Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se diferencia de Transtorno do Espectro Autista

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Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se diferencia de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em perfis neuropsicológicos de emoção e controle executivo?
 Maisa Guimarães Andrade
Psicanalista, Psicólogo
Rio de Janeiro
Querido anônimo ou anônima,

é compreensível que exista confusão entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), pois ambos podem envolver dificuldades nas relações interpessoais, sensibilidade emocional e desafios na compreensão de si e dos outros. No entanto, quando observamos os perfis neuropsicológicos relacionados às emoções e às funções executivas, algumas diferenças importantes costumam aparecer.

No TPB, é comum haver uma grande intensidade emocional, com oscilações rápidas de humor, medo intenso de abandono, impulsividade e dificuldade em regular os próprios afetos. As funções executivas, como planejamento, controle dos impulsos e tomada de decisões, podem ser prejudicadas principalmente em momentos de estresse emocional, fazendo com que a pessoa tenha dificuldade em pensar com clareza quando está tomada pela angústia ou pelo medo. Em muitos casos, o sofrimento está profundamente relacionado à forma como a pessoa vivencia seus vínculos e sua identidade.

Já no TEA, as dificuldades emocionais costumam estar mais associadas à compreensão dos sinais sociais, à comunicação e ao processamento sensorial. Alterações nas funções executivas também podem estar presentes, como dificuldades de flexibilidade cognitiva, organização e adaptação a mudanças, mas elas não são necessariamente acompanhadas pela instabilidade emocional intensa e pelo medo de abandono característicos do TPB. Além disso, muitas características do TEA estão presentes desde os primeiros anos de desenvolvimento, enquanto no TPB o sofrimento costuma se organizar ao longo da história afetiva e relacional do sujeito.

Pelo olhar da psicanálise, mais importante do que comparar diagnósticos é compreender a singularidade de cada pessoa. Dois indivíduos podem apresentar comportamentos semelhantes, mas terem histórias, conflitos e formas de sofrimento muito diferentes. Por isso, o diagnóstico é uma ferramenta importante, mas não define quem alguém é.

A terapia pode ajudar oferecendo um espaço de escuta cuidadosa, onde é possível compreender o sentido que os sintomas têm na vida de cada sujeito. Esse processo favorece uma maior compreensão de si mesmo, das emoções, dos padrões relacionais e das dificuldades enfrentadas, permitindo que a pessoa desenvolva formas mais saudáveis de lidar com o sofrimento e encontre um caminho mais autêntico para viver suas relações e sua própria história.

Espero ter te ajudado. Qualquer pergunta estou à disposição. Grande abraço!

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