Remissão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) representa mudança de traço de personalidad

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Remissão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) representa mudança de traço de personalidade ou apenas controle comportamental?
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A remissão no TPB pode envolver tanto mudanças comportamentais quanto transformações mais profundas nos traços de personalidade, mas isso depende da profundidade do processo terapêutico e da duração da estabilidade alcançada. Em muitos casos, a remissão inicial é predominantemente comportamental: redução de impulsividade, diminuição de autoagressão, maior estabilidade nas relações e menor reatividade emocional. Esses ganhos são fundamentais, mas ainda não representam mudança estrutural.

Com o tempo, especialmente em tratamentos focados em mentalização, transferência ou integração da identidade, a remissão pode evoluir para uma mudança de traço, envolvendo maior coesão do self, padrões relacionais mais maduros, maior tolerância à ambivalência e capacidade de lidar com conflitos sem desorganização. Essa mudança estrutural é mais lenta, mas representa o que chamamos de “recuperação”.

Portanto, a remissão pode começar como controle comportamental, mas tende a evoluir para mudanças mais profundas quando há continuidade terapêutica e estabilidade emocional prolongada.

Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
fernandosegundo.com
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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? A remissão no Transtorno de Personalidade Borderline não deve ser entendida apenas como controle comportamental, embora a redução de comportamentos impulsivos e desorganizados seja uma parte importante da melhora. Clinicamente, a remissão costuma envolver mudanças mais amplas, que podem incluir maior estabilidade emocional, mais flexibilidade na forma de interpretar situações, melhor capacidade de lidar com vínculos e uma relação mais integrada consigo mesmo.

É importante diferenciar traço de personalidade, padrão de funcionamento e comportamento visível. Uma pessoa pode aprender a não agir impulsivamente, mas ainda continuar tomada internamente por medo de abandono, vergonha, vazio ou sensação de rejeição. Nesse caso, houve controle comportamental, mas talvez ainda não uma reorganização emocional mais profunda. Por outro lado, quando a pessoa passa a sentir, interpretar e responder de maneira mais flexível e menos extrema, podemos pensar em mudanças mais consistentes no funcionamento da personalidade.

Uma pergunta importante é: a pessoa apenas deixou de expressar certos comportamentos ou passou a compreender melhor o que sente antes de reagir? Ela consegue atravessar conflitos sem perder completamente a percepção de si e do outro? Consegue sustentar vínculos mesmo quando há frustração, diferença ou insegurança? Essas questões ajudam a avaliar se a remissão está acontecendo apenas no nível externo ou também no modo interno de funcionar.

Na prática clínica, a melhora mais sólida costuma aparecer quando comportamento, emoção, cognição e identidade começam a se reorganizar juntos. Isso não significa que a personalidade “muda por completo”, como se a pessoa se tornasse outra, mas que alguns padrões rígidos e dolorosos podem se tornar mais flexíveis, conscientes e manejáveis. É como se a pessoa continuasse sendo ela mesma, mas com menos prisão aos antigos modos de se proteger.

Portanto, a remissão no TPB pode ir além do controle comportamental e envolver mudanças relevantes no funcionamento da personalidade, especialmente quando há tratamento, continuidade e elaboração emocional. O ideal é avaliar não só o que a pessoa deixou de fazer, mas como ela passou a sentir, pensar, se vincular e se recuperar diante das dificuldades. Caso precise, estou à disposição.

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