Como o tratamento funciona para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) existencial ?

3 respostas
Como o tratamento funciona para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) existencial ?
 Denise Kipper
Psicólogo
Porto Alegre
Olá, tudo bem?
No trabalho terapêutico o que pode ser construido é um jeito diferente de lidar com as questões existenciais, aprender a sustentar a dúvida sem que ela te paralise, diminuir a necessidade de procurar garantias o tempo todo e, aos poucos, recuperar espaço para que você possa viver com mais liberdade, sem ficar refém desse ciclo.
Espero ter ajudado!

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O tratamento mais eficaz, de acordo com as evidências científicas atuais, é uma combinação de:
1. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) com Exposição e Prevenção de Resposta (ERP)
2. Em alguns casos, medicação (ISRS – antidepressivos que regulam serotonina), quando os sintomas são muito incapacitantes.

Como funciona a ERP no TOC existencial?
* Exposição: o paciente é encorajado a entrar em contato com as dúvidas e perguntas existenciais que costumam disparar ansiedade (“E se nada for real?”).
* Prevenção de resposta: aprende-se a não cair nas compulsões mentais, como: ruminar por horas, buscar certezas absolutas, ler compulsivamente sobre filosofia/religião, pedir garantias a outras pessoas.

Com o tempo, o cérebro descobre que é possível tolerar a incerteza sem precisar “resolver” a questão — e a ansiedade naturalmente diminui.

A TCC ajuda a identificar e questionar as distorções cognitivas (ex: “se não encontrar uma resposta, nunca vou ficar em paz”). A ACT ensina a conviver com a incerteza e a desfusão cognitiva — ver os pensamentos como eventos mentais passageiros, não como verdades absolutas. Ambas incentivam a reconexão com valores pessoais, em vez de ficar preso ao labirinto mental das dúvidas.

Em resumo:
* ERP + TCC (e às vezes ACT integrada) é o tratamento mais eficaz.
* O objetivo não é “resolver” as questões existenciais, mas mudar a relação com elas: aprender a aceitar a dúvida, não alimentar compulsões e reconectar-se com a vida real e significativa.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? O que muitas pessoas chamam de “TOC existencial” geralmente não é um diagnóstico separado, e sim uma forma de TOC em que as obsessões giram em torno de temas existenciais, como sentido da vida, realidade, identidade, certeza sobre crenças, ou medo de “nunca conseguir ter uma resposta definitiva”. A armadilha do TOC aí costuma ser a mesma: uma pergunta que parece filosófica, mas vem carregada de ansiedade, e empurra a pessoa para uma busca infinita de certeza.

O tratamento costuma funcionar bem quando ele mira o mecanismo do TOC, e não o conteúdo existencial em si. Em terapia, a gente identifica o ciclo: surge a dúvida intrusiva, aparece a ansiedade, e então vêm as compulsões, que podem ser externas (pesquisar, pedir garantias, evitar gatilhos) ou internas (ruminar, checar mentalmente, tentar “resolver” o pensamento, comparar sensações, testar se acredita mesmo em algo). O objetivo é reduzir essa tentativa de resolver a dúvida a qualquer custo, porque é isso que alimenta o transtorno.

Um ponto central é aprender a tolerar a incerteza e a presença do pensamento sem transformá-lo em urgência. Em vez de lutar para “ter certeza”, você treina responder de outro jeito: perceber a pergunta, reconhecer a ansiedade e escolher não entrar na engrenagem da checagem e da ruminação. Do ponto de vista do cérebro, é como reeducar o sistema de alarme para parar de disparar toda vez que aparece uma dúvida impossível de fechar com 100% de garantia.

Ao mesmo tempo, quando a pessoa tem um padrão de autocobrança, medo de errar, necessidade de controle ou culpa exagerada, isso também entra no plano, porque esses fatores aumentam a força das obsessões. Em alguns casos, uma avaliação com psiquiatria pode ser útil para pensar em medicação como suporte, especialmente quando a ansiedade e os rituais estão muito intensos e atrapalhando o funcionamento.

Para eu te responder de um jeito mais preciso, essas dúvidas existenciais vêm mais como uma sensação de urgência e pânico, ou como ruminação interminável? Você percebe compulsões como pesquisar, buscar “respostas perfeitas”, testar pensamentos, ou pedir confirmação de outras pessoas? E quanto tempo isso tem tomado do seu dia, de forma aproximada? Caso precise, estou à disposição.

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