É possível que pessoas com transtorno de personalidade borderline (TPB) tenham memória "muito boa" p

2 respostas
É possível que pessoas com transtorno de personalidade borderline (TPB) tenham memória "muito boa" para algo?
 Vinicius Vidal da Rosa
Psicólogo
São Paulo
Sim, pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline podem ter memória muito boa para certos acontecimentos, especialmente aqueles ligados a fortes emoções, já que essas experiências tendem a ficar mais marcadas

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? A sua pergunta é muito interessante, porque abre espaço para entender algo que muitas pessoas com TPB relatam, mas que não costuma aparecer nos manuais: a sensação de ter uma memória “muito boa” para certas coisas.

Tecnicamente, o TPB não está associado a uma memória superior no sentido cognitivo tradicional. O que acontece é que, por causa da intensidade emocional, algumas experiências ficam registradas com mais nitidez. Não é uma memória excepcional, e sim um cérebro que grava com mais força aquilo que veio acompanhado de medo, dor, conexão profunda ou ameaça percebida. Como as emoções chegam com muita potência, o registro fica vívido, quase como se fosse uma cena atual, e isso dá a impressão de que a pessoa “lembra mais” do que os outros. O curioso é que, quando a emoção diminui, algumas dessas lembranças mudam de cor — o que mostra que não é uma memória fotográfica, e sim um registro emocional ampliado.

Talvez valha a pena você observar como isso acontece na sua vida. Você percebe que lembra com muitos detalhes de momentos emocionalmente intensos, mesmo que pequenos? Essas lembranças chegam com sensações corporais junto, como se o corpo reativasse a cena? E quando está mais calmo, a memória parece perder força ou se tornar mais racional? Essas pistas mostram como o cérebro está organizando essas experiências.

O lado positivo é que essa mesma sensibilidade pode ser direcionada de forma terapêutica. Quando trabalhamos essas memórias com técnicas de DBT, Terapia do Esquema e abordagens focadas no apego, elas deixam de te “capturar” no presente e passam a fazer parte da sua história de forma mais integradora. Em alguns momentos, quando a intensidade emocional está muito alta, o psiquiatra pode ajudar a estabilizar essa reatividade para que a terapia avance com mais conforto.

Se quiser explorar como essa memória “forte” tem influenciado seus relacionamentos, seu autoconceito ou suas reações emocionais, posso te ajudar a olhar isso de forma cuidadosa e profunda. Caso precise, estou à disposição.

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