Como o ciúme de amizade se manifesta no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

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Como o ciúme de amizade se manifesta no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
 Angélica  Reis
Psicólogo
Florianópolis
O ciúme de amizade, em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), costuma estar muito ligado ao medo intenso de rejeição ou abandono. Relações de amizade, que para a maioria são fonte de afeto e segurança, podem despertar sentimentos de ameaça quando o outro se aproxima de alguém diferente, por exemplo. Essa vivência emocional é, na verdade, uma forma de proteger-se da dor antecipada de “perder o vínculo” ou de sentir-se substituído. Assim, o ciúme pode se manifestar por comportamentos de comparação, necessidade de reafirmação constante, interpretações negativas diante de pequenas mudanças de atenção ou até mesmo reações impulsivas de afastamento. Na terapia, trabalhamos para compreender essas emoções sem julgamentos, ajudando o paciente a reconhecer o medo por trás do ciúme e desenvolver formas mais seguras de se vincular. O objetivo é fortalecer o senso de identidade e de valor próprio, para que as relações possam ser vividas com mais confiança e menos medo de perda.

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No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), o ciúme — inclusive nas amizades — costuma estar relacionado a medos intensos de rejeição e abandono, que são características centrais do transtorno. Mesmo vínculos de amizade podem despertar uma preocupação constante em perder o afeto ou o lugar de importância na vida do outro, o que pode gerar comportamentos de comparação, insegurança, necessidade de reafirmação e até reações impulsivas quando há percepção (real ou imaginada) de exclusão.

Estudos indicam que, no TPB, há uma hipersensibilidade emocional e uma tendência a interpretar sinais sociais de forma mais ameaçadora . Assim, situações simples — como o amigo conversar com outra pessoa — podem ser percebidas como rejeição, ativando um ciclo de ciúme, medo e tentativa de controle, seguidos de culpa e arrependimento.

A Terapia Dialética Comportamental (DBT) e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) são abordagens com forte evidência científica para o tratamento do TPB. Elas auxiliam no desenvolvimento de habilidades de regulação emocional, tolerância ao desconforto e construção de relacionamentos mais estáveis e seguros.

Com o acompanhamento psicoterapêutico, é possível aprender a reconhecer esses gatilhos, compreender sua origem e lidar de forma mais equilibrada com os sentimentos de ciúme e medo de perda.

Um grande abraço. Espero ter ajudado — e conte comigo caso precise de orientação sobre o tratamento adequado.
O ciúme nas amizades de pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) difere do ciúme comum pela sua intensidade e pela dor profunda que provoca, sendo muitas vezes experimentado não apenas como um incômodo, mas como uma ameaça real à própria sobrevivência emocional. No contexto do TPB, esse sentimento está intrinsecamente ligado ao medo central de abandono, que é uma das características mais marcantes do transtorno. Quando um amigo próximo (muitas vezes alguém que a pessoa com TPB elegeu, consciente ou inconscientemente, como sua "Pessoa Favorita" ou âncora emocional) direciona atenção a terceiros, o cérebro da pessoa com transtorno pode interpretar esse movimento como um sinal iminente de que ela será deixada de lado, esquecida ou substituída. Não é apenas um desejo de exclusividade, mas uma reação de pânico diante da possibilidade de perder o vínculo que traz segurança.

Do ponto de vista cognitivo, esse ciúme é alimentado por um padrão de pensamento conhecido como "tudo ou nada" ou pensamento dicotômico. Para a pessoa com TPB, pode ser muito difícil compreender a dialética das relações, ou seja, entender que um amigo pode gostar de outra pessoa e, simultaneamente, continuar gostando dela. A mente tende a funcionar em absolutos: se o amigo está se divertindo com outra pessoa, a interpretação automática pode ser a de que "ele não se importa mais comigo" ou "eu não sou suficiente". Além disso, muitas pessoas com TPB lutam com a constância de objeto emocional, o que significa que, quando não estão recebendo atenção direta e afetuosa, têm dificuldade em acessar a memória emocional de que são amadas, sentindo-se subitamente desconectadas e inseguras.

Comportamentalmente, essa tempestade emocional pode se manifestar de formas que variam entre a súplica e a hostilidade. Em uma tentativa desesperada de regular a ansiedade e evitar o abandono imaginado, a pessoa pode passar a exigir atenção constante, monitorar as interações do amigo ou competir abertamente com terceiros. Por outro lado, como mecanismo de defesa, pode ocorrer o que chamamos de "devalorização": diante da dor do ciúme, a pessoa antecipa a rejeição e se afasta bruscamente ou agride verbalmente o amigo, como se dissesse "eu vou te deixar antes que você me deixe". Na terapia, o trabalho foca em validar o sofrimento que esse ciúme causa ao próprio paciente e em desenvolver habilidades para "checar os fatos", diferenciando a realidade da relação dos medos projetados pela mente, permitindo assim vínculos mais estáveis e menos dolorosos.

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