Muitos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm uma autocrítica severa que pod

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Muitos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) têm uma autocrítica severa que pode contribuir para a negação do diagnóstico. Como podemos trabalhar para reduzir essa autocrítica e ajudar o paciente a ver os comportamentos problemáticos de uma forma mais objetiva?
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A autocrítica severa no Transtorno de Personalidade Borderline costuma funcionar como uma espécie de “juiz interno” muito rígido. E, curiosamente, ela pode tanto levar à culpa excessiva quanto à negação. Em alguns momentos, reconhecer dificuldades parece insuportável, porque isso ativa uma avalanche de vergonha. Então, negar pode ser uma forma de evitar esse ataque interno.

Por isso, o trabalho não começa tentando aumentar a responsabilidade diretamente, mas diminuindo o tom desse crítico interno. Quando a pessoa só consegue olhar para si com dureza, qualquer tentativa de reflexão vira punição. O cérebro entra em modo de defesa, e a negação aparece como proteção. Reduzir a autocrítica, portanto, não é “passar a mão na cabeça”, mas criar condições para que a pessoa consiga se observar sem se destruir emocionalmente.

Uma estratégia importante é ajudar o paciente a diferenciar avaliação de julgamento. Observar um comportamento não precisa significar condenar quem ele é. Aos poucos, o terapeuta vai ajudando a construir um olhar mais descritivo e menos acusatório. Algo como: “isso aconteceu, teve esse efeito, vamos entender o processo”. Essa mudança de linguagem interna faz muita diferença.

Também é útil explorar a função dessa autocrítica. Muitas vezes, ela surgiu como uma tentativa de controle ou proteção, como se fosse uma forma de evitar erros ou rejeição. Algumas perguntas podem ajudar: o que essa parte crítica acredita que vai acontecer se ela diminuir? De quem essa voz se parece? E o que muda quando você tenta olhar para si com um pouco mais de curiosidade do que julgamento?

Com o tempo, quando a autocrítica diminui, a pessoa passa a conseguir reconhecer seus comportamentos com mais clareza. A negação perde força porque já não é tão necessário se proteger de si mesmo. E isso abre espaço para mudanças mais consistentes.

Esse é um processo que exige cuidado e consistência, mas costuma transformar profundamente a relação que o paciente tem consigo mesmo. Caso precise, estou à disposição.

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 Larissa Zani
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem?

A autocrítica no Transtorno de Personalidade Borderline costuma ser muito mais do que um “jeito de pensar negativo”. Ela frequentemente funciona como uma tentativa de manter algum senso de controle interno, como se o paciente acreditasse que, sendo duro consigo mesmo, conseguiria evitar erros, rejeições ou perdas. Quando o diagnóstico aparece, essa autocrítica pode se intensificar, porque a pessoa passa a usar o rótulo como prova de que “tem algo errado comigo”, o que alimenta ainda mais a negação.

Nesse contexto, o trabalho não é simplesmente diminuir a autocrítica, mas ajudá-la a ser compreendida na sua função. Quando o paciente percebe que essa voz crítica não surgiu por acaso, mas como uma forma aprendida de lidar com experiências difíceis, algo começa a se flexibilizar. Em vez de lutar contra a autocrítica, ele começa a observar como ela opera, quando aparece e o que tenta evitar.

Um caminho bastante efetivo é ajudar o paciente a diferenciar julgamento de observação. A autocrítica costuma vir carregada de rótulos globais, como “eu sou errado” ou “eu estrago tudo”. Já a observação é mais específica e menos ameaçadora, algo como “nessa situação eu reagi de forma impulsiva”. Essa mudança parece simples, mas tem um impacto profundo, porque permite olhar para o comportamento sem colapsar a identidade inteira junto.

Também é importante introduzir, de forma gradual, uma postura mais compassiva, sem que isso soe artificial ou forçado. Para muitos pacientes, ser gentil consigo mesmo no início parece estranho ou até perigoso. Então, o processo costuma começar com pequenas aberturas: reconhecer que aquele comportamento teve um contexto, que houve uma emoção intensa envolvida, que existia uma tentativa de lidar com algo difícil, mesmo que de forma disfuncional.

Algumas perguntas podem ajudar nessa transição: quando essa voz crítica aparece, o que exatamente ela está tentando evitar? Como você falaria com alguém que estivesse passando pela mesma situação? O que muda quando você descreve o que aconteceu em vez de se definir por isso? E em quais momentos você percebe que essa autocrítica aumenta ainda mais o seu sofrimento?

Quando o paciente começa a olhar para seus comportamentos com mais precisão e menos julgamento, a objetividade surge quase como consequência. E, curiosamente, isso não diminui a responsabilidade, mas aumenta a capacidade real de mudança, porque agora ele consegue enxergar o que precisa ser trabalhado sem se destruir no processo.

Caso precise, estou à disposição.

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