A pessoa com transtorno de personalidade borderline (TPB) pode ser tanto vítima quanto praticante de

3 respostas
A pessoa com transtorno de personalidade borderline (TPB) pode ser tanto vítima quanto praticante de bullying?
Sim, uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser tanto vítima quanto praticante (agressora) de bullying, e essa sobreposição é algo que pode ocorrer com maior frequência do que na população em geral.

Essa complexidade está profundamente ligada às características centrais do TPB, especialmente a instabilidade emocional, a impulsividade e a dificuldade nos relacionamentos.

1. A Pessoa com TPB como Vítima de Bullying
O TPB é frequentemente associado a um histórico de trauma infantil, e o bullying é um tipo de trauma psicológico, emocional ou físico que pode ter contribuído para o desenvolvimento do transtorno.

Fator de Risco: O bullying (assim como outros tipos de abuso e negligência) é considerado um fator de risco significativo para o diagnóstico de TPB.

Vulnerabilidade Emocional: Pessoas com TPB tendem a ter uma hiper-reatividade emocional (sentem as emoções de forma mais intensa e demoram mais para se acalmar), o que as torna mais vulneráveis e sensíveis à dor causada pelo bullying e pela rejeição.

Medo de Abandono: A instabilidade e a rejeição vivenciadas no bullying podem confirmar o medo intenso de abandono e a crença de que são inerentemente "más" ou "indesejáveis", que são traços centrais do TPB.

2. A Pessoa com TPB como Praticante (Agressora) de Bullying
Embora o TPB seja majoritariamente associado ao sofrimento, alguns dos seus sintomas podem se manifestar em comportamentos que se assemelham ao bullying, especialmente no contexto de relações interpessoais instáveis e intensas.

Instabilidade e Raiva Intensa: O TPB envolve raiva inadequada e intensa e dificuldades em controlar essa raiva. Essa raiva pode ser expressa através de explosões de fúria e agressividade verbal (xingamentos, ofensas) quando a pessoa se sente decepcionada, frustrada, ou percebe uma ameaça real ou imaginária de rejeição.

Impulsividade: A impulsividade pode levar a reações agressivas e desproporcionais, agindo sem pensar nas consequências para o outro.

Manipulação (Inconsciente): Na tentativa desesperada de evitar o abandono ou ter suas necessidades atendidas, a pessoa com TPB pode, por vezes, usar táticas de manipulação emocional ou chantagem. Embora geralmente não seja um desejo consciente de causar mal, a forma como se manifesta pode ser percebida como um comportamento abusivo ou de intimidação (bullying) por quem está do outro lado da relação.

Vítima-Agressora: Um Perfil Comum
O perfil de vítima-agressora é bem documentado em estudos sobre bullying. Pessoas que sofreram vitimização podem, em um esforço para se proteger ou para replicar atitudes aprendidas em um ambiente violento/abusivo, passar a agredir outras.

Para alguém com TPB, que tem uma história de trauma e grandes dificuldades em regular a raiva e lidar com rejeição, alternar entre ser vítima e praticar atos de agressão contra outros pode ser uma manifestação complexa e dolorosa de seu sofrimento e desregulação.

É por isso que o tratamento especializado é crucial: ele ajuda a pessoa a processar o trauma (a parte vítima) e a aprender habilidades para regular a raiva e a impulsividade (a parte que pode levar à agressão).

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Essa é uma pergunta que merece um olhar bem cuidadoso, porque mistura dois fenômenos diferentes — o transtorno de personalidade borderline e o bullying — e isso pode gerar confusões se não fizermos algumas distinções essenciais. O TPB não transforma alguém automaticamente em vítima ou agressor, mas pode influenciar como a pessoa reage a situações de dor, rejeição ou conflito. Já o bullying envolve intenção, repetição e um desequilíbrio de poder, e isso é importante deixar claro para não rotular injustamente ninguém.

Pessoas com TPB têm uma sensibilidade emocional maior, o que pode torná-las mais vulneráveis ao impacto do bullying. Muitas acabam se ferindo profundamente em ambientes onde há rejeição, críticas ou exclusão, porque o sistema emocional reage como se estivesse revivendo uma ameaça antiga. Ao mesmo tempo, em momentos de desregulação intensa, alguém com TPB pode ter explosões emocionais que parecem agressivas, mas que nascem de dor e não da intenção de humilhar ou dominar outra pessoa. São reações rápidas, impulsivas e seguidas quase sempre por culpa ou arrependimento, e isso é muito diferente da lógica do bullying. Como você percebe essa distinção quando pensa no seu caso. Em que momentos sente que a reação veio do sofrimento. O que acontece internamente depois de um conflito intenso.

Também é comum que pessoas com TPB tenham vivido bullying em algum momento da vida, e isso pode ter deixado marcas profundas na autoestima, nos vínculos e no medo de abandono. Por isso, entender a história emocional por trás dos comportamentos ajuda muito a evitar interpretações equivocadas. Talvez seja interessante refletir sobre como essas duas experiências se cruzam na sua trajetória. Que feridas parecem ter começado antes. O que dessa história ainda influencia a maneira como você reage a críticas ou tensões no presente.

Compreender essa dinâmica não significa culpar, nem justificar comportamentos prejudiciais, mas abrir espaço para cuidar do sofrimento que existe por trás deles. E quando essa compreensão acontece em terapia, as relações tendem a ficar mais estáveis e menos marcadas por impulsos intensos ou por dores antigas não processadas.

Se sentir que esses temas fazem parte da sua história e gostaria de aprofundá-los com segurança, a terapia pode ser um caminho muito valioso. Caso precise, estou à disposição.
Sim, uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline pode ser tanto vítima quanto praticante de bullying. Como vítima, sua sensibilidade emocional, medo de abandono e vulnerabilidade a rejeição podem torná-la alvo de provocações e humilhações. Como praticante, episódios de raiva intensa, impulsividade e dificuldade em regular emoções podem levar a comportamentos agressivos ou ataques emocionais, especialmente em relações próximas. A psicoterapia ajuda a compreender essas dinâmicas, desenvolver regulação emocional, empatia e estratégias de comunicação mais saudáveis.

Especialistas

Tatiana de Faria Guaratini

Tatiana de Faria Guaratini

Psicólogo

Ribeirão Preto

Lilian Gonçalves

Lilian Gonçalves

Psicólogo

São Paulo

Camila Goularte

Camila Goularte

Psicólogo

Criciúma

Renata Henriques Frujuelle

Renata Henriques Frujuelle

Psicólogo

São Paulo

Renata Camargo

Renata Camargo

Psicólogo

Camaquã

Luis Falivene Roberto Alves

Luis Falivene Roberto Alves

Psiquiatra

Campinas

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 2583 perguntas sobre Transtorno da personalidade borderline
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.