Como o psicólogo pode ajudar pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a enfrentar

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Como o psicólogo pode ajudar pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a enfrentar o medo do abandono sem se envolver em comportamentos prejudiciais?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

O medo do abandono no Transtorno de Personalidade Borderline não costuma ser apenas um receio racional de perder alguém. Muitas vezes, ele é sentido como uma ameaça muito mais profunda, quase como se a própria estabilidade emocional dependesse da presença do outro. Nessas horas, o sistema emocional entra em alerta máximo, e comportamentos impulsivos podem surgir como uma tentativa de aliviar essa angústia ou evitar a perda.

O trabalho do psicólogo começa ajudando o paciente a reconhecer esse ciclo com mais clareza. Antes de agir, existe uma sequência interna acontecendo: uma sensação, uma interpretação, uma emoção intensa e, então, o impulso. Quando isso começa a ser percebido com mais precisão, abre-se um pequeno espaço entre sentir e agir, e esse espaço é onde a mudança começa a acontecer.

Ao longo da terapia, também se fortalece a capacidade de tolerar a sensação de abandono sem precisar agir imediatamente para eliminá-la. Isso não significa ignorar a dor, mas aprender a atravessá-la de forma mais segura. Paralelamente, o paciente vai construindo uma relação interna mais estável, diminuindo a dependência emocional extrema do outro para se sentir bem.

Outro aspecto importante é compreender de onde esse medo vem. Muitas vezes, ele está ligado a experiências anteriores de perda, rejeição ou instabilidade nos vínculos. Quando essas experiências começam a ser elaboradas, o presente deixa de ser vivido como uma repetição automática do passado.

Talvez faça sentido você se perguntar: o que passa pela sua mente quando sente que alguém pode se afastar? Que tipo de comportamento você costuma ter nesses momentos? No fundo, o que você está tentando preservar ou evitar perder? E como você se sente consigo mesmo quando está sozinho?

Essas reflexões ajudam a organizar algo que, muitas vezes, parece caótico por dentro. Trabalhar esse medo não é eliminar a necessidade de vínculo, mas construir uma forma mais segura de se relacionar, tanto com o outro quanto consigo mesmo.

Caso precise, estou à disposição.

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