Como a dinâmica de negação pode afetar a relação entre o paciente com Transtorno de Personalidade Bo

5 respostas
Como a dinâmica de negação pode afetar a relação entre o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o terapeuta? Como o terapeuta pode garantir uma relação de confiança enquanto o paciente nega seu diagnóstico?
A negação do diagnóstico em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline pode gerar resistência, ambivalência e teste de limites na relação terapêutica, dificultando adesão a estratégias de manejo e autocuidado. O terapeuta pode manter a confiança oferecendo escuta validante, evitando confrontos diretos sobre a negação, reconhecendo o sofrimento sem reforçar culpa ou vergonha, e construindo um enquadre consistente e previsível. Na perspectiva psicanalítica, essa dinâmica é trabalhada na transferência: o paciente experimenta gradualmente a segurança do vínculo, o que permite refletir sobre si e suas dificuldades sem se sentir atacado, criando espaço para aceitação progressiva do diagnóstico e engajamento no tratamento.

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 Maria Eduarda Lara Melo
Psicólogo, Psicanalista
Brasília
Olá, tudo bem?
Acredito que se existe um comportamento de "negação" desse diagnóstico, podemos compreender como uma defesa. Querendo ou não, muitas pessoas ainda interpretam o diagnóstico como um tipo de rótulo, e confirmar muitas inseguranças ou angústias a partir desse veredito, pode acarretar no medo da rejeição, desaprovação ou julgamento. Então, na prática, essa negação pode aparecer na relação com o terapeuta como desconfiança, afastamento, ou até momentos em que o paciente sente que não está sendo compreendido ou acolhido. Isso pode, sim, afetar o vínculo. Às vezes o paciente testa o terapeuta, duvida do que ele diz, ou até oscila entre momentos de proximidade e de afastamento. Para o terapeuta, o desafio é não entrar numa “disputa” para convencer o paciente de nada. Insistir no diagnóstico nesse momento costuma mais afastar do que ajudar. Em uma escuta psicanalítica, tentamos afastar os pacientes desse rótulo para entender como esses sintomas e comportamentos afetam a ele individualmente.

O mais importante é construir confiança no dia a dia. Isso acontece com atitudes simples, mas consistentes: escutar de verdade, validar o sofrimento sem julgamento, não rotular a pessoa, respeitar o tempo dela. Em vez de focar no nome do diagnóstico, o terapeuta pode ir trabalhando com o que o paciente traz, como suas dores, relações e dificuldades. Com o tempo, quando o paciente se sente mais seguro, ele mesmo pode começar a olhar para seus padrões com mais curiosidade e menos defesa. No fundo, a confiança não vem de o paciente “aceitar” o diagnóstico, mas de sentir que tem um espaço onde ele pode ser quem é, sem medo de ser julgado ou abandonado. É isso que sustenta o trabalho.

Espero ter ajudado e fico à disposição!
A negação pode aparecer também na relação terapêutica, como desconfiança, resistência ou dificuldade de vínculo. O terapeuta precisa sustentar uma postura consistente, acolhedora e previsível, sem entrar em confrontos diretos. Com o tempo, essa estabilidade ajuda a construir confiança, mesmo quando o paciente ainda não aceita o diagnóstico.
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Que bom que você trouxe essa questão, porque ela aparece com bastante frequência na prática clínica.

A negação do diagnóstico pode influenciar diretamente a relação terapêutica, principalmente porque o vínculo é o principal instrumento de trabalho nesses casos. O paciente pode oscilar entre confiar muito no terapeuta e, em outros momentos, desconfiar, sentir-se julgado ou até interpretar intervenções como críticas. Se o diagnóstico é vivido como um ataque à identidade, qualquer menção a ele pode ativar defesas e afastamento emocional.

Isso pode gerar uma espécie de “campo sensível” na relação. O paciente pode evitar certos temas, minimizar dificuldades ou até testar o terapeuta de forma indireta, buscando sinais de rejeição ou validação. Não é incomum que a própria relação terapêutica passe a refletir os padrões que aparecem fora dela, o que, ao mesmo tempo, traz desafios e também oportunidades importantes de trabalho.

Para sustentar a confiança, o terapeuta precisa priorizar a validação emocional e a consistência no vínculo, mais do que a insistência no diagnóstico. O foco deixa de ser “fazer o paciente aceitar” e passa a ser “ajudar o paciente a se sentir compreendido enquanto observa o próprio funcionamento”. Quando a pessoa percebe que não está sendo reduzida a um rótulo, a resistência tende a diminuir gradualmente.

Talvez seja interessante pensar: em que momentos você sente que começa a desconfiar ou se fechar em uma relação? O que faz você sentir que está sendo compreendido de verdade por alguém? E quando surge a sensação de julgamento, ela vem mais ligada ao que o outro fez ou ao que você imagina que ele possa estar pensando?

Essas reflexões ajudam a construir uma base mais sólida de confiança. Com o tempo, a relação terapêutica se torna um espaço onde esses padrões podem ser vividos, compreendidos e transformados, sem a necessidade de confronto direto com o diagnóstico.

Caso precise, estou à disposição.
A negação pode gerar resistência, desconfiança e oscilação no vínculo, dificultando adesão e continuidade do processo.

Para manter a confiança:
• Validar o sofrimento, sem confrontar o diagnóstico diretamente
• Focar nos sintomas e no que incomoda, não no rótulo
• Psicoeducar de forma gradual
• Manter consistência e limites claros
• Fortalecer o vínculo terapêutico

A confiança vem mais da experiência de acolhimento do que da aceitação imediata do diagnóstico.

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