O que é a "Invalidação Somática" e como ela aparece na sessão dos pacientes com Transtorno de Person

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O que é a "Invalidação Somática" e como ela aparece na sessão dos pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
O termo mais correto é invalidação emocional. Ocorre quando a dor do outro não é levada em consideração, não sei se você já ouviu dizer, por exemplo, "fulano de tal está de onda, isso é uma dorzinha". Isso pode trazer consequências, a pessoa pode duvidar de seu próprio sofrer.

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A invalidação somática é um conceito usado principalmente na psicologia corporal e se refere ao processo em que as sensações, emoções, os sinais do corpo de uma pessoa são ignorados ou desacreditados. O corpo é uma via essencial de comunicação emocional e quando há invalidação somática a pessoa pode perder a conexão com o próprio corpo, reprimindo emoções como tristeza e ansiedade. Pessoas com TPB já carregam, na história, experiências de invalidação emocional e corporal, ou seja, quando sente algo no corpo, rapidamente invalida dizendo: “Acho que estou exagerando” ou “Não sei se é real ou coisa da minha cabeça”, porque há uma ruptura entre sentir e confiar no que se sente.
 Juliana  da Cruz Barros Neves
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

A invalidação somática é um fenômeno em que as experiências corporais e emocionais do paciente não são reconhecidas, compreendidas ou legitimadas, seja por outras pessoas ao longo da vida, seja até por ele mesmo. No caso do Transtorno de Personalidade Borderline, isso costuma ter raízes em histórias onde o corpo “falava” através de emoções intensas, mas o ambiente respondia como se aquilo fosse exagero, drama ou algo a ser ignorado. Com o tempo, o próprio sistema emocional aprende a duvidar dos seus sinais, ao mesmo tempo em que continua reagindo com muita intensidade.

Na sessão, isso pode aparecer de formas bem sutis. Às vezes o paciente descreve sensações físicas fortes, como aperto no peito, vazio, calor, tensão, mas rapidamente desqualifica o que sente, dizendo coisas como “acho que é besteira” ou “nem deve ser nada”. Em outros momentos, ele pode buscar no terapeuta uma confirmação externa quase imediata de que aquilo é válido, como se ainda estivesse tentando descobrir se pode confiar no próprio corpo. É como se o organismo estivesse gritando, mas a mente tivesse aprendido a colocar esse grito em dúvida.

Do ponto de vista da neurociência, o corpo e as emoções estão profundamente conectados. Quando alguém cresce em um ambiente invalidante, áreas do cérebro ligadas à percepção de segurança e regulação emocional podem ficar mais sensíveis, fazendo com que as reações sejam intensas e, ao mesmo tempo, confusas. Isso ajuda a entender por que, em muitos casos, o paciente sente muito, mas não consegue organizar ou confiar plenamente no que sente.

Na prática clínica, o trabalho passa por ajudar o paciente a reconstruir essa ponte entre sensação, emoção e significado. Não se trata apenas de validar tudo automaticamente, mas de ensinar a pessoa a observar o próprio corpo com mais curiosidade e menos julgamento. Aos poucos, o que antes parecia caótico começa a ganhar nome, forma e sentido.

Talvez faça sentido você refletir sobre algumas coisas: quando você sente algo no corpo, tende a confiar ou a duvidar dessa sensação? Em que momentos você percebe que precisa que alguém confirme o que está sentindo? Essas experiências já foram ignoradas ou minimizadas por alguém importante na sua história? E hoje, como você reage quando suas emoções ficam mais intensas?

Esse tipo de compreensão, quando aprofundado em terapia, costuma abrir caminhos importantes para regulação emocional e construção de uma relação mais segura consigo mesmo. Caso precise, estou à disposição.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? “Invalidação somática” é uma expressão que pode ser entendida como a desqualificação, minimização ou descrença em relação ao que a pessoa sente no corpo. No contexto do Transtorno de Personalidade Borderline, isso pode aparecer quando o paciente relata sensações físicas intensas, como aperto no peito, nó na garganta, dor, tremores, cansaço extremo, agitação ou sensação de vazio corporal, e percebe que essas experiências são tratadas como exagero, drama ou “coisa da cabeça”.

É importante fazer uma diferenciação cuidadosa: dizer que uma sensação corporal pode ter relação com a emoção não significa dizer que ela é falsa. O corpo participa da vida emocional. Quando alguém se sente ameaçado, rejeitado, abandonado ou envergonhado, o sistema emocional pode acionar respostas físicas muito reais. A mente não sofre sozinha; o corpo muitas vezes vira o alto-falante de uma dor que ainda não encontrou palavras.

Na sessão, isso pode aparecer quando o paciente diz que “sente tudo no corpo”, mas tem dificuldade de nomear a emoção por trás da sensação. O terapeuta pode investigar com cuidado: quando esse aperto começou? O que aconteceu antes? Essa sensação parece medo, raiva, vergonha, tristeza ou abandono? O corpo está tentando avisar algo ou proteger você de alguma experiência que parece perigosa demais?

O cuidado terapêutico está em validar a experiência corporal sem transformar toda sensação física automaticamente em emoção. Quando necessário, uma avaliação médica ou psiquiátrica pode ser importante, especialmente se houver sintomas intensos, novos ou persistentes. Ao mesmo tempo, na psicoterapia, é possível ajudar o paciente a perceber a relação entre corpo, emoção, pensamento e vínculo, reduzindo a sensação de estar sendo “desacreditado” ou abandonado até pela própria experiência interna.

Em pacientes com TPB, essa validação é muito relevante, porque muitas histórias de invalidação emocional também passam pelo corpo. Às vezes, a pessoa não aprendeu a confiar no que sente, nem a traduzir sensações em necessidades. A terapia pode ajudar justamente nesse ponto: transformar sinais corporais confusos em compreensão emocional, sem julgamento e sem pressa. Caso precise, estou à disposição.

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