Como a neuroplasticidade pode ajudar durante as crises de borderline?

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Como a neuroplasticidade pode ajudar durante as crises de borderline?
A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reorganizar, formando novas conexões neuronais ao longo da vida. Essa característica é especialmente relevante para quem convive com o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), já que permite a adaptação do cérebro diante de experiências, terapias e práticas cotidianas, ajudando a enfrentar as crises emocionais recorrentes.
Durante uma crise de borderline, caracterizada por emoções intensas, impulsividade e dificuldade em regular sentimentos, o cérebro tende a recorrer a padrões antigos de resposta, muitas vezes baseados em reações automáticas de defesa, evitação ou explosão. No entanto, graças à neuroplasticidade, é possível “ensinar” o cérebro a responder de formas diferentes, mais saudáveis e adaptativas.
Exemplo 1: Aprendizagem de estratégias de regulação emocional
Quando uma pessoa borderline prática técnicas de regulação emocional, como respiração profunda, atenção plena ou meditação, ela estimula circuitos cerebrais que ajudam a controlar emoções intensas. Com o tempo e a repetição desses exercícios, o cérebro fortalece essas rotas, tornando mais fácil acessar essas estratégias em momentos de crise.
• Por exemplo, ao praticar atenção plena diariamente, o cérebro aprende a reconhecer emoções sem julgamento e a desenvolver um “espaço” entre o impulso e a ação.
Exemplo 2: Terapia Dialética-Comportamental (TDC)
Terapias específicas para TPB, como a TDC, trabalham com habilidades de tolerância ao estresse, regulação emocional e relacionamento interpessoal. A prática continuada dessas habilidades, seja em grupo ou individualmente, cria novas redes neurais associadas à resposta saudável ao estresse.
• Por exemplo, uma pessoa que aprende a usar técnicas de distração durante uma crise está construindo caminhos alternativos no cérebro, enfraquecendo o hábito de recorrer à autolesão ou explosões emocionais.
Exemplo 3: Reestruturação de pensamento
Através de técnicas como a reestruturação cognitiva, é possível identificar padrões de pensamento disfuncionais e substituí-los por ideias mais realistas e positivas. Com o tempo, a repetição desse processo cria novas conexões cerebrais, tornando os pensamentos negativos menos automáticos.
• Por exemplo, se durante uma crise a pessoa consegue pausar e questionar a veracidade do pensamento “ninguém se importa comigo”, ela estimula o cérebro a buscar interpretações alternativas, reduzindo o impacto de crenças autodepreciativas.
Exemplo 4: Fortalecimento dos vínculos sociais
Relacionamentos saudáveis e apoio social também estimulam a neuroplasticidade. À medida que a pessoa experimenta interações positivas e seguras, o cérebro aprende novos modos de confiar, se expressar e buscar ajuda, enfraquecendo circuitos relacionados ao isolamento e à desconfiança.
• Por exemplo, ao buscar acolhimento em um grupo de apoio, a pessoa vivencia novas experiências emocionais, que vão sendo registradas e reforçadas pelo cérebro ao longo do tempo.

Se estiver em sofrimento, dúvida, tiver mais questões sobre psicoterapia ou precisar demais informações sobre processos de avaliação, estratégias de intervenção, psicoterapia, direitos ou recursos disponíveis, estou à disposição para ajudar. O diálogo aberto contribui para construir caminhos melhores.
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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Sua pergunta sobre neuroplasticidade e crises de Borderline é muito pertinente, porque ela toca justamente no ponto onde ciência e experiência emocional se encontram. A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de criar novas conexões e enfraquecer padrões antigos, e isso tem um papel enorme no TPB. Durante uma crise, é comum que o cérebro ative rotas emocionais muito automáticas, quase como se estivesse repetindo um caminho já muito conhecido. A boa notícia é que esses caminhos não são definitivos.

Quando a pessoa começa a desenvolver novas formas de responder às emoções, seja pela atenção plena, pela regulação emocional ou pela capacidade de nomear o que está sentindo, o cérebro começa a entender que há outras rotas possíveis. Com o tempo, essas alternativas ficam mais acessíveis, e aquelas respostas abruptas e impulsivas vão perdendo força. Já reparou como, em alguns momentos, basta um pequeno desvio na forma como você percebe a emoção para a intensidade mudar completamente?

Talvez valha refletir sobre quais crises parecem seguir sempre o mesmo roteiro emocional. Em que momentos você percebe que a reação “vem pronta”, quase automática? E o que imagina que mudaria se, ao notar o início desse padrão, você pudesse oferecer ao seu cérebro uma resposta um pouco diferente, mesmo que pequena? Essas perguntas ajudam a enxergar como a neuroplasticidade acontece no dia a dia, e não apenas como um conceito teórico.

Na terapia, esse processo é fortalecido de maneira contínua, porque cada insight, cada pausa, cada nova forma de lidar com uma emoção reforça caminhos mais estáveis. Com o tempo, aquilo que parecia inevitável começa a se tornar apenas uma possibilidade entre várias. Se fizer sentido explorar esses padrões com mais profundidade, posso te ajudar nesse percurso. Caso precise, estou à disposição.

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