É verdade que as pessoas autistas gostam de se isolar?
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É verdade que as pessoas autistas gostam de se isolar?
Olá. Boa tarde.
O diagnóstico aplicado para o autismo ao meu ver e muito delicado pois pode inibir ainda mais a pessoa que já se sente e se percebe , muitas vezes, diferente das demais que não têm esse diagnóstico.
Provavelmente um dos fatores do isolamento é por se sentir muito diferente , ja que podem a vir a se sentir ate mesmo rejeitadas.
Obrigada !!
O diagnóstico aplicado para o autismo ao meu ver e muito delicado pois pode inibir ainda mais a pessoa que já se sente e se percebe , muitas vezes, diferente das demais que não têm esse diagnóstico.
Provavelmente um dos fatores do isolamento é por se sentir muito diferente , ja que podem a vir a se sentir ate mesmo rejeitadas.
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Algumas pessoas autistas podem buscar mais momentos de isolamento, mas não porque não gostem de pessoas. Geralmente é uma forma de se proteger da sobrecarga sensorial, social e emocional. Elas podem gostar de vínculos, mas precisam de mais tempo sozinhas para se regular e recuperar energia.
Essa é uma percepção muito comum, mas que precisa ser entendida com cuidado para não cairmos em estereótipos que isolam ainda mais a pessoa autista, pois a realidade é que o isolamento, nesse contexto, raramente se trata de uma aversão às pessoas, mas sim de uma necessidade vital de regulação e descanso. Sou Daniele Barros, psicóloga com mais de 12 anos de experiência e, com base na minha atuação na Terapia Cognitivo-Comportamental, gostaria de explicar que para compreender esse comportamento é preciso olhar para o que acontece "nos bastidores" do funcionamento autista. Imagine que todas as pessoas possuem uma espécie de bateria para interações sociais; para uma pessoa neurotípica, essa bateria costuma durar bastante e se recarrega com relativa facilidade em ambientes comuns. Já para o autista, o esforço contínuo de processar sons, luzes, tons de voz e as complexas regras sociais implícitas consome essa energia de forma extremamente rápida. Nesse sentido, o isolamento funciona como um "carregador" indispensável, sendo o momento em que o cérebro pode finalmente parar de tentar traduzir o mundo ao redor e apenas repousar. Além da questão energética, muitas vezes o que parece ser um desejo de solidão é, na verdade, uma resposta de proteção contra um ambiente sensorialmente doloroso. Um shopping lotado, uma festa barulhenta ou um escritório com luzes fortes podem causar um desconforto físico real no sistema sensorial autista, de modo que buscar um local silencioso ou escuro não é uma escolha antissocial, mas uma medida de autocuidado para evitar crises de ansiedade aguda ou desligamentos emocionais. É importante destacar que ser autista não significa ser imune à solidão ou não desejar amizades; pelo contrário, muitas pessoas no espectro valorizam profundamente a conexão humana, mas preferem que ela ocorra em termos diferentes, como através de interesses compartilhados ou da chamada "atividade paralela", onde duas pessoas permanecem no mesmo ambiente realizando tarefas distintas sem a pressão constante de manter conversas triviais ou contato visual. Na psicoterapia, trabalhamos para que a pessoa autista compreenda que sua necessidade de se retirar não é um defeito de caráter, mas uma exigência biológica legítima que deve ser respeitada. O papel da TCC é auxiliar na identificação dos sinais de cansaço antes que o esgotamento total aconteça e no desenvolvimento de uma comunicação assertiva, para que a pessoa consiga explicar aos outros que seu silêncio é apenas uma busca por descanso cerebral e não um sinal de desinteresse. O objetivo final é garantir que você tenha autonomia para escolher seus momentos de solitude sem culpa e seus momentos de conexão com segurança, transformando o isolamento de um refúgio forçado em uma escolha consciente de preservação do seu bem-estar. Daniele Barros, Psicóloga TCC - CRP 09/008628 | Equipe Espaço Único
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