Como os pais podem promover o bem-estar digital para seus filhos?

3 respostas
Como os pais podem promover o bem-estar digital para seus filhos?
Dra. Marina Cabeda Egger Moellwald
Psicólogo, Psicanalista
Florianópolis
Olá,
Esta é uma questão muito relevante ao nosso contexto social.
O modo de orientar ao uso das redes sociais e demais canais disponíveis na Internet vai depender de diversos fatores, principalmente da idade da criança.
É fundamental utilizar dispositivos de controle de uso do smartphone que servem para delimitar o tempo de uso e para que as crianças acessem o que é permitido conforme a idade.
Atualmente, tem sido recomendado o uso de redes sociais aos adolescentes a partir dos 16 anos.

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 Cristiano Ávila
Psicólogo, Psicanalista
Praia Grande
Pais promovem o bem-estar digital com exemplo, não só com regras. Crianças aprendem mais observando do que ouvindo.

Estabelecer limites de tempo, incentivar pausas, oferecer alternativas fora das telas e conversar sobre o conteúdo acessado são atitudes fundamentais. Mais presença, menos proibição.

Se quiser estratégias práticas para aplicar isso no dia a dia, será um prazer te orientar. Conheça minha abordagem no perfil aqui na plataforma.

De acordo com a psicanálise em articulação com as neurociências, o bem-estar digital não depende apenas de “tempo de tela”, mas da qualidade da relação da criança e do adolescente com o ambiente digital, do estado emocional do ambiente em que vive e do nível de maturação do cérebro.

Algumas recomendações centrais:

1. Pais como reguladores emocionais (e digitais)
As neurociências mostram que crianças e adolescentes ainda estão desenvolvendo áreas ligadas ao controle de impulsos, atenção e tomada de decisão. Por isso, os pais funcionam como reguladores externos, ajudando a interromper excessos, oferecendo previsibilidade, sustentando frustrações sem explosões nem permissividade.
Mais importante do que proibir é acompanhar e sustentar limites.

2. Cuidar do vínculo antes de cuidar da tela
O uso excessivo de telas, muitas vezes, funciona como anestesia emocional, tenta preencher vazios de vínculo, regula angústias que não encontram palavras.
Os pais podem promover bem-estar digital quando reservam tempo de presença real, escutam sem julgamento, oferecem espaço para brincar, conversar e sentir.
Quando o vínculo está vivo, a tela tende a perder a função de “muleta emocional”.

3. Ajudar a criança a nomear o que sente

Nomear emoções ajuda a regular o sistema nervoso. Quando isso falha, o corpo ou o comportamento agem. Recomenda-se, então, conversar sobre o que a criança sente ao usar (ou parar de usar) telas, nomear frustrações, raiva, excitação ou tédio, evitar usar o digital como única forma de acalmar. Isso reduz a necessidade de descargas corporais ou compulsivas.

4. Criar ritmos e limites previsíveis
O cérebro infantil e adolescente se organiza melhor com ritmo e repetição.
A psicanálise entende o excesso como desorganizador do psiquismo e do corpo.
Boas práticas incluem horários claros para uso de telas, pausas corporais (movimento, alimentação, sono), evitar telas antes de dormir, protegendo o sistema nervoso.
Limites previsíveis não adoecem, eles organizam.

5. Observar sinais no corpo e no comportamento
Uso digital desregulado pode aparecer como irritabilidade excessiva, dores de cabeça ou cansaço, alterações do sono, apetite ou humor, agressividade ou retraimento.
De acordo com a psicossomática, esses sinais indicam que o corpo está tentando regular algo que ultrapassou a capacidade psíquica.

6. Pais também precisam cuidar da própria relação com as telas
Crianças aprendem muito através do modelo. Um adulto sempre no celular comunica ausência. Um adulto disponível comunica segurança. Bem-estar digital começa no ambiente emocional da casa.

Em resumo, promover bem-estar digital não é apenas controlar tecnologia, mas oferecer vínculo, sustentar limites com presença, ajudar a transformar excitação e angústia em palavra, respeitar o ritmo do cérebro em desenvolvimento.
Quando o ambiente emocional é suficientemente bom, o digital deixa de ser um excesso regulador do corpo e passa a ser apenas mais um recurso da vida, e não o principal.








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