“Em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), os domínios de funcionamento executi

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“Em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), os domínios de funcionamento executivo (memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva) apresentam estabilidade diferente da observada nos processos de regulação afetiva e resposta emocional?”
Oi, é um prazer te ter por aqui.

Sim. Em pacientes com TPB, os domínios de funcionamento executivo — como memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva — tendem a apresentar maior estabilidade ao longo do tempo do que os processos de regulação afetiva. Isso ocorre porque o TPB não é primariamente um transtorno neurocognitivo, mas sim um transtorno de regulação emocional e funcionamento interpessoal.

Os déficits executivos observados em alguns pacientes são frequentemente estado-dependentes, ou seja, pioram em momentos de desregulação emocional intensa e melhoram quando o paciente está estável. Já a regulação afetiva é um domínio mais vulnerável, sujeito a flutuações mesmo em períodos de remissão parcial.

Assim, enquanto o funcionamento executivo tende a ser relativamente estável, a regulação emocional é mais sensível a estressores, conflitos e gatilhos relacionais. Essa dissociação explica por que muitos pacientes em remissão apresentam bom desempenho cognitivo, mas ainda enfrentam desafios emocionais em situações específicas.

Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
fernandosegundo.com
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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Essa é uma pergunta bastante refinada. Em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline, os domínios de funcionamento executivo, como memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva, podem apresentar um padrão de estabilidade diferente daquele observado nos processos de regulação afetiva e resposta emocional. Em termos simples, as funções executivas podem estar relativamente preservadas em situações neutras, mas se desorganizar mais quando a pessoa está emocionalmente ativada.

Isso é importante porque nem sempre o paciente com TPB apresenta dificuldades cognitivas constantes ou generalizadas. Em alguns contextos, pode raciocinar bem, planejar, compreender consequências e tomar decisões de forma adequada. Porém, diante de rejeição percebida, medo de abandono, frustração, vergonha ou conflito interpessoal, o sistema emocional pode ganhar muita força, reduzindo temporariamente a capacidade de inibir impulsos, considerar alternativas e manter uma visão mais flexível da situação.

Uma pergunta clínica relevante seria: essas dificuldades executivas aparecem em qualquer contexto ou principalmente quando há carga emocional? A pessoa tem dificuldade de memória de trabalho no cotidiano ou apenas quando está tomada por ansiedade, raiva ou sensação de ameaça? O controle inibitório falha de forma estável ou fica mais vulnerável em situações de vínculo e conflito?

Por isso, a avaliação precisa ser cuidadosa. Um teste neuropsicológico pode mostrar determinados aspectos do funcionamento executivo, mas a observação clínica ajuda a compreender como essas funções se comportam quando há ativação emocional real. Muitas vezes, o ponto central não é apenas “ter ou não déficit executivo”, mas entender como emoção intensa, história relacional e percepção de ameaça interferem no acesso a esses recursos.

Portanto, sim, pode haver diferença entre a estabilidade dos domínios executivos e a instabilidade dos processos afetivos no TPB. Em muitos casos, o funcionamento cognitivo não é simplesmente comprometido de forma fixa, mas se torna mais vulnerável quando a emoção assume o comando da experiência. Caso precise, estou à disposição.

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