. O que é o "Efeito Iatrogênico" no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

6 respostas
. O que é o "Efeito Iatrogênico" no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
Dr. Vinícius  Buono
Fisioterapeuta, Psicanalista
Praia Grande
Olá, sou Doutor Vinícius Buono, doutor em Psicanálise, respondendo sua pergunta.

O chamado “efeito iatrogênico” no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) acontece quando, mesmo sem intenção, a própria forma de condução da terapia acaba prejudicando o paciente ao invés de ajudar.

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando há inconsistência no vínculo terapêutico (como cancelamentos frequentes), excesso de validação sem trabalhar responsabilidade, confrontos muito duros, ou até quando se cria uma dependência emocional do paciente em relação ao terapeuta. Como pessoas com TPB já têm uma sensibilidade maior ao abandono, à rejeição e às oscilações nas relações, qualquer falha nesse manejo pode intensificar os sintomas.

Por isso, o tratamento precisa ser muito bem estruturado, com limites claros, consistência e um equilíbrio entre acolhimento e responsabilização, sempre visando desenvolver mais autonomia no paciente.

Agora, se você quiser, me conte mais: o que aconteceu na sua terapia que te fez pensar nisso?

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Quando a própria intervenção clínica, em vez de ajudar, acaba agravando o quadro.
Isso pode acontecer, por exemplo, com condutas inconsistentes, excesso de intervenções, ou manejo inadequado dos limites terapêuticos.
No TPB, onde há intensa sensibilidade ao vínculo, falhas na relação terapêutica podem reforçar abandono, dependência ou desorganização emocional. Também pode surgir quando há medicalização excessiva ou interpretações fora do tempo do paciente. Por isso, o cuidado exige técnica, constância e uma escuta muito bem sustentada.
O efeito iatrogênico refere-se a qualquer dano, complicação ou agravamento de um quadro clínico causado, de forma não intencional, pela própria intervenção profissional, pelo tratamento ou pelo ambiente institucional. No contexto específico do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), esse fenômeno é uma preocupação constante e exige uma sensibilidade aguçada da equipe de saúde.

Muitas vezes, o paciente com TPB chega ao tratamento com um histórico de profunda invalidação emocional. Se o profissional de saúde, mesmo sem perceber, adota uma postura excessivamente rígida, fria ou, ao contrário, uma postura de salvacionismo que retira a autonomia do indivíduo, ele pode acabar reproduzindo esses traumas anteriores. Isso pode resultar no aumento de crises, na intensificação de comportamentos de autolesão ou em um sentimento de abandono quando limites necessários são estabelecidos sem a devida validação.

Outra forma comum de iatrogenia no TPB ocorre através da polifarmácia excessiva ou de internações hospitalares prolongadas e desestruturadas, que podem reforçar a percepção de incapacidade e a perda de identidade do paciente. Quando o tratamento foca apenas no controle do sintoma e ignora a dor subjetiva e a necessidade de vínculo seguro, o efeito pode ser o oposto do desejado: em vez de estabilidade, gera-se mais instabilidade. Por isso, a abordagem para o TPB deve ser pautada na empatia, no manejo cuidadoso dos limites e, acima de tudo, em uma aliança terapêutica que reconheça a pessoa para além do seu diagnóstico.
O efeito iatrogênico no TPB é quando o tratamento desorganiza mais do que ajuda, aumentando sintomas como impulsividade, instabilidade emocional, conflitos e sensação de vazio.
No Transtorno de Personalidade Borderline, o “efeito iatrogênico” significa quando um tratamento, em vez de ajudar, acaba piorando o que a pessoa está sentindo.
Isso pode acontecer, por exemplo, quando a pessoa se sente invalidada, mal compreendida ou quando a relação com o profissional fica instável o que pode intensificar emoções, crises ou comportamentos impulsivos.
Por isso, no seu tratamento, o mais importante não é só o que é feito, mas como é feito: com cuidado, constância e uma relação segura, para realmente te ajudar a melhorar, e não reforçar o sofrimento.
 Rosana Britva
Psicanalista
São Paulo
Olá, este efeito refere-se a danos ou pioras causados pelo próprio tratamento ou pelo profissional de saúde, e não pela doença em si.
No contexto do TPB, esse efeito é especialmente relevante e estudado porque a própria natureza do transtorno torna certas abordagens terapêuticas potencialmente prejudiciais. Mas vale lembrar que cada caso é um caso, e o ideal é procurar um profissional especializado e conversar mais, caso seja o seu caso ou de algum conhecido seu.

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