O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode sentir ciúmes do terapeuta?

4 respostas
O paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode sentir ciúmes do terapeuta?
Sim. No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), é possível que o paciente experimente ciúmes do terapeuta, especialmente em função do medo de abandono, da sensibilidade à exclusividade do vínculo e de padrões de apego inseguro. Esses sentimentos fazem parte da dinâmica transferencial e podem ser trabalhados clinicamente para promover maior compreensão emocional e estabilidade nos vínculos.

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Sim. Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem sentir ciúmes do terapeuta. Esse sentimento surge da combinação entre medo de abandono e alta sensibilidade à exclusividade do vínculo terapêutico. Trata se de uma manifestação comum dentro da dinâmica transferencial e pode ser trabalhada em terapia para ampliar a compreensão emocional e promover vínculos mais estáveis.

Atenciosamente,
Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
Fernadosegundo.com
Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia On-line e em Vitória-ES
Abraços
Sim, o ciúme em relação ao terapeuta é um fenômeno comum no tratamento do TPB e é compreendido pelas teorias das relações objetais como uma manifestação da transferência.
Como o terapeuta assume o papel de uma figura de apego central (um "objeto" de segurança), o paciente pode projetar nele desejos e medos infantis, gerando ciúmes.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Sim, o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline pode sentir ciúmes do terapeuta, e isso faz mais sentido do que parece à primeira vista. Quando o vínculo terapêutico se torna significativo, ele ativa o sistema de apego, e com isso vêm também emoções como medo de perda, comparação e necessidade de exclusividade.

Esse ciúme não é sobre o terapeuta em si, mas sobre o lugar que a relação ocupa emocionalmente. Pode surgir, por exemplo, ao imaginar que o terapeuta atende outras pessoas, ao perceber limites na relação ou ao sentir que não é “especial o suficiente” naquele vínculo. Essas experiências tocam diretamente em temas mais profundos, como medo de abandono e sensação de não ser suficiente.

Não é algo consciente ou planejado. É uma reação emocional que emerge de um sistema que busca segurança, mas que também teme perdê-la. É como se a proximidade ativasse não só o desejo de conexão, mas também a insegurança de que essa conexão possa ser ameaçada ou compartilhada.

Do ponto de vista clínico, isso não é visto como um problema a ser evitado, mas como um material importante de trabalho. Esses sentimentos ajudam a entender como a pessoa vive suas relações e permitem que o terapeuta ajude a construir uma experiência mais estável, onde o vínculo não precisa ser exclusivo para ser seguro.

Talvez faça sentido você refletir: quando você se sente próximo de alguém importante, surge também uma preocupação em “dividir” essa pessoa com outros? Existe uma sensação de que o vínculo pode perder valor se não for exclusivo? E como você reage quando percebe limites nessa relação?

Quando esses sentimentos são compreendidos dentro da terapia, eles deixam de ser apenas desconfortáveis e passam a ser caminhos para aprofundar a compreensão sobre o funcionamento emocional e relacional. Caso precise, estou à disposição.

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