As pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) de superstição realmente acreditam nas supersti
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As pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) de superstição realmente acreditam nas superstições?
Olá!
No trabalho clínico que eu realizo, acredito que a questão não é sobre acreditar no sentido racional, mas sobre a função que a superstição exerce no psiquismo da pessoa.
O TOC supersticioso não acredita na superstição como uma verdade factual, mas age como se acreditasse. O ritual ou o pensamento supersticioso é uma formação de compromisso, embasada numa solução defensiva e falha para lidar com uma angústia interna profunda, geralmente ligada a pensamentos ou desejos inconscientes considerados inaceitáveis, com conteúdos agressivos, sexuais, imorais, por exemplo.
O pensamento mágico do TOC tenta controlar simbolicamente um perigo interno, projetando-o para o mundo externo. Vejo questionamentos necessários para começarmos a olhar para esse ponto, com perguntas que buscam ir além do conteúdo da superstição e focar na experiência subjetiva da pessoa.
Exemplos iniciais são "Quando o pensamento supersticioso surge, é como uma certeza absoluta de que algo ruim vai acontecer, ou é mais uma sensação avassaladora de medo e dúvida que você sente que precisa neutralizar?". Aqui, um exemplo da função do ritual e possíveis associações fantasiosas. "Se por um instante você pudesse não realizar o ritual, o que você temeria que pudesse acontecer? O que isso impediria ou causaria?".O TOC se caracteriza muito pela intensidade da origem da Angústia, "Além do alívio momentâneo, o que mais o ritual ou o pensamento tenta proteger você?, "Contra que sentimentos ou ideias ele serve de barreira?"Associações sobre a história de vida, como se formou o TOC em suas associações e vivências, "Se olharmos para a sua história, em que outros momentos da sua vida você sentiu uma necessidade forte de controle ou de se proteger de algo que considerava perigoso?"
Vejo que a psicanálise compreende o TOC supersticioso não é sobre a superstição em si, mas sobre o uso do pensamento mágico para tentar dar uma resposta, mesmo que dolorosa, a um conflito psíquico inconsciente. A pergunta deixa de ser de um simples "Você acredita?" para um "De que sofrimento esta crença tenta te salvar?".
Espero ter auxiliado na sua reflexão e fico a disposição para conversarmos sobre este e demais assuntos questionadores num possível processo analítico. Para tal, entre em contato comigo pelo botão do Doctoralia.
Fique bem!
No trabalho clínico que eu realizo, acredito que a questão não é sobre acreditar no sentido racional, mas sobre a função que a superstição exerce no psiquismo da pessoa.
O TOC supersticioso não acredita na superstição como uma verdade factual, mas age como se acreditasse. O ritual ou o pensamento supersticioso é uma formação de compromisso, embasada numa solução defensiva e falha para lidar com uma angústia interna profunda, geralmente ligada a pensamentos ou desejos inconscientes considerados inaceitáveis, com conteúdos agressivos, sexuais, imorais, por exemplo.
O pensamento mágico do TOC tenta controlar simbolicamente um perigo interno, projetando-o para o mundo externo. Vejo questionamentos necessários para começarmos a olhar para esse ponto, com perguntas que buscam ir além do conteúdo da superstição e focar na experiência subjetiva da pessoa.
Exemplos iniciais são "Quando o pensamento supersticioso surge, é como uma certeza absoluta de que algo ruim vai acontecer, ou é mais uma sensação avassaladora de medo e dúvida que você sente que precisa neutralizar?". Aqui, um exemplo da função do ritual e possíveis associações fantasiosas. "Se por um instante você pudesse não realizar o ritual, o que você temeria que pudesse acontecer? O que isso impediria ou causaria?".O TOC se caracteriza muito pela intensidade da origem da Angústia, "Além do alívio momentâneo, o que mais o ritual ou o pensamento tenta proteger você?, "Contra que sentimentos ou ideias ele serve de barreira?"Associações sobre a história de vida, como se formou o TOC em suas associações e vivências, "Se olharmos para a sua história, em que outros momentos da sua vida você sentiu uma necessidade forte de controle ou de se proteger de algo que considerava perigoso?"
Vejo que a psicanálise compreende o TOC supersticioso não é sobre a superstição em si, mas sobre o uso do pensamento mágico para tentar dar uma resposta, mesmo que dolorosa, a um conflito psíquico inconsciente. A pergunta deixa de ser de um simples "Você acredita?" para um "De que sofrimento esta crença tenta te salvar?".
Espero ter auxiliado na sua reflexão e fico a disposição para conversarmos sobre este e demais assuntos questionadores num possível processo analítico. Para tal, entre em contato comigo pelo botão do Doctoralia.
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Oi, tudo bem?
Essa é uma pergunta excelente — e revela um ponto central do TOC de superstição. A resposta é: sim e não ao mesmo tempo. A pessoa sabe, racionalmente, que a superstição não faz sentido. Ela entende que bater na madeira, evitar um número ou repetir uma frase não muda o curso dos acontecimentos. Mas, ao mesmo tempo, sente como se aquilo fosse absolutamente necessário. É um conflito entre razão e emoção — e é aí que o TOC se instala.
Do ponto de vista neurocientífico, o sistema de detecção de ameaça no cérebro (especialmente a amígdala e o córtex orbitofrontal) fica hiperativado. Isso significa que, mesmo quando a parte racional diz “não há perigo”, o corpo reage como se o perigo fosse real. Essa desconexão faz com que o comportamento supersticioso seja mantido não por crença, mas por medo: o medo de que, se não fizer o ritual, algo ruim possa acontecer.
É importante entender que, para quem tem TOC, o ritual não é uma escolha, mas uma tentativa de alívio. Ele reduz temporariamente a ansiedade — e é justamente essa sensação de “agora estou seguro” que reforça o comportamento. Com o tempo, a pessoa passa a agir como se acreditasse na superstição, mas o que realmente a move é o desconforto intolerável de não fazer o ritual.
Talvez valha se perguntar: o que você sente quando tenta resistir ao impulso? É medo de algo específico acontecer, ou medo da própria sensação de medo? E o que essa “certeza mágica” tenta proteger dentro de você? Essas reflexões ajudam a separar a crença genuína da reação emocional que o cérebro aprendeu a chamar de proteção.
Na terapia, o trabalho é justamente ajudar o paciente a reconstruir essa confiança interna — a perceber que é possível sentir medo sem obedecer a ele. E, quando isso acontece, as superstições perdem o poder e voltam a ser apenas o que sempre foram: pensamentos, não verdades.
Caso precise, estou à disposição.
Essa é uma pergunta excelente — e revela um ponto central do TOC de superstição. A resposta é: sim e não ao mesmo tempo. A pessoa sabe, racionalmente, que a superstição não faz sentido. Ela entende que bater na madeira, evitar um número ou repetir uma frase não muda o curso dos acontecimentos. Mas, ao mesmo tempo, sente como se aquilo fosse absolutamente necessário. É um conflito entre razão e emoção — e é aí que o TOC se instala.
Do ponto de vista neurocientífico, o sistema de detecção de ameaça no cérebro (especialmente a amígdala e o córtex orbitofrontal) fica hiperativado. Isso significa que, mesmo quando a parte racional diz “não há perigo”, o corpo reage como se o perigo fosse real. Essa desconexão faz com que o comportamento supersticioso seja mantido não por crença, mas por medo: o medo de que, se não fizer o ritual, algo ruim possa acontecer.
É importante entender que, para quem tem TOC, o ritual não é uma escolha, mas uma tentativa de alívio. Ele reduz temporariamente a ansiedade — e é justamente essa sensação de “agora estou seguro” que reforça o comportamento. Com o tempo, a pessoa passa a agir como se acreditasse na superstição, mas o que realmente a move é o desconforto intolerável de não fazer o ritual.
Talvez valha se perguntar: o que você sente quando tenta resistir ao impulso? É medo de algo específico acontecer, ou medo da própria sensação de medo? E o que essa “certeza mágica” tenta proteger dentro de você? Essas reflexões ajudam a separar a crença genuína da reação emocional que o cérebro aprendeu a chamar de proteção.
Na terapia, o trabalho é justamente ajudar o paciente a reconstruir essa confiança interna — a perceber que é possível sentir medo sem obedecer a ele. E, quando isso acontece, as superstições perdem o poder e voltam a ser apenas o que sempre foram: pensamentos, não verdades.
Caso precise, estou à disposição.
Sim, no TOC de superstição, a pessoa acredita de forma intensa que certos pensamentos, atos ou sinais podem trazer consequências negativas ou “azar”. Mesmo quando tem algum nível de insight, sabe que a crença é exagerada, mas a ansiedade e o medo são tão fortes que acaba realizando rituais ou evitando situações para se proteger.
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