados à resposta ao estresse, tornando o indivíduo mais sensível a gatilhos emocionais e interpessoais na vida adulta.
Do ponto de vista comportamental contextual, entende-se que esses padrões não são apenas efeitos diretos do trauma, mas resultados de interações entre história de vida, ambiente e repertório aprendido de regulação emocional. Assim, a autoagressão pode ser compreendida como um comportamento que, em algum momento, teve função de alívio, mas que se torna prejudicial e mantém o sofrimento ao longo do tempo.
Por isso, o tratamento do TPB com histórico de trauma precoce geralmente envolve o desenvolvimento de habilidades de regulação emocional, reconstrução de repertórios interpessoais e elaboração das experiências traumáticas de forma segura dentro do contexto terapêutico.
Em resumo, o trauma precoce está frequentemente associado ao desenvolvimento de vulnerabilidades emocionais e padrões de regulação disfuncionais que podem contribuir para a autoagressão no TPB, especialmente como forma de lidar com estados emocionais intensos.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Qual o manejo clínico em situação aguda de autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (T
Qual o manejo clínico em situação aguda de autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O manejo clínico de uma situação aguda de autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tem como principal objetivo preservar a segurança do paciente, reduzir o risco imediato e oferecer um cuidado acolhedor, sem julgamentos ou atitudes punitivas.
O primeiro passo é realizar uma avaliação clínica cuidadosa para compreender a gravidade da situação. O profissional procura identificar, por exemplo, se houve lesão física que necessite de atendimento médico, se existe risco atual de nova autoagressão ou de comportamento suicida e quais fatores precipitaram o episódio.
Após a estabilização inicial, é importante compreender a função que a autoagressão exerceu naquele contexto. Em muitas situações, o comportamento ocorreu como uma tentativa de lidar com emoções extremamente intensas, aliviar sofrimento, interromper um estado de dissociação ou responder a uma situação interpessoal vivida como insuportável. Identificar essa função ajuda a direcionar intervenções mais eficazes e evita interpretações simplistas ou moralizantes.
Na prática, o manejo costuma incluir:
acolhimento do sofrimento emocional e validação da experiência do paciente, sem reforçar o comportamento autoagressivo;
avaliação contínua do risco de novos episódios e de comportamento suicida;
elaboração ou revisão de um plano de segurança para momentos de crise;
identificação dos gatilhos, emoções e comportamentos que antecederam a autoagressão;
ensino e fortalecimento de habilidades de regulação emocional e tolerância ao sofrimento para serem utilizadas em futuras crises;
articulação com outros profissionais, como psiquiatras e equipes de emergência, quando necessário.
Na perspectiva comportamental contextual, o foco não está apenas em impedir que o comportamento ocorra novamente, mas em compreender quais processos o mantêm e ampliar o repertório de estratégias disponíveis para lidar com o sofrimento. Assim, busca-se substituir a autoagressão por formas mais seguras e eficazes de enfrentamento.
Quando existe risco elevado de suicídio, incapacidade de garantir a própria segurança ou necessidade de cuidados médicos imediatos, pode ser indicada uma avaliação em serviço de urgência ou, em alguns casos, internação psiquiátrica. Essa decisão deve ser baseada na avaliação clínica e ter como objetivo principal a proteção do paciente.
É importante destacar que episódios de autoagressão representam oportunidades importantes para compreender o funcionamento do paciente e fortalecer o plano terapêutico. Um manejo baseado em acolhimento, avaliação cuidadosa e intervenções fundamentadas em evidências contribui para reduzir o risco de recorrência e favorecer uma recuperação mais consistente.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Qual a função da dor física na autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Qual a função da dor física na autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A dor física, no contexto da autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), geralmente não é o objetivo principal do comportamento, mas pode desempenhar diferentes funções psicológicas para a pessoa que está sofrendo.
Sob a perspectiva clínica, entende-se que a autoagressão costuma ser uma tentativa de lidar com emoções extremamente intensas, e não um desejo de sentir dor por si só. A função desse comportamento varia entre as pessoas e pode até mudar ao longo do tempo.
Entre as funções mais frequentemente observadas estão:
reduzir temporariamente emoções muito intensas, como desespero, raiva, culpa ou ansiedade;
interromper estados de vazio emocional ou dissociação, fazendo com que a pessoa volte a sentir-se conectada ao próprio corpo;
transformar um sofrimento emocional difuso em uma sensação física mais concreta e percebida como mais "controlável";
expressar uma dor que a pessoa não consegue colocar em palavras;
comunicar sofrimento ou necessidade de ajuda, sem que isso signifique, necessariamente, uma tentativa de manipular os outros.
Do ponto de vista neurobiológico, estudos sugerem que a autoagressão pode estar associada à liberação de substâncias envolvidas na modulação da dor e das emoções, o que ajuda a explicar por que algumas pessoas relatam alívio temporário após o comportamento. No entanto, esse alívio costuma ser passageiro e pode contribuir para a manutenção do ciclo de autoagressão.
Na perspectiva comportamental contextual, o foco está em compreender a função que a dor física exerce para aquela pessoa. Em outras palavras, busca-se responder à pergunta: o que mudou após a autoagressão? Se o comportamento reduz momentaneamente uma emoção muito intensa, aumenta a sensação de controle ou interrompe um estado de dissociação, essas consequências podem reforçar sua repetição no futuro.
Por isso, o tratamento não se limita a impedir a autoagressão, mas procura desenvolver estratégias mais eficazes para que a pessoa consiga regular suas emoções, lidar com o sofrimento e atender às mesmas necessidades sem recorrer ao comportamento autolesivo. Esse é um dos principais objetivos de abordagens baseadas em evidências, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT).
Assim, a dor física é compreendida como parte de um processo mais amplo de regulação emocional. Entender a função que ela desempenha é fundamental para planejar intervenções terapêuticas que reduzam o sofrimento e promovam formas mais saudáveis de enfrentamento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Qual o papel da instabilidade de identidade na autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderlin
Qual o papel da instabilidade de identidade na autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A instabilidade de identidade é uma das características centrais do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e pode contribuir, de forma indireta, para o surgimento ou a manutenção de comportamentos autoagressivos.
Pessoas com TPB frequentemente apresentam uma percepção instável de quem são, de seus valores, objetivos e do próprio valor pessoal. Essa sensação de não possuir um senso de identidade consistente pode gerar intenso sofrimento emocional, sentimentos de vazio, vergonha, insegurança e dificuldade para lidar com situações de rejeição ou conflito.
Em alguns momentos, esse sofrimento pode tornar-se tão intenso que a autoagressão passa a exercer uma função de regulação emocional. Para algumas pessoas, ela proporciona um alívio temporário da tensão, interrompe estados emocionais muito intensos ou funciona como uma forma de expressar uma dor que parece difícil de colocar em palavras. É importante destacar que isso não significa que toda pessoa com instabilidade de identidade irá se autoagredir, nem que toda autoagressão tenha essa mesma função.
Além disso, quando a autoimagem depende excessivamente da aprovação dos outros, experiências como críticas, rompimentos ou sensação de abandono podem provocar mudanças bruscas na forma como a pessoa se percebe, aumentando a vulnerabilidade a comportamentos impulsivos, incluindo a autoagressão.
Na perspectiva comportamental contextual, a instabilidade de identidade é compreendida como um repertório construído ao longo da história de aprendizagem da pessoa, influenciado por experiências interpessoais, contextos de invalidação e dificuldades no desenvolvimento de um senso de si mais estável. Nessa perspectiva, a autoagressão é analisada principalmente pela função que desempenha naquele contexto, e não apenas pelo seu conteúdo ou significado.
Por isso, o tratamento costuma envolver o fortalecimento da regulação emocional, da flexibilidade psicológica e da construção de um senso de identidade mais consistente, favorecendo que a pessoa desenvolva formas mais seguras e eficazes de lidar com o sofrimento. À medida que ela amplia esse repertório, a necessidade de recorrer à autoagressão tende a diminuir.
Assim, embora a instabilidade de identidade não seja a causa única da autoagressão no TPB, ela pode aumentar a vulnerabilidade a esse comportamento quando associada a emoções intensas, dificuldades interpessoais e estratégias limitadas de enfrentamento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Como o conceito de “acting out” se relaciona com a autoagressão no Transtorno de Personalidade Borde
Como o conceito de “acting out” se relaciona com a autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
O conceito de "acting out" tem origem na psicanálise e refere-se à tendência de expressar conflitos ou estados emocionais intensos por meio de ações, em vez de simbolizá-los, refletir sobre eles ou comunicá-los verbalmente. No contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), esse conceito é frequentemente utilizado para compreender alguns comportamentos impulsivos, incluindo, em determinadas situações, a autoagressão.
Do ponto de vista psicanalítico, a autoagressão pode ser entendida como uma forma de atuação de conflitos emocionais que não conseguem ser elaborados ou verbalizados. Assim, sentimentos como raiva, abandono, vergonha ou desespero podem ser "colocados em ação", em vez de serem expressos por meio da fala ou da reflexão.
No entanto, é importante destacar que a autoagressão no TPB não deve ser compreendida apenas como um acting out. Atualmente, diferentes modelos teóricos mostram que esse comportamento pode exercer diversas funções, como aliviar sofrimento emocional intenso, interromper estados de dissociação, reduzir sentimentos de vazio ou comunicar um sofrimento que a pessoa não consegue expressar de outra maneira.
Na perspectiva comportamental contextual, por exemplo, o foco está menos na ideia de atuação de conflitos inconscientes e mais na função que o comportamento desempenha. Perguntas como "o que aconteceu antes da autoagressão?", "qual emoção estava presente?" e "o que mudou após o comportamento?" costumam oferecer informações importantes para compreender por que ele se mantém.
Do ponto de vista neuropsicológico, episódios de autoagressão também podem estar relacionados à intensa ativação emocional, associada à redução temporária do controle inibitório e da capacidade de avaliar consequências, favorecendo respostas impulsivas diante de elevado sofrimento.
Na prática clínica contemporânea, esses diferentes modelos não precisam ser vistos como excludentes. Enquanto a psicanálise pode compreender a autoagressão como uma forma de atuação emocional (acting out), abordagens comportamentais e neuropsicológicas ajudam a identificar os processos de aprendizagem, regulação emocional e funcionamento cognitivo envolvidos. Essa integração amplia a compreensão do comportamento e favorece intervenções mais eficazes.
Em resumo, o conceito de acting out oferece uma maneira de compreender como emoções intensas podem ser expressas por meio de ações, mas representa apenas uma das possíveis explicações para a autoagressão no TPB. A avaliação clínica individual continua sendo fundamental para compreender a função específica desse comportamento em cada pessoa.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Qual é o papel da aliança terapêutica no manejo da autoagressão no Transtorno de Personalidade Borde
Qual é o papel da aliança terapêutica no manejo da autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A aliança terapêutica desempenha um papel central no manejo da autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), sendo considerada um dos principais fatores de prognóstico positivo no tratamento.
A aliança terapêutica pode ser entendida como a qualidade da relação colaborativa entre paciente e terapeuta, envolvendo vínculo, confiança, acordo sobre objetivos e concordância sobre as tarefas do processo terapêutico. No TPB, essa aliança é particularmente relevante porque o padrão interpessoal do transtorno frequentemente inclui sensibilidade à rejeição, medo de abandono e oscilações na forma de perceber os outros.
No manejo da autoagressão, uma aliança terapêutica estável oferece um contexto seguro no qual o sofrimento pode ser reconhecido e validado sem julgamento. Isso é fundamental, pois muitas pessoas com TPB apresentam histórico de invalidação emocional, o que pode aumentar a intensidade do sofrimento e dificultar a busca por alternativas mais adaptativas.
Além disso, a aliança terapêutica funciona como uma base de segurança que permite ao paciente tolerar e explorar estados emocionais intensos dentro da sessão, sem recorrer imediatamente à autoagressão como forma de regulação. Esse ambiente relacional favorece o desenvolvimento de novas formas de lidar com emoções difíceis.
Outro aspecto importante é que a própria relação terapêutica pode se tornar um espaço de observação e intervenção dos padrões interpessoais associados ao TPB. Oscilações na percepção do terapeuta, reações emocionais intensas e expectativas de abandono podem surgir dentro da terapia, e o manejo cuidadoso desses fenômenos dentro de uma aliança estável permite a construção de novas experiências relacionais.
Do ponto de vista comportamental contextual, a aliança terapêutica pode ser compreendida como um contexto de reforço de comportamentos mais flexíveis e funcionais, ao mesmo tempo em que reduz a necessidade de respostas autoagressivas como forma de regulação emocional.
Em abordagens baseadas em evidências, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT), a aliança terapêutica não é apenas um fator relacional, mas também uma ferramenta ativa de intervenção, sendo essencial para a adesão ao tratamento, prevenção de abandono e manejo de crises.
Em resumo, a aliança terapêutica no TPB atua como um fator protetivo fundamental, oferecendo segurança emocional, favorecendo a regulação afetiva e permitindo o desenvolvimento de novas estratégias para lidar com o sofrimento, incluindo a redução de comportamentos autoagressivos.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Qual a abordagem terapêutica indicada para autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (T
Qual a abordagem terapêutica indicada para autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) requer uma abordagem terapêutica estruturada e baseada em evidências, com foco na compreensão da função desse comportamento e no desenvolvimento de formas mais seguras de lidar com o sofrimento emocional.
Atualmente, a abordagem com maior respaldo científico para esse quadro é a Terapia Comportamental Dialética (DBT). Desenvolvida especificamente para pessoas com TPB e comportamentos autolesivos, a DBT busca reduzir a autoagressão por meio do fortalecimento de habilidades de regulação emocional, tolerância ao mal-estar, efetividade interpessoal e atenção plena (mindfulness).
Um princípio fundamental dessa abordagem é compreender que a autoagressão geralmente exerce uma função para a pessoa, como aliviar emoções intensas, interromper estados de vazio, reduzir tensão emocional ou comunicar sofrimento. Em vez de focar apenas na eliminação do comportamento, a terapia procura identificar sua função e construir alternativas mais adaptativas que atendam à mesma necessidade.
Além da DBT, outras abordagens também apresentam evidências de eficácia para o TPB, como a Terapia Baseada em Mentalização (MBT), a Psicoterapia Focada na Transferência (TFP) e a Terapia do Esquema, cada uma com modelos teóricos diferentes, mas com o objetivo comum de reduzir a instabilidade emocional e melhorar o funcionamento interpessoal.
Em muitos casos, o tratamento psicológico é realizado em conjunto com acompanhamento psiquiátrico. Embora não existam medicamentos específicos para tratar o TPB, eles podem ser úteis para manejar sintomas associados, como ansiedade, depressão, impulsividade ou alterações do sono, quando clinicamente indicados.
Independentemente da abordagem utilizada, alguns elementos costumam ser fundamentais no tratamento:
construção de uma aliança terapêutica consistente;
avaliação contínua do risco e elaboração de um plano para manejo de crises;
desenvolvimento de habilidades de regulação emocional;
compreensão dos gatilhos e da função da autoagressão;
fortalecimento de estratégias de enfrentamento mais flexíveis e seguras.
Do ponto de vista comportamental contextual, o objetivo não é apenas reduzir o comportamento autoagressivo, mas ampliar o repertório da pessoa para que ela consiga responder ao sofrimento de maneiras compatíveis com seus valores e com a vida que deseja construir.
É importante lembrar que, embora a autoagressão seja um comportamento de alto risco e mereça atenção especializada, ela pode diminuir significativamente com um tratamento adequado e contínuo.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Quais fatores de risco aumentam a autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Quais fatores de risco aumentam a autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um comportamento multifatorial, e sua ocorrência está associada a diferentes fatores de risco que podem aumentar a vulnerabilidade do indivíduo em determinados contextos.
Um dos principais fatores de risco é a desregulação emocional intensa, característica central do TPB. Pessoas com maior dificuldade em modular emoções como raiva, ansiedade, tristeza ou vazio tendem a ter maior probabilidade de recorrer à autoagressão como forma de alívio rápido do sofrimento.
Outro fator importante é a história de trauma precoce, como abuso físico, emocional ou sexual, negligência ou ambientes invalidantes. Essas experiências podem comprometer o desenvolvimento de estratégias adaptativas de regulação emocional, favorecendo respostas mais impulsivas diante de estresse.
A invalidação emocional crônica também é um fator relevante. Ambientes em que as emoções da pessoa são constantemente ignoradas, minimizadas ou punidas podem contribuir para a dificuldade em reconhecer, nomear e regular estados emocionais, aumentando o risco de comportamentos autoagressivos.
Além disso, dificuldades interpessoais, como medo intenso de abandono, conflitos relacionais frequentes e instabilidade nos vínculos, podem funcionar como gatilhos importantes para episódios de autoagressão, especialmente em contextos de rejeição percebida ou perda emocional.
Outros fatores incluem impulsividade elevada, que reduz o tempo entre a emoção intensa e a ação, e comorbidades psiquiátricas, como depressão, transtornos de ansiedade, uso de substâncias e transtornos relacionados ao trauma, que podem aumentar significativamente o risco.
Também é importante considerar o papel de déficits em habilidades de regulação emocional e tolerância ao mal-estar, que dificultam a capacidade de atravessar estados emocionais intensos sem recorrer a comportamentos disfuncionais.
Do ponto de vista comportamental contextual, esses fatores não atuam isoladamente, mas interagem entre si, formando um contexto em que a autoagressão pode surgir como uma estratégia aprendida de regulação emocional, ainda que disfuncional.
Em termos clínicos, compreender esses fatores de risco é fundamental para a prevenção, pois permite identificar gatilhos, fortalecer habilidades de enfrentamento e estruturar intervenções mais eficazes e individualizadas.
Em resumo, a autoagressão no TPB está associada a uma combinação de vulnerabilidades emocionais, história de vida, contexto interpessoal e repertório de regulação emocional, que juntos aumentam a probabilidade desse comportamento.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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Qual a função interpessoal da autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Qual a função interpessoal da autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá!
A autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ter diferentes funções, e uma delas é a função interpessoal, ou seja, relacionada à forma como o comportamento influencia ou se insere nas relações com outras pessoas.
Do ponto de vista clínico, a função interpessoal da autoagressão não deve ser entendida como “manipulação” no sentido pejorativo, mas como uma forma de comunicação do sofrimento quando a pessoa não consegue expressá-lo de maneira mais direta ou eficaz.
Em muitos casos, a autoagressão pode funcionar como um sinal de sofrimento emocional intenso, comunicando aos outros que algo está fora do controle interno da pessoa. Isso pode ocorrer especialmente em contextos em que a comunicação verbal do sofrimento não foi validada ou não foi suficiente em experiências anteriores.
Outro aspecto importante é que, em alguns contextos, a autoagressão pode estar relacionada a tentativas de obtenção de resposta do ambiente, como cuidado, presença ou contenção emocional. Isso não significa intenção consciente de manipulação, mas sim um padrão de aprendizagem em que o comportamento passou a produzir consequências interpessoais de alívio ou aproximação.
Também pode haver uma função ligada à redução de distância interpessoal percebida, especialmente em situações de medo de abandono. Em momentos de crise emocional intensa, a autoagressão pode ocorrer em contextos nos quais a pessoa percebe ameaça de perda de vínculo, funcionando como um comportamento que altera a dinâmica relacional naquele momento.
Do ponto de vista comportamental contextual, esses padrões são compreendidos como respostas que foram moldadas ao longo da história de vida da pessoa e que podem ter sido reforçadas por consequências sociais específicas, como atenção, cuidado ou interrupção de conflitos.
É importante reforçar que, embora exista essa dimensão interpessoal, a autoagressão não deve ser reduzida a uma estratégia “para obter algo do outro”, pois na maioria das vezes ela também está fortemente ligada à regulação emocional interna intensa e ao sofrimento psíquico.
No tratamento do TPB, compreender essa função interpessoal é fundamental para desenvolver alternativas mais adaptativas de comunicação emocional e construção de vínculos, de forma que o sofrimento possa ser expresso sem a necessidade de comportamentos autoagressivos.
Espero ter ajudado.
Rodrigo Vieira
Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)
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