Como o Pensamento Dicotômico se relaciona com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

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Como o Pensamento Dicotômico se relaciona com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Dra. Leticia Sanches de Castilho
Psicanalista, Psicólogo
São Paulo
No transtorno borderline, o pensamento dicotômico é muito comum e está ligado à dificuldade de lidar com emoções ambivalentes. A pessoa tende a ver as situações e os relacionamentos em extremos — totalmente bons ou totalmente ruins — como uma forma de tentar controlar a intensidade emocional. Isso acaba causando mudanças bruscas de opinião e instabilidade nas relações.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta muito importante, porque o pensamento dicotômico é uma das peças centrais do funcionamento emocional no transtorno de personalidade borderline, mas muita gente não percebe o quanto ele está ligado a um esforço interno de proteção. No TPB, a intensidade afetiva costuma ser tão rápida e tão profunda que a mente tenta simplificar a realidade para dar conta do turbilhão. É como se o cérebro dissesse: “preciso decidir agora se isso é seguro ou perigoso”, e para isso ele corta as nuances que normalmente ajudariam a enxergar a situação com mais equilíbrio.

Na vida prática, isso se traduz em oscilações fortes: relações podem parecer maravilhosas em um momento e extremamente ameaçadoras no minuto seguinte; decisões que pareciam certezas viram dúvidas intensas; e a autoimagem muda de forma brusca conforme emoções específicas são ativadas. Não é dramaticidade nem escolha consciente, mas um mecanismo automático que se acende quando alguém com TPB sente risco de rejeição, abandono, injustiça ou confusão emocional. A emoção chega primeiro e a interpretação, para acompanhar esse ritmo, acaba se tornando mais polarizada.

Talvez seja útil observar como isso aparece na sua história. Em quais momentos você sente que sua mente vai direto para extremos sem passar pelo meio-termo? O que acontece dentro de você nos segundos anteriores a essa conclusão tão forte? Depois que a emoção baixa, sua leitura da situação muda? E qual parte de você está tentando se proteger quando a mente corre para o “tudo ou nada”? Essas perguntas costumam revelar os gatilhos internos que alimentam esse padrão.

A terapia ajuda justamente a reconstruir esse espaço interno entre sentir e interpretar. À medida que você aprende a reconhecer os gatilhos emocionais, fortalecer a regulação e revisitar crenças dolorosas que se formaram ao longo da vida, o pensamento dicotômico perde intensidade. A mente ganha mais flexibilidade, a autoimagem fica menos frágil e as relações começam a parecer menos ameaçadoras. É um processo cuidadoso, e não uma cobrança de “pensar diferente”, mas os efeitos costumam ser transformadores.

Se quiser explorar isso com mais profundidade e entender como esse padrão aparece no seu dia a dia, posso te ajudar nesse caminho com calma e clareza. Caso precise, estou à disposição.

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