As pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são propositalmente manipuladoras?

3 respostas
As pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são propositalmente manipuladoras?
 Isabela Zeggiato Passos
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Não. No TPB, comportamentos que muitas vezes são nomeados como “manipulação” costumam estar ligados a tentativas desesperadas de regular emoções intensas, evitar abandono ou aliviar angústias, e não a uma intenção consciente de controlar o outro. Segundo o DSM-5, há impulsividade e instabilidade nas relações, o que pode gerar atitudes contraditórias ou extremadas, mas vividas como necessárias naquele momento. Do ponto de vista psicanalítico, trata-se de modos precários de lidar com o afeto e com o laço com o outro, mais próximos de um pedido de sustentação do que de uma estratégia calculada. O trabalho clínico permite transformar esses atos em algo que possa ser pensado e simbolizado, reduzindo a necessidade de agir no lugar de dizer.

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Não. Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline não são manipuladoras de forma proposital. O que muitas vezes é interpretado como manipulação surge da dificuldade em lidar com emoções intensas e do medo profundo de abandono. Esses comportamentos refletem tentativas de manter vínculos e comunicar necessidades emocionais de forma urgente, sem intenção consciente de controlar o outro. Na psicoterapia, é possível compreender essas ações, ajudar o paciente a expressar suas necessidades de maneira mais clara e construir formas de relacionamento menos dolorosas.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Não, pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline não são propositalmente manipuladoras. A ideia de manipulação pressupõe intenção consciente, planejamento e objetivo de controle, e isso não descreve o que geralmente acontece no TPB. O que costuma existir é uma reação emocional intensa diante do medo de perda, rejeição ou invalidação, que leva a comportamentos urgentes para aliviar a dor do momento.

Quando alguém com TPB insiste, cobra, muda de postura rapidamente ou reage de forma extrema, isso tende a nascer de um estado interno de desespero emocional, não de cálculo. A emoção vem com tanta força que o comportamento surge como tentativa imediata de restaurar segurança no vínculo. Para quem está de fora, pode parecer estratégia; para quem vive, é sobrevivência emocional acontecendo em tempo real.

Muitas dessas pessoas também aprenderam, ao longo da vida, que expressar necessidades de forma direta não era seguro ou eficaz. Assim, pedidos de cuidado, proximidade ou validação acabam saindo de forma confusa, indireta ou intensa. Isso não é manipulação intencional, é dificuldade de regular emoções e comunicar necessidades quando o sistema emocional está em alerta máximo. Você já percebeu se, por trás de certas reações, existe mais medo de perder alguém do que vontade de controlar? O que costuma aparecer primeiro, a dor ou o comportamento?

Na psicoterapia, o trabalho ajuda a transformar essas reações em comunicação mais clara e consciente, sem invalidar a emoção que está por trás delas. À medida que a pessoa aprende a reconhecer suas necessidades emocionais e a lidar com o medo de abandono, esses comportamentos tendem a diminuir, porque deixam de ser a única forma conhecida de pedir vínculo e segurança. Caso precise, estou à disposição.

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