A hipersensibilidade emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um traço de persona

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A hipersensibilidade emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um traço de personalidade ou um transtorno à parte?
Essa é uma pergunta muito importante e a resposta ajuda a diminuir muitos equívocos sobre o TPB.
A hipersensibilidade emocional não é um traço de personalidade isolado, nem um transtorno à parte.
Ela é um núcleo estruturante do próprio funcionamento do TPB.
Ou seja, não se trata de “jeito de ser”, temperamento ou escolha pessoal. Trata-se de um modo de organização do sistema psíquico e nervoso, moldado por experiências precoces de instabilidade, insegurança ou trauma relacional.
No TPB, o cérebro aprende muito cedo que o mundo não é previsível nem seguro. Por isso, ele passa a operar em estado de alerta permanente, reagindo com intensidade máxima aos vínculos, às emoções e às mudanças no ambiente.
A hipersensibilidade é, portanto, uma resposta adaptativa de sobrevivência, que com o tempo se cristaliza como padrão de funcionamento e não uma característica “separada” da pessoa. Vale ressaltar: Não é quem a pessoa “é”.
É como o sistema psíquico dela aprendeu a se proteger.

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A hipersensibilidade emocional no Transtorno de Personalidade Borderline não é um traço isolado de personalidade nem um transtorno à parte; ela é uma característica central do TPB. Diferente de uma sensibilidade normal, que pode ser apenas um traço de temperamento, essa hipersensibilidade é extrema, difícil de regular e interfere de forma significativa na vida cotidiana, nas relações e na capacidade de lidar com frustrações. Por isso, ela é considerada parte do funcionamento emocional atípico que define o transtorno, e não uma condição separada.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A hipersensibilidade emocional no Transtorno de Personalidade Borderline não é um transtorno à parte. Ela é parte do funcionamento do próprio TPB, mas também dialoga com traços de personalidade que já existiam antes. Em outras palavras, muitas pessoas com TPB já eram sensíveis emocionalmente, porém essa sensibilidade passou a operar de forma desorganizada, intensa e difícil de regular ao longo da história de vida.

Clinicamente, a diferença está no impacto. A sensibilidade, como traço, pode enriquecer vínculos, empatia e percepção emocional. No TPB, essa mesma sensibilidade vem acompanhada de reatividade muito rápida, dificuldade de frear impulsos e tendência a interpretar sinais emocionais como ameaças reais. O problema não é sentir muito, mas não conseguir sustentar o que se sente sem se desorganizar.

Do ponto de vista neuroemocional, o sistema de alerta entra em ação cedo demais, enquanto os mecanismos de regulação chegam depois. Isso faz com que a experiência emocional pareça avassaladora, mesmo em situações que, para outras pessoas, seriam manejáveis. Com o tempo, essa dinâmica deixa de ser apenas um traço e passa a gerar sofrimento recorrente e prejuízo nas relações, o que caracteriza o transtorno.

Vale se perguntar: essa sensibilidade sempre esteve presente ou mudou de intensidade ao longo da vida? Ela te aproxima das pessoas ou te coloca em constante estado de ameaça emocional? O sofrimento vem mais do que você sente ou da dificuldade de lidar com o que sente? Em quais contextos essa sensibilidade fica mais controlável?

A psicoterapia é o espaço central para reorganizar essa hipersensibilidade, ajudando a transformá-la novamente em um recurso, e não apenas em fonte de dor. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico pode ser um apoio complementar quando a intensidade emocional está muito difícil de manejar. Se você já estiver em terapia, levar essa reflexão para a sessão pode ajudar bastante a aprofundar o trabalho.

Caso precise, estou à disposição.

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