. Como o terapeuta pode lidar com a resistência do paciente com Transtorno de Personalidade Borderli

3 respostas
. Como o terapeuta pode lidar com a resistência do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ao processo terapêutico?
 Thais Alvim
Psicólogo, Psicanalista
Itajaí
A resistência no Transtorno de Personalidade Borderline não é um obstáculo ao tratamento.
Ela é, muitas vezes, o próprio material clínico.

Pacientes com TPB costumam oscilar entre aproximação e afastamento, idealização e frustração, dependência e rejeição. Essa dinâmica também aparece dentro da terapia. E isso não significa que o tratamento não está funcionando. Pelo contrário, muitas vezes significa que ele está começando a tocar em pontos sensíveis.

Algumas formas importantes de lidar com essa resistência:

1. Entender que a resistência é medo, não oposição

No TPB, a resistência costuma estar ligada ao medo de abandono, rejeição ou invasão emocional.

Quando o paciente:

falta sessões
questiona o terapeuta
ameaça interromper
testa limites
desvaloriza o processo

muitas vezes não está rejeitando a terapia.
Está tentando se proteger.

Se o terapeuta entra em confronto direto, o paciente pode se sentir invalidado e intensificar o afastamento.

Uma postura mais eficaz é acolher e explorar:
"Percebo que algo aqui ficou difícil. Vamos tentar entender juntos o que aconteceu?"

Isso transforma resistência em material de trabalho.

2. Manter consistência e estabilidade

Pacientes com TPB têm grande sensibilidade a mudanças, inconsistências e sinais de possível abandono.

Por isso, é essencial:

manter horários estáveis
regras claras
postura emocional consistente
limites firmes, mas acolhedores

Essa previsibilidade funciona como um "continente emocional" que o paciente muitas vezes não teve ao longo da vida.

3. Não entrar na dinâmica de idealização e desvalorização

Pacientes com TPB podem alternar entre:

idealizar o terapeuta
frustrar-se rapidamente
desvalorizar o processo

Isso faz parte do funcionamento psíquico.

O terapeuta precisa sustentar uma posição estável, sem:

entrar na idealização
reagir defensivamente à desvalorização

Essa estabilidade ajuda o paciente a internalizar uma relação mais segura.

4. Validar a emoção sem reforçar comportamentos disfuncionais

Esse ponto é fundamental.

Exemplo:
"Entendo o quanto isso te fez sentir rejeitado. Faz sentido que tenha doído.
Mas vamos pensar juntos sobre como você reagiu e quais outras possibilidades existiriam."

Ou seja:

valida o sofrimento
mas também promove reflexão

Isso evita que o paciente se sinta invalidado ou reforçado em padrões impulsivos.

5. Trabalhar a aliança terapêutica constantemente

Com TPB, a aliança terapêutica não é construída uma vez só.
Ela é construída e reconstruída o tempo todo.

Rupturas acontecem.
E quando bem trabalhadas, tornam-se momentos profundamente terapêuticos.

Quando o terapeuta consegue:

sustentar a relação
não abandonar
não reagir impulsivamente

o paciente começa a vivenciar uma experiência emocional corretiva.

6. Nomear o que está acontecendo na relação

A relação terapêutica é, muitas vezes, onde o funcionamento borderline aparece de forma mais clara.

Exemplo:
"Percebo que quando algo aqui te frustra, surge uma vontade de se afastar.
Isso acontece também em outras relações?"

Esse tipo de intervenção transforma a resistência em compreensão do próprio funcionamento.

Em resumo

A resistência no TPB não deve ser combatida.
Ela deve ser compreendida, acolhida e trabalhada.

Porque, muitas vezes, é justamente nessa resistência que está:

o medo de abandono
a dificuldade com vínculos
a oscilação emocional
o sofrimento central do paciente

E quando o terapeuta sustenta essa dinâmica com estabilidade e escuta, a terapia deixa de ser apenas um espaço de fala.

Ela passa a ser uma experiência emocional transformadora.

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Dr. Matheus Abade
Psicólogo
Belo Horizonte
A confiança e o vínculo são muito importantes em todo tratamento. No TPB não é diferente, o terapeuta deve estar atento para que o vínculo seja positivo, a confiança vem da escuta atenta às questões apresentadas. A resistência é normal nos processo terapêuticos, deve ser manejada a partir de escuta atenda e cuidado no acolhimento.
A resistência ao processo terapêutico muitas vezes é uma forma de proteção. Em vez de confrontar diretamente, o terapeuta pode explorar com o paciente o que está sendo difícil naquele momento, respeitando seu tempo e fortalecendo a aliança terapêutica.

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