Perguntas do paciente (86)

  • Passei muito mal depois de tomar Alginac 1000,tive sensação de desmaio, tontura forte e muita ânsia

    Passei muito mal depois de tomar Alginac 1000,tive sensação de desmaio, tontura forte e muita ânsia e vômitos, estava de estômago vazio quando tomei, pode ter sido isso a causa de meu mal estar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago Lopes

    O Alginac 1000 é um analgésico e, como vários medicamentos dessa classe, pode causar efeitos adversos gastrointestinais e também sintomas como tontura, mal-estar e náuseas em algumas pessoas. Tomá-lo em jejum pode, sim, aumentar a chance de irritação do estômago e desencadear ou piorar náuseas e vômitos, especialmente em pessoas mais sensíveis.

    A sensação de desmaio e a tontura forte podem acontecer por alguns motivos, e nem sempre é possível atribuir a uma única causa sem avaliação: desconforto gástrico intenso, queda de pressão, desidratação após vômitos, hipoglicemia por estar em jejum, ou uma reação ao medicamento. Em alguns casos, também pode ocorrer uma reação de hipersensibilidade ao fármaco, que merece atenção.

    Em geral, é mais provável ser um efeito adverso quando os sintomas começam pouco tempo após a ingestão e melhoram progressivamente com o passar das horas, mas existem sinais de alerta que exigem avaliação imediata: desmaio de fato, falta de ar, chiado, inchaço de lábios/rosto/olhos, placas de urticária pelo corpo, dor forte no peito, confusão, vômitos persistentes com incapacidade de manter líquidos, sangue no vômito ou nas fezes, ou queda importante do estado geral.

    Como você teve tontura intensa com sensação de desmaio e vômitos importantes, o mais prudente é procurar avaliação médica, sobretudo se os sintomas ainda estiverem presentes, se você não conseguir se hidratar, ou se isso ocorreu logo após a dose. Mesmo que o jejum tenha contribuído, é importante registrar essa reação e conversar com um profissional antes de usar novamente o mesmo medicamento ou outros similares, para definir alternativas mais seguras para você.


  • Ouvi falar que a ingestão de bicarbonato de sódio (medida de uma colher de café) em meio copo com

    Ouvi falar que a ingestão de bicarbonato de sódio (medida de uma colher de café) em meio copo com água, em jejum, faz bem para a saúde, pois "limpa" o organismo (faz evacuar). Isso é verdade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago Lopes

    O bicarbonato de sódio é uma substância alcalina que, quando ingerida, reage com o ácido do estômago. Em algumas pessoas ele pode reduzir temporariamente a azia ou a sensação de queimação, mas isso não significa que “limpe” o organismo. A ideia de “desintoxicar” ou “limpar o corpo” com bicarbonato não tem base científica: o organismo já faz esse trabalho principalmente por fígado, rins e intestino, e não há evidência de que bicarbonato em jejum promova uma “limpeza” benéfica.

    Quanto a “fazer evacuar”, o bicarbonato não é um laxante. Algumas pessoas podem ter aumento de gases, distensão abdominal ou até diarreia por irritação gastrointestinal ou pelo grande volume de líquido ingerido, mas isso não é um efeito desejável nem uma forma segura de tratar constipação. Para intestino preso, as medidas com melhor evidência costumam ser hidratação adequada, fibras na alimentação e atividade física, além de avaliação médica quando o sintoma persiste.

    O uso frequente ou em doses maiores pode trazer riscos, especialmente em jejum: desequilíbrio do pH do sangue (alcalose metabólica), aumento do sódio no organismo, retenção de líquido e piora da pressão arterial, além de interações com medicamentos e agravamento de condições como insuficiência renal, insuficiência cardíaca e hipertensão. Também pode mascarar sintomas de problemas gástricos que precisam de avaliação.

    Em geral, não é recomendado usar bicarbonato diariamente como “remédio” ou “limpeza”. Se a queixa principal é azia, refluxo ou constipação, o mais seguro é conversar com um médico para identificar a causa e orientar medidas apropriadas. Procure avaliação com mais urgência se houver dor abdominal importante, vômitos persistentes, sangue nas fezes, emagrecimento sem explicação, anemia, febre ou mudança recente e progressiva do hábito intestinal.


  • Meu filho tem 4 anos e não fala apenas emite alguns sons ja consultei com varios especialistas como

    Meu filho tem 4 anos e não fala apenas emite alguns sons ja consultei com varios especialistas como neurologista, fonoaudiologa, psicologo, otorrino e faz varios exames e nada não foi diagnosticado nada até agora o que mais poderia fazer será que existe alguma outra especialidade para consultar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago Lopes

    Em uma criança de 4 anos com fala ausente ou muito restrita, é importante entender que pode haver diferentes explicações possíveis, e nem sempre elas aparecem em exames ou em uma primeira rodada de avaliações. Muitas vezes, o diagnóstico depende mais da observação do desenvolvimento, da comunicação no dia a dia e do acompanhamento ao longo do tempo do que de exames laboratoriais ou de imagem.

    De forma geral, quando a criança não fala, os pontos que costumam ser revisados com cuidado são: como está a compreensão (se entende comandos simples e rotinas); como se comunica sem palavras (gestos, apontar, olhar, levar o adulto até o que quer); como é a interação social e o brincar; e se houve regressão (se falava algo e parou). Também vale checar se existem alterações motoras, sensoriais, de atenção, de sono ou comportamentais que possam interferir na aquisição de linguagem.

    Como vocês já passaram por neurologista, fonoaudióloga, psicólogo e otorrino, duas frentes costumam ajudar bastante quando ainda não há um fechamento claro:

    1. Neuropediatria do desenvolvimento ou psiquiatria infantil (quando disponível): são áreas focadas em transtornos do neurodesenvolvimento e na integração das informações de várias terapias e avaliações. Em alguns locais existe também o "pediatra do desenvolvimento" ou serviços de "desenvolvimento infantil".

    2. Avaliação fonoaudiológica mais abrangente e funcional: além de audição e anatomia, pode ser útil uma avaliação focada em linguagem receptiva e expressiva, comunicação social e possibilidades de comunicação alternativa e aumentativa (CAA), quando indicado. Isso não é “substituir a fala”, e sim oferecer um caminho de comunicação enquanto a linguagem oral é estimulada.

    Outros profissionais que, dependendo do quadro, podem complementar a investigação são o terapeuta ocupacional com foco em integração sensorial e desenvolvimento (quando há seletividade alimentar importante, hipersensibilidades, muita agitação ou dificuldade de brincar e imitar), e a genética médica, especialmente se houver outros achados associados (atrasos em mais de uma área do desenvolvimento, alterações de crescimento, histórico familiar, malformações, crises convulsivas, regressão, entre outros). A genética nem sempre encontra uma causa, mas pode ajudar a organizar hipóteses quando a linguagem é muito comprometida.

    Em termos de sinais de alerta que merecem reavaliação mais rápida, entram: perda de habilidades que já existiam, falta de resposta a sons e ao chamado do nome, ausência de gestos como apontar e acenar, pouca intenção de comunicação, dificuldade importante de interação e brincadeira compartilhada, ou qualquer suspeita de crises convulsivas. Nesses casos, é recomendável insistir em um acompanhamento estruturado com especialista em desenvolvimento infantil.

    Por fim, mesmo quando ainda não há diagnóstico fechado, o mais importante costuma ser não adiar intervenções baseadas em metas funcionais (comunicação, interação, brincadeira, autonomia), com reavaliações periódicas para ajustar o plano conforme a criança evolui. Se possível, tente reunir todos os relatórios em um resumo único (marcos do desenvolvimento, como ele se comunica, resultados de audição, escola, terapias já feitas) para facilitar uma avaliação integradora.


  • fibromialgia da coceira?

    fibromialgia da coceira?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago Lopes

    A fibromialgia não é, em geral, uma doença de pele. Ela é uma condição de dor crônica e hipersensibilidade do sistema nervoso. Ainda assim, algumas pessoas com fibromialgia relatam sensação de “coceira”, formigamento, queimação ou desconfortos na pele mesmo sem lesões aparentes. Isso costuma ser entendido como uma manifestação de hipersensibilidade (o cérebro e os nervos “amplificam” estímulos), e não como uma alergia ou infecção em si.

    Por outro lado, coceira tem muitas causas comuns que podem coexistir com fibromialgia e precisam ser consideradas, como pele seca, dermatites (alérgica/irritativa), urticária, escabiose, reações a medicamentos, alterações da tireoide, problemas no fígado ou rins, anemia/deficiências nutricionais e até fatores emocionais (estresse e ansiedade podem piorar a percepção de prurido). Por isso, quando a queixa principal é coceira, é importante não atribuir automaticamente à fibromialgia.

    Em geral preocupa menos quando a coceira é leve, episódica, sem lesões na pele e melhora com hidratação e medidas simples. Merece avaliação médica quando é intensa ou persistente por semanas; quando aparece junto de manchas, bolhas, feridas, descamação ou sinais de infecção; quando piora muito à noite; quando vem acompanhada de febre, perda de peso, icterícia (pele/olhos amarelados), urina escura, cansaço importante ou coceira generalizada sem explicação; ou quando começa logo após iniciar algum medicamento.

    O caminho mais adequado é conversar com um clínico, reumatologista ou dermatologista para uma avaliação completa, com exame da pele e, se necessário, exames básicos para investigar causas frequentes de prurido. Isso ajuda a diferenciar uma hipersensibilidade relacionada à fibromialgia de uma condição dermatológica ou sistêmica tratável.


  • o que causa a deficiência da vitamina B12 no organismo?

    o que causa a deficiência da vitamina B12 no organismo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago Lopes

    A vitamina B12 é essencial para a formação adequada das células do sangue (incluindo as hemácias) e para o funcionamento do sistema nervoso. Quando há deficiência, pode ocorrer anemia e também sintomas neurológicos, porque a medula óssea passa a produzir glóbulos vermelhos maiores e menos eficientes, e os nervos podem ser afetados.

    Em termos gerais, as causas mais comuns de deficiência de vitamina B12 se dividem em três grupos: ingestão insuficiente, dificuldade de absorção e uso de medicamentos ou condições que interferem no aproveitamento da vitamina. A ingestão insuficiente ocorre principalmente em dietas sem alimentos de origem animal (carnes, peixes, ovos, leite e derivados) quando não há reposição adequada. Já a dificuldade de absorção é uma causa muito frequente e pode acontecer porque a B12 depende de ácido no estômago e do chamado “fator intrínseco” para ser absorvida no intestino. Por isso, situações como gastrite atrófica, anemia perniciosa (doença autoimune que reduz o fator intrínseco), cirurgias do estômago (como bariátrica) e doenças do intestino delgado (por exemplo, inflamações crônicas, doença celíaca ou ressecções intestinais) podem levar à deficiência. Também pode ocorrer por alterações do pâncreas ou por supercrescimento bacteriano no intestino, que competem pela vitamina.

    Alguns medicamentos podem contribuir, especialmente os que reduzem a acidez do estômago por uso prolongado (como inibidores da bomba de prótons e bloqueadores H2) e a metformina (usada no diabetes), que em parte das pessoas pode reduzir os níveis de B12 ao longo do tempo. Em idosos, a deficiência é mais comum porque a acidez gástrica tende a diminuir com a idade, o que atrapalha a liberação e a absorção da vitamina a partir dos alimentos.

    Muitas vezes a deficiência se desenvolve lentamente, e pode causar cansaço, palidez, falta de ar aos esforços, língua dolorida, além de formigamentos, dormência, desequilíbrio, alteração de memória ou humor. Esses sinais, especialmente os neurológicos, merecem atenção porque podem se tornar persistentes se a deficiência não for identificada e tratada.

    Como orientação prática, se há suspeita de deficiência ou sintomas compatíveis, o mais adequado é procurar avaliação médica para investigação da causa e confirmação com exames, já que nem toda anemia é por B12 e o tratamento depende do motivo (dieta, absorção, medicamentos ou doenças associadas). Se houver sintomas neurológicos importantes, piora rápida, desmaios, falta de ar relevante ou palpitações intensas, é recomendável buscar atendimento com maior brevidade.


  • quero ajudar uma amiga com esse problema, mas não sei escolher bem as palavras, vcs podem me ajudar?

    quero ajudar uma amiga com esse problema, mas não sei escolher bem as palavras, vcs podem me ajudar? ela tbm sofre de anorexia e automutilação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago Lopes

    Você pode começar validando o que ela sente e mostrando disponibilidade. Frases que costumam ajudar são: “Eu me importo com você e quero entender como posso estar ao seu lado”; “Você não precisa passar por isso sozinha”; “Se você quiser, posso só te ouvir, sem dar conselhos agora”. Em geral, funciona melhor falar de forma concreta, com calma, e perguntar o que ela prefere naquele momento: “Você quer desabafar, distrair ou pensar em um próximo passo?”.

    Também é útil evitar algumas armadilhas comuns. Tente não minimizar (“isso é drama”, “é só pensar positivo”), não dar ultimatos (“se você fizer isso eu vou embora”) e não transformar em cobrança (“por que você não para?”). Em transtorno bipolar, oscilações de humor podem envolver momentos de muita energia e impulsividade ou períodos de desânimo importante; nessas horas, discutir para “convencer” raramente funciona. O que ajuda mais é reforçar segurança, rotina e busca de cuidado: “Posso te acompanhar para conversar com um profissional?”; “Posso te ajudar a marcar uma consulta ou ir com você?”.

    Como você mencionou automutilação e anorexia, vale ter um cuidado extra com linguagem. Em vez de pedir promessas (“promete que não vai fazer nada”), que às vezes aumenta culpa, prefira perguntas abertas e sem julgamento: “Você está com vontade de se machucar agora?”; “Você está se sentindo segura hoje?”; “O que costuma te ajudar a atravessar esses momentos?”. Se ela disser que está com vontade de se machucar ou que não se sente segura, o mais responsável é não deixar isso só entre vocês: procurar um adulto de confiança (família, responsável, escola) e principalmente apoio profissional.

    Se houver risco imediato (ela estiver se machucando, disser que vai se ferir, estiver muito desorientada, ou você perceber perigo concreto), priorize ajuda urgente. No Brasil, você pode acionar o SAMU (192) ou ir a uma UPA ou pronto-socorro. Para apoio emocional 24 horas, o CVV atende pelo 188. Mesmo que sua intenção seja proteger a privacidade dela, segurança vem primeiro.

    Se você quiser, aqui vai um modelo de mensagem curta, que costuma soar acolhedora e respeitosa:
    “Eu me importo muito com você. Não preciso entender tudo para estar do seu lado. Se você quiser, pode me contar como está hoje. Se estiver pesado demais, a gente pode pensar juntas em chamar um profissional da saúde, porque você merece apoio de verdade. Você está segura agora?”

    Por fim, cuide de você também. Apoiar alguém nessas condições pode ser emocionalmente exigente; ter um adulto ou profissional para te orientar (mesmo para você, como amiga) ajuda a manter limites saudáveis.


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