. Como o terapeuta pode lidar com a resistência do paciente com Transtorno de Personalidade Borderli

4 respostas
. Como o terapeuta pode lidar com a resistência do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ao processo terapêutico?
 Thais Alvim
Psicólogo, Psicanalista
Itajaí
A resistência no Transtorno de Personalidade Borderline não é um obstáculo ao tratamento.
Ela é, muitas vezes, o próprio material clínico.

Pacientes com TPB costumam oscilar entre aproximação e afastamento, idealização e frustração, dependência e rejeição. Essa dinâmica também aparece dentro da terapia. E isso não significa que o tratamento não está funcionando. Pelo contrário, muitas vezes significa que ele está começando a tocar em pontos sensíveis.

Algumas formas importantes de lidar com essa resistência:

1. Entender que a resistência é medo, não oposição

No TPB, a resistência costuma estar ligada ao medo de abandono, rejeição ou invasão emocional.

Quando o paciente:

falta sessões
questiona o terapeuta
ameaça interromper
testa limites
desvaloriza o processo

muitas vezes não está rejeitando a terapia.
Está tentando se proteger.

Se o terapeuta entra em confronto direto, o paciente pode se sentir invalidado e intensificar o afastamento.

Uma postura mais eficaz é acolher e explorar:
"Percebo que algo aqui ficou difícil. Vamos tentar entender juntos o que aconteceu?"

Isso transforma resistência em material de trabalho.

2. Manter consistência e estabilidade

Pacientes com TPB têm grande sensibilidade a mudanças, inconsistências e sinais de possível abandono.

Por isso, é essencial:

manter horários estáveis
regras claras
postura emocional consistente
limites firmes, mas acolhedores

Essa previsibilidade funciona como um "continente emocional" que o paciente muitas vezes não teve ao longo da vida.

3. Não entrar na dinâmica de idealização e desvalorização

Pacientes com TPB podem alternar entre:

idealizar o terapeuta
frustrar-se rapidamente
desvalorizar o processo

Isso faz parte do funcionamento psíquico.

O terapeuta precisa sustentar uma posição estável, sem:

entrar na idealização
reagir defensivamente à desvalorização

Essa estabilidade ajuda o paciente a internalizar uma relação mais segura.

4. Validar a emoção sem reforçar comportamentos disfuncionais

Esse ponto é fundamental.

Exemplo:
"Entendo o quanto isso te fez sentir rejeitado. Faz sentido que tenha doído.
Mas vamos pensar juntos sobre como você reagiu e quais outras possibilidades existiriam."

Ou seja:

valida o sofrimento
mas também promove reflexão

Isso evita que o paciente se sinta invalidado ou reforçado em padrões impulsivos.

5. Trabalhar a aliança terapêutica constantemente

Com TPB, a aliança terapêutica não é construída uma vez só.
Ela é construída e reconstruída o tempo todo.

Rupturas acontecem.
E quando bem trabalhadas, tornam-se momentos profundamente terapêuticos.

Quando o terapeuta consegue:

sustentar a relação
não abandonar
não reagir impulsivamente

o paciente começa a vivenciar uma experiência emocional corretiva.

6. Nomear o que está acontecendo na relação

A relação terapêutica é, muitas vezes, onde o funcionamento borderline aparece de forma mais clara.

Exemplo:
"Percebo que quando algo aqui te frustra, surge uma vontade de se afastar.
Isso acontece também em outras relações?"

Esse tipo de intervenção transforma a resistência em compreensão do próprio funcionamento.

Em resumo

A resistência no TPB não deve ser combatida.
Ela deve ser compreendida, acolhida e trabalhada.

Porque, muitas vezes, é justamente nessa resistência que está:

o medo de abandono
a dificuldade com vínculos
a oscilação emocional
o sofrimento central do paciente

E quando o terapeuta sustenta essa dinâmica com estabilidade e escuta, a terapia deixa de ser apenas um espaço de fala.

Ela passa a ser uma experiência emocional transformadora.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Quando falamos de resistência no Transtorno de Personalidade Borderline, muitas vezes o que aparece não é uma recusa consciente ao tratamento, mas uma forma de proteção. É como se uma parte do paciente quisesse muito melhorar, enquanto outra parte teme profundamente o que pode acontecer se ele realmente se aproximar das próprias emoções ou confiar no vínculo.

Por isso, encarar a resistência como “oposição” costuma não ajudar. O trabalho terapêutico se torna mais efetivo quando essa resistência é vista como uma comunicação emocional. Em vez de confrontar diretamente, o terapeuta busca compreender o que está por trás dela. Às vezes é medo de ser abandonado, de ser julgado, ou até de perder uma forma conhecida de funcionar, mesmo que dolorosa.

Na prática, o terapeuta vai equilibrando validação e direcionamento. Ele acolhe a dificuldade do paciente em se engajar, mas também mantém o foco no processo, ajudando a pessoa a perceber, aos poucos, os custos de manter os mesmos padrões. O vínculo aqui é central, porque é dentro dele que essas ambivalências aparecem com mais força e podem ser trabalhadas ao vivo.

Fico curioso para pensar com você… quando você percebe resistência, ela vem mais como vontade de evitar certos temas ou como dificuldade de confiar no processo? Existe algo na terapia que parece ameaçador ou desconfortável demais? E o que você imagina que poderia acontecer se você se permitisse avançar um pouco mais?

Ao longo do tempo, a resistência deixa de ser um obstáculo e passa a ser um caminho de acesso para entender partes mais profundas do funcionamento emocional. É nesse ponto que o processo começa a ganhar mais consistência e direção.

Caso precise, estou à disposição.
Dr. Matheus Abade
Psicólogo
Belo Horizonte
A confiança e o vínculo são muito importantes em todo tratamento. No TPB não é diferente, o terapeuta deve estar atento para que o vínculo seja positivo, a confiança vem da escuta atenta às questões apresentadas. A resistência é normal nos processo terapêuticos, deve ser manejada a partir de escuta atenda e cuidado no acolhimento.
A resistência ao processo terapêutico muitas vezes é uma forma de proteção. Em vez de confrontar diretamente, o terapeuta pode explorar com o paciente o que está sendo difícil naquele momento, respeitando seu tempo e fortalecendo a aliança terapêutica.

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