Como redirecionar a atenção de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) durante o hiperf

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Como redirecionar a atenção de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) durante o hiperfoco?
Para redirecionar uma criança com TEA durante o hiperfoco, use transições suaves, conecte a nova atividade ao interesse, ofereça reforço positivo, proponha alternativas estruturadas e mantenha calma e paciência.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta que aparece bastante no dia a dia de quem convive com uma criança autista, e é muito bom que você esteja olhando para isso com cuidado. Redirecionar a atenção durante um hiperfoco não é simplesmente “tirar a criança de uma atividade”; é quase como convidá-la, com gentileza, a atravessar uma ponte entre dois mundos diferentes. E essa ponte precisa ser construída do jeito que o cérebro dela consegue caminhar.

Quando a criança entra em hiperfoco, o corpo e a mente entram num estado de imersão tão profundo que qualquer interrupção brusca pode parecer um susto. Por isso, o redirecionamento funciona melhor quando existe previsibilidade e pequenas transições. Às vezes, avisos simples e antecipados já mudam tudo, como “daqui a pouco vamos mudar de atividade” ou “quero te mostrar algo depois que você terminar essa parte”. Você já reparou se ela responde melhor quando tem tempo para se preparar internamente? E como ela reage quando o ambiente tenta mudar o foco de repente?

Uma outra pista importante é entender por que aquele hiperfoco faz sentido para ela naquele momento. Muitas crianças usam o interesse intenso como forma de se acalmar, organizar pensamentos ou se proteger de um ambiente sensorialmente caótico. Se o hiperfoco está servindo a essa função, o redirecionamento precisa ser ainda mais cuidadoso, oferecendo alguma continuidade entre o que ela está fazendo e a nova tarefa. Que tipo de ligação você percebe entre o interesse dela e as atividades que você quer apresentar? Existe algo em comum que possa servir de ponte?

Vale observar também se o redirecionamento funciona melhor quando a nova atividade tem elementos previsíveis, visuais ou lógicos. Para muitas crianças no espectro, a atenção muda com mais suavidade quando elas conseguem “ver” o próximo passo, e não apenas ouvi-lo. Já tentou usar imagens, pequenas rotinas visuais ou mostrar o que vai acontecer em seguida? Como ela reage quando consegue antecipar o que vem depois?

Se quiser, posso te ajudar a pensar em estratégias mais ajustadas ao jeito específico dessa criança de se organizar, para que o redirecionamento seja menos uma interrupção e mais uma transição natural. Caso precise, estou à disposição.
É compreensível querer redirecionar a atenção, mas vale um cuidado: o hiperfoco, em si, não é algo que precisa ser simplesmente interrompido. Muitas vezes ele é uma forma da criança organizar a experiência, regular a excitação e encontrar um certo equilíbrio diante do mundo.
Quando a tentativa é cortar isso de forma brusca, a tendência é aumentar a angústia e a resistência. Em vez disso, o caminho costuma ser mais efetivo quando passa por uma aproximação gradual.
Uma possibilidade é entrar, de algum modo, no interesse da criança. Nomear o que ela está fazendo, acompanhar por alguns instantes, criar um ponto de ligação. A partir daí, pequenas variações podem ser introduzidas, quase como um desvio suave, e não uma ruptura. Às vezes, isso permite que a atenção se desloque sem gerar tanto desconforto.
Outra estratégia é antecipar mudanças. Crianças que se organizam muito por esses focos costumam lidar melhor quando sabem que haverá uma transição. Avisos simples, combinados prévios ou pequenas rotinas ajudam a tornar essa passagem menos abrupta.
Também é importante observar em que momentos o hiperfoco aparece. Em alguns casos, ele surge justamente quando o ambiente está mais exigente ou confuso. Ajustar o entorno, reduzir excessos de estímulo ou tornar as demandas mais claras pode diminuir a necessidade de se fixar de forma tão intensa.
Mais do que “tirar a criança do hiperfoco”, a ideia é construir caminhos para que ela possa transitar entre interesses com menos sofrimento. Cada criança vai responder de um jeito, e por isso a observação e o acompanhamento mais próximo fazem bastante diferença.

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