. Como lidar com a falta de empatia em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

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. Como lidar com a falta de empatia em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Validação de seus sentimentos, prática de empatia e regulação ajudam o paciente a se conectar melhor com os outros.

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Para lidar com a falta de empatia em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline, é importante manter escuta acolhedora, limites claros e consistência, reconhecendo que dificuldades empáticas muitas vezes refletem insegurança e sofrimento intenso. Na perspectiva psicanalítica, essas limitações podem estar ligadas a experiências de abandono e mecanismos de defesa, e trabalhar transferências, projetividades e padrões relacionais na terapia ajuda o paciente a desenvolver maior compreensão dos sentimentos próprios e alheios, fortalecendo vínculos mais conscientes e empáticos.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A ideia de “falta de empatia” no Transtorno de Personalidade Borderline precisa ser olhada com bastante cuidado, porque, na maioria das vezes, não se trata de uma ausência real de empatia. O que costuma acontecer é que, em momentos de ativação emocional intensa, a pessoa fica tão tomada pelas próprias emoções que perde temporariamente a capacidade de acessar o que o outro está sentindo. Ou seja, não é que não exista empatia, mas ela fica momentaneamente “inacessível”.

Na terapia, o trabalho passa por ajudar o paciente a reconhecer esses estados de sobrecarga emocional. Quando o sistema emocional está muito ativado, áreas do cérebro ligadas à regulação e à perspectiva do outro tendem a funcionar com menos eficiência. Por isso, antes de trabalhar empatia diretamente, muitas vezes é necessário fortalecer a capacidade de regulação emocional, para que o paciente consiga sair desse estado de “tudo ou nada”.

Outro ponto importante é explorar o que acontece nesses momentos: qual emoção está dominando a cena? Existe uma sensação de ameaça, rejeição ou injustiça? Quando isso começa a ser nomeado, o paciente passa a ter mais espaço interno para, aos poucos, voltar a considerar o ponto de vista do outro, sem se sentir invalidado ou atacado.

Faz sentido se perguntar: em quais situações você percebe mais dificuldade de se colocar no lugar do outro? O que você está sentindo nesses momentos? Existe alguma sensação de estar sendo ferido, ignorado ou desvalorizado? E como você costuma se sentir depois, quando a intensidade emocional diminui?

Com o tempo, o objetivo não é “ensinar empatia” como algo técnico, mas criar condições para que ela possa emergir novamente, quando o sistema emocional estiver mais regulado. Isso tende a melhorar não só as relações, mas também a forma como o paciente se compreende.

Caso precise, estou à disposição.

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