O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode querer “testar” se o terapeuta ague

4 respostas
O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode querer “testar” se o terapeuta aguenta suas emoções?
 Isabela Zeggiato Passos
Psicólogo, Psicanalista
São Paulo
Sim, e isso acontece com mais frequência do que se imagina. Testar o terapeuta é uma forma de perguntar, sem palavras, se ele vai ficar mesmo quando as coisas ficarem difíceis. Para quem viveu relações onde o outro recuou diante da intensidade, sumiu na hora do conflito ou só ficou enquanto tudo estava bem, faz todo sentido precisar verificar se esse vínculo é diferente. O teste não é manipulação, é uma necessidade legítima de segurança que ainda não encontrou outra forma de se expressar. Um bom terapeuta não recua, não pune e não desaparece diante dessas situações, e é exatamente essa constância que vai, aos poucos, criando algo novo para essa pessoa. O momento do teste é parte do tratamento, não um obstáculo a ele.

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Sim, e isso é uma característica muito comum e esperada dentro do processo clínico. Para quem convive com o transtorno, as relações costumam ser marcadas por um medo profundo do abandono e pela sensação de que suas emoções são "pesadas demais" para os outros.
​Na terapia, esse "teste" funciona como uma busca inconsciente por segurança. O paciente projeta suas angústias e intensidades para verificar se aquele profissional é capaz de suportar o que ele sente sem desistir, sem se chocar e sem ir embora. É como se ele precisasse confirmar: "Eu posso ser eu mesmo, com toda a minha dor, e você ainda estará aí na próxima sessão?"
​Quando o terapeuta mantém a estabilidade e acolhe essa intensidade sem reagir com rejeição, ele oferece ao paciente uma experiência nova e transformadora. Esse movimento não é uma provocação pessoal, mas sim um pedido de socorro e uma tentativa de construir, talvez pela primeira vez, um vínculo onde o afeto e a estabilidade caminham juntos.
Sim, os chamados "testes de realidade" ou "testes do vínculo" são uma das dinâmicas mais comuns e desafiadoras no tratamento do TPB. Para o paciente, esses testes não são uma manipulação consciente ou malvada, mas uma necessidade desesperada de verificar se o terapeuta é um "objeto" seguro.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Sim, isso pode acontecer, e é algo relativamente comum no Transtorno de Personalidade Borderline. Esse “testar” não costuma ser uma estratégia consciente ou manipulativa, mas uma forma de verificar, na prática, se o vínculo é realmente seguro.

Quando a pessoa tem uma história marcada por instabilidade emocional ou experiências de abandono, confiar apenas na palavra do outro pode não ser suficiente. Então, em vez de perguntar diretamente “você vai continuar aqui?”, isso pode aparecer como comportamentos mais intensos, expressão emocional elevada ou até momentos de confronto. É como se a mente precisasse de uma prova vivida de que o outro não vai se afastar.

Esses testes muitas vezes envolvem levar a relação a um ponto de tensão, para ver se o terapeuta se mantém estável, presente e coerente. Não é um desejo de afastar, mas uma tentativa de confirmar segurança. O problema é que, sem compreensão, isso pode ser interpretado como oposição ou dificuldade, quando na verdade é uma busca por estabilidade.

Do ponto de vista clínico, o papel do terapeuta não é “passar no teste” de forma passiva, mas compreender o que está acontecendo e ajudar a dar nome a esse movimento. Quando isso é feito de forma consistente, a pessoa começa a internalizar a experiência de que o vínculo pode suportar intensidade sem se romper.

Talvez faça sentido você refletir: quando você sente que alguém é importante para você, existe uma necessidade de ver como essa pessoa reage em situações mais difíceis? Você já percebeu comportamentos seus que parecem, de alguma forma, “colocar a relação à prova”?

Entender esse processo ajuda a sair da ideia de que é algo problemático por si só e permite enxergar como uma tentativa de construir confiança, ainda que de uma forma que pode ser ajustada ao longo do tempo. Caso precise, estou à disposição.

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